Capítulo 10

Fake Hiro

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Na manhã seguinte ao incidente com a flor, Selena apareceu no jardim segurando um pequeno frasco, com um liquido puramente negro dentro…

Lo estava se preparando alegremente para plantar as novas sementes que conseguiu noite passada.

— Aqui, isso é seu, Lo.

— Hmmm~ O que foi, mãe~? H-hã? O que é isso? Parece um pouco assustador…

— É um remédio que eu produzi a partir da sua flor. Em teoria, ele é capaz de curar qualquer machucado ou doença. Como a flor era sua, é natural que fique com você. Aqui, pegue, considere o tempo que eu levei para preparar isso como um presente.

— O-ok então… Obrigada mãe! Mas essa cor não é um pouco estranha para ser um remédio…? S-sabe que qualquer remédio pode ser um veneno para o corpo se usado da maneira errada… Nesse caso, me pergunto se o processo de fabricação também não poderia ser um fator de risco…? V-você já confirmou os efeitos…? (Conhecendo a mãe vermelha e suas habilidades de culinária e manufatura, não teria como algo ter dado errado, certo? Como daquela vez em que ela preparou o café da manhã para todo mundo, e ficamos com dor de barriga por toda a semana… Ou quando ela foi consertar o fogão e a cozinha explodiu… Certo…?)

— Não acho que tenha nada de errado. É verdade que eu não tinha todos os ingredientes do livro e tive de usar outros parecidos, além de que também pulei alguns processos complicados… Mas no final ocorreu tudo bem!

— (Uuuu… Eu não quero ferir a autoconfiança da mãe… Mas também não quero que ninguém morra por causa desse negócio…)

Nesse momento, Selena tem uma nova ideia.

— Ah! Já sei, vamos pedir para a Tsubaki dar uma olhada! Tsubaki!

— N-não acho que seja uma boa—

Mas a interjeição de Lo é interrompida pela chegada quase imediata da Tsubaki.

— Fufu, as duas normalmente são tão quietas, mas têm levantado a voz bastante desde ontem à noite… Precisam da minha ajuda, afinal de contas…?

— Aqui, Tsubaki. Pode dar uma olhada para ver se o conteúdo é veneno ou remédio?

A Tsubaki olha para o frasco que Selena lhe estendeu.

— … Fufu, tudo depende da doença e da quantidade… Mas posso ver o quanto seria necessário para matar alguém…

A Tsubaki pega o frasco e olha mais de perto. Então ela o abre e tenta sentir o odor do líquido.

— Fufu… Interessante… Mesmo olhando de perto, não consigo ver nada. O líquido é completamente negro, como se absorvesse toda a luz… Além de também não ter cheiro algum… Diferentemente da água, não consigo ver nenhuma molécula saindo… O único jeito de saber os efeitos seria provando um pouco… Tudo bem se eu beber? Vai ser menos que uma gota, ainda vai sobrar bastante— Professora, pela cara que você está fazendo, foi para isso mesmo que você me chamou, não foi…?

— Bom, é mais para desencargo de consciência da Lo mesmo. Mas se isso realmente for uma cura milagrosa, quem sabe—

— E-espera! Eu não acho que isso seja seguro, Tsubaki-nee!

— Fufu, o que você quer dizer com isso, Lo? Você sabe que meu corpo é praticamente indestrutível.

A Tsubaki traz o frasco para mais perto de sua boca.

— Justamente! O que eu quero dizer, é que esse “praticamente” antes do “indestrutível”, é exatamente o problema!

Lo segura o braço da Tsubaki.

— Fufu… Não precisa se preocupar comigo Lo. A minha resistência à doenças e magias é a maior na família…

Tsubaki traz o frasco para mais perto de sua boca.

— M-mas nós não temos nenhum dragão na família!

Lo o afasta mais uma vez.

— E-ei! Você não confia na sua mãe, pelo menos!?

Selena usa seus braços para ajudar a Tsubaki.

— Fu… Fu… Não me subestime, Lo, pode confiar em mim para isso, pelo menos…

Tsubaki começa a usar mais força.

— Isso não tem nada a ver com confiança! E muito menos estou subestimando ninguém! Mas acho que isso está perigoso e que é melhor chamarmos a Rach-nee ou Morgan antes de nos precipitarmos!!!

Os olhos da Lo brilham em um carmesim profundo, enquanto a mana de seu corpo começa a se agitar.

As três exclamam.

— “Ah!”

Na confusão, o frasco acaba por balançar um pouco, e acaba derrubando uma única gota, em direção ao solo.

As alraunes, vendo isso, rapidamente fogem do telhado, por instinto.

Quando a gota toca o chão, imediatamente, toda a terra do jardim se transforma em areia e as flores murcham, secam, morrem e  finalmente se transformam em pó.

Tsubaki e Selena percebem que a situação azedou, mas não conseguem formular uma sentença para consolar Lo.

— “A-ah…”

— N-nãããããããoooooooooo!!!! Iiiiiyaaaaaaaaa!!!!

Lo cai ao chão, gritando.

— Por queeeee!!!??? *chuiff* *chuiff* Não!!! Não!! Não! Não. Não.. Não… *chuiff* *chuiff*

— (P-professora, pelos deuses, usa a magia de cura nessas plantas! Ressurreição, sei lá, o que precisar!)

— (Você acha que eu já não tentei!? Essas daí morreram mais do que permanentemente!)

Selena então decide tentar repetir a mesma frase que usou no dia anterior.

— L-lo, sentimos muito… Mas tudo tem o seu próprio tempo e—

Porém, ao se aproximar para abraçar a Lo, Selena é encarada por seus brilhantes olhos carmesins, o que faz com que ela engula suas palavres e se afaste instintivamente.

— Desculpa, Lo! Mas não se preocupe, pois eu e a professora vamos financiar todas as flores do seu novo jardim! V-vou até a loja imediatamente para encomendar—

Tsubaki demonstra a intenção de resolver as coisas com dinheiro e ir embora—

— ESPERA!

Mas Lo agarra a sua perna.

— VOCÊ AINDA TEM DE EXPERIMENTAR O FRASCO PARA VER SE NÃO É UM REMÉDIO…

— N-não acho que seja necessário, Lo, você não acabou de ver—

Tsubaki tenta fazer um apelo por sua vida, mas é cortada.

— Ver o que!!!??? Eu só vi que a gota caiu no chão!!! Mas não tem como o jardim que eu venho cultivando por sete anos ter sido envenenado e morrido em um instante!!! Prova pra mim que isso é um remédio, e que se eu piscar os olhos vou ver que tudo não passou de um mal entendido!!!

— E-espera, Lo, em momentos como esse, a primeira coisa que temos de fazer é manter a calma—

— Então toma você, mãe!!! Se você me pediu para confiar no que você disse, que é um remédio, então não tem nenhum problema se você tomar um pouco para mostrar que tudo bem, certo!!!??? E você, Tsubaki, tá com medo do que!!!??? Você não é a mais resistente da família!!!??? Então calem a boca e tomem logo a droga do veneno!!!

Tsubaki e Selena respondem juntas.

— “Mas você acabou de admitir que é veneno!”

Logo em seguida, é a vez das alraunes de se manifestarem.

— “Mestra, estamos com fome…”

O jardim da Lo foi provisoriamente realocado para os arredores da casa, enquanto as três trabalhavam na reconstrução do telhado…

Agora só faltava discutir o que deveriam fazer com o veneno.

— Então… Já que a flor era sua, o frasco também é seu, Lo…

Selena estava tentando passar a responsabilidade para a sua filha de treze anos.

— S-sem chances! Eu não posso ficar com esse frasco genocida! Olha o que aconteceu com o meu jardim! Mãe, não foi você que fez esse veneno!? Não é você que tem que cuidar dele agora!?

— Hmmm… Se a Lo cuidou da flor e eu fiz o veneno, então agora que você também já é cumplice, sua vez de participar, Tsubaki. Como a mais velha, você tem que ajudar a sua irmãzinha, não é mesmo?

— Fufu, não tenta jogar isso para mim, eu nem sabia o que estava acontecendo até você me chamar. Além disso, se formos começar a falar de idade, então quem tem que cuidar disso é você.

— Que!? Cê tá me chamando de velha!?

— M-mas não foi você que começou com o assunto!?

— C-calma! Sem brigas no jardim! Ou o que sobrou dele…

Lo faz um apelo enquanto olha para o deserto que chamava de jardim.

— … O que fazer então? Eu tenho alguns amigos que poderiam ficar com isso por mim, mas dar uma arma de destruição em massa para eles pode não ser a melhor das ideias… E também não podemos simplesmente descartar isso em qualquer lugar… Acho que temos que deixar a decisão para alguém mais responsável…

Selena recomeça o debate.

— Poderíamos perguntar para a Mu-nee ou a mãe azul, mas acho que elas se enquadram mais em responsabilidade com os afazeres domésticos e assuntos de medicina…

Lo continua.

— Fufu… Então isso nos deixa apenas com a Rachel ou Morgan…

Tsubaki propõe.

— Não sei… Eu tenho a impressão de que se a Rachel ou Morgan descobrirem o que aconteceu aqui… Vão nos matar…

Selena faz uma constatação da realidade.

— A Rach-nee realmente fica assustadora quando esta brava…

Lo comenta.

“Você só diz isso porque nunca viu Morgan com raiva!!!” É o que Selena e Tsubaki queriam responder, mas a amada irmã mais nova não conseguiria entender.

— Fufu, mas já que Morgan vai sair em viajem logo mais, acredito que poderíamos esconder o frasco em sua mochila…

— Genial! E se dissermos que é um presente da Lo, tenho certeza de que Morgan vai amar! Dois coelhos com uma cajadada!

— Hã? É-é mesmo?

Lo pergunta, ao que Tsubaki e Selena respondem juntas.

— “Morgan, deixamos o resto com você!”

Então, sem saberem o que fazer com um veneno capaz de causar um genocídio em massa, decidiram se livrar do fardo passando ele para Morgan, que não sabia de nada…

Agora, de volta ao presente, Selena estava conversando com a Tsubaki e a Lo…

— Então… Vocês acham que Morgan gostou do nosso pequeno presente?

Selena pergunta.

— Fufu… Quem sabe. Pode ser que realmente possa servir para algo algum dia desses.

Tsubaki responde.

— Só espero que não fique com raiva da gente…

Lo complementa.

— Fufu, não se preocupe, foi justamente por isso que fizemos com que fosse um presente seu, Lo. Mas estou curiosa em saber como Morgan está…

Tsubaki diz, enquanto passa a olhar para o céu.

— É… Também já estou com saudades…

Selena também olha para o céu.

— Mas isso não é desculpa para as duas pararem de trabalhar! Ainda temos que terminar de reconstruir o meu jardim! Vamos, Tsubaki, você ainda tem de terminar de remover a terra improdutiva (areia)! E mãe, você tem que me ajudar a colocar a nova terra! Depois ainda temos que mover as alraunes de volta e plantar as sementes da rosa! Vamos! Os novos girassóis e lírios já vão chegar em dois dias, e depois ainda temos que…

Tsubaki e Selena respondem juntas.

— “Tá, tá…”

E assim, a reconstrução do jardim prosseguiu a pequenos passos…

 

 

Diário de Monstros, por Morgan Accelheart

 

Alraunes

São monstas com funções biológicas mais similares às plantas do que aos animas. Comumente, existe uma confusão sobre se seriam plantas que evoluíram para serem capazes de terem pensamentos racionais e a habilidade de se movimentarem; ou se são propriamente monstas. Porém, a capacidade de se reproduzirem com humas ou outros monstas, deixa claro que também são uma subespécie de monstas.

Dentro da subespécie alraune, também existem diversas outras microespécies, como as mandrágoras, as venenosas, as carnívoras, as leguminosas, as frutíferas, etc.

As características em comum entre as microespécies são terem corpos capazes de produzir energia por autotrofia, ao absorver a luz do sol e os nutrientes do solo. Algumas são capazes de produzirem frutas ou legumes, para atrair outros seres, que podem ajudar a espalhar suas sementes para reprodução, ou com os quais podem realizar trocas que auxiliem em sua subsistência. As carnívoras podem complementar sua absorção de nutrientes, capturando desde pequenos insetos, até criaturas maiores – nos tempos de guerra, faziam parte de um grupo de monstas conhecido como devoradores de cadáveres.

A maioria das alraunes preferem não se mover na maior parte do tempo, guardando suas energias. Mas existem casos raros de alraunes que gostam de conversar, ou mesmo aquelas que se divertem ao viajar, ou mesmo trabalhar ou fazer atividades variadas. Alraunes são uma visão comum em diversos assentamentos, e costumam ter uma relação simbiótica com fazendeiros e similares.

Apesar de uma aparente semelhança, não devem ser confundidas com dríades, que são espíritos não mortos-vivos, que nascem em árvores antigas, e que recebem sua nutrição delas. A classificação dos dríades é mais complicada, considerando que são monstas capazes de se esconderem perfeitamente dentro de suas árvores, não sendo possível revelá-los a menos que os próprios queiram. Isso somado ao fato de que dríades procuram evitar qualquer contato com outras criaturas racionais.

Por isso, dríades são considerados apenas como lendas, já que é impossível de se comprovar sua existência sem que eles se revelem por sua própria vontade. Casos em que eles foram documentados são raros, já que falar seriamente sobre ter visto um dríade seria considerado uma história fictícia, uma piada, ou um sinal de que você estaria ficando louco…

Aviso do Autor:

Dracorr Ira Nova

Dracorr Ira Nova

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