Capítulo 11

Fake Hiro

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Na cidade acadêmica, uma garota com cabelos cor de mel, e vestida em uma elegante armadura dourada, carregando uma espada pendurada em sua cintura, estava no meio de uma discussão com alguns acadêmicos de idades variadas. Ela era supervisionada por uma mulher de cabelo rosa, coberta por um estranho vestido babado rosa em sua metade esquerda e preto na direita, que segurava uma sombrinha aberta acima de sua cabeça, com uma coloração similar à do vestido…

A garota levanta a voz, enquanto exibe um documento em papel.

— Nós da Religias não sabemos como que vocês conseguiram avançar tanto em suas pesquisas com monstas… Mas não interessa. Eu fui enviada para cá com ordens para fazer com que vocês encerrem imediatamente as pesquisas listadas neste documento, já que foi comprovado que vocês estão se aprofundando em tópicos nos quais nós temos exclusividade.

Mas ela é rebatida pelos acadêmicos.

— Mas vocês não podem simplesmente cancelar as pesquisas às quais dedicamos todas as nossas vidas!

— Especialmente quando estamos tão próximos de obter resultados!

— Além disso, a Religias não pode simplesmente reservar para si os direitos sobre determinados conhecimentos! Todos temos o direito de saber e de usar o conhecimento! Especialmente os monstas que vêm nos ajudando a tanto tempo!

— E de qualquer forma, a Religias não tem nenhuma jurisdição, não aqui e nem em nenhum outro lugar, nós vivemos no território do Reino (de Rosewald)!

Diante de uma multidão furiosa, o normal seria que qualquer um ficasse intimidado… Mas o que realmente assustava a garota era não saber qual seria a reação da mulher que a estava acompanhando…

A mulher era Erika, da diligência.

Apesar de a Religias já estar em um processo de perda de sua influência há vinte e cinco anos, desde o término da guerra, a organização ainda era considerada como a portadora do maior poderio militar de humas no reino, mesmo se comparada com o exército real.

A Religias possuía conexões por todo o território do Reino e recrutava apenas os melhores indivíduos para comporem a sua organização.

Dentre tais membros, estavam as sete virtudes. Respondendo diretamente a Machina, o título conferido a quem ocupa a posição de líder da organização, eles eram os sete membros mais influentes em seguida. Os títulos conferidos a tais membros são: diligência, caridade, amor/zelo, castidade, humildade, temperança e empatia.

E como a garota, Linda, temia, a reação da Erika foi levantar a voz contra a multidão.

— Seus vermes mal-agradecidos! Vocês dizem tais coisas, se esquecendo de como foi construída a paz de que desfrutam!

Erika fecha a sua sombrinha e encara a multidão, com um brilho malicioso em seus olhos.

— P-por favor, espere, senhora Erika! Me permita tentar convencê-los por mais um tempo!

Linda se coloca entre sua supervisora e a multidão…

Erika franze a sobrancelha e se dirige a ela em particular.

— Hã!? Você compreende as consequências que essas pesquisas podem ter!? Você não deve pegar leve só porque eles são civis!

— E-eu entendo que as pesquisas deles vão providenciar informações para os monstas, que podem deixa-los ainda mais perigosos… Mas por favor, só estou lhe pedindo para não usarmos a violência para convencê-los. Eles também são humas… E além disso, não estamos mais em tempos de guerra…

— … Tudo bem. Já que essa é a primeira missão oficial da minha preciosa caloura, o melhor é deixar você aprender por conta própria… Mas como eu não tenho paciência para lidar com esses malditos tolos, vou deixar isso com você, e voltar para o hotel primeiro… Não traia a minha confiança, termine esse trabalho direito.

Então Erika passa os olhos por cima da multidão, antes de se virar e falar em um tom alto e assustador.

— Se eu tiver que voltar aqui, não vai ter mais conversa.

Ela reabre sua sombrinha, e começa a andar despreocupadamente pela rua, se afastando mais e mais.

— Ah… Os outros veteranos da Religias estavam certos… A senhora Erika realmente parte para a violência muito rápido quando o assunto envolve monstas… Mas não posso culpa-la, dizem que ela perdeu sua família durante a guerra… Com isso eu consigo me relacionar…

— Mas em um tópico não relacionado, por que será que ela usa roupas tão estranhas…?

A garota com cabelos cor de mel murmura para si mesma. Mas ao perceber a multidão confusa atrás dela, se volta de novo para eles.

Olhando para a multidão de acadêmicos, ela diz:

— Se vocês puderem, por favor, olhar aqui…

Ela mostra o documento mais uma vez.

— Esse selo é a prova de que já obtivemos a aprovação do Reino de Rosewald… Não há outra escolha, além de vocês colocarem um fim nas pesquisas…

— N-não pode ser…

— Saiam de nossa cidade, seus fantasmas do passado!

— Sua cachorra da Religias!

— Vaza daqui, sua cachorra!

— Clak clak clak!

A multidão começa a atirar objetos na Linda.

— (A-acho que seria demais esperar que eles conseguissem se conter depois dessa notícia… Mas não tinha necessidade de me insultarem, ou começarem a jogar objetos em mim, não é…? Espera, e eu ouvi um som irritante conhecido ou foi só impressão minha—? A-agh! U-um tomate!? Precisava disso…? Vai manchar minhas roupas… Mas de qualquer jeito…) Vocês tem uma semana a partir de agora para encerrarem suas atividades. Saibam que após esse período, eu tenho ordens para forçá-los a cumprirem os termos do documento…

Mas após dizer isso, Linda começou a ser alvejada ainda mais. Independentemente do que jogassem nela, ela não se machucaria fisicamente, devido a proteção de seus equipamentos mágicos, que a resguardavam de ataques tão fracos… Mas ainda assim, ela não podia deixar de se sentir triste, frente as implicações morais dessa agressão… Ser tratada assim pelas pessoas que você está tentando proteger…

Então, do nada, entre ela e a multidão, aparece uma jovem pessoa, com os braços abertos, protegendo Linda! Cabelos vermelhos curtos que não passavam da orelha, equipada com uma armadura leve, luvas, uma camisa de manga comprida e calças, que cobriam todo o seu corpo, com duas espadas embainhadas na cintura. Linda viu alguém com a aparência de um ikemen, complementada por ações de ikemen, aparecendo diante de seus olhos!

— Que vergonha de vocês! Como podem continuar atacando alguém que nem está tentando se defender!? Linda, você está bem!?

A pessoa de cabelos vermelhos grita contra a multidão, e então vira a cabeça para falar com Linda.

Linda responde em surpresa.

— H-hã!? Morgan!?

Seguida pela multidão.

— Ah! Morgan! Não pule na frente dela do nada!

— Clak clak clak!

— Parem! Nós vamos acabar acertando—

Quando perceberam foi tarde demais… Uma certa esqueleto louca, que tinha se juntado a multidão, já tinha jogado uma cadeira pesada, que acertou Morgan diretamente na cabeça…

— K-gh!

Linda é a primeira a reagir.

— H-hã!? Vocês estão malucos???!!! Quem que acabou de jogar uma cadeira!? Morgan, você está bem??? Ah! Espera! Você está sangrando!!!

— M-Morgan! Te machucamos!? Sentimos muito!!!

— Clak clak clak!

Linda corre para mais perto…

— Morgan, está doendo!?

Mas a cabeça de Morgan cai em um movimento fluido no peito de Linda.

— C-calma, o que você está fazendo!? V-você não pode me tocar ai do nada, na frente de todo mundo! Ah! M-mas não me interprete mal! N-não é como se eu não tivesse gostado, é só que ainda estou de armadura, e—! E-ei, você está me ouvindo—? Q-que—!? V-você desmaiou??? Pelos Deuses, Morgan desmaiou!!!

Linda grita desesperada.

— E-espera, por que diabos essa esqueleto está levantando outra cadeira? Alguém para ela!

Enquanto alguém da multidão percebe uma esqueleto realizando ações duvidosas.

A confusão continuou por mais um tempo. Enquanto Linda estava desesperada, usando magias de cura em Morgan, a multidão se voltou para impedir a esqueleto louca, que queria terminar o serviço que começou…

No quarto de hotel da Linda.

— Ngh…

Morgan abre os seus olhos lentamente.

— Ah! Morgan, você está bem? Como está se sentindo?

Linda separa a suas mãos das de Morgan, e aproxima suas faces.

— Ungh… Sim, estou bem… Mas o que aconteceu? Me lembro do que aconteceu até eu entrar na sua frente, e então… Sinto como se tivesse tomado uma pedrada na cabeça… Acho que ouvi uma voz irritante também antes disso…

— Bom… O que aconteceu não é muito longe disso…

— E você, não se machucou?

— Hã? N-não, não me machuquei… Estou bem, sabe, é que eu recebi esses equipamentos sagrados na Religias.

Linda mostra sua armadura dourada para Morgan.

— Precisaria de muito mais para conseguir me ferir agora…

— Ah, que bom! Então isso significa que você conseguiu ser promovida na ordem… Em que posição você já está agora?

— Ah, é… Eu fui escolhida.

— Você foi escolhida!? Então essa espada na sua cintura—!!?? Você virou uma hiro!?

Durante os seus longos anos de existência, a organização Religias foi capaz de obter, ou forjar, três das sete espadas do destino.

Elas são poderosas armas, que dão aos seus usuários poderes que vão além da razão. Capazes de transformar qualquer pessoa em um hiro, ou pelo menos lhes dar o poder de um…

Mas tais armas têm uma limitação. Cada uma delas tem sua própria condição para escolherem seus mestres.

Em sua longa história, a organização Religias faz com que cada um de seus membros passe por um teste de compatibilidade. Mas ainda assim, é comum que na maioria das gerações ninguém seja escolhido…

Assim, nos casos em que alguém fosse escolhido, essa pessoa receberia um tratamento preferencial, além de ser submetida a um controle mais rígido por parte da Religias…

Existem rumores de que os membros que são escolhidos por alguma dessas espadas receberão o título de uma das sete virtudes, e serão os candidatos com a maior probabilidade de ascenderem a Machina algum dia.

— S-sim, essa espada me escolheu…

— Caramba! Isso é incrível!!! Posso ver???

— Calma!

Morgan recebe um choque ao tocar na empunhadura da espada.

— Ai!

— Desculpa, ela não gosta de ser tocada por outras pessoas…

— Que legal! Ela até me deu um choque comparável com magia intermediária, só de tocar!

— É-é… (Morgan tem tanta maturidade em alguns aspectos, enquanto em outros… Se parece com uma criança…) Espera, quantas vezes você já não recebeu magias, para conseguir dizer a diferença em intensidade imediatamente…?

— Ah, além das minhas irmãs mais velhas, e mesmo as minhas mães, as minhas irmãs pequenas também gostam de praticar bastante comigo. Mas isso não vem ao caso agora! Quão rara não é essa situação!?

— Que eu tenha sido escolhida?

— Bom, isso também. Mas me refiro ao fato de que a virtude da caridade também foi escolhida por outra das três espadas da Religias, não é?

— Ah… Sim, é verdade…

— Incrível! Então duas das espadas da Religias escolheram seus mestres nessa geração—!!! A-ah… Mas isso não causou problemas para você, causou?

Ao longo da história, houveram poucos casos em que mais de uma das espadas da Religias escolheu um mestre durante a mesma geração. Mas em todos eles houve algum tipo de conflito por poder entre os escolhidos. Mesmo entre companheiros dessa mesma organização, existem casos históricos de assassinatos e extorsões.

— Sim, estou bem. Não houve nenhuma forma de atentado contra mim… E não acho que ele tentaria me machucar. Quando conversei com ele, ele parecia ser um idio— ter um rígido código de honra? Ele disse: “Eu nunca colocaria as mãos em uma garota, a menos que fosse para— Ufufufu”…

— …

— Além disso, sempre que eu saio em alguma missão, algum dos outros veteranos me acompanha, para me protegerem (e vigiarem), então tudo bem. Dessa vez estou com a senhora Erika…

— Erika…? Espera… Essa não era a virtude da diligência!? C-caramba, agora você está andando com pessoas tão importantes… Eu nunca me encontrei com nenhuma das virtudes… Mas você não acha que está indo rápido demais? Muito poder também significa muitos problemas, especialmente para alguém que é pego no meio…

— Parece bem convincente vindo de alguém que passou dezoito anos vivendo com um hiro… Mas você disse que nunca viu nenhuma das virtudes de perto? E quanto a senhora Helena? Ela pergunta de você todas as vezes em que conversamos.

— Ugh, não me fale daquela velha louca… Além disso, ela não é mais uma virtude.

— V-velha louca!? Você deve ser a única pessoa que conseguiu sobreviver depois de falar isso na cara da Machina…

— “Sobreviver” descreve bem os nossos encontros…

— Ah!

Linda exclama e ri para si mesma antes de continuar.

— Mas se você nunca tinha se encontrado com outra virtude, e-então acho que eu fiquei c-com a sua p-primeira v-vez… Já que você está olhando para a virtude da ca-! Ca-ca-ca-!!!

Linda interrompe sua sentença enquanto enrubesce de vergonha.

— Ca…?

Morgan repete o que Linda tentava dizer, procurando fazer sentido de sua frase.

— !!! Não interessa qual é, o importante é que eu sou uma virtude agora!

— ?! Você? Já é uma virtude? Mas como!?

Essa notícia acerta Morgan como um choque ainda maior do que o que havia recebido agora pouco. Para uma pessoa atualmente desempregada, sua amiga havia acabado de lhe dizer algo completamente absurdo, como se tivesse sido promovida para gerente de uma loja em apenas um dia, por conta de suas incríveis habilidades.

— Eu sou uma escolhida afinal de contas…Agora conseguiria destruir uma cidade grande apenas com um brandir da minha espada…

— …

— ?

— Nem vem, você só pode estar mentindo. A fracote da Linda não pode ter ficado tão forte… Um ano atrás você nem conseguia me acertar com suas magias… E você nem conseguiu dizer que virtude que você é. Mentira, certeza que você está mentindo.

— S-só porque a minha mira estava um pouco descalibrada, não significa que eu estava faltando em poder de fogo! Se eu tivesse conseguido te acertar, eu teria vencido o amistoso! A-além disso, não é que eu não consiga dizer que virtude que eu sou, mas sim que eu me recuso a fazê-lo!

— Pft… Se você diz…

— O-o que!? Como você ousa! Vou te mostrar agora! Eu nem tenho que te acertar, se eu apenas apontar a espada em sua direção, já vai ser o suficiente para te derrotar mil vezes!!! Eu—

Nesse momento, a porta se abre.

— Clak clak clak! (Ah! Droga, você já acordou, Morgan—? Q-quero dizer! Que bom que você já acordou, eu estava tão preocupada… [Droga, perdi a minha chance de terminar o serviço…])

— S-seu esqueleto!

Linda diz, enquanto encara a Violeta, com uma cara fechada.

Enquanto que Morgan parece finalmente ter realizado algo.

— Heh… Agora me lembro, essa familiar voz irritante… Bastante coragem da sua parte aparecer na minha frente depois do que você fez, não acha? Pensou que eu não ia perceber?

— Clak clak clak! (O-o que? Eu não sei do que você está falando! Alguém deve estar tentando me incriminar!)

— Tenho quase certeza de que antes de desmaiar eu ouvi alguém dizendo: “Clak clak clak! (Bwahaha! Finalmente, hoje é o dia em que você morre, Morgan! Seus ossos são meus! Bwahaha!!!)”, certo?

— Clak clak clak! (C-como que você conseguiu me ouvir de dentro da multidão—!? Q-quero dizer, só porque alguém com a minha voz disse isso, não significa que fui eu! Eu não fiz nada! Você não tem nenhuma prova!)

— Hmmm… Linda, você teve de usar magia de cura em mim?

— S-sim.

Linda responde a Morgan, mas continua a encarar a Violeta.

— Heh… Ouviu isso, Violeta? Você sabe quanto custaria normalmente para alguém usar magia de cura em você? Isso não pode ficar assim… A Linda tem de receber um pagamento apropriado pelo trabalho que teve, não acha? Ah, mas estou sem nenhum dinheiro comigo agora…

— *gulp* (Morgan quer me pagar de volta, sem nenhum dinheiro!? E-então, com o corpo!?)

— Clak clak clak! (E-espera! Que mentira! Eu sei que você ainda tem bastante dinheiro para os seus gastos com comida!)

— Ah, é? Então agora você quer que eu morra de fome…?

Morgan se levanta e se aproxima da Violeta.

— Clak clak clak! (C-calma! O machucado nem foi tão grave, eu joguei a cadeira de leve, para não machucar os seus ossos! Então nem precisava de magia, só uns pontos e umas ataduras ou algo do tipo…)

— Entendo… Eu só disse que eu tinha que pagar o valor apropriado, eu não estava te acusando de nada… Mas você acabou de admitir ter jogado a cadeira em mim?

Morgan continua a se aproximar, lentamente.

— Clak clak clak! (E-espera! Não!)

— Hã!? Tem mais algo a dizer em sua defesa!? Hã!?

— Clak clak clak! (Desculpaaaaaaa!!!)

— Aqui, Linda. Valeu por me curar.

Morgan estende a palma de sua mão, com um punhado de dentes.

— Ah… Éééé… O-obrigada, mas não quero esses negócios nojentos… (Talvez você pudesse me dar o seu corpo no lugar…?) Q-quero dizer, eu nunca cobraria nada por curar você, Morgan… (Especialmente considerando tudo que eu pude ver enquanto você dormia…) *Ca-caham!* Além disso, isso só aconteceu porque você veio me ajudar, então não tem nenhuma necessidade para pagamentos…

— Ah, é mesmo…? Então acho que vou usar eles no seu lugar. Acho que a fada dos dentes vai ficar feliz de receber eles de presente!

— …

A Violeta está “desmaiada” no chão, sem dentes… Na verdade só sobraram dois, no meio da mandíbula superiora, fazendo ela se parecer com um hamster…

Aviso do Autor:

Dracorr Ira Nova

Dracorr Ira Nova

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