Capítulo 12

Fake Hiro

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Violeta espera do lado de fora de quarto, enquanto Morgan e Linda terminam a conversa.

— Então, o que te trouxe aqui afinal de contas, Linda? Algum tipo de missão ultrassecreta?

— … Não, nada desse tipo…

Linda respira fundo por um momento e se põe séria. Ela sabe que o que dirá em seguida é um ponto em que sua opinião e a de Morgan se conflitam.

— Eu vim para acabar com as pesquisas com monstas que estão acontecendo aqui, já que elas não são afiliadas com a Religias.

— Entendo, então foi por isso que estava tendo toda aquela confusão…

Morgan e Linda ficam em silêncio por alguns segundos, até que Morgan volta a dizer:

— E você sabe que eu vou te parar, não sabe?

— Eu imaginei que você poderia tentar, depois que te encontrei aqui… Mas com a senhora Erika me acompanhando, não pense que nós vamos resolver isso apenas com um desafio valendo uma aposta. Eu tenho um trabalho a fazer, você acha mesmo que consegue me impedir?

— Isso vale para os dois lados, Linda. Depois que eu impedir o fechamento do centro de pesquisas, não venha reclamar e me desafiar só porque as coisas não saíram como você queria.

— Hmph!

— Heh!

Mas a discussão é interrompida por barulhos que começaram a vir do corredor em frente ao quarto.

— Clak clak clak! (Hmmm…? O que você quer tiazona? Por que está me encarando desse jeito?)

— Saia daqui imediatamente, seu morto-vivo imundo!

— Clak clak clak! (H-hã!? Do que é que você me chamou!? Tá afim de encarar, velhoca!? Hã!? Hã!?)

— Fale em uma linguagem que dê para entender, seu lixo!

— Clak clak clak! (Entender!? A única coisa que eu não consigo entender aqui é o seu senso de moda!)

Erika, ao voltar para o quarto, se deparou com a Violeta no meio do corredor, levando a uma discussão.

Morgan rapidamente pergunta para a Linda:

— O-o que está acontecendo lá fora? A Violeta fez algo de novo!?

— !!! Isso é perigoso, Morgan! Se aquele estupido saco de ossos fizer algo contra a senhora Erika, ela não vai deixar isso acabar bem!

— Clak clak clak! (M-me solta! Sua esquisita maluca!!!)

Internamente, Morgan agradeceu o fato de não ser comum que outras pessoas também entendessem a linguagem dos esqueletos. Senão a Violeta provavelmente iria conseguir piorar a situação.

— P-por que que aquela idiota está brigando com uma virtude??? Droga!

Morgan salta da cama e corre para a porta.

— Violeta!!!

Porém, assim que Morgan abriu a porta com força…

Bump!

— “Bump”…?

Morgan confirma o barulho que acabou de ouvir, como se tivesse acertado algo com a porta.

— Clak clak clak! (Ó! Morgan! Salvando donzelas em apuros, minha avaliação de você até subiu um pouco!)

— … E-eu acabei de acertar algo? Deuses, por favor não…

Morgan põe a cabeça por detrás da porta e observa enquanto Erika solta a Violeta e cai de joelhos. Na cabeça dela pode-se ver um calo se formando lentamente.

!!!

— D-droga! Agora acabou para mim… D-desculpa! O-ou m-melhor, i-isso não é minha culpa! Por que diabos a porta abre para o lado do corredor…? Não deveria ser o contrário? Esse hotel que foi mal feito! Além disso, foi essa esqueleto que causou tudo! Por favor desconta nela ao invés de mim!!!

Morgan começa a se desculpar tão rapidamente, que alguém até poderia achar impressionante o fato de não ter feito nenhuma pausa para respirar.

— Clak clak clak! (Não, calma, Morgan. Olha direito…)

— …

Erika permanece em silêncio, caída no chão.

— A-ai, não… Você está brava demais para falar!? Argh! E agora, Violeta!? Vou ter que brigar com ela por culpa sua! Você tinha que mexer com a pessoa errada, não tinha!? Não tinha??!!

Morgan começa a sacudir a Violeta pelos ombros!

— Se eu me machucar, vou ter certeza de fazer você sofrer dez vezes mais!!!

— Clak clak clak! (Ficou maluc— para com isso, caramba!)

Violeta dá um tapa na cara de Morgan.

— Clak clak clak! (Não precisa pirar tanto! Além disso, eu falei para você olhar direito para a velha!)

— N-não deixa ela ainda mais brava sua—

Morgan olha de relance para a Erika.

— Espera…

Morgan então examina a Erika com calma.

— Ela desmaiou…?

— O que está acontecendo, Morgan!?

!!!

Linda finalmente cansou de esperar no quarto e veio ver o que estava acontecendo no corredor.

— Ó, não! Senhora Erika! Como isso aconteceu!? Quem fez isso!? C-calma, vou te curar imediatamente! M-Morgan, me ajude a carregá-la para a cama!

— …

— Morgan?

— Cuidado, Linda! Atrás de você!!!

— Hã? O que—?

Linda olha para trás, e Morgan a golpeia em sua nuca, fazendo com que a Linda desmaie também.

— Cak clak clak! (Q-que!?)

— Me. Ajuda. A. Carregar. Elas.

— Clak clak clak! (Gulp! O-ok!)

Morgan e Violeta carregam a Linda para a cama, e Erika para o sofá.

— Estamos indo. Agora!

— Clak clak clak! (I-isso daqui não é tipo o que acontece nos acidentes em que os agressores não prestam socorro às vítimas!?)

— Isso é tudo culpa sua, sua esqueleto estupida! Então cala a boca e corre!!! Ninguém viu nada do que aconteceu aqui, e nós não vamos estar aqui quando descobrirem!!!

— (Clak clak clak! [Então se enquadra perfeitamente no que eu falei…])

Violeta pensa, mas deixa o comentário de lado para fazer uma outra pergunta.

— Clak clak clak! (Mas então elas não vão saber direto que fomos nós, quando acordarem!?)

— Não tem provas! Além disso, eu tenho um plano para depois, mas ele envolve você calando a boca e correndo primeiro! Droogaaaa!!!

E assim, a dupla fugiu, deixando o crime para trás, perfeitamente!

Se apenas mais pessoas aprendessem com Morgan como se livrar apropriadamente das evidências e testemunhas… Então o mundo seria um lugar melhor, com menos pessoas sendo mandadas para a cadeia… Só que não!

 

 

 

 

 

 

 

Diário de Monstros, por Morgan Accelheart

 

Santos

 

Santo é o termo comum pelo qual alguns raros indivíduos humas são chamados. Se refere a pessoas com características especiais, que as diferem dos outros, e que não podem ser obtidas por meios conhecidos aos humas. Essas características não são hereditárias, e podem aparecer desde o nascimento, ou serem adquiridas posteriormente durante a vida. Basicamente, se tratam de mutações aleatórias que podem transformar humas em reais monstros.

Por exemplo: o meu pai se tornou um hiro não por causa de suas habilidades de combate, já que ele apenas é capaz de brandir a sua espada brutalmente; e também não apenas devido ao seu carisma, em fazer aliados dentre os monstas; mas sim por causa de sua força e defesa monstruosas. Sua característica especial o permitiu trocar golpes em pé de igualdade mesmo com dragões completamente escamados, durante a guerra. Por isso, tal característica foi chamada de “pele de dragão”. Tal força incomparável foi o motivo obvio para que mesmo um pai tão pateta pudesse se tornar um hiro… Não houve nenhum evento especial para que isso acontecesse, ele simplesmente nasceu dessa maneira. Sua mana forma uma defesa natural sobre o seu corpo, que o protege e fortalece.

Outro exemplo seria a “marca sagrada” de minha amiga Linda. O sistema de magia se divide em seis tipos mágicos diferentes, associados aos deuses que fornecem tal proteção: vento, terra, fogo, água, sagrado e horror. Humas normalmente nascem conseguindo utilizar apenas um tipo, e são capazes de usar apenas ele e suas ramificações. Os humas que conseguem usar dois tipos diferentes de magia já são considerados santos, apesar de não serem tão raros. Mas no caso da Linda, não apenas ela consegue usar três tipos mágicos: água, vento e sagrado; como ela também consegue usar um tipo de magia do qual nunca se ouviu falar antes: luz. Isso pode ser uma ramificação dos três tipos de magia combinados, assim como eletricidade o é para água e vento; ou magma para fogo e terra; mas ainda não foram realizados estudos o suficiente para saber com precisão. Mas o que eu sei é que seus efeitos podem ser avassaladores, criando raios de luz que erradicam o que quer que esteja em seus caminhos; bem como podem ser curativos, como criar uma esfera de luz que cura as feridas de todos os que são atingidos pela luz que emana. O termo “monstro”, assim como no caso de meu pai, não conseguiria nem começar a descrever a Linda.

Como último exemplo, temos um santo mais normal, que seria o caso da Helena. Em uma de suas aventuras, ela recebeu uma “benção” de um antigo espirito do vento, Sylph. Ela teve o atributo de vento imbuído em sua mana, o que permite que ela consiga se mover mais rápido do que pessoas normais, mesmo ela já sendo uma idosa, quase como se ela não sentisse o seu próprio peso. Além disso, ela também é cercada por um escudo de vento passivo, o que faz com que seja mais difícil de atingir golpes nela, mesmo de perto. A dificuldade aumenta ainda mais ao se afastar dela, tornando a maioria dos ataques de longo alcance, mesmo magias, inúteis, já que serão desviados mesmo que ela permaneça parada no lugar. Isso somado a sua agilidade e experiência em combate, que permitem que ela se esquive com facilidade de quase tudo que você tentar usar nela. Tais características, e ainda por cima a sua habilidade com a magia de horror, fazem com que fugir dela seja um trabalho muito difícil. Isso eu sei em primeira mão…

Aviso do Autor:

Dracorr Ira Nova

Dracorr Ira Nova

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