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Noro e Helen caminham pela densa floresta carmesim, a atmosfera saturada de tensão e cautela. Noro não consegue evitar de observar cada movimento de Helen, sua postura vigilante, a maneira como ela maneja a lança com destreza, pronta para qualquer confronto.

O avanço deles é lento, marcado pela cautela de Helen. Ela nunca baixa a guarda, sempre com a lança preparada e os sentidos aguçados, atenta a qualquer sinal de perigo.

‘Ela é cautelosa demais… isso é bom.’

Ele aprecia a prudência e a vigilância de Helen, reconhecendo que isso pode ser uma vantagem em um ambiente tão perigoso quanto a floresta carmesim. No entanto, ele também pondera sobre os possíveis desafios que essa cautela excessiva pode trazer.

‘Seria um problema se tivéssemos que lutar, mas não seria tão difícil.’

Noro ainda está em dúvida se Helen pode ou não traí-lo, e ele tem certeza de que ela também está em dúvida. Afinal, se ela não estivesse, teria pelo menos lhe dado uma arma. Claro, Noro não precisa de uma, mas ela não sabe disso. 

Até que de repente, tirando Noro de seus pensamentos Helen se esconde atrás de uma árvore e Noro.

Helen olha pela árvore e Noro faz o mesmo.

Uma criatura surge à vista, movendo-se sobre quatro patas. Toda coberta por uma pelagem vermelha, suas pernas traseiras musculosas exibem garras afiadas, prontas para retalhar qualquer presa desavisada.

A criatura lembra um tigre, mas suas patas dianteiras possuem garras saindo dos cotovelos, como lâminas prontas para o ataque. 

Escamas cobrem seu tronco, protegendo sua barriga, peito e garganta, enquanto sua cabeça é um enigma grotesco: olhos negros inquietos, uma boca repleta de dentes afiados e duas línguas enormes que gotejam um líquido viscoso, corroendo o solo ao redor. Ela é colossal, com mais de dois metros de altura.

O olhar de Noro se fixa na criatura, reconhecendo-a e identificando os sigilos diante dele.

Caçador Bestial

Nível: (Ativo)

Ritual: (Inativo)

“Vamos dar a volta”, Noro sussurra, mas Helen tira uma faca de sua cintura e a entrega a ele.

“Prove-me que você é confiável, enfrente-a”, Helen declara, encarando o tigre carmesim com determinação.

Noro arregala os olhos, consciente de que, sem seus Fragmentos como a lâmina púrpura, ele claramente não será suficiente para derrotar a criatura. A pressão do momento pesa sobre ele enquanto decide seu próximo passo.

“Mas…”

“Se você estiver em perigo, eu vou te salvar”, Helen interrompe, sua voz carregada de confiança e frieza.

Noro sente uma onda de irritação crescer dentro dele, seus dentes rangem e uma veia salta em sua testa.

‘Quem diabos ela pensa que é?! Uma heroína?! Ela acha que eu vou enfrentar essa maldita criatura para provar minha confiança e então ela vai vir me salvar como se eu fosse uma donzela indefesa?’

“Tá bom, eu vou,” Noro afirma, movendo-se furtivamente para a posição.

‘Você vai ver. Se acha demais, arrogante. Vir me salvar? Ah, vá se foder.’

Noro se desloca em direção ao ponto cego da criatura, mas sua irritação o domina. Parece que, mesmo depois de tudo que ele passou, ainda falta um pouco para que sua imaturidade desapareça. Ele pisa em um galho, produzindo um barulho alto.

Agilmente a criatura se vira na direção de Noro, suas patas traseiras flexionam enquanto ela avança com tudo na direção de Noro, ela é tão rápida que se torna quase um borrão vermelho enquanto Noro arregala os olhos.

“Porra”, Noro gruni enquanto tenta Recuar mas ele cai no chão fazendo com que o Caçador passe por cima de seu rosto pousando atrás dele, rapidamente Noro coloca ambas as mãos no chão tirando as pernas do chão e se impulsionando para trás, fazendo com que ele role e a garra da besta passe raspando em seu corpo.

Noro se ergue, segurando firmemente a faca simples que Helen lhe entregou.

‘Ela está no mesmo nível que o Gigante que enfrentei… e eu quase morri mesmo usando tudo naquela ocasião. Merda… Estou mais forte do que quando o enfrentei, mas não posso utilizar todo o meu poder aqui.’

Em um piscar de olhos, o Caçador avança na direção de Noro, que, ágil, gira sobre o calcanhar, fazendo com que a criatura passe como um raio ao seu lado. No entanto, Noro grunhe de dor; a lâmina no cotovelo da besta corta sua barriga, e o sangue começa a escorrer.

Ignorando a dor, Noro ativa o fragmento dos ventos negros. A faca é engolida por ventos sombrios que rugem, envolvendo-a em uma tempestade escura.

Noro ativa o fragmento de velocidade e avança na direção do Caçador Bestial, que ainda estava de costas para ele. No entanto, rapidamente a criatura se vira e avança na direção de Noro com um salto, visando rasgar e dilacerar seu rosto com suas garras afiadas.

Noro se joga no chão e passa por baixo da criatura. Durante o rolamento, ele vê uma abertura e tenta cortar a barriga da besta com a faca envolta pelos ventos negros. O golpe atinge o estômago da criatura, mas o som que ressoa não é de carne sendo cortada, e sim de aço batendo contra aço.

‘Essas escamas são tão resistentes assim?’

Sem dar tempo para Noro pensar, a criatura pula em sua direção enquanto ele ainda está ajoelhado pelo rolamento. Noro vira seu tronco e fica de frente para o Caçador Bestial, que enfia suas garras em seu ombro, derrubando-o no chão. 

Uma dor excruciante irradia por todo o corpo de Noro enquanto a besta desce sua outra pata, cravando as garras no outro ombro de Noro e prendendo-o no chão.

O rosto de Noro se contorce em uma careta de dor enquanto ele tenta se soltar do aperto, mas o Caçador Bestial abre a boca, e os fluidos corrosivos começam a jorrar de sua boca, ameaçando queimar tudo em seu caminho.

‘Ahg! Eu vou ter que usar! Se não eu vou morrer!’

Noro se prepara para reagir, mas antes que consiga formular um plano, um borrão branco atinge a besta. Ela ruge e grune de agonia, enquanto o sangue espirra no rosto de Noro. 

A ponta de uma lança surge a centímetros do seu rosto, coberto de sangue. A lança atravessou a nuca da besta e rasgou sua garganta, cortando a escama como se não fosse nada.

Helen retira a lança da garganta da besta, brandindo-a para o lado e fazendo o sangue jorrar de sua lâmina. 

O corpo morto da besta cai sobre Noro, que tenta removê-lo, mas a criatura é muito pesada para ele.

No momento em que ele vai ativar o fragmento de força, Helen chuta a lateral da criatura com a sola do pé, fazendo-a cair de lado e sair de cima de Noro.

“Você está bem?” Helen pergunta a Noro, que se levanta com raiva fervendo dentro dele.

“Eu não precisava da sua ajuda!” ele diz com raiva.

Helen apenas franze as sobrancelhas. “Se você queria provar mais, está tudo bem. Eu já entendi que você deu tudo de si.”

O rosto de Noro se contorce de ódio, mas ele suspira.

‘Um dia ela vai ver! Vai ser eu quem vou salvá-la… isso se ela já não estiver morta.’

Mas interrompendo ambos um rugido faz com que os dois se virem para o lado e avançando em direção à eles está outro Caçador Bestial.

‘Merda eram do-’

Os pensamentos de Noro são interrompidos quando Noro percebe algo, Nirvana, Helen avança de frente para a besta. A criatura abre os braços e salta na direção dela, mas Helen não recua. Com um movimento rápido e preciso, ela gira sua lança e bate a ponta de aço no queixo da besta, produzindo um baque ressoante. A cabeça da besta é lançada para cima, desnorteada pelo golpe.

Sem hesitação, Helen gira a lança novamente e desfere uma estocada brutal e veloz, tão rápida que Noro mal consegue acompanhar com os olhos. A ponta da lança atravessa o peito da fera, e um jato de sangue jorra, tingindo o ar ao redor.

‘Q-que… que porra?’

Com um movimento decidido, Helen balança a lança para o lado, fazendo com que o corpo da criatura deslize da ponta da lâmina pesadamente no chão, claramente sem vida. O silêncio reina na clareira, interrompido apenas pela respiração pesada de Noro e pelo vento suave que sopra entre as árvores.

É como se uma revelação atingisse Noro em cheio: Helen não era confiante sem motivo algum. Ela era forte, excepcionalmente forte. Diante dele, Noro via não apenas uma garota nobre, mas sim um verdadeiro monstro de cabelos ruivos.

‘Que droga… é assim que é estar no grupo do protagonista?’

“Isso… é seu presente?” A pergunta de Noro sai sem ele sequer planejar, e ele engole em seco ao fazê-la.

“Presente? Eu não usei meu presente”, Helen responde friamente, virando-se para encarar Noro.

Noro fica chocado. Ela fez tudo isso sem usar um presente? Ele engole em seco, arrepiado ao pensar na possibilidade de que ela seja uma inimiga. Se ela é tão forte assim sem um presente, imagina com ele.

É claro, Noro também poderia ter matado o Caçador Bestial, mas… sem um presente? Ele duvida muito que poderia fazer isso, especialmente sem sofrer nenhum arranhão.

“Quem é essa garota, afinal de contas?” Noro se pergunta, enquanto ela pega o corpo de um dos Caçadores Bestiais e olha para ele.

“Me ajude a levar um deles. Vamos avançar até ficar noite”, ela diz, enquanto começa a andar. “Vamos acampar, comer a carne deles, e continuar amanhã de manhã.”


Noro está sentado no chão, ainda se recuperando das feridas. Acabaram de comer e apagaram a fogueira, afinal, está escuro. Evitaram qualquer criatura no caminho, e o silêncio entre eles é quase tangível. 

Noro permanece tenso, perdido em pensamentos sobre o que aconteceu e o que deveria fazer em seguida. A incerteza paira sobre ele, ainda questionando se Helen é uma inimiga ou não.

“Se ela fosse mesmo uma inimiga, poderia ter me eliminado a qualquer momento…”, Noro pensa, relutante em admitir essa verdade. Sem seus fragmentos e sem preparação adequada, ele seria facilmente derrotado por Helen, assim como o Caçador Bestial.

“O estranho é que eu senti nirvana quando ela foi atacar a criatura… o que será que ela fez?” Essa sensação, essa energia quase palpável quando Helen se moveu para o ataque, não era algo comum. Será que ela havia ativado alguma habilidade especial ou técnica oculta para atingir tal feito? Noro não podia deixar de se perguntar sobre os segredos que Helen escondia, sobre o que ela era capaz de fazer sem sequer usar um presente. 

“Será que eu deveria perguntar?… não… melhor não.” Ele hesita em trazer o assunto à tona, preocupado com as possíveis repercussões e com receio de revelar sua própria ignorância. Por ora, ele opta por guardar suas dúvidas para si mesmo.

Noro observa atentamente enquanto Helen se levanta. “Parece que ela vai praticar…” 

Helen surpreende Noro com sua ordem firme. “Levante-se”, ela diz, deixando-o surpreso. 

“Eu?” Noro responde, um tanto hesitante.

“Acredito que só tenha você aqui”, Helen responde sem rodeios.

Noro se ergue, relutante e um pouco nervoso sobre o que Helen está planejando. 

“O que você quer?” Noro indaga, esforçando-se para soar amigável.

Helen se aproxima, assumindo uma postura de luta impecável, sem revelar qualquer fraqueza.

“Você quer lutar?” ele pergunta, visivelmente surpreso.

“Quero te mostrar algo,” ela esclarece, mantendo a postura firme.

“No escuro?”

“Não se preocupe comigo. E sei que você consegue ver no escuro,” ela responde, certeira.

‘Como?…’ Noro se questiona, mas deixa o pensamento de lado ao se posicionar diante dela, preparado.

Noro se posiciona, mas sua confiança é apenas superficial. Na realidade, sua postura é medíocre, revelando sua falta de habilidade em combate. 

Ele mal sabe manejar armas, quanto mais lutar desarmado. Suas defesas são permeadas por aberturas óbvias, incapazes de rivalizar com até mesmo um iniciante em artes marciais.

“Estou pron-“

Antes que Noro pudesse terminar sua frase, ele foi pego de surpresa por um chute na costela, dobrando-se para a frente com um grunhido de dor.

“Tu deves sempre estar preparado”, Helen diz friamente, enquanto Noro recua dois passos, segurando o lado da dor com uma mão.

“Ignore a dor, ou ela te deixará vulnerável”, continua ela, desferindo outro chute na perna de Noro, fazendo-o tremer e ajoelhar-se.

‘Por que os golpes dela doem mais do que os de Sloan, mesmo sendo aparentemente menos fortes?’ 

Noro se pergunta, enquanto tenta recuperar o fôlego.

“Como tu está vivo a tanto tempo aqui se é tão fraco?” Helen pergunta, sua voz fria e severa como uma lâmina afiada, cortando o orgulho de Noro. A pergunta o atinge em cheio, inflamando sua raiva.

Noro se levanta com determinação, pronto para retaliar. Ele lança um soco com toda a sua força, mas Helen desvia habilmente para o lado, agarrando seu punho no processo. Com um movimento rápido, ela se abaixa e joga o braço de Noro sobre seu ombro, puxando com força e fazendo com que ele colida com suas costas antes de ser arremessado por cima dela, caindo de costas no chão com um baque surdo.

“Ahgn… merda… que dor.” Noro geme, com um olho entreaberto, enquanto observa Helen se aproximando. Ela se abaixa, ficando próxima o suficiente para que ele veja o olhar frio em seus olhos invertidos pela posição. Com sua voz gélida, ela pronuncia suas palavras cortantes.

“Ainda por cima tu é impulsivo e deixa com que entrem na sua cabeça facilmente.” Helen se afasta um pouco, deixando Noro envergonhado e com o coração acelerado. Ele engole em seco, sentindo-se exposto e vulnerável diante dela.

‘Essa… maluca do caralho.’

Noro se levanta ofegante, ainda atordoado pelo golpe. “Mas… por que você me bateu desse jeito? Tem algum motivo?” ele pergunta, tentando entender.

“Para entender teu nível”, responde Helen, seu olhar frio focado nele. “Ele é bem abaixo do esperado, o que me leva a crer que tu só sobrevivestes aqui por sorte… ou por que você está escondendo coisas de mim.”

Noro sente um calafrio percorrer seu corpo, enquanto a sensação de estar encurralado o domina. “Bosta”, ele murmura para si mesmo, percebendo a gravidade da situação em que se encontra.

“Já que você não conseguiu ver minha aura, isso me leva a crer que você não sabe usá-la, ou isso é o que você quer que eu ache, pois eu senti uma ondulação de nirvana no seu corpo quando você estava lutando contra a besta”, explica Helen, com sua voz gélida e penetrante.

Noro fica surpreso com a menção da palavra “aura”. “Aura?… que porra é aura?” ele se pergunta, tentando entender o que Helen quer dizer. A ideia de que ela conseguiu perceber quando ele ativou o fragmento de velocidade o deixa intrigado e preocupado.

“E-eu não sei o que é essa aura que você está falando…” Noro responde, mas ele se arrepende instantaneamente, seria melhor se ele dissese que ele tinha usado essa tal “aura”, por que agora ela vai questionar ele sobre o que ele fez. “Bosta! Eu tenho que aprender a deixar minha boca fechada!”, ele pensa bravo com sigo mesmo.

“Sendo assim, isso deve ser parte do seu presente,” Helen conclui, “Eu suspeitava que você estivesse escondendo seu presente.”

Ao se aproximar, Helen instintivamente faz com que Noro dê dois passos para trás.

“Eu não o julgo, pois eu fiz o mesmo. Vamos fazer um acordo.”

“Um acordo?” Noro se pergunta, surpreso, já se preparando para ativar seus fragmentos, caso necessário.

“Me conte seu presente verdadeiro, e eu te ensinarei a usar a aura”, propõe Helen.

Noro fica surpreso. “E se eu mentir para você?”

“Se isso acontecer, eu descobrirei, e vou arrancar sua cabeça”, responde Helen com frieza.

Noro engole em seco, consciente de que Helen não hesitaria em matá-lo e que eventualmente descobriria se ele estivesse mentindo.

“Está bem… vou te contar tudo”, ele concorda.

Olá, eu sou o Azulin!

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