Godking – Capítulo 09

  • Asu 
Capítulo Anterior
Próximo Capítulo


Capítulo Anterior

Índice


Próximo Capítulo

Godking: Ascending A Heavens

— Volume 01: Van —

Capítulo 09 — O Homem Careca Salva o Dia

Tradutor: Asu | Editor: Asu

Então, algum descendente de um animal mítico havia morrido nesta lagoa?

Van se agachou e pôs a mão na água. No começo, parecia uma água comum, mas em segundos, uma energia fria e sombria penetrou sua palma. Chocado, ele retirou a mão, que ardia com uma dor semelhante à picada de uma agulha.

“Eu vou estar treinando nisso?”

⌊Até que ponto você vai depende de sua força de vontade e compreensão.⌋

⌊Aqueles no pico forjam seu próprio caminho até lá. Embora eu possa lhe dar técnicas de cultivo e aconselhá-lo, você segue o caminho do herói sozinho.⌋

⌊Isso é o que meu criador sentiu.⌋ Com isso, Jet concluiu seu discurso, sentindo-se um pouco exausto.

Van contemplou isso com solenidade escrita na postura de seu corpo e na expressão em seu rosto.

Se Van tivesse confiança em qualquer coisa, era sua própria força de vontade. Isso foi acoplado por uma forte fé em si mesmo – não devido à arrogância, mas devido a uma teimosia profunda e à crença de que, se qualquer outra pessoa podia fazer, ele também poderia! Se isso seria daqui a um ano, ou daqui a dez anos, não importava!

Ele decidira ficar forte. Ele decidiu agarrar seu destino em suas próprias mãos. Portanto, ele não se assustaria com essa pequena lagoa insignificante. Ele a encarou, quase brilhante. ⌈Você é meu trampolim⌉, ele disse com firmeza em sua mente: ⌈Você é a água recolhendo a poeira do meu corpo!⌉

Em sua mente, Jet emitiu um fraco brilho de aprovação.

⌊Por alguma razão eu… me sinto mais fraco a cada segundo… eu acho… eu acho que preciso entrar em meditação profunda… por um tempo. Tome cuidado, Van.⌋

O anel ficou em silêncio.

“Jet!?”

Não houve resposta. Van estava preocupado, mas tentou não demonstrar. Aquele estranho, idiota e condescendente professor dele era o seu bilhete para fora desta vila. Se qualquer de sua preocupação resultasse de um sentimento estranho de camaradagem, Van preferiria engolir a língua do que admitir.

—◊♦◊—

A primeira vez que Van tentou se submergir completamente, ele quase se afogou.

No dia anterior, ele passara o tempo ao redor das bordas rasas da lagoa, aclimatando várias partes de seu corpo com as águas escuras e frias. A cada vez, ele suportava a dor – como milhares de agulhas picando sua pele – e, ao final de uma sessão de uma hora, aquela parte do corpo se tornara um pouco mais resistente. O que lhe permitiu continuar a suportar, no entanto, foi a sensação estranha de que cada pulsação de dor era seguida por uma leve picada de calor, como se sua pele estivesse sendo forjada novamente.

No momento em que o sol se pôs, Van passou de um puxão de dor em um segundo de contato com o Qi gelado dentro da lagoa, para poder aguentar um minuto inteiro. É claro que essa era uma velocidade milagrosa, e só alcançável porque ele tinha os registros de um especialista de cultivo ao seu lado como guia.

Naturalmente, a atitude de Van em relação à água tornou-se mais relaxada. Jogando toda a cautela ao vento, ele fechou os olhos e entrou na água no meio da lagoa, onde era mais profundo. Abaixo do seu pé, algo macio e viscoso cedeu. Ele caiu e não havia nada abaixo dele.

Imediatamente, ele sabia que tinha cometido um erro terrível que poderia custar-lhe a vida.

Ter todo o seu corpo exposto à energia escura e gelada da água da lagoa, sem a energia do sol para equilibrá-lo, era uma questão muito diferente.

A lagoa escura e gelada parecia penetrar em sua pele e perfurar seus músculos e ossos. A pressão fria que o apunhalou foi implacável. Afiado, martelou contra sua frágil pele e músculos e deixou Van em dor agonizante.

Submerso, ele lutou silenciosamente, com os músculos espasmados e a mente dormente por causa da dor excruciante. Seu corpo ficou mais pesado, afundando continuamente nas profundezas escuras da lagoa. A água fria fluiu em seu nariz e boca.

O mundo exterior tinha sido bloqueado, cada batida de seu coração ecoava em seus ouvidos como uma sentença de morte. Este é o fim, ele pensou com cada aperto do coração, ficando cada vez mais frio.

Sua consciência ficou fraca, ele estava sufocando, e acompanhando aquele sentimento de sufocamento era um terror incontrolavelmente que estava surgindo. Ele tentou se acalmar. Suprimindo o medo, ele tentou lembrar o que manual do «Sacrifício de Mil Santos» dizia. Mas, como feijões escorregadios, as palavras eram difíceis de entender e se misturavam em sua mente.

Com o medo crescendo novamente, ele estava completamente inconsciente dos movimentos que suas pernas estavam fazendo instintivamente, tentando sair da água. Mas agora ele estava longe demais da superfície.

⌈Pense, Van, pense!⌉

Não adiantava, a única coisa que ficou presa em seu cérebro foi como o criador louco ficou acamado por um ano tentando compreender seu método debaixo de uma cachoeira… e aqueles estúpidos desenhos de merda daquele homem careca e nu.

Mas talvez…?

Van, sem ideias, empurrou-se ao limite e moveu seus membros para a mesma pose da primeira figura rudemente desenhada. Uma mão em posição de oração diante do peito e a outra em posição de lótus, apoiada no joelho.

De repente, tudo parecia mais administrável. A água ficou menos fria. Sua mente ficou mais afiada, e de repente ele notou algo que ele não tinha visto por estar em pânico!

Nesta pose, ele podia sentir os fios de Qi dentro da água. Como faíscas de raios negros, eles zumbiam, suspensos dentro da água. Os fios mais próximos a ele atacariam, resultando em sua dor excruciante. No entanto, ele agora podia ver que, embora parecesse que estavam perfurando até os ossos, na verdade, eles não estavam nem penetrando na pele! Os ataques de Qi refletiam-se na camada externa mais fina de sua derme e voltavam para a água.

Mas qual era o núcleo da Técnica do «Sacrifício de Mil Santos»? A dor segue o Qi, o Qi segue a dor!

Ele sentiu a dor profunda em seus ossos, mas o Qi estava apenas refletindo a camada externa da pele! Um sentimento de iluminação provocou Van. Ele ficou excitado. Enfraquecendo seu estado mental, ele cuidadosamente estendeu seus sentidos por todo o seu corpo. Conscientemente, ele relaxou os poros.

Lembrando-se da sensação de mover a Energia Espiritual em direção a ele, ele puxou o Qi denso e gelado.

Znnn!

Como minúsculos tubarões, os minúsculos fios de Energia Espiritual ao redor dele se alinhavam e atacavam com velocidade. No entanto, agora que Van havia sido exposto à dor, ele não tinha medo. O que ele temia era a dormência arrepiante, a sufocação. Agora que ele tinha uma ideia do que estava acontecendo, ele teve a coragem de sobreviver!

O Qi atingiu sua pele, mas ao contrário dos momentos anteriores, não parou por aí. Com determinação, Van puxou os fios de energia para ele. Por causa de seu controle fraco, o experimento falhou, e a energia arrepiante saiu de seu corpo, deixando apenas a dolorosa sensação de congelamento da alma que Van detestava.

Não aceitando esse resultado, Van repetiu o processo.

Znnn!

Desta vez, Van cronometrou para que seus poros se abrissem no momento em que o Qi escuro atacasse. Sucesso! Ele sentiu-se excitado quando algumas mechas de raios negros afundaram em sua pele, acompanhando a dor, por cerca de meio milímetro. Ele observou fascinado o Qi tentar escapar, mas estava preso. Ele saltou descontroladamente, emitindo ruídos metálicos ao saltar. Eventualmente, a mecha de Qi se desgastou e se dissipou em sua carne, inundando-o com um calor fraco.

Ele sentiu distintamente sua carne recuperar a vitalidade.

Então isso é temperar o corpo!

Os olhos de Van brilharam.

Embora parecesse que muito tempo se passou, na verdade, o tempo que levou para que o Poder Espiritual penetrasse esse meio milímetro em sua pele e que Van o usasse para temperar sua carne, tudo aconteceu em menos de um instante.

Van repetiu o processo várias vezes, permitindo que mais alguns fios de energia permeiem a primeira camada da pele e tempera-la. O calor estava começando a retornar ao seu corpo.

Conhecendo seus limites, Van não exagerou e começou à voltar para superfície da água.

Desabando sobre o musgo ao lado da lagoa, sua respiração ofegante fazendo com que seu peito subisse e descesse como um cavalo que correra uma maratona, um largo sorriso cruzava seu rosto de um lado para o outro.

“HAHAHAHA!”

Era o que ele queria gritar vitoriosamente.

Mas o que realmente saiu foi um fraco e sufocado “H..hh..h…”

Ele continuou ali deitado, ofegando, ao lado da lagoa como um peixe. Mas Van estava muito animado – ele estava eufórico! Ele podia sentir distintamente que sua carne transbordava com a vitalidade de dragões e tigres, e que as células em sua pele haviam, de alguma forma, intrinsecamente se tornado mais fortes. Van foi preenchido por um novo respeito pelo careca louco que criou o método do «Sacrifício de Mil Santos». Ele foi certamente um masoquista ao extremo, mas o método produziu resultados claros!

Quando Van finalmente recuperou o fôlego e alguma aparência de sanidade, sentiu o estômago roncar de fome. Procurando em sua mochila, com os músculos das pernas se sentindo um pouco sensíveis, ele tirou a pinha da mochila.

Abrindo-a, ele extraiu mais de uma dúzia de pinhões do tamanho de uma unha e devorou-os. De repente, seu rosto mudou.

Tendo acabado de experimentar a Energia Espiritual, ele podia sentir uma liberação suave e repulsiva de energia dos pinhões enquanto os digeria. Isso foi muito bom! O Qi era suave e quente, muito fraco para ser útil no cultivo, mas tinha um efeito nutritivo. Ele sentiu como se suas entranhas tivessem sido ligeiramente purificadas, e as rachaduras microscópicas em sua pele começaram a cicatrizar em um ritmo mais rápido.

Os céus estavam com pena dele!

Sorrindo, Van pegou o maço de papéis e encontrou a página amarelada com os desenhos rudes e feios do homem careca cultivando a Técnica do «Sacrifício de Mil Santos». Ficou tentado a dar-lhe um grande e lento beijo idiota, mas imaginou que isso seria muito desrespeitoso para com um ancestral e controlara seu desejo. Em vez disso, ele colocou a imagem do homem careca na grama e ajoelhou-se.

Com as mãos juntas na frente da cabeça, ele inclinou a cabeça até a testa atingir o chão.

Então, num piscar de olhos, ele estava de pé novamente, e graças aos pinhões, ansioso para ir para uma segunda rodada!

“Você pode ter sido um maníaco, mas sua técnica é bastante eficaz!” Van deu um sincero elogio do fundo do seu coração e voltou direto para a água da lagoa.

Se alguém estivesse observando atentamente a expressão do careca rudemente desenhado na margem do lago, eles sentiriam que era um pouco escura e sombria.

⋅⌈Me chamando de maníaco!⌋⋅ As três linhas de tinta que compunham suas feições pareciam dizer.

⋅⌈Dê uma boa olhada em você mesmo, pirralho!⌋⋅


Capítulo Anterior

Índice


Próximo Capítulo

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo