Godking – Capítulo 13

Godking: Ascending A Heavens

— Volume 01: Van —

Capítulo 13 — Aquele Garoto Voltou

Tradutor: Asu | Editor: Asu

 

O suor escorria da testa de Ryan. Tremendo, suas mãos agarraram a espada de madeira que estava diante dele. Suas palmas suadas escorregaram do punho. Cheio de medo e pânico, ele não conseguia ver nada ao seu redor.

Uma força pesada bateu ao seu lado. Ele foi enviado voando para o chão. Seu rosto queimava com humilhação e vergonha.

Rapidamente, ele se mexeu para ficar de pé.

“Patético.”

Blade, largo como uma montanha, forte como um boi, o caçador mais forte nessas redondezas, estava diante dele, espada de madeira apontando para o seu filho caído.

“Você não vai deixar o quintal até que você aperfeiçoe isso. Você entende, garoto?”

Ryan, com o calor queimando atrás de seus olhos cinzentos e uma pedra alojada em sua garganta, assentiu com a cabeça bruscamente.

“Eu disse, VOCÊ ENTENDE!?”

“SIM, SENHOR!”

Ele nem sequer durou três movimentos antes, como um saco de farinha, ele foi novamente jogado no chão.

“Inútil”, seu pai cuspiu: “Inútil!”.

“Eu pensei que você queria se tornar forte?”

“Eu pensei que você queria trazer glória para esta família?”

“Quando eu tinha a sua idade, eu estava matando ursos com três vezes o meu tamanho! O que você fez, hmm? Andando por aí com seus pequenos seguidores pensando que é algo! Eles não ficariam por perto se você não fosse meu filho!”

Ryan abaixou a cabeça, incapaz de falar.

Ele sabia dessas coisas!

Ele sabia!

Mas!

Ele simplesmente não podia suportá-la, aquela garotinha estúpida de que todos gostavam, e ele odiava Van até os ossos! Ele invejou! Ele odiava! Oh, como ele odiava! O que ele mais odiava – era ele mesmo!

Através dos olhos nublados, Ryan viu seus braços trêmulos. Rangendo os dentes, ele levantou a espada de madeira.

A porta se abriu – era sua mãe. Mãos polvilhadas com farinha, olhos frios e duros sobre Ryan, como se decepcionado com sua fraqueza, falou indiferentemente a seu pai:

“Aquele garoto voltou.”

O rosto de Blade mudou. Com um estrondo, sua espada caiu no chão.

⋅⌈Impossível!⌉⋅

Ryan viu o olhar no rosto do pai.

Seu coração, como uma pedra fria, caiu na boca do estômago.

Maya achava que Finn tinha algum sexto sentido quando se tratava de seu irmão.

Tendo estado sozinha e melancólica nos últimos três dias, Finn falara cada vez menos com ela sempre que ela trançava seus cabelos. Maya, que não era do tipo extremamente falante, gostava dos dias que passeava com a menina mais nova de qualquer maneira.

Finn tinha começado a vagar ao redor do riacho ao lado da vila, como um dente-de-leão perdido ao vento. Enquanto Maya costurava, ela mantinha um olhar atento e certificava-se de que nunca chegasse muito perto da água. Finn gostava de brincar com as pedrinhas coloridas no riacho. Ocasionalmente, ela conversava com eles, como se eles pudessem entendê-la.

Tendo dez agora, Maya teve bons quatro a cinco verões com Finn e se acostumou a esse tipo de jogo excessivamente imaginativo.

Mas hoje, Finn parecia um pouco mais intensa que o normal. Ela gesticulou para as pedras e riu e bateu palmas. De repente, com os cabelos dourados voando, ela saltou. Perninhas curtas bombeando o mais rápido que podia, Finn correu em direção a Maya.

“MEU IRMÃO ESTÁ DE VOLTA!” Ela gritou, olhos brilhantes. Suas bochechas estavam vermelhas como uma maçã por causa do esforço.

Maya duvidava.

“Mas como você sabe?”

Finn sorriu, mostrando seus pequenos dentes brancos perolados.

“Não vou falar!”

Enquanto Maya não estava olhando, Finn rapidamente escondeu algo em sua manga. Fofamente, ela se aproximou da garota maior e olhou para ela com olhos brilhantes.

“Vamos lá!” Impaciente, ela pulou para cima e para baixo, puxando a manga de Maya em emoção.

A garota mais velha assentiu com relutância.

A vila estava reunida na praça, onde um garoto estava sentado em cima de um lobo gigante e estava alimentando-o com as palmas das mãos.

Tinha pelo menos duas vezes a altura do garoto, o lobo tinha uma aura feroz e uma mancha preta no peito. Era dócil sob o toque de Van e lhe dava lambidas de cachorro sempre que era alimentado.

Os moradores estavam incrédulos, esfregando os olhos. Que tipo de cena foi essa? Era aquele garoto com a aura heroica, montado no lobo… Van? Não poderia ser, certo?

O filho do casal adúltero? Cinco anos atrás, eles vieram para a vila com dois filhos que obviamente não tinham parentesco, e então os jogaram na Vila da Montanha! Todos na Vila conheciam a verdadeira história – que a mulher e o homem adúlteros tiveram um caso enquanto estavam casados ​​e deixaram seus filhos abandonados nesta vila para que pudessem sair e fazer sua própria família sem bagagem! E eles dependiam da caridade e comida da vila para sobreviver!

O filho criado por uma daquelas pessoas desavergonhadas e nojentas certamente não seria bom.

A única coisa que o redimiu ligeiramente foi que ele tinha uma irmãzinha obediente e fofa. Tinha apenas meses de idade quando ela foi abandonada na vila e não foi corrompida por seus pais imorais – os moradores praticamente a criaram. Van, por outro lado, sempre parecia mal-humorado e sombrio. No começo, quando algumas tias simpáticas tentaram ajudá-lo, ele as olhava com beligerância – até o coração mais bondoso se transformaria em pedra quando se deparasse com aquele rosto. Um pirralho ingrato.

Mas agora, aquele garoto voltou cavalgando um lobo gigante como um general heroico nas histórias!

Os adultos ficaram chocados, mas as crianças da Vila sentiram como se seu mundo tivesse sido virado de cabeça para baixo e violentamente abalado.

O que estava acontecendo?!?

Os seguidores de Ryan se entreolharam e depois viraram para Van montado no temível lobo. Pensar que esse era o mesmo garoto que eles haviam espancado há apenas três dias! Se eles ousassem se aproximar agora, o lobo certamente cortaria suas cabeças com uma mordida!

Maya, que acabara de entrar na praça com Finn, parou no meio do caminho. Ela ficou chocada.

Como aquele garoto levemente sorridente no topo do lobo era tão diferente da sua impressão do irmão de Finn? Em sua mente, Van era um rapaz magro e sisudo que sempre parecia ter algo em sua mente. Como tal, ele nunca sorria ou brincava com as outras crianças, exceto quando estava com Finn. Mas, novamente, as outras crianças deram a ele o maior espaço possível. Sua inimizade com Ryan provavelmente piorou ainda mais.

Enquanto ela observava, ele colocou algumas coisas parecidas com feijão na palma da mão. O lobo de patas negras babou sobre a mão enquanto engolia as coisas parecidas com feijão. Então sacudiu o rabo e pressionou a grande cabeça contra a mão dele. Van riu. Abaixo de seus pés havia dezenas de cestas de bambu cheias de gramíneas e cogumelos.

Ela abriu os olhos e o olhou. Ele parecia diferente. De alguma forma, mais cheio de vida, com um sentimento de ferocidade entre as sobrancelhas apertadas. Ela começou a sentir um pouco de admiração.

Quão legal foi domar e montar um lobo gigante? Sua pele era prateada e parecia que seria suave como seda. Certamente, Van deixaria ela acariciá-lo? Veja como seus ouvidos eram bonitos e sua cauda fofa!

Maya era, afinal de contas, uma jovem de dez anos, e essa era a coisa mais excitante que ela tinha visto em sua vida!

Ela deu outra olhada no sorriso radiante de Van.

Quando Finn correu, ela seguiu em silêncio, sem reclamar.

“Irmão!”

Finn gritou surpreendentemente alto para seu corpo minúsculo. Cabelo dourado bagunçado em seu rosto, ela obstinadamente desviou a multidão. Com apenas um segundo pensamento para o gigante lobo de prata, ela deu um salto voador para seu irmão.

Ela só fez parte do caminho. Como uma estrela do mar, ela colou no lado fofo do lobo grande. Ela esmagou o rosto em sua pele, claramente encantada, e esfregou tudo ao redor. Surpreendentemente, nem ela nem o Coração Negro foram perturbados pela existência um do outro.

Van levantou-a para as costas do lobo gigante. Ela riu, se enterrando no abraço de Van. Felizmente, ela deu um tapinha no lobo.

“Bom Woof!”

O rosto do Coração Negro ficou mais preto que seu coração.

⋅⌈Woof!!??⌉⋅

⋅⌈LOBO!!!⌉⋅[1]

Van riu.

Blade pensou que ele estava sonhando. Ele tentou se beliscar, mas só deixou um grande vergão vermelho em seu braço.

Ele estava andando – quase correndo – em direção à praça da Vila, ainda em estado de choque e descrença.

⋅⌈Nada disso faz sentido!⌉⋅

De repente, uma figura desceu do céu.

Um calafrio subiu pelas costas de Blade. Seus instintos de autopreservação gritavam e, num instante, ele havia puxado sua lança.

Na frente dele, uma figura alta e magra usando uma imponente máscara de prata riu.

“Isso não vai funcionar em mim, caçador.”

Uma luz azul piscou.

A lança de Blade – sua companheira ao longo da vida – caiu no chão.

O homem mascarado à sua frente retirou casualmente a mão.

A expressão de Blade empalideceu. Ele se ajoelhou sem hesitar.

Suando, Blade pressionou a testa no chão.

“Sir Imortal! Por favor, não se ofenda!”

O homem riu, pensamentos verdadeiros indecifráveis ​​por trás das duas fendas em forma de lua crescente.

“Relaxe, caçador. Se você cumprir todas as minhas exigências, ninguém vai se machucar.”

Blade não relaxou. Ele bateu a testa no chão mais algumas vezes e não tentou se levantar. Ele ficou nessa posição por pelo menos cinco minutos. O homem mascarado se divertiu.

“Você pode se levantar.”

Blade fez como ordenado.

“Estou aqui para inspecionar sua Vila. Você vai reunir todos os moradores.”

Uma pausa.

“Quantas pessoas saíram ou entraram na Vila na última semana?”

Blade sentiu uma gota de suor escorrer pela nuca. O caçador não tinha ideia de por que um Imortal estaria interessado em sua pequena Vila.

“Todos os caçadores entram e saem da Vila diariamente. Nós vamos para a floresta e principalmente matamos veados e aves… e alguns garotos têm viajado conosco para procurar alimentos.”

O nó entre as sobrancelhas de Blade se afrouxaram.

“Mas tem alguém…”

Nota:

[1] Eu creio que seja um jogo de palavras entre Woof(latido) e Wolf(lobo)…

 

Rolar para o topo