Godking – Capítulo 19

Godking: Ascending A Heavens

— Volume 01: Van —

Capítulo 19 — Cidade do Dragão

 

“Meu Deus. Que show comovente,” uma voz disse ironicamente.

Van e Ryan se viraram para ver um velho de pescoço comprido com o rosto amarelado de pé atrás deles, com as mãos cruzadas atrás das costas. Era o Sênior Ruskel e, atrás dele, duas garotas e um menino vestindo roupas comuns. Eles pareciam ter idade semelhante a Van e olhavam a cena com desinteresse. Uma das garotas levantou uma mão preguiçosa e bocejou.

“Quase interessante o suficiente para me manter entretido durante os QUINZE MINUTOS que estive esperando aqui para que sua bunda preguiçosa aparecesse!” Com raiva, Ruskel correu para a frente e tentou chutar a bunda de Van.

Van revirou os olhos, facilmente se esquivando.

Ruskel estava frustrado – ele não conseguiu a vingança satisfatória que imaginou em seus sonhos!

Ele cruzou os braços e deu uma bronca.

“Bem, se você já terminou sua pequena reconciliação com sua namorada, traga sua bunda para a carroça!”

Shoo!” O homem mais velho conduziu os outros jovens para a carroça.

A carroça era puxada por dois cavalos encorpados e de aparência muito primitiva. Pedaços de palha cobriam o interior da carroça de madeira. Parecia grande o suficiente para que todos se encaixassem.

Ryan subiu depois de Van. Ruskel apertou os olhos para ele.

“Desde quando você vem conosco?”

Van olhou para Ruskel, “Desde que meu estimado patrono disse que podia”, ele blefou.

Ruskel sabia que isso não era outra coisa senão uma grande mentira – mas recebera avisos estritos de que ele deveria garantir que Van fosse contratado pela Seita do Cedro. Não permitir que seu amigo fique na carroça não parecia uma boa maneira de conseguir que Van viesse com ele de volta à capital…

“Hmph. Bem, vamos em frente! Devemos sair dentro da próxima meia hora.”

Os jovens se instalaram.

Quando o fizeram, alguns homens de aspecto corpulento apareceram diante da carroça com sacos nos ombros.

Ao vê-los, ou melhor, a preciosa carga que carregavam, o sorriso de Ruskel se alargou tanto que os cantos de seus lábios quase tocaram seus lóbulos das orelhas. Ele deu um tapa nos ombros dos homens, cheio de alegria. Suas preciosas ervas chegaram! Aleluia!

Voltando-se para os homens musculosos, ele os instruiu.

“Basta colocá-los no-“

O rosto do Ruskel ficou abruptamente negro. Ele olhou para as crianças sentadas na carroça.

Ele olhou para suas preciosas ervas.

Ele olhou para as crianças sentadas no carrinho.

Van e os outros estavam começando a se sentir desconfortáveis.

“Você!”

O único outro garoto, além de Van e Ryan, era um sujeito aparentemente sem expressão. Ele empalideceu quando os olhos intrigantes de Ruskel se fixaram nele. Ele começou a sacudir a cabeça.

“Fora!” Ruskel disse, imperioso, indicando com o polegar.

O pobre rapaz abanou a cabeça com mais vigor. Ele seria a vergonha de sua família se ele fizesse isso! Ele bateu a cabeça no chão de madeira da carroça, implorando. Além dele, as duas meninas trocaram olhares e entraram na conversa, pedindo para ele ficar com elas. Os três compartilhavam o mesmo sobrenome, afinal.

O rosto de Ruskel ficou mais feio. Ele devia um grande favor ao pai das meninas, mas também não conseguiu desobedecer o Silver Mark One! A única coisa que ele podia fazer era sacrificar suas ervas!

Ruskel mostrou uma cara sem vontade.

Ele andava de um lado para o outro na frente da carroça.

Pah pah pah pah!

Seus passos rápidos e erráticos refletiam seu estado de espírito. De repente, ele deu um tapa na coxa.

“É isso aí!” Ele gritou.

Incontáveis ​​sacos grandes de ervas foram jogados em cima dos jovens sentados. Eles foram completamente desconsiderados. Os jovens desapareceram rapidamente, enterrados.

Não foi de todo ruim – os sacos cheios de erva foram usados como almofadas confortáveis ​​ao longo de sua viagem.

Naquela noite, eles montaram tendas na margem de um pequeno rio.

Dentro de sua tenda compartilhada, Ryan puxou o pacote de suas costas e começou a procurar algo. Finalmente, ele retirou duas peças de roupa. Uma era uma túnica cor de creme feita de lã e a outra era um conjunto de roupas de baixo de linho.

“Minha mãe fez isso para você. Ela não sabia seus tamanhos, então ela apenas fez o mesmo que o meu. E-” ele retirou uma segunda adaga de cabo de osso, “Isto é do papai.”.

Van aceitou todos os presentes com gratidão.

“Obrigado.”

Houve um silêncio constrangedor.

“Como está a sua mãe?” Van perguntou. Embora não fosse inteiramente culpa dele, a suspeita sobre ele de fato lhe causara danos inadvertidamente.

“Ela está bem. Ao que parece, é um irmãozinho que está em seu estômago”, Ryan disse alegremente.

Eles se sentaram por mais alguns momentos antes que Ryan soprasse a vela de cera. Ele começou a roncar em instantes.

Em contraste, Van estava bem acordado.

Seu corpo, desde que praticava o «Sacrifício de Mil Santos», possuía uma forte vitalidade que significava que ele precisava dormir cada vez menos.

Ele olhou para a escuridão dentro da tenda e dentro de sua mente.

Jet? Ele tentou, sondando cautelosamente.

Flutuando no vazio escuro, o anel tremeu.

Van se sentou excitado.

Esta foi a maior resposta que ele recebeu em uma semana!

Jet!?

O anel preto estremeceu novamente. Então parou.

Ele foi incapaz de incitar outra reação do anel adormecido pelo resto daquela noite.

Era o mesmo todas as noites depois disso – o anel só podia dar a menor resposta antes de ficar em silêncio novamente. Van estava preocupado, mas não podia fazer nada sobre isso. Pelo menos parecia que Jet estava vivo.

Os dias passaram rapidamente.

Paisagem plana tornou-se colinas e depois voltou para a paisagem plana. Os rios se curvaram para eles e desapareceram à distância. A floresta era constante – embora às vezes perto e às vezes muito longe.

Van frequentemente ouvia os uivos fracos e distantes de uma alcateia de lobos. Coração Negro e o resto mantiveram o ritmo com os dois cavalos e a carroça facilmente, embora estivessem limitados a viajar dentro das florestas para fugir dos outros.

Finalmente, chegou a marca de um mês.

Seis viajantes cansados ​​desembarcam na Cidade do Dragão, a grande capital do Rio da Nuvem.

Foi nomeado assim devido a sua arquitetura original – a cidade foi cercada por paredes curvas que pareciam quase tão altas quanto as nuvens e sinuosamente torcidas através da paisagem. Outra visão notável era o seu rio artificial, no qual a imagem misteriosa de um grande dragão podia ser vista algumas vezes quando o sol brilhava o suficiente.

Portões grandes bloqueavam a entrada da cidade e a fila para entrar era imensa. Parecia que a população do mundo estava abarrotada nesse espaço.

“Eu nunca vi tantas pessoas na minha vida”, disse Ryan, intimidado. Os outros três ficaram igualmente chocados, apesar de suas origens familiares significativamente melhores.

Em comparação, Van estava mais à vontade, tendo estado na capital antes quando era mais jovem.

A visão do portão encheu Van com nostalgia. Se lembrou claramente da sensação de segurar a mão de sua mãe enquanto saíam do portão, a caminho da Vila da Montanha.

Sênior Ruskel foi consideravelmente mais tímido na capital. Afinal de contas, ele era apenas o Subchefe dos Servos encarregado do cultivo de ervas na Seita do Cedro. No mundo mundano, esta era uma existência gloriosa, mas na capital ele era um zé-ninguém. Isso não quer dizer que ele não tenha tido nenhuma influência – a Seita do Cedro ainda era uma das principais Seitas e, portanto, exigia respeito.

Quando chegou a vez deles, Sênior Ruskel se aproximou dos guardas e começou sua rotina familiar para agrada-los. Conversando e rindo com eles, ele molhou as palmas das mãos e entrou pelos portões sem problemas.

Quando eles passaram, Sênior Ruskel franziu a testa.

“Era só eu, ou eles eram um pouco mais difíceis de conversar hoje?”

Ele pensou nos dez cobres e sentiu o estômago doer. Não costumava levar tanta sinceridade!

Na esquina, eles pegaram uma carruagem que os levou pela cidade.

Os outros jovens olhavam ao redor com espanto de boca aberta.

A população da capital foi dividida igualmente entre cultivadores e não-cultivadores. Mesmo com essa baixa concentração, A Cidade do Dragão era considerada uma cidade imortal – a única no Rio da Nuvem, na verdade. A maioria das pessoas mundanas viveria suas vidas inteiras no Rio da Nuvem sem saber sobre sua existência.

Devido à influência de seus cultivadores, muitas coisas mágicas podiam ser vistas nas ruas. Gruas de papel voaram no ar, soltando panfletos de vez em quando. Pequenos sapos agachavam-se nas portas das lojas e gritavam slogans. Um homem à distância pintou vigorosamente um pedaço de pano e gritou – fazendo o pano explodir em chamas.

Desta vez, até Van estava assistindo com admiração. Ele não se lembrava bem disso – parecia que seus pais não tinham passado pelo distrito central da Cidade do Dragão, apenas os subúrbios mundanos. O que fazia sentido, já que eram mortais comuns.

Um panfleto de papel voou para a sua carruagem. Van prestou pouca atenção.

Em grande contraste, Sênior Ruskel deu um grande salto por ele. Abrindo e examinando o folheto amassado em sua mão, ele gritou em choque.

“Como isso é possível?”

Os jovens esticaram os pescoços, curiosos. Sênior Ruskel viu seus olhares e apressadamente o jogou ele para fora. Ele manteve a boca fechada.

Van olhou para ele com desconfiança.

O homem mais velho evitou seu olhar, optando por exigir que o motorista acelerasse.

Logo chegaram a frente de uma grande estrutura.

Uma imponente placa foi erguida em frente aos portões principais. Seita do Cedro, dizia, em uma escrita ousada, mas naturalmente fluente. A atmosfera que emanava era natural, mas vigorosa, como o fluxo implacável de um rio. Fisicamente, a seita abrangia um distrito inteiro dentro da Cidade do Dragão.

Quando desembarcaram da carruagem, um homem de túnica cinza os cumprimentou.

“George!” Sênior Ruskel o cumprimentou em voz alta. O homem de túnica cinza não reagiu. Ruskel deu-lhe uma pancada na parte de trás e fez um som de ‘he-he’.

“O mesmo de sempre, meu amigo. Alguma carne fresca para ser testada como servos”.

Os jovens sentiram linhas negras descendo pela testa.

Humm, por favor, pode não nos chamar de ‘carne fresca?’ Você faz parecer que estamos prestes a ser comido!

“Vou precisar levá-los para os campos de testes.”

O homem de túnica cinza assentiu devagar. George enfiou a mão na túnica para entregar as fichas de teste aos jovens.

Um estranho sentimento desceu sobre ele.

Ele olhou para cima e viu cinco jovens intrigados olhando para ele.

Ruskel não estava em nenhum lugar para ser visto.

Ao longe, uma figura de pescoço comprido estava correndo freneticamente como se sua vida estivesse em jogo. Suas vestes agitaram-se descontroladamente, fazendo-o parecer cômico em sua fuga.

A expressão normal de George, morta, afundou ainda mais.

Silenciosamente, ele entregou as fichas para as cinco crianças.

Nem George nem os jovens falaram. Eles fizeram o seu caminho para o campo de testes em um silêncio atordoado.

O que está acontecendo…?

Eles se entreolharam, sem compreender.

Algo flutuou dos céus.

George fez um som pela primeira vez desde que o encontraram – um pequeno ruído de asfixia como se alguém estivesse o estrangulando.

Em suas mãos trêmulas havia um panfleto.

Os jovens espiaram por cima do ombro. Uma escrita vermelha brilhante os cumprimentava.

BELEZAS ESBELTAS e FRESCAS à venda no mercado hoje por METADE DO PREÇO!

Isso mesmo, estamos falando do seu FAVORITO recém-colhido - a doce e indescritível erva da Flor Enevoada!

A promoção de METADE DO PREÇO TERMINA NO FINAL DO DIA ÚTIL.

XXX Não perca, amor!

George silenciosamente jogou o panfleto no chão.

Ele pisou nele com vingança.

Então, sem expressão, ele continuou em frente.

Nota:

Esse ‘amor’ no final do Panfleto, eu não sei se está certo, já que no original estava ‘luvvie’ e essa palavra pode ser uma forma de escrever ‘amor’ no sentido de chamar alguém afetivamente de ‘amor’. ‘Luvvie’ também é uma forma de endereço para atores que são muito melosos.

Ao que parece, este Panfleto está anunciando a venda de Ervas (o que explica a pressa de Ruskel de voltar depois que ele viu um panfleto na carruagem e também essa corrida no final, talvez até por que foi mais difícil passar no portão, eu também não duvido se alguém tiver vendendo as Ervas que o Ruskel conseguiu na viagem ‘-‘).

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