Capítulo 03 – Bêbados

A História do Demônio

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 Bêbados


“Vocês putos de novo?” Um velho com roupas surradas cumprimentou os meninos que saíam furtivamente da plantação. Eles eram funcionários regulares, é claro, mas já havia passado do horário de trabalho.

“Ei Grumps.”

“Eu disse para você parar de me chamar de Grumps” O velho disse em resposta.

Sol e Cain não sabiam seu nome verdadeiro nem ele disse a eles. Ele não queria conhecer melhor as crianças porque as emoções são um desperdício no domínio em que viviam. Afinal, era um lugar onde apenas os mais aptos poderiam sobreviver. E mesmo essa conversa casual entre eles teve consequências.

“Vamos então, saia com isso.” O velho abriu a mão e esperou que ela fosse preenchida com o que quer que tenha levado os dois para a prorrogação. Sol obedeceu alegremente, abrindo sua sacola e tirando uma pequena bolsa de pano. Ele então o jogou para o velho, que não teve problemas para pegar o pequeno objeto.

“Oh? E o que seria isso?”

“Basta abri-lo.” Sol comentou.

“É melhor não ser uma bomba garoto.” Quando Grumps a abriu, Cain esperava alguma reação superestimada do velho. Em vez disso, Grumps simplesmente assobiou e fechou imediatamente.

“Bem, você olha para isso.” Ele disse, com um sorriso tortuoso estampado no rosto.

“Eu acredito que deve ser o suficiente para manter sua boca fechada?” Sol negociou.

“Oh, contanto que você me alimente, crianças. Eu não teria problemas para fechar esta minha velha boca.”

Com isso, os dois conseguiram sair da plantação sem mais problemas. A estrada de volta ao domínio estava bem longe, mas eles precisavam andar descalços. Principalmente porque eles não podiam pagar qualquer tipo de calçado. Tampouco o meio de transporte da plantação que estava disponível após o expediente.

Mas os dois não se importaram. Com todas as loucuras que aconteceram e a boa refeição que os aguardavam, voltar a pé para casa era um pequeno preço a se pagar.

“O que você quer comer no jantar?” Eles colocam suas máscaras de ar. Um item obrigatório porque o ar fora dos domínios e das plantações era perigoso e tóxico.

“Qualquer coisa estaria bem. Você tem certeza que seu velho não vai voltar para casa?” Perguntou Sol.

“Definitivamente. Ele … ele bateu na minha mãe de novo esta manhã. Claro que ela tentou esconder todo o dinheiro que ganhei trabalhando, mas ela só conseguiu esconder por algum tempo …” A voz de Cain estava sumindo e trêmula. O menino não gostava de falar sobre essas coisas e Sol sabia disso. É por isso que ele bateu no ombro de Cain, indicando que ele não precisava ouvir a coisa toda.

O pai de Caim era um bruto. Uma péssima desculpa para um organismo vivo. Um homem que desistiu da vida e não parecia movido por nada além do desejo de espancar sua própria família. Sol o odiava tanto quanto Caim, mas, como eles eram, não havia nada que pudessem fazer contra ele.

Na verdade, apenas por mencionar seu próprio pai, Cain já estava de mau humor. Sol podia sentir isso e achou que alegrar o amigo seria um bom curso de ação.

“Caim meu garoto, você gosta do passeio?” Solomon imitou o tom de voz usado por nobres de domínios de alto escalão.

“O que diabos você está fazendo desta vez?” Exatamente como Sol esperava, seu amigo já estava aliviado de seu estado de mau humor.

“Ahh, isso não vai adiantar, meu caro amigo.” Sol segurava sua bengala da mesma forma que os nobres faziam. Finalmente fazendo Caim perceber o que estava fazendo.

“Meu chapéu velho de vinhedo, como isso é justo ao seu gosto?” Cain começou a rir de quão bem executado foi. Além de ser anormalmente inteligente, as habilidades de atuação de Sol também eram excelentes. Mas não tão bom quanto às de Caim.

“Biftraps e Booglurs, se é que posso dizer! Aquela bela plantação deve ser mantida em segredo entre nós. Não queremos nossas cabeças rolando no chão.” Sol começou a rir naquele momento e os dois continuaram a farsa até que finalmente chegaram aos portões de seus domínios.

Um muro alto de paralelepípedos cercava toda a área em uma forma circular. Runas foram gravadas nele, evitando que o mesmo ar tóxico que foi encontrado do lado de fora entre. Os postos de guarda ficavam no topo com soldados bêbados e, também havia dois deles nos próprios portões.

“Ei waddya hawve aí?” Um guarda bêbado disse, finalmente notando os dois.

A colheita que eles saquearam foi mantida em suas sacolas. A fim de escapar de qualquer chance de serem revistados pelos guardas, Sol tirou algumas colheitas regulares da plantação e deu a Caim. Sabendo o quão boas eram suas habilidades de atuação, Cain poderia facilmente enganar qualquer um. E esse era um plano à prova de idiotas contra dois adultos bêbados.

“E-estes, senhor? É a nossa colheita da plantação.” Sol estava rindo por dentro. Já tendo uma ideia de como as coisas iam ficar.

“Huuh? A plantação?” O primeiro guarda perguntou.

“Não passou do horário de trabalho?” O segundo falou.

“S-sim, senhores. Mas eu e meu amigo não conseguimos fazer nenhuma colheita. É por isso que ficamos por mais um tempo.”

“Sim, você está indo para a prisão com aquele seu amigo.”

“Não, senhores. Por favor, nos poupe!” Caim se ajoelhou e colocou as mãos em posição de oração. Uma forma perfeitamente executada que faria qualquer um ter pena dele.

Os dois guardas bêbados se entreolharam e sorriram. Claro que eles não iriam levar os meninos para a prisão. Afinal, eles estavam bêbados e, se o chefe os visse naquele estado, receberiam a mesma punição que os dois meninos receberiam.

“Tudo bem, apenas nos dê sua colheita e vamos deixá-la sair.”

“Claro senhor!” Cain se levantou imediatamente e entregou a sacola da colheita aos guardas. Sua mão tremia no processo e sua cabeça estava abaixada. Olhando direto para o chão.

“Ok, mas só uma vez.” Com isso, os dois guardas ficaram de lado e permitiram que os meninos passassem. A coisa toda foi conduzida perfeitamente por Caim, nem mesmo mostrando o quão nervoso ele realmente estava com toda a provação.

Com os dois olhando para frente, eles passaram pelos guardas. Pelo menos, era assim que deveria acabar.

Sol levou um soco no estômago, com o punho enterrado profundamente. Isso fez com que Sol tossisse sangue ao cair no chão.

“Sol!” Cain estava prestes a agarrar seu amigo quando o outro guarda apontou sua lança.

“Você acha que somos algum tipo de idiotas? Você acha que nunca fizemos esse trabalho antes?” O guarda estava de repente menos bêbado na fala. O que deu um soco em Sol agarrou seu cabelo, levantando o garoto e o fazendo gritar de dor.

“Eu sei que você tem algo naquela sua cesta, seu resto de abordo imundo. Vocês não podem nos enganar.”

“E-eu não sei o que está dizendo, senhor. Não tenho nada aí.” Sol mencionado em uma voz áspera.

“Há! Quem você está enganando?” O guarda bateu a á cabeça de Sol contra a parede, abrindo sua sacola na hora.

“Como você explica … hein?”

Não havia nada na bolsa de Sol, exceto seu equipamento de trabalho. O guarda até o virou e sacudiu o saco, mas apenas os itens saíram. Os cantos dos lábios de Sol se curvaram em um sorriso quando ele comentou.

“Senhor, não quero ser rude, mas há pessoas assistindo.” Quando o guarda olhou em volta, ele viu alguns olhares dirigidos a eles. Não havia multidão se formando, mas ele sabia como as pessoas eram observadoras.

“Tudo bem! Pegue e saia!” Os guardas disseram, jogando de volta o pequeno saco de colheita que foi dado por Caim quando eles finalmente conseguiram passar.

Havia muita coisa na mente de Caim naquele ponto. Ele estava pensando em como eles quase morreram há poucos segundos e, como Sol foi capaz de fazer todas as colheitas em sua bolsa desaparecerem. Ele olhou ao redor deles e, com certeza, não havia olhos nem ouvidos curiosos. Então ele começou a perguntar em voz baixa.

“Hey sol, como você fez isso?”

“Oh, o truque do saco?”

“Bem, o que mais eu estaria perguntando?”

“Na verdade, coloquei um compartimento secreto na minha bolsa. O fundo é realmente falso e, embaixo dele, estão todas as coisas que reunimos.”

“Puta merda cara, você colocou isso no meu também?”

“Claro que não.”

“Por que não? E se fosse eu quem eles procurassem?”

“Oh, isso não vai acontecer. Você tem tutores legais, Caim, eles não vão machucar um garoto que tem pais. Quanto a mim, bem, eles não se importariam em me bater e pegar tudo o que tenho.” Sol disse casualmente, como se não fosse motivo de preocupação.

Os meninos não trocaram mais palavras depois disso. Eles precisavam manter as coisas para si mesmos porque, mesmo sem as Bolas Ímpares vagando por seus domínios, eles sabiam que todo Vazio era igualmente vigiado.

Os dois passaram por becos cheios de prostitutas, bêbados e usuários de drogas. Através das casas que mal estavam em pé e o lixo espalhado por toda parte. Havia cheiro de carne podre e muitos outros em todos os lugares que eles iam, mas eles não ousavam procurar de onde vinha.

Tudo isso era normal para o Domínio do Vazio. Em meio a todos esses perigos, o único forte seguro dos meninos era uma casa tão degradada quanto todas as outras. Flores mortas estavam nos potes em frente a ela e garrafas vazias de bebida estavam espalhadas por toda parte. Uma caixa do tamanho de uma cama estava ao lado disso. Ao redor havia um monte de pedaços de livros e páginas gastas.

Então, ao se aproximarem, viram uma garota espiando pela janela. Isso imediatamente animou os dois quando outra pessoa apareceu. Uma mulher alta abrindo a porta para eles, com um sorriso no rosto.

Era a mãe de Caim. Uma pessoa cujo sorriso os aquecia por dentro, apesar da noite fria. Uma pessoa que, para os dois meninos, era a definição de um lar.

Ela os abraçou. E assim, tudo o que eles tiveram que passar parecia estar num passado distante.

Nota do Tradutor:

Ruby

A Escrava do Caos

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