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Num cenário de deserto interminável, onde a areia se estende até onde a vista alcança, encontrava-se Vitor. Sentia o vento e os grãos de areia impactarem suavemente contra o seu rosto, uma sensação que o envolvia em calma e liberdade. Enquanto admirava a paisagem, alguém se aproximou dele em suas costas. 

— Veio me perseguir até nos meus sonhos? — indagou ele à figura.

Ao se virar, deparou-se com um clone seu, vestido com imponente uniforme negro do Exército de Liberação. Os dois se encararam, um vestido de branco e o outro de preto.

— Vítor… — disse o clone em tom baixo e calmo. — Tenho uma missão para você.

— Não tenho interesse — respondeu seco, virando as costas.

O clone permaneceu imóvel enquanto Vítor caminhava lentamente pela areia.

— Você não pode fugir do que você é, do que nós somos. — O clone desintegrou-se como areia, reaparecendo à frente de Vítor. — Minha arma secreta, meu matador de heróis, meu Heroslayer…

— Sério? — resmungou. — Tem ideia do peso que vou carregar aceitando esse título? Tudo o que quero é voltar para casa, eu era feliz lá.

— Você era fraco! — O clone segurou Vítor pelo pescoço. — Se Otaviano não resolvesse brincar com a presa, você estaria morto!

Vítor foi arremessado por uma longa distância até pousar na areia fofa.

— Prefiro morrer do que ser vassalo de alguém! — declarou ao se levantar furioso.

— Garoto, você tem potencial, mas o desperdiça… — suspirou fundo, recuperando a compostura. — Pare com esse maldito teatro e faça o necessário pelos seus amigos.

— Pare de me enojar, eu não tenho amigos!

— Ninguém é uma ilha, você precisa de companheiros para sobreviver. — Uma voz suave, limpa, como a de um pai preocupado com o filho. — Nosso acordo é simples: recupere minhas doze Eroberers Edelsteine, e sua passagem de volta para casa estará garantida.

— Considere como feito. — Virou as costas e continuou a caminhar em direção ao horizonte.

— Sua equipe receberá um reforço importante; útil para invadir a fortaleza de Etterbachen e recuperar a safira.

Ignorando-o, Vítor seguiu seu caminho enquanto o clone sorria satisfeito.

— Não desperdice sua chance! Tenho expectativas em você! — Com essas palavras finais, o clone se desfez em areia.


Vítor despertou, ainda sonolento, seus olhos lutavam para não fecharem novamente. Vítor despertou, ainda sonolento, lutando para manter os olhos abertos. Estava estirado em um sofá, acompanhado por um gato negro aconchegado em seu peito, enrolado e ronronando suavemente. À distância, Herman repousava, adormecido numa poltrona, sua pistola firme na mão direita, apontada para a porta.

— Confortável? — comentou Vítor ao acariciar o gato.

— Maravilhoso. — O animal afofou as patas no peito dele.

— Ótimo, agora saia! — disse Vítor ao empurrar o gato para o chão.

— Isso é violência animal! — reclamou o gato.

O felino foi até Herman e se deitou em seu colo. Herman abriu os olhos e encarou o gato fixamente.

— Mávros… — Herman pegou o gato pelo cangote e o colocou no chão.

— Vocês dois! São anti-fofura! — exclamou ao retomar a forma de águia e bicar a testa de Herman.

Herman afastou-o com a mão, fazendo-o voar até a cozinha, onde começou a devorar o restante do salmão do dia anterior. Vítor sentou-se no sofá um pouco desnorteado, com a boca seca e os olhos piscando incessantemente.

— Nossa próxima missão foi definida: recuperar a Safira da Sabedoria no cofre da fortaleza dos três guardiões. — Vítor coçou a cabeça, pensativo sobre aquilo.

— Nós dois? Contra uma guilda inteira? — Herman fechou as mãos e encarou profundamente os olhos de Vítor. — Podemos enfrentar heróis de três estrelas sem preocupações, lidar com aqueles dois que vimos na taberna está no limite do razoável. Agora, quatro ou mais heróis de cinco estrelas estão além da minha concepção de razoável.

— Dê um número para a minha força — pediu Vítor, com a mão no queixo.

— Com base na nossa luta, eu diria que entre cem e duzentos.

— E para você? Qual é o seu número?

— Sendo sincero, acredito que seja quinhentos — respondeu, mas com um tom de humildade.

Vítor soltou um pequeno riso pela resposta e pensou: “Ele só estava brincando comigo naquela luta; tenho muito a aprender com ele”. Olhou para Herman, que estava em silêncio, imerso em pensamentos sobre outros assuntos.

— E quanto ao Otaviano? — Vitor levantou o dedo indicador, e uma pequena névoa saiu dele. — Qual é a força dele?

— Quem? — perguntou Herman, sem saber de quem se tratava.

— O brutamontes. — A névoa de Vítor agora cobria toda a sua mão, moldando-se em uma luva negra.

— Ele? — Herman olhou para o teto ao tentar quantificar. — Não sei, a classe dele parece ser monge, a técnica de aumentar os músculos é muito bem executada, quase sem defeitos… Em torno de duzentos e cinquenta, não mais do que isso… Seria necessário verificar se ele possui algum golpe especial.

— E Alice? — Vítor repetiu as perguntas, como se buscasse um parâmetro para todos que ele conhecia. — Existe potencial nas habilidades de fogo dela, mas a classe curandeira é bem fraca quando pensamos no quesito força.

— Não posso responder com clareza. — Herman levantou-se da poltrona e esticou os braços e caminhou para a cozinha.

— Como? — Vítor lançou sua névoa em forma de luva na parede, que se dissipou ao colidir com o objeto físico. — Preciso treinar mais. — concluiu ele ao observar sua técnica falhar. — Explique mais, por que você não pode quantificar a habilidade dela?

— Controlar o fogo é interessante, mas existem muitas fraquezas; preciso saber como ela lida com elas — Herman colocou água para ferver e então encarou Vítor. — É como a chama desse fogão; qualquer vento forte a apaga, ou se eu jogar água, são muitas variáveis para ela calcular.

— Onde ela está? — Foi aí que Vítor percebeu que Alice não estava em lugar nenhum do esconderijo.

— Falou que queria dar uma volta, para esclarecer a mente — respondeu Herman tranquilamente ao preparar-se para coar o café.

— Ela fugiu… — concluiu Vítor imediatamente.

— Sim, ela fugiu. Quer café? — perguntou Herman amigável ao acariciar as penas da águia Mavros.

— Por que não a impediu? — Vítor ficou furioso.

— Não sou o pai dela, ela é bem grandinha para decidir as coisas por conta própria. — Herman sentou-se à mesa da cozinha com uma xícara em mãos, pronto para saborear seu líquido matinal.

— Você a condenou à morte — Vítor abriu a porta, mas não viu o beco no qual entrara; agora, a porta dava passagem para um novo local, um galpão enorme cheio de caixas e mais caixas.

— A saída do esconderijo muda a cada uma hora. — Herman estava com a xícara no nariz, sentindo aquele delicioso aroma de café. — As entradas são as mesmas, a saída é diferente.

— Há quanto tempo ela saiu? — questionou Vítor ao tentar se localizar naquele labirinto de mercadorias.

— Acho que duas horas, era bem cedo, o sol ainda nem tinha raiado. Não se preocupe, ela vai ficar bem.

— Temos que procurá-la…

— Como quiser, só me deixe terminar o meu café.

Vítor suspirou irritado; sua paciência era limitada, e Herman só a diminuía cada vez mais. Fechou a porta do esconderijo e sentou-se no sofá enquanto brincava de criar formas com a névoa. Ele não tinha ingressado no exército de libertação para isso…


Do outro lado da cidade, Alice andava pelas ruas de forma cautelosa, com medo de ser encontrada tanto pela guilda dos Dragões do Sol quanto por Vítor e Herman. Mesmo assim, ela não percebeu que havia uma figura a perseguindo desde o momento em que saíra do esconderijo.

A figura estava coberta dos pés à cabeça; os trajes pretos permitiam uma ocultação quase que perfeita entre os becos escuros da cidade de Etterbachen. A única coisa visível na figura eram os olhos vermelhos, olhos vermelhos famintos por uma nova presa.

Olá, eu sou o Miltil!

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