Volume 01: Capítulo 10 — A primeira sobrevivência

Jack Park e o Mistério das Realidades Alternativas

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CAPÍTULO 10 – A primeira sobrevivência

 

 

Realidade média, Terra 03, floresta Tropical densa.

 

 

Um longo dia tinha se passado desde que Jack e seus dois amigos haviam deixado a cidade grande para partir rumo ao perigoso treinamento. Era meio-dia, o sol estava literalmente acima da cabeça deles, fazendo-os suarem constantemente e por consequência, deixando a pele levemente bronzeada.

A floresta em que eles estavam cruzando abrangia muitas semelhanças a uma tropical, apresentava árvores grandes e cheias de galhos com muitas folhas, abundantes pássaros de vários tamanhos e cores diversificadas, que coloriam o céu rosado daquele planeta assim que voavam.

O chão era bastante alameado com limo e algumas folhas que eram verdes, murchavam e caíam lentamente sobre ele. As árvores que tinham grandes folhas faziam enormes sombras no chão, porém, o calor constante deixava tanto o clima quanto a região abafada.

Para refrescar, um pequeno rio cruzava aquela densa mata. Esse que tinha um corrente forte e levemente cristalina, e podia-se ver os peixes nadando freneticamente.

— Em quantos graus estamos? Que calor insuportável! — Exclamou Michel com a pele avermelhada e suando como se estivesse em um forno.

— Deve estar uns 35 a 40 (graus), e ainda é meio-dia. Deve ficar mais quente a tarde. Devemos achar algo ou algum lugar para aliviar esse calor. — Retrucou Jack as reclamações do seu amigo.

— Como já nos banhamos na praia da nossa terra, podemos usar aquele rio ali na frente para fazer a mesma coisa, o que acham? — Indagou Jhenefer, incitando os dois amigos á concordarem com ela.

— Pela nossa atual situação, não deveríamos ter vergonha de ficar sem roupa aqui né? Eu teria. — Falou Michel com o semblante envergonhado e com a cara rosada.

— Você ficou louco?! Até parece que vou tirar a minha roupa na frente de vocês dois. Não tenho tanta intimidade para chegar a esse ponto. — Disse com o rosto enraivado e apertando as mãos, sinalizando que iria esmurrá-lo pela falta de intimidade que ele estava tendo.

— Então vamos fazer o seguinte, como nós teremos que tomar banho “Isso é óbvio”, você irá primeiro e faz o que tiver de fazer. Em seguida, será eu e Michel, combinado? — Propôs Jack a ideia para sua amiga.

— Bom… Assim, pode ser. Mas vocês não podem chegar perto entenderam?

— Claro, claro. Agora se apresse, está quente demais para nós ficarmos aqui parados.

— Estou indo, então.

— Certo. Tenha cuidado, ainda não conhecemos essa região e não sabemos se tem animais ou bichos perigosos.

Jhenefer foi a primeira a ir ao rio. Como não sabia como era o lugar, seguiu as recomendações de Jack. Passou-se mais de meia hora, mas ela conseguiu fazer o que precisava e voltou segura, mas não totalmente limpa.

— Espera um pouco, o que aconteceu com você? — Questionou Jack ao ver o estado lamentável de sua amiga.

— Eu consegui entrar no rio e me lavar, mas tinham algumas coisas grudadas em mim, acho que eram sanguessugas. Eu fiquei tão desesperada naquela hora que saí correndo feito louca tentando tirar aquelas coisas de mim. Eu conseguir tirá-las do meu corpo, já que eram pequenas, mas fiquei cheia de marcas por todos os lados.

— Olha pelo lado bom, agora você está limpa, mas virou uma pizza! He, hehehehe, e também… Conseguiu alguns hematomas bem feios. — Zombou Michel gargalhando e tirando sarro de Jhenefer, que ficou com a expressão ainda mais enraivada que anteriormente, ficando avermelhada de vergonha e raiva.

— Eu também percebi algo inesperado. Os desenhos que eu tinha na barriga ficaram maiores e visíveis, e os de vocês?

— Não sei… Não cheguei a reparar nesse detalhe. Posso ver o seu?

— Pode…

Nisso, ela levantou a sua camisa para mostrar a Jack e Michel a sua descoberta. Como esperado, os dois desenhos em sua barriga ficaram maiores e mais relevantes, era um no formato de uma onda d’agua e outro no formato de furacão. Ambos estavam posicionados ao lado do umbigo, a direita e na esquerda do centro.

— Realmente… O seu ficou mais visível. Quando eu e Michel formos nos lavar, vamos observar isso também. Deve ser algo relacionado aquelas criaturas que possuíram o nosso corpo… Ou outra coisa que a gente ainda não sabe. — Explicou, Deixando Jhenefer mais tranquila, mas cheia de dúvidas a respeito daquelas formas estranhas.

— Bom… Vamos Michel? Não podemos perder tempo.

— Certo.

Assim eles partiram para o rio deixando-a na carroça, esperando, enquanto se coçava pelas marcas que as sanguessugas deixaram em seu corpo. Como Jack já estava ciente, ficou em alerta para não acontecer o mesmo incidente com ele, a mesma coisa fez Michel.

Assim que se eles se despiram, também perceberam que os desenhos em seus umbigos ficaram mais relevantes e maiores. Os de Jack eram uma chama e um mineral, já o de Michel era uma rocha e uma árvore coberta de cipós.

“O que será que aconteceu para isso ficar assim tão escuro? Será que foi por consequência daquelas criaturas? Mas eu já tinha isso, e coincidentemente, Michel e Jhenefer também. Muito estranho… E suspeito também.”

— Podemos esquecer isso por hora. Vamos tomar banho logo Jack, estou quase fritando aqui.

— Hehehe… Está certo. Vamos lá!

Em apenas um movimento, os dois pularam da pedra mais alta que havia ali e caíram na água, fazendo um alto som e espantando tanto os pássaros em volta, quanto os peixes, que fugiram de medo.

— Agora sim! — Disse Michel. — Não vou mais fritar nesse calor insuportável.

Assim que mergulharam, os olhos de ambos que estavam fechados, brilharam um pouco, como se fosse um modo lanterna. Os olhos de Jack, Vermelho e Cinza eram muito encantadores enquanto demonstravam um certo suspense em seus brilhantes aspectos coloridos assim que refletiam a luz do sol. Com Michel não era diferente.

Os seus olhos verdes e marrons faziam com que a flora em volta se desenvolvesse, como se estivessem crescendo em um ritmo acelerado. Isso deixou tanto Michel quanto Jack surpresos e maravilhados. As flores se abriam, as árvores cresciam, as folhas mudavam de cor e deixavam os animais alegres e surpresos também pelo feito misterioso.

— Nossa… Nós podemos fazer algo desse tipo? Que incrível!

— Vocês acabaram de presenciar o primeiro feito dos poderes que possuem. Esse poder em especial foi criado para que, no campo de batalha, ao mesmo tempo que a luta se desenvolve, fazendo tudo se destruir em volta, vocês podem reconstruir tudo o que danificaram com os poderes sem gastar magia em demasia. Foi uma solução muito útil no passado, na luta dos universos.

— Esperai, quem falou isso? — Perguntou Jack assombrado e com uma gota de suor escorrendo de seu rosto, pingando na água.

— Somos nós Jack, estamos dentro de vocês, lembram? A partir de agora, iremos ensiná-los a usar esses poderes tão fortes que os possuem. Vamos começar quando chegarem ao campo de treinamento, irão se surpreender quando vê-lo.

Levantando as cabeças, Jack e Michel põem as mãos no rosto e afastam o cabelo dos olhos, sensualmente e até mesmo, misteriosamente, fazendo-os diminuírem a intensidade do brilho, mas não deixando de abrilhantarem naturalmente com a luz solar que havia no local.

— Eles querem treinar a gente? Foi isso que eu ouvi? — Indagou Michel para seu amigo, que também estava se fazendo a mesma pergunta em seu subconsciente.

— Bom, se o que eles estão falando é verdade, será mais vantajoso para nós, pois teríamos que fazer isso sem nenhuma dica de como usá-los, e provavelmente, poderíamos ser mortos rapidamente.

— Você faz tudo ser melancólico. Na verdade, você já é de fato, então não é surpresa, mas assustador de qualquer jeito.

— Me diga uma coisa… Você sentiu algo em relação a aquela moça da recepção lá na guilda?

—Bom… Não posso dizer que não. Por que a pergunta assim tão de repente?

— Eu percebi que você ficou olhando para ela toda hora com um sorrisinho disfarçado e rosto rosado, parecia acanhado. Você se apaixonou por ela?

Michel ficou tão envergonhado que afundou toda a sua cabeça embaixo da água e ficou ali por alguns segundos sem se mover, mas dava para perceber as pequenas bolhas que saíram de sua respiração ofegante.

— Eu sabia… Você sempre se apaixona pelas mais velhas, já está mal acostumado.

— E quem é você para me julgar? Nunca namorou ninguém e vem me dar bronca ainda por cima.

— Não é por que eu nunca namorei que eu vou ficar solteiro a vida toda. Na hora certa a pessoa que eu procuro vai aparecer diante de mim… Tenho certeza.

— E quem é a pessoa que você tanto procura?

— Isso não é o tipo de coisa que eu posso explicar em simples palavras. Mas posso dizer que ela pode ser semelhante a mim, em alguns aspectos.

— La vem você falando coisas difíceis de novo, não vou nem perguntar mais.

Enquanto Michel se divertia na água, Jack olhava para o céu rosado cheio de nuvens e ficava pensativo por alguns minutos, logo em seguida ele soltou um sorriso disfarçado enquanto falava em seus pensamentos.

“Espero que ela esteja perto… Não aguento mais ficar sozinho.”

Depois de alguns minutos, ambos retornaram para a carroça, onde Jhenefer estava esperando rancorosamente, pois demoraram demais e já estava cheia de hematomas, que por sinal, eram doloridos ao toque. Jack fez uma cara de quem levou tudo na brincadeira junto com Michel. Logo em seguida eles se arrumaram e partiram novamente para a viagem.

O último dia de viagem passou tranquilamente. A viagem foi calma e sem paradas indesejadas, mas hora ou outra, os desenhos em suas barrigas latejavam fracamente. Era como se eles estivessem sentindo um leve desconforto na barriga, mas nada sério ao ponto de sentirem dores fortes.

Depois de dois dias de viagem relativamente exaustivos, eles finalmente chegaram ao local de treinamento. Assim que viram o recinto, puxaram as rédeas do cavalo fortemente, fazendo-o dar um leve salto para cima e parar instantaneamente.

Gritos, explosões, sangue e gente voando para tudo quando é lado… Assim era aquele local. A descrição que a atendente da guilda forneceu para eles parecia um tanto quando exagerada, mas, vendo aquela área com os próprios olhos, um medo sem igual bateu nos subconscientes dos três naquele momento.

— Mas… O que é isso, é gigantesco! Qual o tamanho desse lugar? — Indagou Michel ao ver o local. Naquela hora, gotas de suor começaram a escorrer do seu rosto e seu corpo começou a estremecer rapidamente.

— Esse lugar… É… Um labirinto?! — Também indagou a sua amiga, que começou a ter os mesmos sintomas que Michel.

— Então o famoso lugar de treinamento era, na verdade, um labirinto? E desse tamanho? Ela deve estar louca em pensar que nós podemos sobreviver aqui. Deve ter facilmente o tamanho de duas cidades. Chuto uns 200 km², mas não sei ao certo. — Disse Jack analisando o labirinto, mas por dentro, era óbvio que o seu medo era maior que o de seus dois amigos, pois o seu corpo demonstrava isso com bastante tremedeira, soluço e veias cobrindo a maior parte de seus olhos.

Como eles notaram, o labirinto era gigantesco, com mais de 200 quilômetros quadrados, algo que, se comparado com a Terra-1, era o tamanho das duas maiores cidades daquele local. Era dividido em 3 partes, mais conhecido como fases, cada uma com uma cor respectiva.

A 1ª fase era de coloração esverdeada e seus corredores tinham em torno de 1,5 metro de largura, o comprimento era relativo, pois cada corredor era de um tamanho diferente, mas a largura era sempre a mesma nessa etapa.

A 2ª já era mais complexa. Tinha coloração amarela e seus corredores eram menores que a 1ª, de somente 1 metro de largura e com comprimentos menores também. Por último, mas não melhor, a 3ª fase.

Era no começo dessa que a maioria das pessoas morriam de exaustão, de fome, falta de magia… Era relativo também. Havia coloração avermelhada, exatamente de tom sangue, já que era causada pelas inúmeras mortes das próprias pessoas que por ali passavam. Tinha em torno de 2 metros de largura, mas em contrapartida, o comprimento dos corredores era somente de 5 metros, o que já era pequeno, se comparado com as outras fases.

“Nós não sabemos como funciona esse lugar e nem como passar por ele… Será uma aposta de vida ou morte. Mas se não apostarmos, não teremos chances de ganhar.” Pensou Jack relutante sobre o que iria fazer na situação em que estavam de frente.

— Bom… Já chegamos até aqui, e não podemos voltar. E o nosso objetivo aqui é sair já sabendo de algo, mesmo que básico. Temos que encarar, o que me dizem?

 

 

Realidade média, Terra 03, em algum lugar da cidade.

 

 

— Nossa, que desconforto. Esses desenhos já estão me incomodando há um tempo… O que será que está acontecendo? Algum tipo de conexão?

— Vamos logo filha, vamos nos atrasar para o almoço.

— Certo, mãe… Estou indo.

— Esses desenhos estão te incomodando de novo?

— Não é nada grave, mas já faz alguns dias que eles ficaram maiores e mais escuros. Meus olhos também mudaram de cor repentinamente, o que está acontecendo?

— Deixe isso quieto. Contanto que você não se machuque e nem passe mal, está ótimo. Vamos logo para casa.

— Tá… Vamos.

 

 

 

Continua…

Aviso do Autor:

LUPE_SANO

LUPE_SANO

A novel está sendo reescrita desde o capítulo 1 ao 10. O prólogo já foi postado. Semana que vem irei repostar o capitulo 1.
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