Volume 02: Capítulo 24 — Uma ilusão de outro universo

Jack Park e o Mistério das Realidades Alternativas

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CAPÍTULO 24 – Uma ilusão de outro universo

 

 

Realidade Virtual, Terra-02, terceiro dia.

 

Logo após o incidente indesejado com Keelser do dia anterior, ele foi levado para a enfermaria da própria escola, a fim de tratar os primeiros socorros. No dia seguinte, não houve aula, pois, os alunos estavam reunidos na biblioteca do próprio colégio, a fim de estudarem a suposta “origem” dos seus poderes, a ponto de conseguir ao menos ativá-los sem ter que ficar fora de controle e se machucar, ou machucar alguém próximo.

Por outro lado, Otávio, junto com Magnólia estavam preocupados com o seu novo colega, e não conseguiam estudar com esses pensamentos martelando seus subconscientes:

— Como será que ele está? Não temos notícias dele desde ontem. — Magnólia iniciou o diálogo com uma indagação para Otávio, esse que estava avoado em seus pensamentos de vida, e obviamente, do seu amigo. — Otávio… Otávio! — gritou o nome dele, o fazendo voltar para a realidade atual.

— Oi, desculpe, estava com pensamentos altos. — Respondeu para a sua amiga, que estava com semblante de dúvida se ele realmente havia ouvido as suas palavras anteriores. — Você disse alguma coisa? Não consegui entender! — Indagou coçando a parte de trás da nuca com um sorriso disfarçado e envergonhado.

— Eu estava dizendo que estou preocupada com Keelser. Nós nos conhecemos naquele momento e eu soube que ele era uma boa pessoa. Entretanto, estou aflita, pois não sei se aconteceu algo mais com ele.

— Não conheço os procedimentos desta realidade. Como o senhor Kibitor havia me dito, tudo o que o corpo sente aqui, também é sentido na vida real. Com certeza eles estão monitorando nos dois planos. Não acho que vão deixar um aluno que acabou de entrar ser tão afetado a ponto de chegar a morte ou algo assim. — Otávio respondeu com o intuito de tentar aliviar a aflição de magnólia, a qual estava inquieta por um garoto que só teve contato por algumas horas do dia.

— Mas aí entra o maldito ditado “ Para tudo se tem uma primeira vez ”. Vai saber o que está acontecendo com ele. Otávio, vamos lá conferir como ele está? — Convidou Otávio para ir ao encontro de Keelser para tirar a angústia de seu peito.

— Você realmente foi afetada por um garoto que mal conheceu. Qualquer um em meu lugar pensaria muitas vezes antes de ficar no estado em que você está. Porém, eu tenho que dizer que também simpatizei com ele, logo, não posso julgá-la. — Disse Otávio manifestando o seu ponto de vista sobre a situação. — Certo, eu vou com você. Mas depois, eu gostaria de ouvir sobre a sua história, se for possível. — Continuou concordando em ir à visita com a garota, porém, fazendo ou outro pedido acima do dela.

— Claro! Você parece meio velho, mas acho que é confiável. Só espero que você não seja um safado pervertido que adora dar em cima das garotas mais novas. — respondeu já retrucando o convite com um suposto aviso, para prevenir a sua segurança futura contra Otávio.

— Não se preocupe, eu tenho esposa. Mas ela foi raptada bem diante dos meus olhos. E nem eu ou o Líder Freizen pudemos fazer algo contra, foi tudo muito rápido, questão de segundos.

— Nossa, sinto muito! — Respondeu a garota abalada pela notícia repentina. Na mesma hora, a garota havia se arrependido até certo ponto pela a sua fala anterior contra ele, mas a insegurança ainda não tinha sido toda dissolvida só por aquilo. Dúvidas ainda restavam, mas só com o convívio constante que tudo iria se resolver.

— Não tem problema. Podemos dizer que indiretamente, ela mereceu aquilo. Mas depois eu lhe explicarei com clareza. Vamos logo ver como Keelser está. — Otávio esclareceu razoavelmente sobre o conflito para Magnólia, que havia ficado confusa com aquela informação literalmente jogada ao acaso.

— Tudo bem, vamos. — Terminou o diálogo, se levantou da cadeira onde estava junto com Otávio no pátio do prédio do dormitório e foram em direção a enfermaria, este que está no edifício das salas de aula.

 

 

Primeiro edifício, 5º andar, enfermaria do colégio.

 

 

Chegando na enfermaria, Magnólia logo foi na recepção à procura de Keelser, para saber em qual quarto estava internado. Como foi uma grande perda de sangue, possivelmente ainda estaria em tratamento médico, mas nada estava certo naquele momento. Assim que conseguiu a informação, foi diretamente correndo para o quarto, porém, uma coisa a chocou:

— K-Keelser… — Disse Magnólia em estado de pânico com o olhar focado na cama do paciente.

— Oi pessoal, tudo bem? — Saldou deitado em sua cama com três seringas em seus braços. Seu rosto pálido e a voz estremecida demonstrava que ainda estava fraco demais. Porém, uma coisa que ninguém esperava era que ele já havia acordado.

— Já recobrou a consciência? Você é duro na queda garoto! — Otávio falou em tom humorístico suave para o garoto, esse que se espantou pelas aquelas palavras ditas por Otávio, pois não esperava aquilo vindo de um cara com mais de trinta anos.

— Sim, eu me recupero rápido. Na verdade, isso já aconteceu comigo antes, mas foi um acidente inesperado. Entretanto, agora eu estava confiante que não iria acontecer novamente, mas eu estava errado. — Respondeu o comentário com tristeza e frieza em seu olhar com o corpo ainda amolecido e coloração esbranquiçada.

— Mas nós estamos aqui nesta escola exatamente para aprender a ativar, controlar e aumentar os nossos poderes. Não será de um dia para a noite que todo esse processo será realizado. — Otávio retrucou com semblante triste e expressão abatida por notar que Keelser queria fazer todo aquele procedimento rápido demais, entretanto, não era assim que funcionava.

— Os médicos já lhe disseram quando poderá voltar para o dormitório e para as aulas? — Magnólia perguntou já preocupada com quanto mais tempo ele ficaria ali deitado naquele estado tomando sangue por várias agulhas em seus braços.

— Não se preocupe, logo logo sairei e poderemos estudar juntos. — Keelser sanou a dúvida da amiga ainda com o corpo bem afetado e meio sem firmeza no corpo para conseguir ficar ereto.

Depois de alguns minutos de diálogo entre os três, já dava para notar uma boa aproximação deles. Vendo isso, Otávio aproveitou a oportunidade para conhecê-los melhor e se juntar mais a eles.

— Pessoal, vamos aproveitar que estamos os três aqui e vamos nos conhecer melhor. Se vocês tiverem interesse, gostaria de ouvir as suas histórias. — Otávio comentou com o semblante curioso coçando a parte de cima da sua cabeça.

Magnólia, que já havia recebido aquele pedido anteriormente, se surpreendeu que ele viesse a pedir logo naquele momento novamente. Como Otávio havia manifestado interesse na sua pessoa, aproveitou a brecha para se pronunciar primeiramente:

— Tudo bem, se for assim, eu posso começar primeiro, se não importarem.

— Por mim tudo bem. — respondeu Keelser para a sua amiga.

— Por mim também, pode começar. — respondeu em seguida, dando liberdade para que a garota conseguisse dizer o que quisesse e tivesse a vontade.

 

 

Primeiro edifício, 10º andar, sala de aula da turma 2.

 

 

— […] Vejo que será difícil lidar com vocês, tudo que fazem dá errado! — Disse Kibitor com semblante estupefato, pois via que aquela turma daria problema logo no início, sendo ela a segunda do primeiro ano. A maioria ali conseguia ativar os poderes, mas sempre causava alguma bagunça na sala ou sujeira, e isso o deixava inquieto e nervoso. — Já que será assim, irei dar um gosto do meu poder, para vocês terem uma noção do que é ativação e controle de verdade.

Com isso, ele fechou seus olhos e focou em seu poder, o ilusionismo e a ilusão absoluta. Instantaneamente, toda a sala escureceu e as cadeiras, bem como as carteiras haviam sumido completamente, deixando somente um chão todo plano e sem fim. Para demonstrar o seu poder, ele fez com que todos os alunos tivessem o mesmo tipo de experiência.

Kibitor os colocou sentados em cadeiras com algemas em seus braços e pernas, deixando-os imóveis. Eles ficaram espantados e assustados gritando e chorando para que ele soltasse eles daquele lugar. Com tudo aquilo acontecendo e os alunos achando que era um castigo pela bagunça causada na sala de aula, e era verdade.

— Agora vocês vão ver o que é controle, e poder de verdade. — disse Kibitor, preparando a sua turma para o castigo.

Ele fez com que o chão desaparecesse, fazendo-os flutuar sem gravidade em seus corpos. As cadeiras viraram para cima e para baixo, de um lado para o outro. Com mais de dez minutos nesse estado, uma onda gravitacional os sugou em velocidade extrema para baixo, iniciando uma queda sem precedentes em um prédio com mais de duzentos andares, criado pela ilusão.

A gritaria, o medo, que emanava, a urina e catarro que escorria e a velocidade da queda fazia alguns deles desmaiarem e voltarem a si em rápidos segundos. A queda intensa durou em média dois minutos, porém, foram os piores da vida daqueles pobres jovens. Naquela ilusão, o olfato, a visão, o tato, a audição…. Tudo foi elevado ao extremo para que todos os detalhes fossem gravados em suas mentes para nunca mais esquecerem.

Depois de tanto cair, eles finalmente voltam para a sala de aula, sentados em suas cadeiras, como se nada tivesse acontecido, porém, muitos desmaiaram, vomitaram ou xingaram o professor, pelo mesmo ter feito eles passarem por uma experiência de quase morte, ou literalmente uma.

 

 

Realidade da Destruição, Terra-51, quarto de Tereza.

 

 

Como o tempo anda mais rápido que nos outros universos, duas semanas haviam se passado desde o sequestro de Tereza por Jeffrey, e quando ela foi levada para o seu aprisionamento, para supostamente ser torturada brutalmente pelo o Líder daquele lugar. Seu medo ainda não havia desaparecido, e o pavor ainda era demais para processar.

Qualquer som ou ruído já a fazia sentir arrepios constantes seguindo por calafrios, logo, ela não conseguia sair do seu quarto onde estava aprisionada, também não tentou saltar da janela, pois a queda era algo sem precedentes, e provavelmente morreria antes mesmo de chegar ao solo.

“Quando será que aquele miserável virá me resgatar? Será que ficou com medo, ou não tá nem sentindo a minha falta? ” Pensava em seu marido Otávio, o qual ela colocava fé que viria em seu resgate, porém, a demora a fazia inquieta e a chorar com bastante frequência.

— Será que eu vou sair desse lugar? O que ele vai fazer comigo? O que mais ele quer? O que ele quer de mim? — se perguntava a todo instante apavorada sem quase nenhuma gota de sangue em seu corpo, aquele que já não parecia ter mais vida, pois a sua cor pálida e lábios arroxeados era prova disso.

 

 

Realidade da Destruição, Terra-51, aposentos do líder.

 

 

Senhor, o que vamos fazer com ela agora? Acho que já deu um bom tempo para o corpo e a mente maturar como desejava. — Jeffrey indagou para o seu Líder, Human Beast.

— Acho que já chegou a hora. Logo em breve atacarei um daqueles universos imundos, e aquela mulher irá fazer um pouco de estrago também. — Respondeu para o seu servo, que ficou animado no mesmo instante.

— Então quer dizer que um deles lutará com ela mesmo sem saber quem ela realmente é?

— Pode-se dizer que sim, mas ainda temos trabalho a fazer. Teremos que dar uma arrumada naquela frágil mente para que ela não desvie do caminho tão facilmente. Será uma boa diversão assistir toda a sua vida novamente. — Disse com expressão alegre e ansioso pelo o que estaria por vir. Sua animação para brincar com Tereza era algo que nada poderia superar, não naquele momento tão glorioso.

— O senhor quer que eu prepare o seu sangue? — Jeffrey perguntou novamente para o líder.

— Por agora não. Só iremos aplicá-lo depois que eu preparar o corpo dela adequadamente ainda deve levar mais uma semana.

— Tudo certo. Que seja feita a vossa vontade, meu senhor.

— Melhor do que eu mesmo realizando esse feito, só se fosse dois de mim. Mas eu sou único em todo o multiverso, não há quem se compare a mim.

Se exaltando e vangloriando, o Líder partiu para o quarto de Tereza, com a intenção de prepará-la para o próximo passo, a lavagem cerebral. Uma grande tortura física e psicológica iria acontecer, e toda a sua vida mudaria por completo, exatamente a partir daquele maldito dia, Tereza não seria mais a mesma, nem por dentro e nem por fora.

 

 

Continua…

Aviso do Autor:

LUPE_SANO

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