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Na tarde daquele mesmo dia, o Segundo Batalhão e o Amanhecer, liderados por Amanda Bauhm e Heitor Sariev, chegaram. Com isso, todas as Tropas de Exploração haviam se reunido em seu destino final.

Assim que viram o extenso perímetro, montado em conjunto pelo Primeiro Batalhão e o Batalhão Zero, ambos ficaram surpresos.

Numa tenda provisória montada como QG até que o exército chegasse, os quatro comandantes estavam reunidos próximo da mesa, com apenas Banjo sentado.

“Tsk, não acredito que fui a última a chegar, sendo deixada para trás por dois merdinhas como esses.” Amanda falou de forma grosseira, sem se preocupar se Fernando ou Banjo estavam ouvindo.

“Perder para mim é normal, mulher-maromba, mas perder até para o novato? Parece que a idade tá chegando, você deveria se aposentar logo. Soube que algumas cidades retomadas pela Legião estão contratando gente para os seus Salões.” Banjo falou de forma zombadora enquanto se apoiava na mesa com o cotovelo.

“Tá querendo morrer, seu verme?” A mulher loira e musculosa disse, de forma ameaçadora.

“Esse é o meu mano Fernando, sabia que você não ia desapontar. Hahaha!” Heitor disse, passando o braço em torno do pescoço do jovem Tenente e puxando-o para mais perto.

O homem, alto e negro, e o jovem, pálido e com um rosto indiferente, faziam uma combinação estranha.

“Pode me dar algum espaço, Capitão Heitor?” Fernando disse, enquanto o homem o balançava, rindo alto.

“Vamos lá, você e eu temos quase a mesma idade. Sabe como é difícil achar gente da nossa idade que seja forte e não seja um babaca?” O homem disse, puxando o rapaz para ainda mais perto. “Além disso, somos do Brasil, brasileiros devem ficar unidos!”

Enquanto uma veia se formava em sua testa, Fernando respirou fundo, tentando se acalmar. Ele nunca se deu bem com pessoas que gostavam de muito contato próximo, ainda mais homens!

Além de que, eles não se conheciam há tanto tempo. O jovem Tenente não era ingênuo como foi no passado. Não acreditaria ou confiaria demasiadamente em pessoas apenas porque ambos eram brasileiros.

“Brasil?” Amanda disse, com uma expressão curiosa. “Acho que já ouvi falar, isso fica no México?”

Fernando e Heitor olharam para a mulher com um rosto estranho ao ouvirem isso.

“Não liga para ela, é estadunidense.” O homem negro disse, apontando para a loira musculosa.

“Ei, o que isso tem a ver?” Amanda perguntou, franzindo a testa.

“Ah, entendi.” Fernando assentiu, fazendo uma expressão de compreensão. Os norte- americanos eram conhecidos por seu péssimo senso de geografia.

“E por que você está concordando com ele? Tá querendo morrer, seu merdinha? Eu acabo com os dois, sozinha!” A mulher gritou irritada, apesar de não ter entendido o que eles queriam dizer com isso.

Após conversarem por algum tempo, os quatro finalmente mudaram para o assunto principal, algo que estava incomodando a todos.

“Então vocês também?” Heitor disse, com uma expressão séria pela primeira vez. 

“Inicialmente eu estava tentando evitar eles e atacar só após cercá-los.” Banjo disse, enquanto fumava. “Mas quando notei o comportamento estranho resolvi seguir algumas patrulhas, todas pareciam desesperadas para recuar, é como se soubessem que seriam abandonadas se demorassem demais.”

Todos na sala tiveram uma mudança de expressão ao ouvir aquilo.

“Descobriu alguma coisa?” Amanda indagou.

“Nada de mais, apenas isso. Pensei em capturar algum Orc, mas no fim matei todos, não temos nenhum especialista em idiomas aqui, então de nada adiantaria mantê-los vivos.” Banjo falou com um semblante relaxado.

“Que pena, se conseguíssemos descobrir o que eles planejam, eu ficaria muito mais seguro.” Heitor falou, franzindo a testa, enquanto algumas tranças de seu cabelo cobriam parte de seus olhos.

Ao ouvir isso, Fernando pensou em algo. Se ele usasse Brakas para extrair as informações do Orc Líder capturado, ele não conseguiria alguma inteligência sobre os planos do inimigo? Se soubessem os próximos passos dos Orcs poderiam reagir muito melhor.

No entanto, esse pensamento logo foi varrido de sua mente. Mesmo que ele conseguisse algo da criatura, não poderia compartilhar com os outros. Caso contrário, os questionamentos logo chegariam sobre como ele havia conseguido tais informações.

Se alguém descobrisse que ele tinha um Beholder Ancião, um Orc Líder e dois Ciclopes filhotes em seu Anel de Aprisionamento, não duvidava que seria executado no local.

“Por falar nisso, o General Zado não estava com você?” Banjo perguntou.

Heitor assentiu, de forma calma.

“E quem disse que ele não está?” Quando o homem negro disse isso, todos ficaram surpresos. “O General notou há muito tempo o comportamento estranho dos Orcs e na noite anterior seguiu em frente sozinho. Aquele velho nunca me fala muita coisa, mas suspeito que ele foi investigar Garância, então não deve estar muito longe.”

Os três ao redor ficaram sem palavras após a explicação. Somente um General iria se atrever a se aproximar de uma cidade tomada por Orcs sozinho!

Após discutirem por mais algum tempo e perceberem que não tinham mais nada de importante para falar, o grupo decidiu encerrar a reunião.

“Bem, o General Wayne deve chegar com o exército antes do anoitecer. Por hora, fiquem atentos e mantenham seu pessoal em guarda.” Heitor disse, tomando para si o papel de liderança.

Apesar de ser o mais jovem entre os três Capitães, seja Banjo ou Amanda, nenhum dos dois contestou isso. O rapaz negro era um gênio treinado na Academia Militar da Cidade Dourada depois de tudo, mesmo que tivessem a mesma patente, seus status sociais eram diferentes.

Fernando, que estava em silêncio na maior parte da discussão, assentiu.

“Irei sair primeiro, então.” falou, de forma respeitosa.

Após o jovem Tenente partir, um longo silêncio permeou na pequena tenda, enquanto os três Capitães, que ficaram, olharam para a saída com expressões mistas.

Nesse momento, Heitor abaixou-se, tocando o solo com a mão e usando sua Magia da Terra para verificar o perímetro. Após algum tempo, se levantou. Os outros dois pareciam entender o significado por trás das ações do rapaz negro.

“Vocês também notaram, certo?” Banjo perguntou, de forma retórica.

“Você acha que tem algum retardado aqui?” Amanda falou, franzindo a testa. “Quem não notaria? O Batalhão Zero está praticamente intacto, enquanto o meu e o seu está todo ferrado. Mesmo o Heitor que tinha um General de babá teve um pouco mais de perdas que ele. Esse garoto não é normal.”

“O que você descobriu?” Heitor perguntou, com um rosto sério, totalmente diferente do sorriso brincalhão de quando estava conversando com Fernando.

“Bem, isso é complicado…” O homem magro e alto disse, com uma expressão estranha no rosto. “Mandei alguns dos meus melhores reunirem informações sobre o que aconteceu com o Batalhão Zero desde que saíram de Belai. Eles secretamente interrogaram vários Soldados, mas nada de suspeito parece ter acontecido, também não parece que tem espiões os ajudando em segredo.”

“Como você sabe? Eles podem estar mentindo.” Amanda falou.

Entretanto, Banjo balançou a cabeça em negação.

“Meus homens fizeram os Soldados ingerirem algumas Poções da Verdade antes de interrogá-los.”

“O quê?! Como você conseguiu pôr as mãos nisso?” A Capitã perguntou, chocada. Até mesmo Heitor parecia surpreso.

Poções da Verdade, como eram chamadas, são poções criadas por Guildas das Trevas no passado. Apesar de ser considerada uma única poção, sempre sendo chamada pelo mesmo nome, na realidade existiam diversas receitas diferentes no mercado negro usando as mais variadas substâncias. 

Muitas Guildas das Trevas tinham seus próprios métodos de preparo, com algumas sendo assintomáticas, enquanto outras, menos refinadas e mais rústicas, poderiam até matar as pessoas que as consumissem. E, obviamente, a preparação também influenciava na eficácia. 

Os ingredientes, método de preparo e quem estava preparando. Tudo isso afetava o resultado final de diversas poções e tônicos.

Mas apesar dos diferentes meios de preparo, todas as Poções da Verdade funcionavam da mesma forma. As substâncias agiam no córtex cerebral do indivíduo, afetando sua percepção e capacidade de julgamento, fazendo com que ficassem muito mais receptivos a perguntas e induções. Algumas das versões mais agressivas poderiam até fazer o alvo revelar o pior dos seus segredos.

Devido à brutalidade de algumas variações da Poção da Verdade, o Conselho Supremo havia proibido o uso e comercialização deste item, alegando que ela era altamente perigosa. Entretanto, isso era apenas de fachada, seu verdadeiro objetivo era monopolizá-las e usá-las contra seus inimigos. Por isso era extremamente difícil encontrá-las no mercado.

“Eu tenho meus meios. E não se preocupe, as que usei não deixam vestígios e nem efeitos colaterais.” Banjo afirmou, mostrando que sabia o que estava fazendo. 

Amanda e Heitor não questionaram seus métodos, mesmo que não fosse algo ético.

“Mas o problema real é o relato dos Soldados. A maioria disse que há muitas pessoas fortes dentro do Batalhão Zero, e graças a isso eles não tiveram tantas perdas, mas isso é suspeito, afinal, não faz muito tempo que esse Batalhão foi formado. Pelo que meus homens me informaram, a maioria das pessoas destacadas veio de uma Cidade-Fortaleza do Norte, chamada Vento Amarelo, a mesma que o Tenente Fernando. Então se houver espiões, foram plantados há muito tempo.”

“Eu não acho que seja isso.” Heitor falou, com uma leve dúvida em seu rosto. “Eu mexi alguns pauzinhos e pesquisei sobre ele antes de nos conhecermos. Pelo que vi, o Tenente Fernando segue o General Dimitri desde que ele era Major, e o mesmo é leal ao General Kalfas, que sempre foi um opositor ferrenho do General Dimas. Além disso, a maioria dos indivíduos que ele trouxe de sua cidade natal chegaram a um ano atrás, na mesma leva dele.”

Ouvindo essas palavras, tanto Banjo como Amanda ficaram confusos. Parecia improvável que Dimas tivesse infiltrado gente um ano atrás e era menos provável ainda que tivessem conseguido pegar alguns recrutas de um ano atrás para seu lado em um território tão afastado que sequer a Facção dele comandava.

“Espera, um ano atrás?” Amanda perguntou, espantada. “Isso é impossível, ele nem sequer foi para a Cidade Dourada, treinar na Academia Militar, como ele teria assumido uma posição desta em tão pouco tempo?”

Logo Heitor compartilhou com os dois os feitos do rapaz na Batalha de Belai, na qual havia feito seu nome, fazendo-os ficar estupefatos.

Banjo, que já estava anestesiado depois de ouvir tantas coisas absurdas, acabou resolvendo revelar a última coisa sobre a qual descobriu.

“Tem mais uma coisa que um dos meus homens disse, eu não acreditei muito inicialmente, mas isso pode explicar em parte. Parece que o Batalhão Zero possui uma Rede de Mana Móvel. Isso explicaria como conseguiam reagir tão rápido e evitar perdas. Também ouvi sobre algo chamado de Unidade de Logística criada pelo Tenente Fernando, que se especializa em tratar os feridos e dar suporte aos soldados, toda essa Unidade é financiada pelo mesmo.”

Quando mais o grupo conversava sobre Fernando, mais perplexos ficavam a respeito das informações.

“Tá de tiração? Onde um merdinha de um Tenente iria conseguir dinheiro para comprar uma Rede de Mana Móvel e financiar tantas pessoas assim? Tem algo de muito errado nisso!” Amanda falou. “Ele recebeu isso de alguém e deve ser algum patrono bem rico.” completou, expondo suas suposições.

“Parando para pensar, havia um velho suspeito no Batalhão Zero, era alguém que mesmo o General Zado pareceu ficar em alerta. Talvez deves-” Quando Heitor estava falando, um arrepio frio se espalhou em sua espinha, enquanto uma poderosa pressão caiu sobre todos no local.

Banjo e Amanda levantaram-se rapidamente, sacando suas armas, prontos para uma luta, entretanto, o que viram a seguir os deixou sem fôlego.

Um homem entrou na tenda, seus olhos eram arregalados, mas isso não era o mais estranho, e sim a grande quantidade de sangue em sua armadura e rosto e o fato de uma parte do seu braço direito estar faltando.

“G-general Zado?!”

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Olá, eu sou Glauber1907!

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