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Renier e seu grupo se encontravam no topo de um morro, suas respirações entrecortadas pelo esforço da subida íngreme. Abaixo deles se estendia a cidade portuária do Império Aurélia, suas muralhas imponentes cercando-a como garras afiadas. O rio que cortava a paisagem refletia o sol poente, enquanto os mastros dos navios se erguiam como espinhos na água.

No entanto, a beleza natural da cena era maculada pela presença sombria que pairava sobre a cidade. Soldados uniformizados patrulhavam os portões, seus olhares vigilantes percorrendo a linha do horizonte. Ao redor das muralhas, figuras sinistras balançavam suavemente, penduradas como advertências macabras. Eram corpos inertes, vítimas de um destino cruel, sacrificados em nome de algum culto obscuro que agora dominava a cidade.

No lugar da ordem e da prosperidade outrora associadas à metrópole, agora reinava o caos. Mercenários arrogantes marchavam pelas ruas, usurpando o poder e instaurando um regime de terror sobre os habitantes.

Renier voltou-se para o grupo, cruzando os braços e exibindo um olhar sério.— Pelo visto, nossos planos terão que mudar um pouco — declarou ele, suspirando com desgosto.

Um arrepio percorreu o corpo de Celestia enquanto ela sentia uma presença negativa e sinistra pairando no ar. — Renier… Há um demônio na cidade — afirmou ela, apertando o tecido escuro de sua calça.

— Você consegue sentir a presença daqui? — perguntou Sapphire, demonstrando curiosidade.

— Os Elfos são bastante sensíveis ao fluxo da natureza. Quando algo malévolo está presente, é fácil para eles sentir e localizar — explicou Aura.

— Talvez não seja uma boa ideia todos nós entrarmos na cidade — ponderou Renier. — Aura e Celestia virão comigo, enquanto o restante permanecerá em um local seguro até que confirmem a situação da cidade — decidiu ele, voltando-se para as duas.

Aura assentiu em concordância. — Sem objeções.

— Nunca enfrentei um demônio antes. Você tem certeza de que apenas nós seremos suficientes? — questionou Celestia, mostrando preocupação.

— Embora sejam apenas rumores, ouvi na corte que um demônio comum tem poder suficiente para subjugar aventureiros de rank B — alertou Anastasia, preocupada com a segurança do grupo.

Renier ponderou por um momento. “Aventureiros de rank B, se for como em jogos ou histórias são altamente fortes, porem humanos ainda então não seria surpresa perderem”, pensou ele, levantando as mãos e criando um grande portal em forma de espiral azul, decorado com nebulosas roxas e estrelas, surpreendendo todos com sua súbita ação.

— O que é isso? — perguntou Sapphire, com os olhos arregalados.

Confusa com a situação, Anastasia indagou: — O que aconteceu?

— É um portal, obviamente, pela estética — respondeu Renier, dando de ombros. — Ele irá mantê-las seguras, levando-as para uma dimensão neutra à qual apenas eu terei acesso. Não haverá perigo se acontecer alguma situação caótica até que Celestia, Aura e eu confirmemos a segurança da cidade — explicou ele, tentando tranquilizá-las com um sorriso.

Sapphire deu alguns passos à frente, colocando a mão dentro do portal, exibindo um sorriso divertido, revelando uma sensação estranha, porém agradável, que passava por algo intangível.

— Bem, parece ser a melhor opção — comentou ela, levantando uma sobrancelha. — O que tem do outro lado do portal? Quero dizer, nessa dimensão? — indagou Sapphire, demonstrando sua curiosidade.

Renier soltou um sorriso convencido em resposta. — Heh, quando vocês entrarem, vocês vão descobrir… apenas chamem esse espaço de “Palácio”, será um nome apropriado, eu suponho.

— Você gosta de ser exibido — comentou Aura, soltando uma leve risada.

— Anny, você vai ficar em um lugar diferente — afirmou Renier.

— Então não vamos nos separar? — indagou ela, confusa.

— Fique embaixo da minha sombra, por favor — pediu ele, apontando para sua própria sombra, a silhueta de uma escuridão. Anny sem entender apenas caminhou para debaixo dela.

Seu corpo logo começou a afundar, fazendo com que Anny sumisse lentamente diante dos olhos de todos, até que seu corpo desapareceu por completo.

— O que você fez com ela? — perguntou Sapphire, preocupada.

— Estou bem, apenas de alguma forma em um lugar diferente, mas ao mesmo tempo aconchegante — afirmou Anny, sua voz ecoando de todas as direções, sem que as garotas pudessem localizá-la. — Assim posso ficar perto do papa sem que notem minha presença.

— Hehe, assim o time de infiltração para a cidade está completo — comentou Renier, estufando o peito.

— Não consigo sentir a presença do Pesadelo, no caso, a Anny, nem mesmo no ar. É como se ela estivesse apenas como sua sombra — comentou Celestia, bastante surpreendida com a eficácia de Renier em usar seus poderes desconhecidos para elas.

Anastasia mostrou insatisfação com a situação. — É divertido e tudo mais, mas preferiria poder ver o que está acontecendo… — resmungou ela, fazendo um bico com a boca.

Renier observou a conversa entre elas, sentindo-se mal pela falta de visão de Anastasia. Ele sabia que seus olhos foram queimados após ela se tornar escrava, mostrando os maus-tratos que havia sofrido.

“Eu poderia curar os olhos dela, mas apenas algo superior à magia teria eficácia para tal ação”, ponderou ele.

Aura e Celestia avisaram antes que ele tomasse a iniciativa de curá-la, pois somente algo divino poderia trazer de volta a visão de Anastasia. Ou seja, apenas sacerdotes ou um Elfo Superior poderiam tratá-la. Celestia, mesmo sendo a reencarnação de uma suposta Deusa, não tinha magia de cura suficiente para tal feito, algo que Renier, como novo Criador em lugar de sua mãe Yggdrasil, seria capaz de fazer.

Mas ele temia levantar suspeitas ao realizar um feito divino, mesmo confiando em suas companheiras. Temia que suas habilidades vazassem para alguém de fora, o que seria arriscado.

“Embora em algum momento isso aconteça, quer eu queira ou não”, pensou Renier, soltando um suspiro.

— Talvez haja uma chance de curar seus olhos, então não fique tão deprimida, Ana. Sempre há esperança para aqueles que acreditam — afirmou Sapphire, tentando animar Anastasia.

— Isso foi tão fofo. Acho que combina com alguém que usa fogo — brincou Renier com ela.

— Urg, calado… — respondeu Anastasia, nervosa, enquanto puxava a mão de Anastasia para dentro do portal. O portal se fechou com ambas as seguras, deixando Aura e Celestia curiosas sobre o que havia do outro lado dessa dimensão que Renier havia chamado de Palácio.

— Então vamos? — indagou Renier, acenando para as duas seguirem ele enquanto descia o morro.

— Como ele consegue se sentir tão despreocupado? — perguntou Celestia, suspirando tensamente. — É porque ele é um Guardião Negro? — indagou.

Caminhando atrás de Renier, ambas começaram a andar pela estrada de terra, embarrada pela chuva que havia caído alguns dias atrás.

Aura soltou uma risada leve com a pergunta de Celestia, cruzando os braços e olhando para ela com um sorriso convencido.

— Acho que, pelo visto, ele sempre foi assim. Pelo menos, foi o que Renier me contou um pouco sobre sua vida em seu mundo anterior. Ele realmente tem um comportamento bastante peculiar para um humano — afirmou Aura.

Celestia levantou a sobrancelha, demonstrando curiosidade em seu tom de voz.— Hmm, como ele era então?

— Bem… ele me contou como uma história, e já que temos um tempo até chegarmos aos portões da cidade… — disse Aura, olhando para Renier. — Tudo bem se eu contar para Celestia, Renier? — perguntou, puxando-o pelo ombro.

— Uh? Não me importo. Uma história é sempre boa durante uma caminhada — afirmou ele, soltando um sorriso e cruzando os braços.

— Tão despreocupado… Heh, então por que não conta você? — provocou Celestia.

Renier limpou a garganta como se estivesse se preparando para contar uma história longa sobre o começo de sua vida no Japão, quando seu avô havia morrido, e ele havia decidido viver na casa de sua família, herdada agora por Renier…

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Dia 9 de outubro seis meses atrás, Terra. Renier após o enterro de seu avô, havia decidido se mudar para a casa de sua família de seu avô amado.

Descontraído, Renier percorria os cômodos amplos empoeirados de sua nova residência, os detalhes tradicionais na decoração chamavam a atenção dele enquanto em suas mãos carregava uma caixa contentando seus pertences enquanto escolhia seu novo quarto.

O tatame era macio, Renier sentia sob seus pés protegidos pelas meias após deixar os sapatos no lado de fora. As portas deslizantes mesmo com tudo estando tão sujo e desorganizado para Renier era uma atmosfera acolhedora.

— Meu avô tinha um gosto requintado para casas grandes — murmurou Renier enquanto observava cada cômodo com curiosidade.

Renier continuou sua exploração pela casa, passando pela espaçosa cozinha que exalava um leve aroma de madeira e temperos antigos. Ele notou os armários de mogno polido e o fogão de ferro fundido, que parecia ter visto muitas refeições familiares ao longo dos anos.

Ao entrar nos quartos, Renier se maravilhou com a simplicidade elegante da decoração. As camas feitas com lençóis de linho branco estavam impecavelmente arrumadas, e as janelas deixavam entrar uma suave luz do sol, criando uma atmosfera tranquila e serena.

Nos banheiros, os azulejos vintage e as torneiras de latão polido adicionavam um toque de charme retrô. Enquanto explorava cada canto da casa, Renier sentia-se cada vez mais conectado às suas raízes familiares e grato pela oportunidade de fazer parte dessa herança.

Porém um toque de estranheza bateu sobre ele quando olhava cada canto da casa, seus pensamentos eram levados por algumas coisas estando em lugares diferentes de antes quando ele havia olhado.

Assim como a limpeza dos cômodos, era algo que ele estava estranhando pelo fato de ninguém ter vivido nesta casa por pelo menos duas ou três décadas.

“Seria engraçado fosse apenas minha imaginação” pensou ele analisando os arredores. Adentrando com passos calmos para dentro do banheiro, Renier se observava no grande espelho rústico.

O banheiro estava limpo parecia que alguém tinha limpado a casa recentemente percebia-se que até mesmo o ar estava mais limpo do que quando entrou na casa. Ou melhor, o ambiente estava ficando mais frio com o passar dos segundos.

Renier voltou sua visão para o espelho notando-o completamente embaçado com uma camada fina de gelo na superfície. Porém o que chamava sua atenção era a sensação de algo o observando a presença de alguém a ele começou a deixá-lo preocupado.

Com sua respiração pela boca soltando uma fumaça de ar quente pelo ambiente. “Acho que essa casa é mais anormal do que eu pensava…” afirmou ele.

O rosto de Renier estava mais quente como se suas as pálpebras de seus olhos estivessem ardendo no ambiente frio.

Colocando a mão sobre o olho sentindo uma leve dor de cabeça de início Renier voltou sua visão para o espelho embaçado vendo dois pares de luzes brilhantes em um tom azul sendo emitidas de suas íris.

— Que droga é essa? — indagou ele, confuso, limpando com a manga de sua jaqueta com uma cor escura, o espelho deixando visível agora vendo claramente seus olhos brilhando o fazendo acreditar que não era sua imaginação.

O brilho intenso se intensificou em um azul profundo. “Urg… Porque tenho a sensação que não estou sozinho nessa casa? Meus olhos parecem estar colocando isso de alguma forma como um aviso ou alarme…” ponderou Renier nervoso.

No mesmo instante a lâmpada frágil acima de sua cabeça acesa começou a piscar várias vezes, o ambiente frio havia se aumentando.

Sentindo a presença no cômodo, fez com Renier olhasse para espelho notando algo estranho.

Lentamente pelas suas costas, a porta deslizando se abria para ambos os lados fazendo Renier ficar surpreso, mas tentando se manter calmo com o que presenciava.

Pares de mãos pálidas puxavam a porta com calma enquanto revelavam o corpo da figura. Revelando-se atrás de Renier, presenciando a aparição de uma garota com cabelos longos que se estendiam até o chão, com uma dualidade entre branco do lado de dentro, e preto do lado de fora.

Assim como um quimono de época tradicional, escuro com detalhes em dourados estavam sob seu corpo de altura mediana, seu rosto pálido era acompanhado por olhos profundos e escuros sem brilho algum e um sorriso frio e sem emoção.

Renier a observava pelo espelho vendo cada detalhe de sua aparência se perguntando. “Porque sinto que essa pessoa atrás de mim… não é humana?”. Sua presença era marcada por um frio intenso que permeia o banheiro, podendo sentir o ar congelando novamente em uma camada o espelho.

Sua boca se abre em um tom agradável, mas cheio de frieza e indiferença, saindo de seus lábios pálidos com uma leve camada de batom escuro. — Né… Você é… O novo dono… Dessa casa…? — perguntava ela, com um sorriso tentador, sua voz ecoando não apenas pelo banheiro, mas adentrando na cabeça de Renier, buscando atormentá-lo.

Continua…

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