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— O Louco que não pertence a esta era… o misterioso governante acima da névoa cinza… O Rei do Amarelo e Preto que trás boa sorte… — Audrey Hall recitou as três descrições para si mesma em silêncio. De repente, ela sentiu uma onda tumultuada de emoção passar por seu corpo, impedindo-a de manter seu estado de Espectadora.

Como uma aficionada do misticismo, ela aprendeu a linguagem Hermes que era usada em rituais e testou os ritos que outros nobres aficionados mencionaram em reuniões privadas antes de ser puxada para a névoa cinza ou fazer contato formal com os poderes Beyonder.

Nenhum desses rituais surtiu efeito, mas deram a Audrey uma compreensão básica da estrutura dos encantamentos.

Assim, ela sabia claramente o que esses três encantamentos descreviam e significavam.

As descrições geralmente descreviam um dos sete deuses que cuidavam deste mundo!

Assim, o encantamento do Louco reivindicava status igual ao da Dama do Carmesim, Mãe dos Segredos e Imperatriz do Desastre e do Horror!1

“O Sr. Louco é a entidade desconhecida, misteriosa, poderosa e divina de que Glaint falou? A fonte de perigo que devemos evitar nos rituais?” Audrey logo se lembrou dos comentários feitos durante os estranhos rituais que ela e seus amigos não ousavam tentar naquela época. Ela ficou sem palavras por um momento.

Alger Wilson, que sabia e compreendia muito mais do que Audrey, estremeceu do fundo do coração.

“Se a magia ritualística que o Sr. Louco projetou de fato permitir que ele aceite nossos pedidos, teríamos que nos dirigir a ele com Ele. Ele deve ser tratado na terceira pessoa, tratamento reservado aos deuses…”

“Que sorte, que inteligente eu fui por agir de acordo com ele e não fazer nenhuma tolice. Mesmo quando o estava testando, não ultrapassei os limites da normalidade…”2

“Ele pode ser uma existência antiga, misteriosa e horripilante, só que não aparece diante de nós em sua verdadeira forma e nome… Será a Demônia Primordial, o Sábio Oculto ou o verdadeiro Criador que muitas igrejas misteriosas acreditam?”

Alger entendeu que o Louco que ele estava olhando agora pode não ser sua verdadeira forma. Ele pode até não ter um gênero ou não ser uma criatura humanóide.

Klein apoiou a testa com uma das mãos e bateu na mesa com a outra. Ele notou agudamente as mudanças acontecendo com o Enforcado e com a Justiça.

Mas ele agia como se nada tivesse acontecido, como se tudo estivesse dentro de suas expectativas. Ele continuou sem nenhuma cautela.

— Eu rezo por sua ajuda.

— Eu oro por sua graça amorosa.

— Eu rezo para que você me dê um bom sonho.

— Flor da lua, uma erva que pertence à lua vermelha, por favor, conceda seus poderes ao meu encantamento!

— Cidra com dedos, uma erva que pertence ao sol, por favor, conceda seus poderes ao meu encantamento.

Ele terminou descrevendo os encantamentos que pertenciam a outro tipo de ritual. Depois que terminou, ele sorriu.

— Senhorita, senhor, vocês memorizaram?

— Ah… — Audrey exalou. Ela logo cobriu a boca e retomou sua postura.

Com sua memória aprimorada como Espectadora, ela rapidamente processou as informações e repetiu os encantamentos como forma de confirmação.

Alger agiu com mais normalidade. Sua caneta não parou por um momento, independente de seus pensamentos.

Depois que Klein confirmou que Audrey estava certa, ele sorriu e disse: 

— Se este teste for bem-sucedido, modificaremos o ritual da próxima vez para alcançar o que queremos fazer.

— Espero que vocês tenham tempo para completar o ritual até quarta-feira. 

Ele pretendia vir aqui de novo na noite de quinta-feira para verificar se a magia ritualística foi bem-sucedida.

Quanto ao motivo pelo qual não permitiu que o Enforcado e a Justiça solicitassem diretamente uma licença, Klein estava preocupado em não conseguir discernir se os resultados eram deles pedindo licença ou apenas o resultado de uma tentativa da magia ritualística. Ele deveria puxá-los para a Reunião se isso acontecesse?

— Por sua vontade — Audrey e Alger responderam com respeito, recompondo-se.

— De acordo com a sugestão do Enforcado na semana passada, teremos um tempo para uma conversa casual, agora que todas as questões oficiais forem discutidas. Quem deve começar? — Klein fez um gesto com a mão sinalizando para alguém começar.

Audrey suspirou e disse: 

— Sr. Louco, a sugestão que você fez sobre o exame de seleção e a separação entre assuntos civis e políticos tem recebido a aprovação de muitos parlamentares. Talvez isso possa se tornar realidade. Claro que, com a eficiência deste governo, o projeto de lei só sairá daqui a meio ano, no mínimo.

Ela não estava preocupada que o Enforcado a rastreasse usando essa informação. Ela intencionalmente e intermitentemente deu dicas e levou aquelas esposas orgulhosas a pensar que elas haviam concebido a ideia. Essas senhoras correram para contar a seus maridos, pais e irmãos.

Naquele momento, Audrey sentiu como se estivesse observando um bando de pavões dourados exibindo as penas de suas caudas.

Ela acreditava que aquelas mulheres iriam imaginar que tiveram a ideia para reivindicar a glória para si mesmas. Elas logo esqueceriam qual era o papel de Audrey no assunto, brigando entre si para ver quem pensou na sugestão primeiro.

Usar essa maneira notável de mudar o sistema de um reino deu a Audrey uma estranha sensação de satisfação, como se ela tivesse encontrado uma maneira de um Espectador influenciar o enredo de uma peça.

— Espero que sim — Alger respondeu com sarcasmo.

Ele parou por alguns segundos, então olhou para o Louco. Ele refletiu antes de dizer: 

— Nas últimas décadas, a quantidade de atividades das várias organizações secretas teve uma tendência ascendente. Na verdade, até novas organizações secretas estão surgindo, algumas delas tendo atingido uma escala considerável com um bom número de Beyonders.

“Você está tentando me perguntar o motivo? Eu nem mesmo tenho acesso a informações sobre organizações ilegais…” Klein apenas sorriu sem comentar as notícias do Enforcado. Ele mudou de assunto e disse vagamente: 

— Um antigo poder está prestes a acordar de seu sono.

“Por exemplo, o poder representado pelo diário da família Antigonus…”

— É mesmo… — Alger murmurou baixinho para si mesmo, como se lembrasse de algo.

Klein desviou o olhar para o Enforcado, depois passou pela Justiça e disse com um sorriso: 

— Se não há mais nada para compartilhar, então vamos encerrar a reunião de hoje aqui.

— Por sua vontade — Audrey e Alger levantaram-se juntos.

Klein moveu o dedo e cortou sua conexão com as estrelas vermelhas escuras. Ele observou as duas figuras desaparecerem do magnífico palácio.

Ele levantou e virou para sua própria cadeira, que também ficava atrás da posição do Assento de Honra na mesa de bronze. Ele olhou para o seu símbolo.

Estrelas radiantes formavam um estranho símbolo. Não era um símbolo que se encaixasse na compreensão atual de misticismo de Klein.

Ele o observou de perto antes de identificar o Olho Sem Pupila, um símbolo que representava segredo. Ele também viu linhas contorcidas que representavam mudança. Cada um dos símbolos tinha uma parte ausente e foram sobrepostos uns aos outros, criando um novo símbolo.

“Um segredo incompleto e uma mudança incompleta… O que obtemos quando os juntamos?” Klein franziu as sobrancelhas e murmurou para si mesmo, incapaz de encontrar uma resposta.

Ele retraiu o olhar e caminhou ao longo do antigo e magnífico palácio. Seus olhos examinaram todos os cantos do palácio.

“Quando eu casualmente imaginei este lugar, era apenas um conceito grosseiro. Não descrevi a forma do palácio, da mesa ou das cadeiras… De onde vem esse design? A melhor escolha? O primeiro protótipo? Ou são um reflexo da realidade?” Klein de repente teve uma dúvida que negligenciou antes enquanto olhava para o palácio.

“Sigh, devo dizer que, embora seja um guerreiro do teclado, sinto falta de experiência em muitas áreas. Também não sou observador o suficiente, a ponto de só perceber essa questão agora…” Com tal auto-reflexão, Klein fez um esforço sério para examinar todos os cantos do palácio, mas não encontrou nenhum outro ser vivo ou nada estranho.

Klein não se atreveu a se aventurar mais fundo, no que parecia ser uma terra ilusória sem limites. Ele estava com medo de acabar completamente perdido.

“Uau, esse lugar é mesmo cheio de mistérios… Quem sabe se haverá alguma mudança nessa área quando eu ficar mais poderoso…” Klein suspirou. Ele liberou sua espiritualidade e envolveu-se por dentro, fazendo-o sentir a rápida onda de despencar.

Tudo passou voando rapidamente. Todos os tipos de ilusões se desfizeram. Ele rasgou a névoa branco-acinzentada e viu a realidade. Ele viu a mesa, as cortinas e o cabideiro de seu quarto.

Backlund, Burgo Imperatriz.

Audrey viu a pintura a óleo pendurada na parede. Ela sentiu a maciez que o travesseiro de penas sob sua cabeça proporcionava.

Ela não levantou de imediato; em vez disso, lembrou seriamente do que tinha acontecido durante a reunião, como se estivesse assistindo a uma peça repetida.

— Sr. Louco tinha uma certa confiança em seu tom quando ele nos disse para tentar o ritual e nos deu as descrições do misterioso governante, do Rei do Amarelo e Preto… Confiança… — Audrey exalou enquanto analisava isso em silêncio, seu corpo estremecendo de leve.

“Esqueça, já que não posso lutar contra isso, não há necessidade de pensar muito sobre isso… O Sr. Louco sempre se mostrou amigável; ele deve ser uma entidade que respeita a ordem…” O humor de Audrey melhorou rapidamente. Ela pensou em sua atuação e na reação enfraquecida da poção.

Audrey cantarolou uma melodia alegre e saiu da cama. Ela caminhou em direção à porta e ajustou seu estado de espírito, assumindo seu estado de Espectadora.

Ao abrir a porta do quarto, ela viu uma empregada passando. Percebeu os velhos calos em suas mãos, as marcas em seu rosto e outros detalhes semelhantes. Ela poderia deduzir muitas coisas dessas observações.

Nesse ponto, Audrey teve uma sensação estranha. Ela logo se virou para olhar para o canto sombreado da sacada.

Ela viu sua golden retriever Susie sentada ali, observando-a em silêncio, assim como ela observou a empregada.

“Minha deusa…” Os lábios de Audrey se contraíram enquanto ela suspirava. Ela queria tanto esconder o rosto.

No Mar Sonia, nos aposentos do capitão altamente protegidos.

Alger acordou e percebeu que nada tinha mudado ao seu redor. Era como se nada tivesse acontecido.

“Uma existência antiga?” Ele pensou consigo mesmo e suspirou.

Klein, que tinha saído do ritual, abriu as cortinas. Ele pegou seu caderno e começou a escrever mais uma vez.

Ele relembrou o conteúdo do diário do Imperador Roselle, na esperança de reforçar a memória por meio da escrita e evitar esquecê-la no futuro.

Klein releu as notas várias vezes depois de terminar de escrever. Por fim, ele rasgou as notas e as incinerou.

“Não devo esquecer os pontos mais importantes se fizer isso uma vez por semana. Mas com o tempo e a crescente complexidade das minhas missões… Que pena, não tenho ideias melhores por enquanto. Não aprendi nenhuma criptografia…” Klein se recompôs e esticou o pescoço. Ele planejava ir para o Clube de Adivinhação.

Um Vidente era definido de forma diferente por pessoas diferentes. Ninguém poderia dizer que os métodos de outra pessoa estavam errados. Assim, Klein, que não sabia que tipo de Vidente se encaixava nos requisitos da poção, só poderia corrigi-los enquanto experimentava para determinar quais eram os mais adequados!

  1. Deusa da Noite Eterna
  2. Parece que Alger não considera mentalmente Klein como um deus, por isso a falta de letras maiúsculas em pronomes
Olá, eu sou o 444.EXE!

Olá, eu sou o 444.EXE!

Demorou, mas vou começar a mendigar. Leia, avalie e compartilhe essa história com seus amigos (inimigos também servem, desde que leiam). Logo logo vamos entrar nas partes interessantes…

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