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Capítulo 13 – Projeto Ragnarok

— Ele vai sobreviver? — O homem engravatado na sala, aparentando entre 50 a 60 anos, direcionou a pergunta com urgência.

— Senhor, ele sofreu graves contusões pelo corpo e seu braço direito foi arrancado completamente. Originalmente, ele não sobreviveria, mas graças à nossa pesquisa, a droga experimental está realizando um trabalho decente — respondeu um dos cientistas, indicando a cápsula criogênica no centro do laboratório improvisado.

O pequeno laboratório estava abarrotado de pessoas renomadas vestidas com jalecos brancos. Todos estavam imersos em discussões animadas sobre o sucesso do experimento, circundando a cápsula com intensidade.

— Isso é ótimo. Não gostaríamos de perder um grande cientista, não é mesmo, Nicolae? — disse o homem, aproximando-se da cápsula onde um homem de cabelos castanhos, metade do corpo enfaixado, repousava dentro, conectado a um respirador. O nome “Andrei Nicolae” estava claramente visível na cápsula.

O homem engravatado, claramente o líder, questionou: — E quais foram os danos?

— As instalações sofreram danos consideráveis. Equipamentos caríssimos foram destruídos. Os reparos custariam milhões, no mínimo, senhor — disse um homem de óculos redondos aproximando-se rapidamente.

— Sr. Park, não me importo com as instalações. Quero saber se o projeto foi afetado e quais cobaias escaparam — respondeu o homem, demonstrando impaciência.

— Atualmente, as cobaias que escaparam são identificadas como “N001”, “N024” e… — ele engoliu em seco — o Projeto Ragnarok, senhor.

O líder virou-se abruptamente para seu subordinado, com olhos arregalados de incredulidade.

— O que você disse? — perguntou, visivelmente perturbado. 

— O Projeto Ragnarok foi inesperadamente despertado durante a confusão. A contenção não foi eficaz — explicou o Sr. Park,  tenso.

O homem de autoridade caminhou até uma mesa na sala e, com gestos agitados, derrubou tudo no chão, expressando seu desespero.

— Merda, como deixaram aquela coisa escapar?! — exclamou ele, em estado de choque.

— Por favor, senhor, sua saúde não está boa. Não pode se estressar demais. Nossos melhores homens estão em busca deles. Logo teremos resultados — disse Park, correndo para acalmá-lo.

— Capturem-nos, por todos os meios possíveis. Se falharem, têm permissão para matá-los — disse, chacoalhando os ombros de Park.

— E o projeto? — questionou Park, incerto.

— O projeto pode esperar. Se não capturarmos aquela coisa, não haverá projeto, e nenhuma alma viva nesta cidade — respondeu o líder com firmeza.

— Certo, senhor. — Park assentiu, surpreso com a intensidade da situação — E quanto às cobaias restantes aqui?

— Elimine todas as evidências. Não quero nada que me vincule a este país.

— Ouviram o Diretor Choi. Eliminem qualquer vestígio de vida neste laboratório — gritou Park aos guardas que aguardavam na porta.

Os guardas assentiram e se prepararam para cumprir as ordens, deixando a sala.

***

A noite estava fresca e animada nas ruas da cidade, onde dois amigos caminhavam, visivelmente embriagados. O barulho das conversas e risadas ecoava pelas ruas tranquilas. 

— Eu estou falando sério, para de rir! — exclamou um dos homens, gesticulando com as mãos para o alto. 

— Desculpa, desculpa — respondia o outro entre gargalhadas — Eu não estava esperando o tapa dela, Mark. 

— É, e ainda está doendo! — disse o homem chamado Mark, com uma mão no rosto.

— Mas você bem que mereceu! 

Enquanto caminhavam, Mark, o mais agitado, disse de repente:

— Esperem um pouco, preciso mijar.

Ele adentrou o primeiro beco escuro que encontrou, deixando seu amigo na rua. 

— Vai rápido, ou não vamos alcançar o ônibus. — gritou o homem na rua. 

Passaram-se alguns minutos e o amigo do lado de fora começou a ficar impaciente.

— Ei, você está demorando demais! O que está acontecendo aí? — gritou, sem receber resposta. — Você não desmaiou nem nada, né? 

Curioso e ainda rindo da situação, o amigo decidiu entrar no beco para verificar o que aconteceu.

— Mark? — perguntou, indo mais a fundo no beco.

Sem respostas, o amigo estava ficando um pouco agitado. Estava escuro, e seu celular havia descarregado mais cedo, então só poderia andar aos poucos, tateando tudo ao redor.

— Mark? — O chamou novamente — Mark, isso não é legal, cara. A gente precisa ir.  

 Ele chamou pelo nome do amigo mais algumas vezes, mas tudo o que ouvia era o eco de sua própria voz no beco deserto.

— Eu vou embora. Vou te deixar aqui, ouviu? 

Então, um som inesperado chamou sua atenção: o ruído de vidro rolando do outro lado do beco. Com alguns segundos olhando para a escuridão, seus olhos finalmente estavam se acostumando a penumbra, sendo capaz de ver uma caçamba de lixo no final do beco. 

— Cara, é você? — perguntou, se aproximando da caçamba. — Se quer me assustar por que eu estava rindo de você, você venceu, agora vamos embora. 

 Curioso e intrigado, ele foi atraído pelo som, embora sentisse seu coração começar a acelerar e um suor frio escorrer por suas costas.

Cambaleando em direção à caçamba, ele se inclinou para frente para ver o que estava ali. Para sua surpresa, um gato, provavelmente assustado com sua presença, rosnou e correu para longe.

— Mas que merda de gato! — O homem soltou um suspiro aliviado, sentindo a tensão sair de seu peito como uma correnteza.

Ao virar-se, avistou o rosto de seu amigo emergindo da escuridão ao longe.

— Mark! Que susto, cara. Não faça mais isso! Pensei que algo tivesse acontecido — exclamou ele, ainda recuperando o fôlego.

Seu amigo parecia estranho. A boca um tanto flácida, os olhos ocultos nas sombras.

— Mark? Você está bem? — indagou novamente, preocupado.

Sem resposta. A ausência de olhos o perturbava profundamente.

— Você está me assustando, Mark — disse com a voz trêmula, dando alguns passos para trás.

Enquanto recuava, sentiu algo pingando em seu rosto, rolando pela bochecha até cair no chão.

— O quê? — murmurou, tocando o líquido em sua face.

Um líquido escuro e vermelho manchava seus dedos. Era sangue. Seu olhar subiu rapidamente para encontrar uma visão que assombraria seus sonhos para sempre, que ele desejaria nunca ter entrado naquele beco escuro.

Um corpo. Uma pessoa completamente virada do avesso. A pele do rosto removida, revelando a carne, a barriga escancarada com vísceras expostas, moscas dançando ao redor como convidados de um banquete. 

O homem tremia, paralisado não pelo estado do corpo diante dele, mas por reconhecer o colar de cruz no pescoço. Ele já sabia. Era Mark.

Mas se esse era o verdadeiro Mark, quem era aquele que o encarava do outro lado do beco?

Seus olhos se fixaram à frente. Uma silhueta emergiu das sombras, erguendo-se lentamente a uma altura de dois a três metros. O rosto era de Mark, mas seus olhos eram apenas buracos escuros e profundos, revelando agora um sorriso macabro e perturbador de orelha a orelha.

Aquela coisa não era humana.

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