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— Snegriya é frio? — indagou Rebecca. — Perdão. Que pergunta idiota. O país da neve não ser frio, foi muito idiota — sorriu nervosa. — Mas… o quão frio realmente é?
— Você já me fez essa pergunta, mas… Vocês morreriam de hipotermia em três dias — respondeu Ivan.
— Em qual deus vocês acreditam? — indagou Aryna. Ivan alfinetou-a como se tivesse o insultado. — Desculpa, é que gosto de cultura.
— Em nenhum. Não cremos em seres da natureza ou divindades, muito menos espíritos. Apenas na casualidade.
— Casualidade?
— Sim. Acreditamos que as coisas acontecem porque há de acontecer, não porque uma divindade ditou como tem de ser. E os deuses? Bom… sem querer desrespeitar, mas são apenas humanos que alcançaram outro patamar de poder. Claro, isso é o que acreditamos na região em que nasci. Talvez em outras sejam diferentes…
— Entendo… nunca pensei que existiria uma civilização que não acreditasse em um deus. E você, senhor da realeza. Conseguiu fazer algo?
Apoiando o caderno sobre sua perna, Antony rabisca uma esfera de energia que flutua logo à sua frente.
— Tô quase terminando. Vem cá, o que escrevo nisso?
Ivan garfou uma quantidade enorme de ar.
— É um cristal arcano. Se passarmos da demarcação de energia, ele vai nos atacar de alguma forma.
— Como exatamente?
— Não sei. São imprevisíveis. Em Snegriya tem de monte, por ser um continente quase inabitável, a quantidade de mana e núcleos naturais são mais presentes. Já encontrei dezenas desses, e cada um reagiu de uma forma diferente.
— Então lá dentro pode, tipo, acontecer uma explosão? — indagou Rebecca.
— Sim. Quer testar, Sir Windsor?
— Quais são as outras probabilidades? — indagou Antony.
— Está mesmo considerando isso? — perguntou Rebecca.
— Claro, por que não?
— Deixa ele se matar, Beca — disse Aryna.
— Bom… — iniciou Ivan. — Existem dois tipos de cristais arcanos: o tipo natural, no qual são gerados pela mana. Geralmente só liberam cargas fracas de energia. E o cristal nuclear: aquele desenvolvido após a morte de uma besta. Quando um animal mágico morre, seu núcleo libera a energia acumulada e cria uma espécie de território no qual, quem entra é surpreendido. Na maioria das vezes invoca alguns correspondentes ao dono anterior daquele núcleo.

Arrastando a foice do chão para cima, Ivan corta facilmente uma das aves ao meio. Um bando de albastrons avançam, encurralando Ivan e Antony. Criando facas de aço, Antony dispara para todas as direções.

Evacuando sorrateiramente, Ivan tenta avançar contra o cristal arcano, no entanto, um chicote de energia o impede.

— O cristal é concluído por etapas — iniciou Paul. — Existem três fases: a primeira é quando invadem o território do cristal, então ele inicia o contra-ataque. A segunda fase é a que estão agora: onde os mais fracos atacam. E por último: a fase onde o cristal libera toda sua energia acumulada e o antigo dono reencarna.

— Então no próximo ato o cristal invocará seu antigo dono? — indagou Aryna.

— Sim. Sugiro que o ajudem. Só regressaremos quando acabarem por aqui.

— O quê?! Mas isso foi ideia deles! — reclamou Aryna.

— Vocês são uma equipe. Uma equipe assume pelo erro dos demais, não importa o que façam.

— Droga… Espero que vocês morram! — amaldiçoou aos garotos.

Juntando as mãos e separando-as, Aryna dispara um canhão d’água contra os animais. Enquanto o cristal invoca mais aves, Ivan tenta ao máximo matá-los, evitando que tenha uma empestação.

Criando bastões de metal, fino o suficiente para parecer invisível, mas tão afiados como uma espada, Antony entra na luta rasgando algumas aves maiores que começaram a aparecer com o tempo.

Tentando se aproximar novamente do cristal, Ivan é lançado para longe por uma ave maior. O predador predominante: uma harpia.

— Um espírito mitológico… — comentou Rebecca, após criar uma barreira para salvar Ivan.

— Não vai adiantar… — A harpia pousa em cima de uma pedra. — Sempre que matamos um, o corpo dele desintegra em energia e retorna a vida…

— Não é assim que funciona — contrariou Aryna. — As partículas voltam para o cristal arcano. Com isso, eles se fundem em um único ser mais forte. Toda a força das centenas de pássaros que matamos até agora, criaram essa Harpia.

— Ela está certa — disse Paul. — continuando assim, vocês só estão assinando com a morte. O cristal criará um ser mais forte até que chegue na forma original.

— Temos que achar uma forma de matar essa Harpia sem permitir que ele volte a sua matriz — disse Antony, se alongando.

— E como acha que vamos fazer isso, sabichão?

— Casualidade. Não é, Ivan? — encorajou sorrindo.

— Acho que não é bem assim que ela funciona, mas… Vamos.

— Saudades do loirinho… ele pensava — resmungou Aryna, enquanto os dois já haviam avançado contra a harpia.

— Vem, Aryna. Não podemos perder para homens, lembra?

— Nossa promessa não irá servir se morrermos por causa desses idiotas — retrucou Aryna.

— Às vezes, arriscar a vida pelas conquistas valem a pena. As conquistas mais gratificantes são aquelas que derramamos sangue para conseguir — disse Paul.

— Aquelas que perdemos sangue, não as que morremos.

— Então, Aryna. Você não irá viver muito em Vagus. Futuramente, fracassará como agente.

— E daí? Não estou aqui para impressionar ninguém.

Rebecca dá um tapa no próprio rosto.

— Se você não vai, eu vou. Independentemente.

Cruzando os dedos, Rebecca cria uma barreira para proteger Ivan do avanço da harpia. Antony usa seu bastão de aço para tentar uma estocada, mas a harpia desvia.

— Até que passou perto — resmungou Paul. Notando que seu cigarro acabou, ele jogou o resto no chão. — Já fazem mais de meia hora desde que começaram o desafio arcano… Saudades de quando era tão fácil.

Paul acende outro cigarro. A harpia, repentinamente, decide atacar Aryna, sendo pega de surpresa. Transformando as faíscas do isqueiro em chamas, Paul cria uma barreira flamejante entre a ave e sua aluna. Desfazendo a barreira em direção à harpia, o animal evacua para trás.

— Se não vai lutar, então pelo menos se mexa.

— Disse o homem que está fumando cigarros enquanto adolescentes tentam matar uma criatura divina — reclamou Aryna.

Indo até o canto de uma árvore e se sentando, Aryna tenta manter uma distância segura do território arcano.

— Alunos dando trabalho? — indagou Amiah, chegando ao lado de Paul.

— Desde quando você… — resmungou Paul.

— Cheguei agora.

— E onde está o loirinho? Com os cocheiros?

Amiah assentiu, apontando para onde os outros alunos estavam. Suspirando, ele diz: — Até alguns minutos ele estava reclamando de dormência nas pernas. Foi só eu falar que vocês estavam em confronto com um cristal arcano que ele teve um pico de energia.

— Como você soube do confronto? — perguntou Paul.

— Várias aves albastrons voando pela floresta. Essa espécie só aparece por invocação humana ou por meio de um cristal arcano. Rastreei vocês e percebi estarem perto da fonte de energia principal, então viemos até aqui.

— Ah, entendi. Não quer ir agora? — Paul perguntou a Aryna. — O loirinho chegou para ajudar vocês…

— Não. Não vejo graça em lutas desnecessárias.

A harpia avança contra Theo, que contra-ataca desviando por baixo e lançando uma rajada de vento nas costas do animal. Antony cria uma espada de aço, leve e fina, tão manuseável que até uma criança consegue empunhar. Ele joga a espada para Theo, e sua primeira ação é partir um albastron ao meio.

Do outro lado do território, Ivan ataca as aves enquanto Rebecca cria barreiras para protegê-lo. Enquanto Ivan ataca e contorna o cristal, ele e Theo se encontram e trocam de lugar: Rebecca passa a proteger Theo, e Antony passa a dar cobertura para Ivan.

“O padrão…” pensou Theo. “Qual é o padrão…” Avançando para somente um metro do cristal, Theo tenta encostá-lo. Porém, um feixe de luz é disparado no rosto dele. “Inferno!”

Estando recuado e olhando para o cristal, Theo não percebeu o avanço da harpia. Avançando contra, a harpia quase cobre a cabeça de Theo com suas garras. Sentindo a garra do animal rasgando sua pele, Theo enfia o braço no espaço entre seu rosto e a pata.

Empurrando a harpia para trás, mas, o animal agarra o braço do garoto e o jogo contra um pequeno morro ao leste. Uma pequena porcentagem do morro: desde pedras até barro, caem sobre Theo.

Olá, eu sou o Mirius!

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