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Jason abriu a porta do quarto, jogando a mochila no chão antes de se atirar contra o colchão. Suspirando enquanto olhava para o teto, ele disse:

— Cara, foi dormir. Seu dia deve ter sido tão difícil quanto o meu, como ainda tinha tanto ânimo? Sua energia nuclear não se esgotou?

— Na verdade, esse é o problema que eu estava tentando solucionar.

— Como assim?

Indo até Theo, Jason sentou na quina da mesa. Tomando cuidado para não danificar nenhuma das folhas de Theo.

— O éter é uma partícula que só existe fora da camada de ozônio, ou seja, no espaço. Eu teria que ir até lá para poder ter uma reserva de éter, ao contrário de vocês que usam mana. Apenas respirando, vocês conseguem regenerar o núcleo. Já eu não… Contudo, era impossível ir ao espaço e não morrer. Tinha que achar uma forma de contornar isso…

— Seria tão mais fácil se pudesse mudar a energia do núcleo; todos escolheriam mana — reclamou, indo novamente para a cama. — Boa noite. E vê se dorme pelo menos umas duas horas hoje.

“Mudar a energia…” pensou Theo, encarando as folhas em sua mesa.

Ali, ele ficou durante uma noite, testando ao máximo o quanto ele realmente era um gênio. Afundando-se em teorias sobre a magia e as energias, sobre a ciência e a troca equivalente. Na outra manhã, ele com certeza estaria com uma dor nas costas, mas para ele valeria a pena. Círculos de feitiços, equações astronômicas e centenas de perguntas sem respostas. Theo com certeza usou toda sua capacidade e empenho para tentar achar uma solução. Até que, após uma noite perdida, ele conseguiu uma teoria que se baseava na simples e leiga frase de Jason.

☽✪☾

Theo jogou uma pilha com dezenas de folhas na mesa de Paul. O mentor, fumando um cigarro, começou a analisar as folhas, revisando os cálculos e notando nenhum defeito. Jogando o cigarro no cinzeiro e expirando a fumaça, ele se surpreendeu.

— Ele criou uma maneira de converter mana em éter? — indagou Amiah.

— Sim. Amiah, o garoto conseguiu criar uma teoria sobre transformação de valores em uma noite. Me disseram que ele era bom em exatas, mas isso me surpreendeu.

— Resumindo: calculando que a cada metro de feitiço ele usa uma quantia de 5% da energia do núcleo… Em três horas, ele conseguiu reduzir esses 5% para 0,1% de gasto. O moleque fez isso injetando mana no próprio sistema e logo depois trocou os valores de um terço da mana para um terço de éter…

— Sim. Mas acho que tem alguns problemas nisso.

— Tem muitos. O que ele fará com os outros fragmentos da mana? Já que ele não manipula essa energia, é impossível jogá-la para fora usando o atributo dele. A mana pode tentar sobressair o éter e colapsar o núcleo dele, acabará morrendo subitamente.

— Alguma ideia para ajudá-lo?

— Só com um amplificador. Entrarei em contato com o pai dele e pedirei para encomendar um amplificador com a madrinha dele na ordem Fulmenbour. Vou ter que levá-los para lá, algum problema? — Paul assentiu que não. — Ótimo. Como eles estão indo hoje?

— Bom… Os cinco estão no ginásio treinando. Os três garotos ficaram para praticar físico e as meninas feitiços…

— Me leve até eles.

☽✪☾

— 1… 2… 3… — contou Antony, observando Theo e Ivan segurarem o próprio peso corporal com os punhos das mãos. — 4… 5…

Ivan falhou. Seus braços falharam, balançando como uma corda bamba antes de cair no chão. Massageando os punhos, ele olha para Theo e resmunga:

— Você treinava isso?

— Não. Só estou acostumado com o meu peso. — Theo desiste. — Você é um psicopata — disse olhando para Antony.

— 30… 31… 32… 33… 34… 35…

— Ele vai ficar aí o dia inteiro. Pega.

Ivan jogou uma espada de madeira para Theo, em seguida ele pegou uma lança de madeira numa prateleira.

— Disse ser um híbrido, então vejamos como se sai.

— Pensei que fosse apenas um conjurador — comentou enquanto se levantava do chão.

— Tô aprendendo um pouco sobre batalha com armas…

Os dois se posicionam, parados e se encarando olho a olho. Ambos respiram profundamente antes de avançarem um contra o outro. Ivan avança rapidamente com uma estocada precisa, obrigando Theo a se esquivar. No exato momento em que Theo se move, Ivan recupera sua lança com agilidade e direciona um chute veloz em direção ao braço esquerdo de seu oponente.

Contudo, Theo reage agarrando a perna de Ivan, lançando-a para cima e desestabilizando seu adversário, que escorrega no chão em um desequilíbrio momentâneo. Finalizando o treino, Theo eleva sua espada apontando-a firmemente para a testa de Ivan e libera uma rajada de vento concentrado, demonstrando total domínio naquele instante.

— Opa… — brincou Theo.

— É, armas não são para mim — disse Ivan, jogando a espada de Theo para o lado.

— Estamos quites. Certeza que eu não venceria você em um combate com feitiços.

Theo estendeu a mão para Ivan, que aceitou o gesto e se puxou para cima. Os dois se viraram ao escutar uma explosão de energia. Eles olharam para o lado e viram Rebecca e Aryna caídas no chão. Theo correu para ajudar Aryna, enquanto Antony parou seu exercício para socorrer Rebecca.

— O que aconteceu? — indagou Theo a Aryna.

— Ela refletiu meu feitiço com o dobro de força sem querer. Depois tentou isolar e tudo colapsou.

— É Geralmente o que acontece quando dois feitiços tentam se negar — disse Paul, chegando até os estudantes. Logo atrás dele, Amiah o seguia. Os alunos olharam para Amiah expressaram dúvida. — Moleques, quero que conheçam seu outro mentor: Amiah Neidr.

Amiah soltou um sorriso abafado olhando para Theo.

— O moleque é uma cópia masculina da mãe. Deve ter herdado só a força do pai mesmo.

Ajudando Aryna a se erguer e notando que ela podia ficar em pé sozinha, Theo foi até Amiah. Os dois se encararam: Amiah analisou a postura de Theo, enquanto este se sentiu ameaçado e imponente na presença do outro.

— Neidr quer dizer serpentes, não? Você é o Amiah do reino sul do grande império?

— Eu mesmo, em carne e osso.

— Você é o domador da serpente mitológica Apófis… você treinou meu pai, certo?

— Sim. Ajudei o Ethan Caesar a controlar o laço dele na época de Vagus.

— Vim aqui apenas para te encontrar. Meu pai disse que você pode me ajudar com a minha energia…

— Exatamente por isso que estou aqui. Paul me mostrou seus cálculos, estou surpreso. Porém, há diversas desvantagens na sua teoria.

— É, eu sei. Mas não tenho ideia de como contornar…

— Não se preocupe. Vamos até Fulmenbour para auxiliar o problema de todos vocês.

— Fulmenbour? Está falando que vamos até a ordem dos alquimistas na região de comércio? — indagou Aryna, os olhos brilhando de felicidade.

— Exatamente. Fiquem prontos em trinta minutos.

As duas garotas correram de felicidade para seus quartos, esquecendo a dor de alguns instantes atrás. Ivan e Antony caminharam normalmente, conversando com Paul.

— Então, loirinho — chamou Amiah. — Como o Edward está se saindo?

— Como assim?

— Comecei a treiná-lo antes de vir me tornar mentor em Vagus. Como está indo o domínio da técnica dele?

— Ah! Está falando da ignição de Ignis? — Amiah assentiu. — Bom… uma vez ele acertou meu pai com um ataque e com isso, ficou uma cicatriz na perna que queima até hoje.

Uma risada abafada escapou da boca de Amiah.

— Um humano fazendo o desviante mais forte do atributo fogo sentir dor para o próprio fogo? Que hilário. Vá se preparar, sairemos logo.

Theo acenou com dois dedos.

☽✪☾

“Elas acham que nós vamos ficar um ano em outro país?…” Paul pensou, vendo as duas garotas virem com uma mala e mochila cada. Aryna e Rebecca traziam duas malas e uma mochila, ao contrário dos garotos que estavam apenas com uma mochila pequena.

— Por que estão trazendo tão pouco? — Aryna indagou aos garotos.

— Primeira lei de Vagus: contentar-se com o pouco — retrucou Antony.

— Lei idiota. Preciso de tudo que está aqui dentro.

— Vaidade e luxúria são dois pecados capitais…

— Ah… por Héstia. Me esqueci que você acredita em Yahweh.

— Melhor do que crer em Zeus — resmungou Antony.

— Ok, vamos parando por aqui — disse Ivan, passando entre os dois e jogando-os para escanteio. — Theo, em qual carruagem você vai?

— Os garotos vão na de trás e as garotas na frente — informou Amiah. — Vamos, entrem logo. São cinco horas de viagem até a ordem de Fulmebour.

“Contentar-se com o pouco… Isso é pouco?” Theo pensou, entrando na carruagem antes de todos.

Logo na entrada, uma mesa redonda e refinada de madeira separava os dois assentos de ouro. Uma lamparina no teto, de ouro, iluminava todo o cômodo. O ar era aromatizado, e não tinha sequer um resquício de poeira.

— Agradeça à família real Windsor, do seu amiguinho — disse Paul, entrando junto de Theo.

Theo correu os olhos para fora e buscou Antony, que por sua vez, estava jogando pedra contra Aryna e ela revidando.

— É… esquece.

Horas se passaram, pouco antes do entardecer, quando as carruagens repentinamente cessaram seu movimento. Antony, que cochilava, acabou despencando do banco para o chão. Ivan, por sua vez, deslocou-se ligeiramente em seu assento, enquanto Theo, antevendo o imprevisto, já estava preparado. Alguns segundos antes, ele conseguiu ver Amiah saindo em direção ao cocheiro.

— Vamos, belas adormecidas — gritou Amiah, para que até a outra carruagem o escutasse. — Tenho uma missão para vocês.

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Olá, eu sou o Mirius!

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