Capítulo 6

Os Leviatãs

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César estava certo, contudo não podíamos agir de forma precipitada, afinal, quatro punhos sempre batem mais forte que dois. E a não ser que você tenha o poder para apagar o Sol e a Lua, a única coisa que sempre vai te ajudar a sobreviver, em qualquer situação, é a sabedoria.

Continuei meu cultivo, diferentemente do mundo espiritual, o meu mundo tinha energia vital em sua essência, apenas que absorver a essência vital era muito desgastante, pois uma parte era perdida e apenas um pouco era transformada em energia vital.

A cada minuto eu sentia minha pele coçando e esquentando. Ardendo como fogo: — Ei Thomaz, gosta de meditar é?

Quando olhei para cima, era Tim olhando para mim. Voltei-me rapidamente para a minha pele, mas estava normal, não mais vermelha: — Sim, e você?

— Esqueça isso, vamos, é hora de baixarmos as velas e a âncora.

Saí da Proa do navio e notei que todos já estavam acordados, pareciam que estavam me procurando, então sorri meio sem jeito, como já era noite, ajudei todos a baixar as velas e a levantar âncora.

Como todos já tinham dormido, a primeira coisa que queríamos era comer, então Jack abriu espaço no Convés e John assou um dos frangos que tinha.

Eu estava curioso e perguntei como John mantinha o frango fresco, John disse que não era grande coisa e o frango só poderia ser mantido durante alguns dias, então eles tinham mais carne seca guardada.

Tim contou que seria a primeira vez que iam tão longe assim, a 22ª era a última Ilha cujo a rota era conhecida, a vigésima terceira era um mistério total. Contudo, eu sabia sobre a 22ª Ilha e todas as outras, com exceção da 23ª. Uma pequena parte do tesouro que meu pai acumulou foi escondido na quarta Ilha, mas todo o restante estava no Continente.

Ainda perguntei a Jack se iríamos fazer uma parada em outra Ilha, a resposta foi que não teríamos tempo, parar mesmo que um pouco poderia atrasar a viagem em alguns dias. Eu queria saber mais sobre os mares, perguntei em seguida se tinha a chance de sermos atacados.

Quem respondeu dessa vez foi Hela. Anos atrás o número de piratas não era pouco e muitos eram temidos, sendo conhecidos como os Reis dos Mares. Contudo, isso desagradou os Continentais, acreditaram que os piratas eram rebeldes esperando reacender a rebelião entre nativos Ilhais. Então houve uma caça às bruxas liderada pelos três almirantes em pessoa.

Mas o que inicialmente foi considerado um extermínio fácil, acabou causando uma guerra de proporções inimagináveis, fazendo rios de sangue em várias ilhas. Os Continentais perceberam tardiamente o quanto negligenciada foi a causa pirata. No final os 4 Reis Piratas por pouco não derrubaram o governo dos Continentais sobre os Ilhais, e segundo rumores, dois dos 4 Reis Piratas eram do Continente.

— O que aconteceu depois?

Hela sorriu zombeteiramente: — Os três almirantes lutaram pessoalmente com os quatro Reis, a batalha foi descrita como uma luta de lendas que aconteceu na décima segunda ilha. Dois almirantes caíram, quatro almirantes de esquadra também caíram, três primeiros imediatos morreram junto com três Reis Piratas.

— Quantos sobreviveram?

Quem continuou foi Jack: — Os participantes da batalha do lado da marinha foram: O Almirante Nicolas, O Almirante Bartolomeu e O Almirante José. Junto com Seis Almirantes de Esquadra. Do lado pirata foi: O Rei Pirata Orlando, A Rainha Pirata Letícia, A Rainha Pirata Beatrice e o Rei Pirata Garth. Junto com Quatro Primeiros Imediatos. Os sobreviventes oficialmente são: O Almirante José, que mais tarde se tornou o Primeiro e único Almirante Sênior, junto com o Almirante de Esquadra Eliza, que mais tarde se tornou Almirante e o Almirante de Esquadra Jefferson, que mais tarde se tornou Almirante.

Eu estava esperando Jack continuar, mas entendi o silêncio repentino que se seguiu, provavelmente os piratas foram dado como desaparecidos, mortos ou presos.

— Qual Rei Pirata e Primeiro imediato não foram mortos?

— De forma cômica, foi aquele considerado o mais fraco entre os 4 Reis Piratas que sobreviveu, assim como também foi aquele que matou um dos Almirantes e mais um Almirantes de Esquadra: o Rei Pirata Garth — Tim foi quem completou Jack em seguida— Mas oficialmente ele foi preso e morto, mas ninguém acredita nisso, pois o Primeiro imediato da Rainha Beatrice, Igor, foi quem pessoalmente divulgou a batalha até pelos mares do Sul. Ainda existe uma lenda dele escondendo pessoalmente o grande tesouro dos quatro Reis sob ordem pessoal de Garth.

Yuri também se meteu na conversa: — Dizem que o tesouro dos Quatro Reis Piratas daria ao seu portador um poder superior aos Quatro Reis Piratas — “Nenhum deles sabe que os Reis Piratas estavam no Quinto Estado, com Garth estando no Quarto. Uma força verdadeiramente devastadora”

Era realmente incrível a história dos lendários piratas e da guerra travada entre eles e os Almirantes. “Garth deve ter conseguido uma habilidade natural extremamente poderosa para sobreviver e ainda matar um almirante. “

— Bom, hoje os piratas ficaram no passado, todas as ilhas do Norte têm forte vigilância e supervisão, qualquer um que for pego exercendo a pirataria será cassado, preso e sentenciado à morte.

Depois que a breve história terminou, Yuri foi para seu aposento e todos foram dormir, eu também fui. Mas obviamente acordei algumas poucas horas depois e saí mais uma vez pela janela; aquela noite estava particularmente fria e a Lua estava se escondendo entre as densas nuvens.

Novamente fui até o quarto de Yuri, peguei o livro e fiz uma cópia, uma coisa que me deixou ligeiramente surpreso foi que a cópia do livro foi feita em um tempo menor que no dia anterior.

César poderia estar insatisfeito com a habilidade, e realmente era uma habilidade difícil de usar em batalha no estágio inicial, já que só poderia fazer cópias ilusórias. Contudo, eu estava ansioso para o momento onde poderia fazer cópias de verdade, seria um verdadeiro ás na manga.

Subi para a Popa[1]parte traseira do navio e comecei a ler o livro escondido de Yuri. A segunda parte do livro falava sobre como realizar o ritual de contrato, dizia que a melhor hora era quando o Sol e Lua se encontravam e o ritual deve ser feito usando idiomas antigos.

Para se iniciar o ritual, um nonagon[2]figura geométrica de nove lados deve ser desenhado em proporções iguais e a frase de invocação deve ser escrita em algum idioma antigo ao redor. Contudo, este era apenas o básico, o mais difícil era conseguir uma pedra de energia espiritual, mas poderia não ser o suficiente, dependendo do talento daquele que estiver fazendo o ritual, pode ser necessário outras pedras. Assim como se alguém tiver talento o suficiente, pode exigir apenas um pequeno pedaço.

“Há, César, parece que você também teve alguma sorte de fazer um contrato comigo. Pelo visto, eu pareço ser um grande talento já que nem participei do ritual”

— Não se ache muito Thomaz, era certo que você deveria ser algo para conseguir roubar o mínimo de energia e realizar o próprio contrato.

“Então você está aí.”

— Sim. Você chamou pelo meu nome e quis se conectar comigo mentalmente, então eu escutei você.

Depois da breve conversa que tive com César, continuei a ler o livro. Em seguida falava sobre o que César já havia me falado, sobre a necessidade de um cultivar a energia vital e o outro a energia espiritual. Também falava que enquanto os humanos usavam a energia espiritual para lançar magia, os habitantes do mundo espiritual usavam a energia vital.

E uma parte muito interessante veio em seguida, sobre as armas que os Leviatãs usavam. Aqui dizia que somente aqueles com heranças da ferraria antiga poderiam aprender as inscrições mágicas. E somente essas armas, com inscrições mágicas, seriam de alguma utilidade no Terceiro Estado, onde as armas de ferro e aço não seriam mais úteis.

E existiam os materiais para essas armas, materiais que eu nunca tinha ouvido falar, eles eram; Ferro Estelar, Aço Solar, Paládio, Titânio, Tungstênio, Aço de Damasco (uma variação do Aço Solar), Ouro Corrompido, Doragon Metaru, Mithril e Adamantium.

Eu achei incrível que tantas matérias-primas existissem por aí e fossem tão poderosas, Akira ficaria louco por uma Lâmina desse Aço de Damasco, Ember iria preferir uma armadura de Doragon Metaru.

Logo abaixo dos metais, contava sobre as Frutas, Raízes e Ervas mágicas, a fabricação de poções era algo de extremo valor, mas infelizmente os manuais de herbalismo eram ainda mais raros que os de ferraria e neste aqui não existia nem a descrição de algumas destas frutas, raízes e ervas.

E por último, falava sobre as magias, cheguei a respirar fundo em antecipação, antes das magias estava alguns detalhes que li rapidamente. O primeiro era sobre a essência da magia e dos próprios Leviatãs.

Acima de tudo, os Leviatãs buscavam a ordem através da força e sabedoria, para alcançar tal feito; os antigos Leviatãs usavam o conhecimento e a sabedoria para dar forma a energia e ao poder através da recitação de encantos e da criação de padrões geométricos para estabilizar a energia e assim lhe dar uma forma e um propósito.

Contudo, os encantos só eram necessários no início, com a prática e experiência, os encantos poderiam ser feitos apenas mentalmente. Com tudo isso, os Leviatãs tentavam moldar o Caos Natural em uma Ordem Natural. Entretanto, tal ordem não tinha posição, ela era neutra, seguindo assim também um equilíbrio natural com as forças do Universo. Isso significava que os próprios Leviatãs eram neutros, já que eles representavam essa ordem natural, sendo cruéis e terríveis quando precisam e justos e benevolentes quando estes desejam.

Fiquei fascinado com o quão avançado era o pensamento dos antigos, sua sabedoria parecia não ter limites. Existia mesmo um alerta, quanto mais alto o Estado de Poder de um Leviatã, mais alto o Leviatã se aproxima do Leviatã.

Eu fiquei confuso de início com essa frase, até que entendi que o Leviatã era a representação do Poder e da Ordem, sendo agentes da ordem natural, mas os humanos em essência eram o próprio caos, sendo agentes do caos, e quanto mais perto do Leviatã, mais distantes eles ficavam de sua origem. Alguns até mesmo ficavam loucos e agiam de forma descontrolada segundo algumas descrições do manual.

“Somente o homem morto tem a paz eterna…” Depois eu enfim consegui ler as magias que estava procurando;

1ª – Magia (1ª Estado) – Respiração debaixo d’ água. (duração – 17 minutos.)

2ª – Magia (1ª Estado) – Brilho; permite ao usuário criar um forte brilho em um raio de dois metros, cega todos que olharem diretamente. Alerta: o usuário também pode ser afetado. (duração 7 minutos)

3ª – Magia (1ª Estado) – Corpo de ferro; permite ao usuário ganhar uma resistência de apenas 30 segundos igual ao do ferro. Um Feitiço perto dos feitiços do 2ª Estado, extremamente poderoso, exigindo um domínio grande da energia espirituall. (O feitiço age instantaneamente após o encanto.)

E antes que eu pudesse ler os próximos feitiços, o livro novamente se transformou em partículas de luz. Me levantei com um sorriso, estava alegre porque senti minha eventual força chegando aos poucos.

Analisando as primeiras três magias que consegui, as vantagens e desvantagens eram claras, sendo obviamente magias de suporte, sua utilidade estava em como as usar em momentos críticos.

“Cesar, eu consegui três magias e também fiquei sabendo de algumas coisas, sugiro trocarmos informações.“

— Ótimo, é especialmente agradável que você finalmente tenha algum poder de verdade. Porque? 

“Você nunca teve dúvidas se o que aprendeu estava certo? Sendo sincero tenho dúvidas se esse manual tem outras partes faltando.”

— Concordo, mas lembre-se que se eu mentir, você com certeza vai saber, assim como se você mentir eu também saberei.

— Pois bem…

César e eu passamos alguns minutos falando não só sobre o que aprendemos, mas também do conhecimento que a família de César tinha sobre o meu mundo, o lugar onde César vivia, a família de César e a estrutura do mundo dos espíritos.

Também compartilhei com César a minha história, junto com o que eu sabia sobre o meu mundo, mas não chegou nem perto do quanto César sabia sobre o próprio mundo.

Notas

Notas
1 parte traseira do navio
2 figura geométrica de nove lados

Aviso do Autor:

José Victor B.Martins

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