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No extremo Norte em um lugar hostil e inóspito, estava localizada a grandiosa cidade Prisão de Golvir, arquitetada em uma construção imponente e aterradora. Ela era cercada por altas muralhas de pedra negra, que se estendiam por quilômetros em todas as direções, criando uma barreira impenetrável.

Ao entrar na cidade, podia-se ver que as ruas eram estreitas e escuras, com pouca iluminação e ar rarefeito. O clima era frio e hostil, com uma névoa densa que cobria a cidade durante todo o dia. A cidade era dominada por uma torre alta, que se elevava acima das muralhas da prisão, lembrando aos prisioneiros de sua condição miserável.

Prisioneiros eram mantidos em celas subterrâneas, onde as paredes eram cobertas de runas mágicas que impediam qualquer tentativa de fuga, até mesmo dos usuários avançados da pujança. A cidade era vigiada por guardas considerados a elite do Norte, altamente treinados que utilizam suas habilidades para manter a ordem e a segurança da prisão.

A prisão era conhecida por ser uma das mais seguras do mundo, nenhum prisioneiro havia conseguindo escapar em anos. Magia era usada em todas as áreas da prisão, desde a construção das paredes até o controle dos prisioneiros. O extremo Norte era uma região isolada, o que fazia com que a cidade prisão fosse uma das poucas opções de detenção naquela região cercada por bestas colossais que residiam no deserto de gelo.

Na torre alta, sentado na cadeira acolchoada de uma sala modesta, estava o diretor da cidade prisão. Ele usava uma roupa feita sob medida, com tecidos luxuosos e brilhantes, com destaque para uma capa longa e esvoaçante em tons de roxo e preto, que dava a ele uma aparência teatral. Seu cabelo era preto e penteado para trás em um estilo elegante, seus olhos eram de um violeta intenso e hipnotizante.

Apesar da aparência distinta, havia uma fadiga notável em seu rosto, evidenciada por suas olheiras profundas e seu semblante cansado. O peso do cargo que ele ocupava era sentido em seu porte magro e encurvado, bem como em sua voz rouca e baixa.

A sala era decorada com poucos móveis feitos de madeira escura e algumas tapeçarias nas paredes. Havia uma mesa grande de madeira, com algumas pilhas de papel e livros empilhados, uma cadeira simples, uma lareira pequena, um baú e uma estante.

A pouca luz natural entrava pelas janelas estreitas e altas, e era complementada por algumas velas acesas em castiçais espalhados pela sala. O ar era um pouco abafado, cheirando a livros antigos e madeira.

A mesa do diretor era o ponto focal da sala, onde ele passava a maioria do tempo trabalhando em suas tarefas administrativas. A cadeira era confortável, mas simples, sem muitos adornos, e ficava de costas para a janela. Na estante, havia vários livros sobre magia e técnicas de detenção, além de alguns objetos curiosos e um pouco de poeira acumulada.

Apesar de ser uma sala simples, havia uma sensação de poder e autoridade no ar, como se o diretor conseguisse controlar toda a prisão mágica a partir daquele espaço.

Woosh!

O espaço frente ao diretor começou a distorcer-se. De dentro dele, saiu Coen acompanhado de Safira e sua pandoriana materializada em forma de Pixie.

Abrindo um sorriso, o diretor olhou para Safira.

— Sua filha? — indagou o diretor ainda sentado. — Pensei que fosse mais velha.

— Por que me chamou, Yenerack? — Coen estava impaciente.

— Direto ao ponto como sempre. Eu queria ficar, bater um papo, saber como você está, mas você parece com pressa. — ele abriu um sorriso zombeteiro. — É assim que trata seus amigos, Coen? Enfim, dê uma olhada nisso — O diretor pegou o livro ao lado de uma pilha de papéis e o jogou na direção do Errante que o pegou.

A capa era feita de couro escuro e tinha um tom verde-escuro, com uma textura suave e desgastada. Parecia um livro comum à primeira vista, mas quando se olhava mais de perto, percebia-se que havia algo de misterioso e mágico nele.

As páginas do livro eram grossas e amareladas, com manchas de tinta em alguns lugares. Havia uma aura de energia pulsante em volta do livro que era quase palpável. À medida que Coen folheava as páginas, sentia uma sensação de excitação e antecipação, como se estivesse prestes a descobrir algum segredo profundo e desconhecido.

O livro era repleto de símbolos e ilustrações que pareciam saltar da página com uma intensidade vibrante. Havia círculos mágicos distintos explicados em detalhes, desenhos que representavam criaturas míticas e figuras mágicas.

“Brighid” … — Coen leu este nome no final do livro. — Um livro ensinando o básico de uma árvore… me chamou aqui para isso?

Yenerack levantou e foi até a janela, observando sua cidade prisão com as mãos para trás.

— Quando Ultan caiu, pensei que todos os usuários poderosos de magia tivessem morrido naquela fatídica noite, mas não foi isso que aconteceu. Não sei o quanto está envolvido nisso, mas há uma oportunidade rara aqui. A autora, Brighid, é a Santa que cultuam em Valéria, não é? Háhá, uma Santa viva, e o melhor, escrevendo livros que ensinam sobre magia. Isso é péssimo.

Safira andava pelo quarto com as mãos no casaco agasalhado. Seus olhos passaram pelos móveis, parede, piso, e por fim, se concentraram no homem de pé observando a janela.

Ele continuava falando sem parar.

— Sabe, mesmo com o centro-leste envolvido na sua própria guerra e o Norte focando seus esforços em deter os gigantes não muito longe daqui, o continente se tornou um lugar mais pacífico. Às vezes mando meu pessoal para uma ilha pequena ou vilarejo. Eles vão, cumprem a tarefa e retornam com os bolsos cheios de moeda, sabe por quê? Não existem tantos usuários de magia hoje em dia. Os que existem são subjugados pelas armas ante magia que fabrico aqui.

Coen jogou o livro na mesa em um baque.

— Quer que eu faça algo em relação a essa mulher?

— Isso, esse será a forma de quitar aquela sua “dívida” comigo.

— Quer que eu a mate?

— Matar? Não! Li o livro, alguém que consegue transformar algo tão complexo em forma de texto não pode morrer. Traga-a para mim, tenho outros planos para ela.

— Quais informações tem sobre a mulher?

— Bem, tirando o fato que ela é a primeira esposa do Rei de Runyra, soube que uma mulher alta vai até o porto nas ilhas do sul em noite de lua cheia. Negocia os volumes com alguns comerciantes e desaparece em um barco. Não sei se ela é a Brighid dos boatos, mas quero que a traga para mim.

Coen esticou o braço e um portal abriu bem na sua frente.

— Depois disso resolvido, não devo a você mais nada.

— Claro, claro.

Apressado, Coen adentrou o portal. Safira olhou para o diretor e seguiu seu mestre, saindo em um porto movimentado. Em cima de um cais, marinheiros iam e vinham apressados carregando caixotes pesados.

Eram homens robustos usando roupas de lã grossa, botas altas de couro e luvas de pele. Eles também usavam gorros de lã com pompons na ponta para manter suas cabeças e orelhas quentes. Seus casacos eram compridos, com golas altas e fechos de botão.

Alguns usavam cachecóis ou capas para protegê-los ainda mais do frio do vento marítimo. A maioria fumava cigarro ou charuto, outros sorriam com seus dentes dourados, mas todos se movimentavam ligeiramente, enchendo os navios de suprimentos.

Havia um número significativo de navios atracados, as embarcações eram grandes e robustas, com cascos de madeira escurecida pelo sol e pelo sal do mar. Alguns tinham velas coloridas enroladas em seus mastros, prontas para serem içadas na próxima viagem. Conveses estavam lotados de cordas e cabos, âncoras e outros equipamentos de navegação. Marinheiros subiam e desciam das escadas de corda, realizando tarefas de manutenção e preparação para a próxima viagem.

O sol fraco do fim de tarde pintava as nuvens de róseo e deixava o clima agradável com os ventos frescos advindos do mar. Sentiram também o gosto de sal na língua e o forte cheiro de peixe.

— Mestre…

— Sim?

— Qual favor devia aquele homem?

Coen encarou-a com o canto dos olhos e voltou seu olhar para o mar.

— Yenerack tem conexões. Ele é um Errante, como eu. Consegue vagar pelos planos, mas sua viagem é cheia de falhas e erros. Ele não consegue controlar muito bem os portais, mas isso foi o suficiente para ele catalogar itens importantes em suas viagens. Resumindo, foi ele quem me deu a localização da sua Pandoriana.

A pequena Pixie continuava em silêncio, sentada no ombro de Safira.

— Se estamos nesse porto, significa que o senhor acha que ela vai aparecer aqui, certo? O senhor já sabia sobre Brighid e sobre o que aquele homem ia pedir, né?

Coen assentiu.

— Isso. Temos que estar sempre um passo à frente dos outros, você ainda aprenderá como fazer isso.

— Essa Brighid, ela é forte? — Safira desviou o olhar pensativa. — Esse nome não me é estranho…

— É um nome famoso, há uma religião em adoração a ela e essa mesma Brighid já foi muito poderosa. Hoje em dia ela não passa de peso morto, mas não será ela que enfrentaremos.

Safira ergueu uma das sobrancelhas.

— Não? Então quem?

— A mulher com quem ela vive, uma vampira da terceira geração.

— Vampira? — Safira arregalou os olhos. — Eles existem mesmo?

— Sim, e são mais fortes do que você imagina. Lutei com um, no passado, foi trabalhoso — Coen alisou o pescoço inconscientemente. — A vampira é uma Monarca Arcana da Pujança e provavelmente uma Monarca Arcana do Caos. Nossa sorte é que ela não costuma aparecer nos portos acompanhada. Ela aparece em noite de lua cheia, seguindo o padrão de cruz em cada porto do sul. Tudo indica que ela aparecerá aqui ao anoitecer.

— Entendi… então o senhor tem um plano para lutar contra ela?

— Tenho, mas você ficará escondida. Você treinou por bastante tempo e agora tem uma Pandoriana poderosa, porém, se ela vier acompanhada de algum Pandoriano você intervirá. O vínculo de alma dela com a criatura a deixará ainda mais indestrutível. Seria quase impossível vencê-la se isso acontecesse.

— E se o Pandoriano não aparecer?

— Então é só deixar tudo comigo. 


Com as mãos nos bolsos de pé em seu dragão branco, Ayla olhava as luzes distantes lá em baixo. Ela agachou ainda em cima do dragão e a criatura recolheu as asas, mergulhando.

Ayla saltou há alguns metros do chão, caindo gentilmente em um telhado coberto por neve. Ela trajava uma jaqueta grossa e acolchoada de cor escura, com gola alta e capuz forrado de pele. Nas mãos usava luvas de couro, também forradas de pele para manter as mãos aquecidas. Suas pernas estavam cobertas por calças grossas e escuras de lã, e botas igualmente robustas e quentes protegiam seus pés do frio intenso.

Ela saltou para o chão.

Ainda não havia anoitecido, mas o tempo nublado do extremo norte deixava tudo escuro. Ela enfiou as mãos na jaqueta grossa e começou a andar pela rua. Algumas pessoas a encaravam, outras não davam a mínima. Erguendo a cabeça, ela viu o letreiro do bordel que procurava.

Seu nome diferia daquele que procurava, era Alvorecer Florido invés de anoitecer. Passou por algumas meretrizes bem agasalhadas na entrada e adentrou o local, sentindo perfumes afrodisíacos, ouvindo música lenta tocada por um trovador e vendo alguns Elfos da Neve embriagados conversando com Elfas que trabalhavam no local.

O lugar era iluminado por tochas penduradas nas paredes e no teto alto. Mesas e bancos de madeira ocupavam a maior parte do espaço, enquanto uma plataforma elevada no final do salão servia como palco para apresentações musicais, teatrais ou de dança. A decoração incluía tapeçarias coloridas, armaduras penduradas nas paredes e candelabros ornamentados.

Ayla caminhou até o balcão do bar localizado a direita, encarando um homem robusto. Seu rosto era marcado por um bigode grosso e uma barba ruiva bem cuidada. Seus olhos eram pequenos e escuros, com sobrancelhas grossas que se curvavam para baixo, dando-lhe uma expressão de mau-humor constante.

— Quero falar com o representante deste estabelecimento.

Com o pano branco sobre o ombro e cenho franzido, aquele homem se aproximou, apoiando as duas mãos no balcão.

— Posso saber quem é você? — indagou a encarando de cima a baixo — Quer trabalhar aqui? — Ele abriu um sorriso de canto. — Pode ir para os fundos, testarei você.

Ayla segurou o pulso daquele homem com uma mão, e com a outra conjurou uma adaga elétrica, enfiando nas costas daquela mão robusta. O homem demorou entender o que havia acontecido, até que sentiu a dor de ter a mão transpassada por uma adaga.

— Merda! — Tentou remover a mão, mas Ayla pegou em seu pulso, o encarando no fundo dos olhos.

— O que foi, está assustado? — A expressão dela era assustadora. — Garanto que consigo te matar antes dos guardas chegarem, então não grite, seja um bom garoto e vá chamar o responsável pelo estabelecimento.

Engolindo o seco, ele assentiu e a adaga elétrica desapareceu.

Com as costas da mão gotejando sangue, o rapaz foi correndo para os fundos, olhou para trás na direção de Ayla, tremendo de medo daquela mulher.

Outras pessoas ficaram com medo de encará-la, então fingiram que nada aconteceu.

Dos fundos, saiu um Elfo de cabelo escuro e olhos azuis. Usava uma roupa elegante, possivelmente feita de tecidos finos e nobres. Seu cabelo preto estava penteado com precisão e seus olhos azuis eram brilhantes e expressivos. Ele também usava joias delicadas e um perfume agradável, dando a impressão de ser um Elfo refinado e sofisticado.

Assim que botou os olhos em Ayla, ele engoliu em seco.

— O-O que está fazendo aqui?

Ela manteve o sorriso no rosto.

— Vamos conversar.

Olá, eu sou o Stuart Graciano!

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