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[Passos fantasma].

CABRUM!

Algo atingiu Vareth lá em cima, mas ele havia conseguido erguer uma barreira em volta de si, vendo apenas faíscas dançarem na sua frente quando a espada de Colin se chocou contra a resistente barreira, trincando-a.

“Ele… ele a rachou com força bruta? Isso é impossível, minha barreira foi feita para suportar qualquer coisa!”

Sentindo um arrepio na espinha, Vareth virou-se para trás. Lá estava o Errante com sua lâmina erguida, pronto para golpeá-lo com tudo.

“Ainda dá tempo, consigo fortificar a barreira!”

Ele juntou as palmas da mão e a rachadura desfez-se, fazendo a redoma que o protegia brilhar ainda mais intensamente.

“É impossível sequer rachá-la dessa ve-”

SCRASH!

Não apenas a barreira se despedaçou, mas também um rasgo colossal se abriu no peito de Vareth, despejando uma cascata de sangue. Aproveitando o momento, Colin rodopiou pelo ar e desferiu um chute certeiro no abdômen do Elfo, rompendo não só a retaguarda da barreira como também enviando Vareth com estrondo em direção à floresta.

BOOM!

A terra estremeceu, as aves alçaram voo em alarde e os animais, tomados pelo medo, empreenderam uma fuga desordenada. Vareth jazia no solo, entregue à inconsciência.

Colin aproximou-se, um sorriso aberto iluminando seu rosto.

— Esperava um pouco mais de resistência de sua parte… — Colin estalou os dedos, lançando uma descarga elétrica de magnitude impressionante pelo corpo de Vareth, que sentiu uma onda de choque percorrendo cada fibra de seu ser. — Acorda, não temos o dia todo.

COF! COF!

O Elfo abriu os olhos, tossindo sangue.

— Miserável…

Colin apoiou o pé no peito do Elfo. — Desembucha, o que esconde nessa maldita floresta, e por que a esconde?

Ele continuou em silêncio, até Colin começar a pressioná-lo com o pé e fazê-lo tossir.

— Caóticos! São caóticos! E-Eu os usaria em um ritual!

— Que tipo de ritual?

— E-Eu transmitiria minha alma para Faekira com a ajuda de Sor’uth!

“Sor’uth?”

— Um dos apóstolos do abismo?

— Co-Como você… si-sim!

Os olhos dele mudaram repentinamente de cor, passando de um azul, para um verde fulgurante.

— Seu desgraçado! Quem é você?

— Sor’uth, né? Como você entrou no corpo desse homem?

O semblante desesperado de Vareth transformou-se em um sorriso ensanguentado.

— Estou aqui desde o começo, mas e você, veio por onde? Uma abertura? Uma fenda? — Ela olhou a tatuagem no braço dele. — Um Errante… vocês não estavam extintos?

— Pareço extinto pra você?

Sor’uth continuou em silêncio, analisando Colin de cima a baixo. — Essa mana, por que você tem a mesma energia da Kag’thuzir?

O sorriso de Colin ficou maior. — Não é óbvio pra você?

— … você…

WOOSH!

Vareth se desfez em milhares de moscas que se dividiram para todos os cantos.

— Não importa quem você seja, não há como deter o cataclismo! — As moscas dispersaram-se, milhares delas.

Colin olhou para cima, e nada mais havia ali.

— Que merda foi essa? — indagou Scasya ainda com a garota nos ombros.

— Era um apóstolo do abismo. — Ele coçou a nuca. — Que saco, deve ter sido ela a causadora do cataclismo que devastou Rontes.  Entendi… — Colin cruzou os braços e assentiu olhando para Faekira. — Acho que encontrei a mãe dos monstros.


Faekira abriu os olhos com lentidão, a tontura a envolvendo como uma névoa incerta. Seus olhos encontraram Scasya, que ocupava um canto escuro da cabana, com os braços cruzados e um olhar penetrante.

A garota, num lampejo, recordou-se dos eventos recentes, recuando instintivamente e pressionando as costas contra a parede.

A cabana, com seu mobiliário esparso, era iluminada por um tênue orbe, lançando uma luz suave sobre o interior. O ambiente, escasso de vida e envolto em silêncio, amplificava a sensação de isolamento e incerteza que Faekira estava experimentando naquele momento.

— Não precisa ficar assustada — disse Colin no fundo, de braços cruzados. Estava na penumbra e seus olhos dourados eram a única coisa que a pequena via. — Não vamos machucar você.

— O-Onde está senhor Vareth?!

— Ele fugiu — respondeu o Errante. — Ele só estava te usando, sinto muito.

O semblante assustado da garota transformou-se em um semblante de ódio.

— Mentiroso!

— Não preciso que acredite em mim — Colin saiu da penumbra e a garota ficou ainda mais assustada. — Ele precisará de você, então vamos manter você por perto até ele vir te pegar.

Trêmula, Faekira levantou os braços em defesa. — Sei usar magia! Não se aproxime!

Colin, com um movimento súbito, agarrou uma das mãos da garota e a ergueu, aproximando seus rostos.

— Quer que eu quebre o seu braço? — Colin começou a apertar, e a garota gritou.

— Meu braço! Meu braço!

Colin a soltou, deixando a garota cair de bunda no chão enquanto alisava o braço. — É melhor ficar quieta e fazer o que eu mandar, entendeu?

Com os olhos marejados e repletos de medo, ela apenas assentiu e abaixou a cabeça.

— É só uma criança — disse Scasya erguendo-se. — Não precisa ser um desgraçado com ela.

— E isso tudo é uma ilusão, você não devia se importar.

— É real para ela.

Passando por ela, Colin deu de ombros, indo para fora.

A Alada o seguiu.

— Qual o plano? — ela indagou.

— Ficar aqui e esperar. Precisam da garota para o cataclismo acontecer, e apenas Vareth sabe onde está o fragmento de Claymore.

— Sabe a quanto tempo estamos dentro dessa Antares?

Colin enfiou a mão no bolso, retirando seu relógio que contabilizava os dias de acordo com o tempo do plano da raiz.

— 100 dias, mas no plano astral deve ter passado bem mais que isso, talvez um ano.

Ela assentiu. — Entendi… espero que a gente consiga logo alcançar Claymore. Não deve faltar muito, já que parece que a cada plano ficamos mais perto da linha do tempo original do seu plano.

— Sim, vamos ficar aqui e-

Eles olharam para trás, e Faekira parecia estar passando terrivelmente mal. Com a mão no estômago, ela berrou, enquanto suava demasiadamente.

Aaaa! — um berro irrompeu, estourando os vidros e rachando toda estrutura. Seus olhos vermelhos começaram a ficar lentamente esverdeados.

Scasya pensou em avançar, mas Colin segurou o seu pulso.

A gritaria cessou, e Faekira os encarou com um semblante maligno. — A gente se encontrou novamente, Errante. Você está com algo que é meu!

Colin reagiu instantaneamente quando ela estendeu a mão em sua direção, avançando com os Passos Fantasma. Seu punho, encontrou o abdômen dela com um golpe poderoso.

BOOM!

Sob o golpe, ela atravessou a parede com uma força impressionante, lançada na direção da densa floresta circundante.

BAM! CRACK! BAM!

O corpo dela, frágil em aparência, mas incrivelmente resistente, encontrou-se com as árvores, barrancos e morros em uma série frenética de capotes descontrolados.

Aquilo criou uma trilha de escoriações e danos em seu vestido já esfarrapado. No entanto, apesar da violência do impacto, ela recobrou a compostura com notável rapidez, derrapando por mais alguns metros antes de finalmente encontrar uma parada abrupta.

O vestido que ela usava apresentava um buraco notável na região do abdômen.

— Você é frio — disse a garota estalando o pescoço. — Atacou uma criança dessa forma.

Com sua velocidade anormal, Colin já estava frente a ela. — Eu sabia que você não morreria depois de um soco, e eu não bati tão forte assim. — Ele abriu um sorriso de canto. — Você quer fugir, né? Pode ir, vá até onde Vareth está.

Ela franziu o sobrolho.

— Por que eu faria o que pediu? Para me seguir? — Ela ergueu as duas mãos, com as palmas apontadas para o chão. — Se pensa que não consigo te vencer, você está enganado!

Dois círculos mágicos brilhantes se materializaram ao lado da garota, revelando uma cena sinistra.

Vestidas com armaduras negras imponentes, criaturas de estatura colossal, com aproximadamente três metros de altura, apareceram ao lado dela.

Seus elmos cobriam grande parte de seus rostos, mas olhos verdes sinistros eram visíveis através das fendas das viseiras.

Uma aura densa e corrompida, saturada pela mana do abismo, parecia encher o ar ao redor delas, criando uma atmosfera sufocante e ameaçadora.

— Isso deve ser o suficiente para dar um jeito em você! — Ela abriu os braços. — Acabem com ele!

 As criaturas avançaram desengonçadas, surpreendendo com sua velocidade impressionante em relação ao tamanho e peso desproporcionais.

Uma delas empunhou uma espada maciça e a ergueu acima de sua cabeça, investindo ferozmente em direção a Colin. O Errante, no entanto, antecipou o ataque, mostrando sua destreza sobrenatural.

Com uma passada rápida em direção à criatura, ele se aproximou perigosamente, quase colando seus corpos. Em um movimento ágil, ele dobrou os cotovelos e, com um giro de quadril, desferiu uma cotovelada devastadora diretamente no abdômen da criatura.

SCRASH!

O impacto deixou para trás um rombo gigantesco naquele abdômen monstruoso.

“O quê? Que movimento foi esse? Arte marcial?”

A segunda criatura, igualmente desengonçada, avançou pelo flanco, com sua enorme espada apontada para um ponto cego nas defesas de Colin.

Com uma reação ágil, Colin cobriu seu punho com mana e girou rapidamente, usando a parte de trás de sua mão direita para bloquear o golpe.

Empregando uma técnica de sua própria autoria, ele direcionou o ponto de pressão do ataque de volta para a criatura, devolvendo-lhe toda a força que ela havia investido no golpe.

SCRASH!

O som de um impacto metálico ressoou pelo ar quando a espada da criatura se estilhaçou como vidro, revelando uma oportunidade de ataque.

Colin tirou um dos pés do chão, dobrou o joelho da perna erguida e em um giro desferiu um poderoso chute arqueado com a canela nas costelas da criatura.

Em um movimento extremamente ágil, ele partiu a criatura ao meio, como se estivesse realizando um corte com uma espada afiada.

SWISH!

— O quê?! — A garota estava ainda mais perplexa. — Como… seu desgraçado!

Ela juntou as duas mãos, e uma enorme carga de poder começou a ser carregada, até que desapareceu. Colin estava frente a ela, e suas tatuagens de Errante brilhavam sem parar.

PAFT!

Com as costas da mão, Colin a golpeou no rosto, fazendo a garota rolar alguns metros no chão.

Ela tossiu sangue e tentou erguer-se, mas sua cabeça estava zonza.

— Maldito! Seu desgraçado! Você vai me pagar!

Entediado, Colin deu um bocejo enquanto se aproximava dela. — Você é fraca, devia ficar quieta e não se mexer.

— O que disse? Quem você pensa que é?!

[Mortalha das estrelas].

BOOM!

Uma explosão preencheu os céus. Assim que a fumaça se dissipou, Vareth estava lá, dentro de sua redoma mágica que havia rachado após o ataque.

Colin sequer o viu chegando, mas Scasya estava atenta. Ela acompanhou o rastro de destruição, alcançando seu parceiro.

— Você é sempre tão apressado assim? — ela indagou desembainhando sua espada.

No céu, Vareth encarou aqueles dois.

“Ela também conseguiu rachar a minha barreira? Esses desgraçados, quem são eles?!”

— O que está fazendo aí parado, seu inútil! — berrou Faekira. — Faça alguma coisa, agora!

— Si-Sim, senhora!

Vareth fez um triângulo juntando as mãos, e um círculo mágico abriu em frente a ele, energizando uma esfera de mana.

A esfera foi na direção deles, mas Scasya lançou outra Mortalha das estrelas, fazendo os poderes chocarem-se, engolindo o céu em uma poderosa explosão.

BOOOM!

A onda de choque agitou as árvores e as vestes de todos, trazendo consigo uma nuvem de poeira.

— Ele não é tão forte — disse Scasya apontando a espada para o céu. — A gente pode cuidar, dele, mas e depois?

— Quero ver o que ele tem a mostrar — respondeu Colin. — Não precisa pegar leve.

Ainda no chão, Faekira estendeu a mão na direção de Colin, conjurando uma espada de mana.

— Pivete de merda! Você não vai-

BAM!

Mais uma vez, Colin a atingiu no estômago, deslocando-se em uma velocidade imperceptível para ela. Ele não a lançou longe, apenas a fez desfalecer, colocando-a em seu ombro.

— Senhora!

SCRASH! SWISH! SWISH!

Scasya lançou uma onda de cortes na direção de Vareth. Sua barreira foi feita em pedaços, e os corte os atingiram em cheio, fazendo-o despencar do céu.

— Acabou — disse ela guardando a espada na bainha. — Vamos torturá-los para saber onde está o fragmento?

— Não vai precisar, o fragmento está bem aqui.

Ela olhou para cima, e dezenas de crianças pairavam acima deles. Todos com os olhos esverdeados.

— Tsc! — disse uma das crianças. — Seus vermes! Me forçaram a tomar esse tipo de medida! — Todos eles começaram a transbordar mana do abismo, deixando o ar pesado com toda aquela corrupção. — Quem disse que preciso da lua cheia para realizar o cataclismo?

O espelho quebrado que flutuava acima da cabeça da criança foi tomado por um fogo esverdeado, e o céu, que estava pintado com tons do fim de tarde, foi lentamente tomado pela escuridão.

Os habitantes da cidade testemunhavam a mudança súbita do clima, à medida que uma escuridão assombrosa engolia tudo ao seu redor.

De maneira sinistra, uma após a outra, as crianças que pairavam no céu foram tomadas por fogo esverdeado.

Suas carnes foram incineradas, e seus ossos viravam pó.

A garota no ombro de Colin abriu abruptamente os olhos e conseguiu aplicar uma cotovelada naquelas costas resistentes, desvencilhando dele.

— Não importa se as coisas foram adiantadas um pouco — disse ela com um sorriso sinistro. — Meus planos não serão estragados por miseráveis como vocês!

Foi a vez do fogo tomar Faekira, fazendo-a passar por uma transformação assustadora.

A antes e frágil Faekira cresceu e ganhou curvas de uma mulher, como um quadril, nádegas e seios exuberantes.

Seus chifres, que eram pequenos e inofensivos, cresceram e se tornaram pontiagudos como lanças, e um terceiro chifre surgiu em sua testa. Sua pele pálida como leite estava coberta por uma armadura negra e imponente.

Seus olhos, uma vez dóceis, agora transbordavam em malícia, e seu cabelo adquiriu uma tonalidade esverdeada, como se fosse feito de chamas.

A imagem da garotinha frágil havia ficado para trás, assumindo agora a forma de uma mulher tão bela quanto aterrorizante.

— Bem melhor agora — Ela inspirou fundo, deixando o ar entrar em seus pulmões. — Que tal uma revanche, Errante?

Colin tirou a lâmina Gram da bainha.

— Mas é claro!

Olá, eu sou o Stuart Graciano!

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