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À medida que a primavera envolvia a terra de Runyra, centenas de caravanas avançavam pelas sinuosas estradas do reino, revelando uma cena que parecia saída de um conto de fadas.

O clima primaveril pintava o cenário com uma paleta de cores vivas e alegres, transformando as paisagens em um espetáculo deslumbrante.

O verde exuberante dos campos se estendia até onde a vista alcançava, cobrindo colinas e vales com um manto de flores silvestres e grama fresca.

As árvores se vestiam com folhas novas e vibrantes, e os riachos cantavam uma sinfonia de água límpida e cristalina.

Os viajantes, vindos dos campos nevados do Sul, estavam extasiados com a beleza que os cercava.

Camponesas e seus filhos, juntos na caravana, observavam com olhares maravilhados, talvez até mesmo com um toque de incredulidade, as maravilhas naturais de Runyra.

Finalmente, após dias de jornada, eles avistaram a lendária cidade do centro-leste, emergindo como um sonho gótico do horizonte.

As construções imponentes, erguidas com pedras escuras e majestosas, alcançavam o céu primaveril. As torres góticas das catedrais se erguiam altas e majestosas, seus vitrais coloridos cintilando sob o sol primaveril como joias preciosas.

Em toda a cidade, bandeiras negras com a imagem de um lobo uivando para uma lua vermelha de sangue tremulavam ao vento.

Os camponeses que acompanhavam a caravana olhavam boquiabertos para essa visão deslumbrante. Para eles, que haviam passado a vida inteira em aldeias e campos, Runyra era como um conto de fadas tornado realidade.

As ruas de paralelepípedos reluziam sob os raios dourados do sol, enquanto os habitantes da cidade se moviam com graciosidade e elegância.

Caminhando pelas ruas, os visitantes eram saudados por perfumes de flores e ervas que pairavam no ar. As catedrais abriam suas portas esculpidas em madeira escura, revelando interiores adornados com vitrais e afrescos que contavam histórias épicas da história da cidade.

À medida que a caravana se aproximava do coração da capital, os sons da vida urbana enchiam seus ouvidos: risos de crianças brincando, vendedores anunciando suas mercadorias e músicos de rua tocando melodias encantadoras.

Era uma sinfonia de vida, e os camponeses da caravana não podiam deixar de sorrir e se sentirem parte daquilo.

A primavera em Runyra não era apenas uma estação do ano, era uma celebração da vida, da cultura e da história do reino. Os visitantes estavam imersos em um mundo de beleza e encanto, e suas mentes se encheram de memórias que levariam consigo para sempre.

Runyra havia conquistado seus corações, e eles estavam prontos para explorar cada canto dessa terra de maravilhas.

Olhando pela janela, até mesmo Brighid ficara impressionada, mas isso não era aparente em seu semblante indiferente fitando a vida urbana atrás da janela da caravana.

— A nossa amiga parece estar fazendo um excelente trabalho aqui, não acha? — indagou Isabella abrindo um sorriso de canto.

Brighid deu de ombros. — É uma cidade bonita, apenas isso.

Isabella afastou uma mecha de cabelo para trás da orelha e forçou seu olhar sedutor.

— Não achei que Santas sentiam ciúmes, isso é novo para mim. Bem, até mesmo mulheres velhas como eu podem aprender uma coisa ou outra.

— Não estou com ciúmes, só não estou vislumbrada como vocês. A arquitetura é bela, mas já vi outras cidades semelhantes. — Brighid ajeitou-se em seu assento e suspirou. — Só quero ver os meus filhos.

Do topo da janela do palácio, Ayla observava a rua principal, seu coração batendo tão forte quanto os tambores de uma marcha cerimonial.

Ela sabia que este momento era inevitável, mas não podia evitar a enxurrada de emoções conflitantes que a invadia.

Enfim, a primeira esposa de seu marido, Brighid, estava chegando ao palácio. Ayla ouviu histórias sobre ela e por isso a respeitava profundamente, sabendo que Brighid era uma mulher de grande caráter e dignidade.

A relação que ela tinha com Colin era complicada e complexa. Ela ansiava pela aceitação de Brighid, e também ansiava que ela se tornasse uma amiga próxima à inimiga dentro de seu próprio palácio.

Ayla sabia que esse encontro poderia moldar o futuro, não apenas de seu relacionamento com Brighid, mas também do reino de Runyra.

Seria um verdadeiro teste de sua habilidade de liderança e compaixão, um desafio que ela estava determinada a superar, apesar do medo e da ansiedade que a consumiam naquele momento crucial.

A porta da sala abriu-se.

— Majestade — chamou Tuly. — Senhorita Isabella e senhorita Brighid devem chegar em alguns minutos.

— Obrigada, Tuly, já estou descendo.

Inspirando fundo novamente, Ayla suspirou. Foi para frente de seu espelho e deu uma última olhada em si.

Ayla estava deslumbrante.

Trajava em um longo vestido branco que caía com graça ao seu redor. Seus cabelos brancos fluíam pelos ombros, e ela exalava um perfume doce e suave. No entanto, apesar de sua beleza, seus olhos traíam seu estado de ânimo.

Eles revelavam uma mistura de medo e ansiedade, uma preocupação persistente com o que Brighid pensaria dela.

Após mais um suspiro, ela apoiou a mão delicadamente em sua barriga e tornou a caminhar para a entrada do palácio.

Na entrada, Elhad, Sashri e Samantha esperavam as caravanas se aproximarem.

Com as mãos nos bolsos, Samantha encarou o semblante sério de Elhad.

— O que foi? — zombou Samantha. — Com medo da mamãe? — Ela retirou uma das mãos dos bolsos e deu dois tapinhas nas costas do amigo. — Relaxa, nervosismo não cai bem em homens calmos como você.

— E o que faz pensar que estou nervoso? — Ele relaxou os ombros. — Estou bem, só um pouco ansioso. Faz um tempo que não vejo minha mãe.

— Aí vem elas — disse Sashri dando um passo à frente.

Uma das caravanas parou frente ao palácio e, de dentro dela, saiu a graciosa Isabella, acompanhada de Brighid. O semblante sério da fada desfez-se ao colocar os olhos naqueles três.

A última vez que se lembrava de ter visto Samantha, ela estava nocauteada após uma luta feroz contra um caçador de monarca, mas ver Elhad e Sashri foi uma surpresa ainda maior, ainda mais pela última conversa que tiveram.

— Pessoal?! — Os olhos dela encheram-se d’água e um sorriso abriu-se em seu sério semblante. — Vocês estão vivos!

Brighid avançou até eles e envolveu os três em um abraço apertado. Ela não conseguiu conter as lágrimas. Desde a queda de Ultan ela teve poucos momentos que a fizeram se sentir aliviada daquela forma.

Ver todos eles vivos e bem a deixou balançada. Era uma sensação nostálgica que a deixava com um extremo bem-estar.

— Ei, ei, você tá forte, Brighid! — brincou Samantha. — Andou levantando peso ou algo assim?

Samantha também se segurou para não desabar em lágrimas, assim como Sashri.

— Eu gostava mais do cabelo esverdeado — brincou Sashri afastando-se dela após o abraço em grupo. — Mas o preto também combina com você, hehe!

A fada retribuiu o elogio com um belo sorriso. — Obrigada! Mas… como você conseguiu sair de Caliman? Elhad me disse que você…

Sashri abanou uma das mãos. — Longa história, uma história perfeita para ser contada com uma garrafa de vinho, não concorda, bonitinha?

Todos os três pararam quando viram Kurth no fundo, acompanhado de Eden e Sylvana. O garoto não havia sido citado nas cartas, e seus amigos não sabiam que ele estava vivo.

— Pirralho?! — exclamou Sashri apontando o indicador para ele. — Vo-Vo-Você… como…

— Essa também é uma longa história — disse Brighid.

Kurth se aproximou e Samantha o abraçou apertado. — O nosso pequeno Kurth cresceu, háhá! Está mais alto que eu!

Sashri deu um leve soco no abdômen dele. — Você também andou malhando, né? Até que você ficou bonito, hehe!

— Ta-também é bom ver vocês… — disse Kurth, corado com todo aquele assédio das companheiras.

— E quem são aqueles dois? — indagou Sashri.

— Aquele é Eden — apresentou Brighid. — O encontrei em um bar e nos tornamos companheiros de viagem. Aquela é Sylvana, a pandoriana de Kurth.

Sashri se aproximou de ambos com as mãos na cintura.

— Acompanhar a senhora perfeição ali deve ter sido um saco, né? — Ela passou a mão pelo ombro de ambos. — Devem estar cansados de viajar, né? A cozinha daqui é enorme e a gente pode pegar o que quiser a qualquer hora do dia, hehe! Vem, vou apresentar para os novatos o castelo!

— O-obrigado! — disse Eden, corado.

— E-Eu não estou com fome… — disse Sylvana baixinho.

A Elfa, apesar de pequena, tinha uma grande presença, deixando os novatos um pouco acuados enquanto ela os levava para os fundos do palácio.

Elhad cruzou olhar com sua mãe, que apenas sorriu e assentiu com a cabeça, e ele fez o mesmo.

— Senhorita Brighid… — A voz de Ayla veio dos fundos e todos ficaram em silêncio. — Tiveram uma viagem tranquila?

Brighid assentiu e forçou um sorriso. — Sim…

Isabella aproximou-se de Elhad, abraçando o braço dele e o de Samantha. — A pequena Elfa comentou sobre uma cozinha cheia e muita bebida, me levem até lá.

Ambas ficaram paradas encarando uma à outra, e Ayla foi a primeira a ceder com um olhar vacilante. — Tuly, você e seus homens, levem essas mulheres e crianças para a parte sul, os deixem nos alojamentos até arrumarmos tudo.

Seu soldado fiel fez uma reverência e assentiu.

— Vamos entrar, senhorita Brighid, acredito que temos muito o que conversar.

A rainha virou-se de costas e caminhou de volta para o palácio com Brighid a seguindo.

Guardas faziam reverência à medida que ela cruzava por eles. Brighid notou os quadros na parede sobre Colin e suas batalhas.

Observou até mesmo os grandiosos retratos dos filhos adotivos do seu marido.

“Espera… aquele não é o Tobi? Como ele…”

Uma porta abriu-se, ouvindo a risada de crianças. Dela, Nailah, Brey e Melyssa saíram segurando livros embaixo dos braços.

 — Meu élfico está ficando melhor que o seu, Nailah! — exclamou Brey portando um sorriso orgulhoso.

— Isso não é verdade — respondeu Melyssa ajeitando os óculos. — Nailah é uma Elfa, você não falará melhor que ela, então pare de ser convencida.

Brey fez beicinho. — Chata…

As três pararam no corredor. Os olhos de Brey e Melyssa arregalados como se tivessem visto um fantasma.

— Ma-mamãe Brighid? — indagou Brey.

— Brey?! É você mesma?

A pequena Brey largou o livro e correu na direção de Brighid que se abaixou para envolvê-la em um abraço apertado.

— Eu sabia! Sabia que você estava viva! — Ela se afastou de Brighid. — Não precisa se preocupar, a gente cuidou muito bem dos nossos irmãozinhos, pergunte a mamãe Ayla!

Melyssa também se aproximou, a abraçando apertado. — O papai disse que você estava viva, eu sabia que voltaria!

Brighid ficava cada vez mais surpresa. Quase todos com quem ela se importava estavam na cidade, até mesmo aquelas crianças que Colin tinha tanto carinho. Era como se todos tivessem sido atraídos para a grande capital.

— Quem é ela? — indagou Brighid encarando Nailah encolhida no canto.

Brey foi até Nailah e pegou sua mão, levando-a até a fada.

— Essa é Nailah, e Nailah, essa também é nossa mãe, Brighid!

A pequena Elfa ainda continuava tímida e Brighid apenas afagou os cabelos dela.

— Oi, Nailah, como vai? — exclamou Brighid curvada com as mãos nos joelhos.

A pequena encarou Brighid nos olhos, e sentiu uma paz indescritível, como se nada naquele mundo a preocupasse e suas memórias ruins desaparecessem.

— O-oi…

— Aonde vão? — indagou a energética Brey. — Vão ver nossos irmãos? A gente pode ir? Por favor, por favor, por favor!

Brighid não soube como agir, e então olhou para Ayla.

— Logo vai escurecer, por que não vão tomar um banho? — disse Ayla com um sorriso gentil. — Aproveitem e avisem aos outros que teremos um jantar especial!

— Isso! — Brey puxou a mão de Nailah e Melyssa. — Nem passarei na cozinha, gastarei todas as minhas forças no jantar!

As três sumiram no corredor e elas continuaram a caminhar.

— Lina veio com eles.

Brighid não cansava de se surpreender.

— Lina… então ela também está aqui. — Sem perceber, ela estava sorrindo. — Colin deve ter ficado feliz de tê-los aqui…

— Ficou… acho que eles o ajudaram a se manter são… — Pararam em frente a uma porta. — Eles estão aqui… dei uma olhada neles antes de descer.

A porta foi aberta.

Era um quarto pequeno, mas muito bem decorado com papéis de parede azuis e branco. Havia três berços e uma montanha de brinquedos no canto.

Uma serva de Ayla estava sentada na cadeira lendo um livro. Ela ergueu-se, fechou o livro e fez uma reverência.

— Eles acordaram? — sussurrou Ayla.

A serva fez que não.

Brighid, finalmente reencontrando-os após meses longos e angustiantes, aproximou-se dos berços onde seus três preciosos filhos repousavam em um sono tranquilo.

Seus olhos marejaram de emoção ao vê-los ali, tão serenos e inocentes. Ela não podia evitar as lágrimas, mas as derramava silenciosamente, temendo acordá-los com o som de sua felicidade contida.

Com uma mão sobre a boca, como se estivesse segurando o choro, Brighid acariciou gentilmente cada um deles. Seus dedos roçavam as pequenas mãos, as bochechinhas gordas e os cabelos macios.

Cada toque era uma confirmação de que eles estavam bem, saudáveis e seguros.

Ela passou de berço em berço, observando cada rostinho angelical. Os sentimentos que a inundaram eram complexos: alívio, alegria, gratidão e um amor avassalador que transbordava de seu coração.

O alívio era como um bálsamo para sua alma.

Havia passado por tantas provações, enfrentado desafios inimagináveis, mas agora estava ali, diante de sua maior dádiva, seus filhos.

Eles eram a razão de sua luta, a razão de sua resiliência, e vê-los ali, em segurança, era a recompensa que ela ansiava.

As lágrimas continuaram a cair, mas eram lágrimas de felicidade. Então se afastou, indo para fora do quarto e limpando as lágrimas com as costas das mãos.

Seu coração estava calmo, sentia seu corpo mais leve, mas uma coisa ainda estava faltando.

— Colin não retornou da missão, né?

Ayla desviou o olhar e fez que não com a cabeça.

— Desculpa, mas não sei quando ele irá retornar…

— Tudo bem, é do Colin que estamos falando, ele sempre volta.

— Sim… — Ayla ainda se sentia um tanto intimidada por Brighid. A fada era linda, todo mundo parecia gostar dela e até mesmo uma religião havia sido criada em sua homenagem.

Ela não sentia que estavam no mesmo nível, e temia que o fato de ter se casado com o marido dela fosse um grande empecilho naquela aproximação.

— Brighid… minha sala fica logo à frente, a gente pode conversar lá, mas se quiser um tempo para ficar com seus filhos, eu entenderei.

— Está tudo bem, não se preocupe — disse, terminando de enxugar as lágrimas. — Vamos até lá conversar.

Ayla assentiu, engolindo em seco. 

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Olá, eu sou Stuart Graciano!

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