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Casas pequenas foram construídas as pressas, e lá Colin passou alguns dias, descansando.

Leona de Heilee ajudaram na reconstrução durante todos aqueles dias. A habilidade delas foi de suma importância.

A porta daquela choupana se abriu, e quem adentrou foi Vallkuna, que agora não passava de uma deusa de baixo nível.

— Finalmente acordou — disse ela sentando-se ao lado da cama.

— Por quanto tempo dormi? — perguntou.

— Não sei… cinco dias talvez.

— Tudo isso? Caramba… eu estava mesmo detonado.

— Obrigada por nos salvar, devorador de devoradores.

Colin sentou-se na cama e coçou a nuca.

— Você é a deusa dos ventos, né? O que acontece agora?

Ela abanou uma das mãos. — Não sou mais deusa, garoto, não a ponto de estar à frente de tudo isso. Bom, com o plano astral sem o verdadeiro devorador, as coisas devem se acalmar. Os quatro grandes deuses desse plano também não existem mais, então as coisas vão se ajeitar com o tempo. Tudo irá convergir para o equilíbrio que o devorador quebrou.

— Entendi…

— Me responda uma coisa, como conseguiu domar uma Antares?

— Ah, isso? Fiz um acordo com ela, um pacto. Ela viveria em um plano simulado dentro desse anel, e às vezes eu a deixaria sair em troca de usar toda mana dela, mas é mana demais, mesmo o meu corpo não conseguiria resistir. E bem, quando firmamos o pacto, foi como se eu tivesse sentido o lihium novamente, a sensação de torpor foi semelhante. Me senti flutuando em águas calmas, nu, e acima de mim estava o céu. Num estalar de dedos, tudo desapareceu e eu me vi frente a uma árvore enorme, troncos grossos. Ela era tão alta que eu não conseguia ver o fim… eu a toquei e, quando percebi, finalmente havia me tornado um monarca da pujança.

Vallkuna assentiu.

— Uma aventura e tanto.

— É… acho que foi. — Ele levantou-se da cama. — Preciso encontrar Heilee e Leona. Uma de minhas esposas está grávida, acho que ela ainda não pariu. Devo chegar lá antes do parto.

Vallkuna também se ergueu. — Certo, vem, vamos ver o vilarejo.

Eles saíram da choupana e caminharam. As casas eram simples, feitas de madeira e palha, mas tinham um charme rústico.

O céu do plano astral estava limpo, e era possível avistar as raízes da grande árvore correndo por todo vasto horizonte, desaparecendo de vista.

O ar estava fresco e perfumado pelas flores silvestres e radiantes, únicas daquele plano. Colin respirou fundo e sentiu uma paz interior.

As pessoas do vilarejo o saudaram com sorrisos e acenos. Alguns se aproximaram para agradecer-lhe por derrotar o devorador e libertado o plano astral. Outros lhe ofereceram presentes, como frutas, pães, queijos e vinhos.

Com a postura de um rei benevolente, Colin agradeceu a todos com humildade e gentileza. Ele não se sentia um herói, apenas alguém que fez o que era certo.

Avistou Heilee e Leona trabalhando em uma das casas. Elas estavam usando suas habilidades mágicas para consertar o telhado e as paredes.

Heilee manipulava a terra, moldando a argila. Leona usava o calor de seus raios para secar e endurecer a argila. Trabalhavam em sincronia, como se fossem uma só.

Assim que o avistaram, elas acenaram com sorriso.

— Estamos em cima de um deus morto? — indagou Colin a Vallkuna.

— Foi o maior que encontramos.

— E quanto aos Githyanki, eles ainda podem aparecer, né?

— Não dá para resolver todos os problemas do mundo, nem mesmo homens poderosos como você tem esse poder. Eu diria que eles podem ainda dar um pouco de trabalho, afinal, esse lugar não tem fim. Githyanki não será o único ser que nos dará dor de cabeça.

Ele coçou a nuca e suspirou. — Certo… agora tenho que pensar em como voltar, já que o cara que me trouxe aqui não me disse como fazer isso.

— Bom, podemos executar o ritual de banimento temporário se preferir, o mandaremos direto para o seu plano de origem.

— Acho que não tem outro jeito.

— Senhor Colin! — Sirela se jogou nos braços dele, abraçando-o apertado. — O senhor finalmente acordou! Acabei de preparar pães frescos, por que não vem comer?

— Agradeço, mas tenho que ir, Sirela.

Ela se afastou, entristecendo seu semblante. — Mas o senhor acabou de acordar…

— Eu sei, mas tenho que resolver os problemas em meu plano agora…

— Ah… tudo bem…

Ele bagunçou o cabelo dela.

— Volto assim que tudo estiver resolvido, prometo.

Ela assentiu com um sorriso.

— Tá!


Os três estavam no círculo mágico, e entorno algumas pessoas realizavam o ritual, murmurando o encantamento. Sirela se aproximou, entregando uma pulseira a ele.

— Para você, senhor Colin! — Ela corou. — Um presente meu, eu mesma quem fez!

— Obrigado, Sirela, muita gentileza sua.

Leona franziu o cenho e fez beicinho.

— É para o senhor… se lembrar de mim… quer dizer, se lembrar da gente, do pessoal do plano astral, dos amigos que fez aqui… e ela também dá sorte!

— Mais uma vez, obrigado, Sirela.

Ainda corada, ela assentiu.

— Até mais, Senhor Colin, Heilee, Leona, foi incrível passar um tempo com vocês, nunca vou me esquecer!

— Se cuida Sirela — agradeceu Heilee.

— É, se cuida — disse Leona. — E mestre Colin não precisa de mais uma esposa!

Sirela abriu um sorriso sem graça enquanto abanava a mão em um tchau.

O círculo mágico os engoliu, os mandando novamente para o plano da raiz, bem onde estavam antes de irem ao plano astral, uma alta colina verdejante, com a brisa soprando em seus rostos.

Havia uma lua cheia no céu, e Colin sentiu paz.

— Da última vez, esse lugar estava cheio de neve, não estava? — indagou Leona com as mãos na anca.

— Acho que sim… bem, como vamos voltar para capital? — indagou Heilee.

— Andando — respondeu Colin. — Quero ver como as coisas ficaram no tempo que fiquei fora.


A noite era calma e serena, e eles caminhavam pelas estradas ladrilhadas que serpenteavam pelo campo. Carruagens passavam de um lado para o outro, repletas de suprimentos e mercadorias, enquanto transeuntes acenavam para aquele trio.

As estradas estavam seguras, e o luar banhava os vales verdes e as pradarias ao redor. A paisagem era um espetáculo tranquilo e sereno, contrastando com a agitação do dia que agora cedia espaço à quietude noturna.

À medida que se aproximavam da capital de Runyra, as luzes brilhavam como estrelas distantes no horizonte. A cidade estava viva, cheia de vida mesmo durante a noite.

Ao se aproximarem dos portões da cidade, os soldados de Runyra reconheceram imediatamente seu rei.

— Ma-majestade? — gaguejou um dos soldados. Ele era novato. 

Em um gesto de respeito, abriram caminho, permitindo que Colin e suas companheiras avançassem sem obstáculos. O rei de Runyra, com seu porte majestoso, era quase uma lenda para muitos, e a visão dele retornando ao coração do reino era uma cena que muitos ansiavam ver.

Os sons da cidade eram suaves, uma mistura sutil de vozes, risos e o ocasional tropel de cavalos. A capital estava decorada com luzes coloridas, contrastando os detalhes arquitetônicos góticos das torres com pontas finas como agulhas.

Ele caminhou até as portas do palácio, sendo recebido por Tuly, que em vez da armadura usava vestes de um nobre. Atrás dele estavam outros soldados, e assim que Colin se aproximou, todos curvaram seu corpo em reverência.

— Bem-vindo de volta, senhor.

— Tuly, como vão às coisas? — Abrindo um sorriso zombeteiro, Colin apoiou a mão no queixo. — Foi promovido ou algo assim?

— Bem… ficou incumbido a mim o comando da guarda da cidade no período em que ficou fora…  

Leona deu um passo para frente do soldado. — Tuly, tem rato frito, não tem?

— Acredito que, se for à cozinha, a senhorita irá encontrar… sempre guardam um estoque de ratos para a senhorita.

— Isso! — Ela pegou a mão de Heilee. — Vem, vamos comer rato frito!

— Eu não quero comer isso, é nojento!

— Tá, come o que quiser, frango, porco, sei lá, deixa o mestre Colin com essa chatice, ele provavelmente vai precisar fazer um relatório para Ayla, odeio essa merda burocrática.

Arrastando Heilee pelo pulso, aquelas duas desapareceram ao adentrar o palácio.

— Então foi mesmo promovido — disse Colin. — Entendi, bem, você merece. Minha esposa está? E a propósito, meu filho já nasceu?

— Ainda não nasceu, senhor… acredito que faltem dois meses, e sim, vossas majestades se encontram no palácio.

Colin ergueu uma das sobrancelhas. 

— Vossas majestades?

Tuly assentiu. — Senhora Brighid chegou faz algum tempo.

Ele engoliu em seco. — Brighid está aqui? Espera, ela… está com as crianças?

— Muita coisa aconteceu desde sua partida, senhor… acredito que queira ouvir os ocorridos da boca das rainhas.

— Claro… bem, eu vou indo, então… continue o excelente trabalho. — Colin deu dois tapinhas no ombro dele.

O rei avançou, os soldados abriram espaço. As portas do palácio foram abertas e ele foi arrebatado pela magnificência arquitetônica daquele lugar. O mármore branco, o papel de parede, os quadros sobre si e suas batalhas, deixaram tudo ainda mais incrível.

— Caramba… isso sou eu? — balbuciou, vendo um enorme quadro de quando enfrentou o líder dos caçadores de espectros.

Os servos do palácio faziam reverência conforme ele passava, subindo as escadas circulares até o quarto andar do castelo.

Assim que chegou, ouviu uma voz familiar no seu ouvido.

— Olha só, se não é o meu bonitinho favorito! — Assim que ele se virou, Jane se jogou em seus braços. — Fiquei com saudade, sabia? Como foi no plano astral?

— Foi bom, consegui Claymore por inteiro e me tornei um Monarca da pujança. E aqui, ocorreu tudo bem?

— Claro que ocorreu, o que poderia dar errado comigo aqui? — Jane deu um beijo no rosto dele e chegou os lábios perto de seu ouvido. — Você saiu e deixou tudo nas mãos da bonitinha de cabelo branco, isso a deixou bem chateada, sabia? Sorte que a outra bonitinha apareceu. Se eu fosse você, me desculparia. Elas te amam, vão aceitar as desculpas e esquecer isso. Não tem nada mais fácil de enganar do que uma pessoa apaixonada.

— Eu não estaria enganando ninguém… eu… realmente me sinto culpado de ter partido assim e deixado a guerra contra os países que dominaram Ultan nas mãos dela…

— Claro, claro, vou fingir que você não estava a testando… e a propósito, ela se saiu melhor do que o esperado, ficaria surpreso com o que ela conseguiu, meu rei, ou devo te chamar de imperador? Vá lá dentro dar satisfação àquelas cadelinhas, e depois disso quero ouvir da sua boca tudo que aconteceu, detalhe por detalhe. — Ela se afastou com as mãos nos ombros dele. — Afinal, sou responsável por você, o meu garotinho que está finalmente se tornando um homem.

Deu outro beijo na bochecha dele e se afastou, descendo as escadas, exalando sensualidade.

Colin deu de ombros e começou a andar pelo corredor, cada passo carregado de antecipação. Ouviu vozes ao se aproximar da porta, risadas de crianças, e uma voz que ele não ouvia há mais de um ano, a voz doce de Brighid que também estava misturada às risadas.

Ele engoliu em seco, apoiou a mão na maçaneta e a abriu.  

Olá, eu sou o Stuart Graciano!

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