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Antes que Colin pudesse avançar, cinco bandidos o cercaram, fechando um anel humano e o encurralando. Um dos bandidos brandiu sua espada e avançou pelas laterais, fazendo um movimento de arco diagonal. Colin se abaixou por pouco e tentou acertar seu adversário com sua cimitarra, mas ele recuou a tempo, fazendo as duas lâminas tilintarem.

Ting!

Outro bandido que vinha por trás aproveitou a guarda aberta de seu oponente e puxou a corda de seu arco, lançando a flecha diretamente no ombro de Colin. Para a surpresa deles, a flecha rebateu assim que entrou em contato com a pele de Colin, como se o próprio fosse uma armadura.

Ninguém havia entendido direito o que aconteceu, mas Colin, sim. Seu palpite estava correto, usuários da árvore da pujança, não eram afetados pela ante magia.

Precavidos, os bandidos deram dois passos para trás apertando o cabo de suas armas.

Eles estavam o encurralando, mas o que sentiram foi totalmente o aposto. Era como se aquele homem no centro do anel humano fosse um lobo e eles os cordeiros. Tendo ciência que suas habilidades físicas estavam em pleno funcionamento, Colin decidiu atacar sem medo.

Avançou em direção do homem a sua frente em uma disparada tão rápida que seu oponente mal teve tempo de reagir. Colin apoiou a palma de sua mão sobre a cabeça dele e o ergueu do chão. O bandido, com os pés pedalando no ar, tentou acertar seu captor no pescoço algumas vezes, até que sua espada se quebrou tentando atravessar a pele dura de Colin.

Encarar aquela cena era um motivo de pavor entre os bandidos. Para destilar ainda mais pavor no coração de seus inimigos, Colin esmagou o crânio do homem, sangue e miolos foram lançados para todo lado, como se tivessem explodido de dentro pra fora.

O corpo de seu oponente caiu no chão, tendo espasmos involuntários.

Outro dos bandidos girou uma corrente, agarrando o braço de Colin, e Colin puxou a corrente abruptamente. O bandido cambaleou para frente com a força do repelão e Colin o socou na cabeça, forçando-o contra o chão.

 Crash!

Mais um crânio havia sido esmagado.

O mais assustador era o olhar de Colin, ele parecia estar gostando daquilo.

Largando as armas, os homens ao redor começaram a correr desesperados para dentro da floresta, deixando os suprimentos, o ouro e os alunos.

O brutamontes, líder dos salteadores, se aproximava com a enorme espada montante em um de seus ombros. Diferente de seus homens, ele não estava com medo, muito menos impressionado com a brutalidade e força de Colin.

— Quem diria que haveria outro usuário da pujança por aqui. — Com uma jogada de ombro, ele empunhou sua espada, erguendo-a em direção a Colin — Se você se juntar a mim, terá todo ouro e quantas mulheres quiser, dos mais variados tipos e raças, o que me diz?

Colin abriu um sorriso de canto.

— Tentadora proposta, mas eu recuso.

— Entendi. — O brutamontes se preparava para o combate direto — Você é o tipo de homem que não é atraído por ouro ou mulheres, não é? É o tipo que eu mais odeio! Farei questão de cagar sobre o seu cadáver, elfo negro maldito!

Sem perder mais tempo, Colin correu até o brutamontes que não parava de sorrir. Ele girou a cimitarra pelo cabo e tentou atingir seu oponente com um corte arqueado na cintura, mas ele foi repelido por aquela espada longa de duas mãos que o líder portava.

Ting! 

A força do rebote foi brutal o suficiente para tirar Colin do chão e lançá-lo há alguns metros de distância.

Toda a cimitarra vibrava, e era nítido que ela não aguentaria mais um golpe como aquele.

O brutamontes havia aplicado um golpe com quase toda sua força, visando cortar Colin ao meio, mas ele havia resistido sem dano algum.

Irado, o brutamontes girou a enorme espada pelo cabo e avançou até Colin, que desviou daquele golpe que veio de cima pra baixo, enterrando a espada no chão.

Bam!

Puxando a espada, o brutamontes tentou acertar Colin mais uma vez, mas ele saltou para trás, fazendo com que a enorme espada que zunia como nunca cortasse apenas uma mecha de seu cabelo.

As investidas do brutamontes não pararam por ali.

Ele girava a espada descontroladamente, em todas as direções que seus enormes braços poderiam alcançar.

Woosh! Woosh! Woosh!

Pareciam movimentos descontrolados e sem sentido, mas a precisão deles era potente o suficiente, que se aplicada com maestria, poderia cortar Colin ao meio.

Astuto, o brutamontes fez Colin recuar até que ele ficasse de costas para um morro de rochas. Cingiu a espada sob sua cabeça e as veias de seu braço saltaram. Foi quando ele desceu a espada em direção ao crânio de Colin com toda sua força.

Estrondo!

 Os pés de Colin haviam afundado no chão, e por sorte ou por seu reflexo invejável, Colin havia parado a espada com as palmas de suas mãos.

Os dois estavam disputando força. O brutamontes forçando a espada para baixo e Colin interrompendo o processo segurando nas laterais planas.

Cerrando os dentes, o brutamontes exerceu ainda mais força e Colin sentiu que se não fizesse nada acabaria perdendo aquela disputa. Rapidamente, Colin forçou a enorme espada para o lado e ela enterrou-se no chão.

Clang!

Antes do brutamontes o atingir, ele havia cravado sua cimitarra no solo fofo ao seu lado, e agora, com o brutamontes expondo sua guarda, Colin apoiou a ponta de sua bota no guarda mão da cimitarra e a puxou para cima, pegando-a no ar e avançando em direção ao brutamonte com um salto, fazendo um corte profundo em seu tórax.

Crash!

— Ainda dá tempo de desistir. — debochou Colin limpando o sangue da cimitarra com um movimento abrupto, resvalando sangue no chão.

Furioso, o brutamonte retirou sua espada do solo fofo e avançou em direção a Colin, batendo seus pés grossos no chão, correndo descontroladamente como se estivesse entorpecido.

Era um golpe previsível.

Usou o pé direito para ganhar impulso no giro e tentou cortar Colin ao meio na horizontal.

Sem muitos problemas, Colin se abaixou, percebendo que os golpes de seu oponente estavam mais lentos, mas seu oponente não parou por aí, ele continuou brandindo sua espada de um lado para o outro.

Woosh! Woosh!

Acostumado em ler padrões, Colin não teve mais tanta dificuldade para desviar daqueles golpes tão imprevisíveis no começo da luta.

Quando o brutamontes atacava por cima, seu intervalo de tempo era bem pequeno, porém, perceptível. Logo depois de atacar por cima, ele sempre atacava pela direita. Julgando a posição da mão direita dele na base da espada, Colin sabia que ele teria mais força nos giros vindos pela esquerda, e se estivesse parado, ele atacaria pela direita. Seus pés também se moviam muito, e pela posição eles denunciavam para onde o brutamontes atacaria.

Mais uma vez, o brutamonte atacou de cima para baixo, cravando sua espada no chão, mas antes que pudesse a retirar, Colin pisou em cima do guarda mão.

O olhar deles se cruzou.

Antes que o brutamontes pudesse fazer algo, Colin moveu sua cimitarra em um movimento limpo como o bote de uma serpente, arrancando as mãos de seu oponente.

Crash!

A enorme espada caiu no chão e o campo de força se desfez.

Andando para trás com os punhos decepados jorrando sangue, o brutamontes ficou apavorado quando a redoma roxa em volta do acampamento desapareceu.
Desesperado e sem as mãos, o brutamontes, em um movimento imprudente, tentou acertar Colin com o toco de seus punhos, mas desta vez foi seu braço que voou para longe.

A cimitarra na mão de Colin emanava uma mana sinistra, diferente dos raios azuis convencionais, ele emanou uma luz que oscilava entre o roxo e o preto, então, com o giro da cimitarra, Colin degolou o homem e seu corpo robusto veio ao chão num baque.

Bam!

Sua tatuagem parecia vibrar. Diferente das vezes que ele sentia somente uma parte do antebraço, desta vez começou a sentir no braço todo. Arregaçando rapidamente a manga da blusa, ele notou que de fato sua tatuagem estava maior.

“Que merda é essa!”

Retirando a espada do peito de um bandido, Wiben encarou Colin e fez que sim com a cabeça. Ele se aproximou jogando sua adaga fora e apoiando as duas mãos no bolso.

Vendo Wiben se aproximar, Colin desceu as mangas da blusa. Era melhor evitar perguntas no momento.

O brutamontes era mesmo um homem grande, Wiben o encarou de perto, analisando as tatuagens tribais em seu corpo musculoso.

— Bom trabalho… — disse Wiben meio sem jeito — Achei que não fosse vencer e imploraria por minha ajuda.

— Até parece. — Colin fez uma pausa — Você tem bons movimentos, não achei que você fosse grande coisa.

Wiben deu de ombros.

— Ninguém nunca acha. Nossas brigas foram com os punhos, mas sou melhor usando lâminas, e essa é nossa terceira excursão, estamos acostumados a lutar contra bandidos.

Colin olhou ao redor analisando os cadáveres dos bandidos.

— Já enfrentaram pessoas que tivessem armas ante magia?

— Não. Essa foi a primeira vez. Forjar esse tipo de arma e minerar essas pedras que anulam magia dão muito trabalho, por isso custam uma fortuna. — Wiben se agachou, e com a ponta dos dedos retirou a pedra do punhal — Com certeza alguém podre de rico mandou fabricar isso. — disse ele a analisando — O material é bom, mas isso fede a magia antiga. Isso é trabalho de um profissional, e dos bons.

— Acha que a gente deve continuar com a missão ou voltar para a capital?

— Mesmo se voltássemos, ninguém os ajudaria. O imperador deixa bem claro que a viagem é por conta dos alunos e dos camponeses, sem ajuda de soldados nem nada do tipo.

Colin apontou para os corpos de alguns alunos.

— Não devíamos levar ao menos os corpos de volta?

— Para quê? Eles assinaram um termo de ciência. Infelizmente aconteceu uma fatalidade, mas não tem muito o que possamos fazer em uma situação como essa.

— Vamos ao menos enterrar os corpos então.

Wiben deu de ombros.

— Você quem sabe…

Samantha correu até Wiben e se assustou quando viu ele e Colin tão próximos. Diferente do namorado, ela ainda estava um pouco traumatizada com o último encontro que tiveram.

Balançando a cabeça, Samantha criou coragem para falar com Colin.

— Seus amigos…

Colin arregalou os olhos imaginando o pior e Samantha sacudiu as mãos o tranquilizando.

— Não é nada disso, eles estão bem, só um pouco feridos.

Ufa!

Wiben lançou a pedra mágica para Samantha e ela a apanhou, analisando-a cuidadosamente.

— O que você acha? — perguntou ele.

— Bem… —  ela a analisava meticulosamente — É um trabalho bem feito. Provavelmente não foi realizado por um ourives comum, mas sim um feiticeiro com o ofício em forjar armas mágicas. É bizarro o traço de magia que vem disso daqui.

— Foi o que pensei — Wiben alisou a nuca — Tem alguém armando os bandidos com ante magia para atacar as caravanas que vem da capital. Provavelmente um outro império, ou alguém bem abastado.

— Poderia ser alguém do próprio império. — disse Colin.

Os dois o encararam com os olhos arregalados. Nunca passou pela cabeça deles essa possibilidade.

— Traição? — Wiben apoiou a mão no queixo — No império de Ultan? Acho meio distante esta ideia…

— Faz sentido… — disse Samantha voltando os olhos para a pedra — O imperador é bastante poderoso, ele com certeza tem inimigos na corte. Os aldeões vão e vem, trazendo suprimentos para a cidade. Eles praticamente abastecem centenas de casas e famílias. Se eu fosse inimiga do império, essa seria uma estratégia válida a se usar.

Wiben cruzou os braços e fez que sim com a cabeça.

— Inanição? — perguntou franzindo o cenho — “Eles” pretendiam matar a cidade de fome? Mas isso demoraria demais, seria perda de tempo.

— Talvez nem tanto — Colin coçou o queixo — Se o objetivo deles talvez fosse ascender no povo uma insatisfação contra o império, a fome seria só um bônus. Com caravanas sendo saqueadas, se tornaria mais difícil alimentar uma população tão gigantesca como a da capital. Eles teriam que investir em excursões bem mais protegidas e os impostos poderiam aumentar para suprir esse investimento. Talvez eles aumentariam o número de alunos em excursões e consequentemente os bandidos aumentariam. Isso viraria uma bola de neve, e na pior das hipóteses, se tornaria uma guerra civil e, uma guerra interna é tudo que os inimigos precisam para invadirem os portões da capital. Não são exércitos inimigos ou soldados bem equipados que dão medo, mas sim, um povo insatisfeito.

Pensativos, eles estavam pensando em levar o que Colin disse como verdade, mas eles eram somente alunos comuns e, apesar de Samantha ser filha do comandante da guarda, seu pai poderia sofrer as consequências se alguém de dentro do império ficasse sabendo que partiu dela tal ideia de uma traição interna. Se as acusações viessem à tona, ela e sua família se tornaria uma peça descartável naquele jogo político.

— Posso pedir algo para vocês? — ela indagou — Por favor, preciso que mantenham isso entre nós. Se isso vazar… pode atingir o meu pai e eu não quero que isso aconteça…

— Tudo bem… — Wiben encarou Colin.

— Eu não vou dizer nada. — disse ele — Mas com tudo isso em mente, pretendem seguir em frente ou retornar? Devem ter outros bandidos como estes pelo caminho.

— Temos que continuar — disse ela — O império não dá a mínima para essas pessoas, mesmo que elas alimentem a cidade. Aqueles que não puderem continuar deverão ser deixados no próximo vilarejo para retornarem o mais breve possível a capital.

— Por mim, tudo bem. — disse Colin indo em direção ao acampamento — Irei juntar os corpos para serem entregues as famílias, mesmo que vocês achem isso inútil. Acho que se fossem vocês, suas famílias gostariam ao menos de enterrá-los.

— Eu vou com você. — disse Samantha. Wiben revirou os olhos, seguindo a namorada.

— Espera, isso é seu! — Samantha entregou a pedra para Colin — Foi você quem derrotou o líder, não foi? Nada mais justo. — Ela olhou para a enorme espada no chão — Não devia levá-la? Poderia ser útil para você.

Colin fez que não com a cabeça.

— Poderíamos vender, mas espadas de duas mãos não fazem o meu estilo. Melhor que eu guarde a pedra e a use junto a uma adaga.

— Você quem sabe…

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Depois de algum tempo, juntaram onze corpos. Eram todos jovens que tiveram sua vida interrompida inesperadamente.

Os feridos somavam mais de vinte, incluindo estudantes e camponeses. Depois de uma conversa com os estudantes, todos decidiram ficar no vilarejo mais próximo e retornar para a capital, com exceção de Wiben, Samantha, Kurth, Alunys e Colin.

Os camponeses não se importaram muito, pois, eles viram aqueles três lutarem bravamente contra os bandidos, e eles tiveram certeza que eles eram bem melhores que soldados comuns.

Liena e seu irmão Loaus estavam mais afastados, conversando entre si. Liena queria retornar o mais rápido possível para o império, mas Loaus era contra. Ele viu aqueles jovens lutarem pela janela do vidro. Nenhum outro tutor ou sábio os ensinaria a lutar daquela forma. Sem contar o fato de que se voltassem, correriam o risco de jamais sair do castelo novamente, então decidiu ficar e aprender tudo que fosse possível.

Cedendo aos desejos do irmão, Liena concordou em ficar. Ela também viu a luta através da janela de vidro, e também observou Samantha lutar sem muita dificuldade contra homens com o dobro de seu tamanho.

Apesar de sua irmã mais velha comandar uma guilda, ela nunca tinha visto uma mulher lutar daquela maneira.

Nasceu ali uma admiração silenciosa.

Sua única proficiência era com a escova de cabelo ou com uma pena escrevendo pergaminhos. Ela queria bem mais, ser tão forte quanto aquela mulher que ela viu lutar, e assim como Loaus, ela viu ali uma oportunidade de aprender algo útil.

Liena sabia que seus irmãos e seu pai eram somente respeitados por serem fortes. Sabia que diplomacia era sem dúvidas algo importante, mas a força era crucial para comandar o império.

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Ninguém mais conseguiu dormir durante à noite.

Os mortos foram colocados em uma caravana a parte, e enfim partiram rumo ao próximo vilarejo.  Mesmo que eles tivessem tido uma vitória na noite passada, foi a custo de muitas vidas inocentes.
Colin começou a ver Wiben e Samantha com outros olhos.

Começou a enxergá-los como colegas de trabalho. Ambos eram fortes, e em uma situação de vida ou morte teria que confiar neles. Mesmo com tudo isso, a angústia no peito de Colin parecia não diminuir. Algo sombrio parecia os observar da escuridão que pairava sob a floresta.

Colin sabia que algo pior rastejava floresta adentro, mas, ao mesmo tempo que estava com medo, ele se sentia empolgado.

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Olá, eu sou Stuart Graciano!

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