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Enquanto eu observava aquela paisagem inóspita, escutei a voz de Louga vindo do dispositivo de chamada.

— Marlon, estamos prontos para ir. Cadê você?

Após ter contemplado poeticamente a paisagem, dirigi-me ao local onde todos estavam reunidos. Encontravam-se prontos para prosseguir no caminho, um trajeto doloroso, porém necessário.

Todos estavam exaustos, no entanto, naquele momento, parar simplesmente não era uma opção. Estávamos nos aproximando do fim, e a esperança de finalmente concluir a missão servia como combustível para nossos pensamentos.

Passamos mais algumas horas caminhando, fazendo pequenas pausas ao longo do caminho, até finalmente alcançarmos o centro da cidade. Assim como todo o trajeto, o centro encontrava-se em completa destruição. Prédios, casas, lojas, tudo estava arruinado.

Observamos o local e decidimos explorá-lo um pouco, na esperança talvez de encontrar vestígios de vida, embora soubéssemos que era praticamente impossível. Em meio a essa ação, conscientes do resultado provável, talvez seja apenas um resquício de nossa determinação persistente, embora eu já soubesse, no fundo, que era uma tolice.

Enquanto explorava o local, me deparei com uma loja de livros. Sem hesitar, entrei. Apesar da devastação ao redor, a loja ainda mantinha sua estrutura de pé, quase como um milagre. As prateleiras quebradas jaziam pelo chão, os livros estavam sujos e as janelas estilhaçadas espalhavam cacos de vidro pelo ambiente.

Atrás do balcão, que ficava de frente à entrada, avistei um livro. Não era um livro qualquer. Estava impecável, com uma capa preta e dura, adornada com um símbolo de um olho centralizado, além de detalhes dourados ao redor. Peguei o livro e o coloquei na minha mochila, entre os cilindros de oxigênio.

Após fazer a descoberta, saí da loja e me reencontrei com minha equipe. Todos expressaram sua frustração por não terem encontrado nada de útil; a decepção era evidente em seus olhares. Optei por não mencionar o livro, considerando-o algo não tão relevante a ponto de ser compartilhado.

Sem muitas opções, simplesmente continuamos nosso caminho. No entanto, algo chamou nossa atenção.

Uma claridade dominou toda a região ao nosso redor, enquanto nossos pés eram sacudidos por um tremor constante. Ao voltarmos nossos olhares para trás, na direção possivelmente da causa, nos deparamos com algo assustador: uma grande fumaça luminosa em forma de cogumelo. O simples vislumbre daquilo foi o suficiente para que minha mente fosse invadida por uma enxurrada de pensamentos sombrios.

Olhei para Karley e vi o pavor estampado em seu rosto, refletindo exatamente o que eu estava sentindo. A explosão parecia vir da direção pela qual tínhamos passado. Havia uma alta probabilidade, que provavelmente Karley também considerou, de que o reator nuclear… poderia ter sido a causa daquilo.

— Você está bem? Parece abalado — Vurg perguntou, após colocar sua mão no ombro de Karley.

— Sim… É que deu até um medinho, né? Mas devemos ignorar e continuarmos, falta pouco. — Karley tentou desviar a conversa.

Eles não tinham conhecimento sobre o reator, e mencioná-lo em um momento tão delicado só serviria para aumentar a aflição. Assim, sensatamente, eu e Karley optamos por não dizer nada e simplesmente seguir adiante.

— Será que foi uma fábrica? — Louga perguntou com as mão na frente do rosto tampando a luz.

— Provável que seja… — Vurg confirma, dando as costas para a gigante fumaça.

— É bonito — Nukes murmurou, admirando o cogumelo que se erguia pelo o céu.

Após a breve pausa para admirar, retomamos nossa jornada. Passamos mais algumas horas caminhando, encontrando apenas destroços, destroços e mais destroços pelo caminho. Durante todo o percurso, minha mente trabalhava incessantemente, tentando deduzir o motivo pelo qual Caliper estava tão devastada. A possibilidade mais plausível que consegui conceber foram os desastres naturais.

A diminuição drástica e repentina do oxigênio pode ter desencadeado alguns desastres naturais que antes não eram comuns. Um exemplo disso era a chuva ácida, algo que raramente ocorria, mas que agora parecia ser uma ocorrência muito mais frequente.

Enquanto eu me enredava em minhas teorias malucas sobre a situação da cidade, que temporariamente me faziam esquecer a possível tragédia, chegamos a uma instalação.

Ela estava no meio da cidade, o que era estranho, pois, até onde sabíamos, as instalações governamentais ficavam a dez quilômetros de distância do extremo urbano. O número “01”, escrito em tinta preta, destacava-se, enquanto o metal corroído em tons amarelos era de fazer arrepiar. Era evidente que aquele lugar era uma instalação governamental.

Sem tempo a perder, corremos para abrir a instalação na esperança de finalmente encontrar outras pessoas.

Ao nos aproximarmos, notamos uma brecha no portão, indicando que estava aberto. Karley, tomado pelo desespero, empurrou o portão com toda sua força, fazendo com que ele batesse com força ao abrir completamente.

Uma vez dentro, o que se desdobrava diante de nós não era nada agradável à vista. Uma multidão de pessoas preenchia o espaço, algumas vivas, outras não. Era possível distinguir as que jaziam no chão daquelas que se moviam lentamente, em pé.

As criaturas em pé se assemelhavam a nós em corpo, mas suas cabeças eram substituídas por um único e grande olho. Uma gosma preta e viscosa escorria desse olho por onde passavam, sujando completamente o chão da instalação..

As criaturas em pé, movendo-se pelo ambiente, pareciam circular em volta de uma área com o teto aberto, possivelmente por algum motivo específico. Enquanto isso, os corpos dos mortos jaziam pela região escura do lugar.

De repente, nossos dispositivos de comunicação começaram a falhar, um chiado ensurdecedor nos atingiu, levando-nos instintivamente a cobrir nossos ouvidos mesmo por cima dos capacetes, na tentativa de aliviar o desconforto do barulho.

A criatura nos encarou inesperadamente, movendo-se em nossa direção lentamente, deixando-nos em dúvida sobre em que focar, no olho ambulante ou em nossos tímpanos prestes a estourar. No entanto, nossa preocupação com os ouvidos dissipou-se quando o olho começou inesperadamente uma corrida frenética. Nossa reação foi puramente instintiva — corremos o mais rápido que conseguimos.

Corri com todas as minhas forças, sentindo meu coração martelar no peito como um tambor descontrolado. Cada batida ecoava nos meus ouvidos, misturando-se com o som dos meus próprios passos desesperados. O ar queimava meus pulmões enquanto me esforçava para manter o ritmo, meus músculos gritavam de exaustão graças a todo o percurso feito para chegar ali.

Mesmo com o medo dominando todos os meus músculos, eu olhei para trás e vi Vurg no chão, estendendo sua mão implorando por ajuda; ele tinha torcido o pé na corrida. Porém, paralisado pelo medo que me dominava por completo, fiquei impotente diante da situação. O monstro se aproximava de Vurg e eu não podia arriscar.

Corri com todas as minhas forças, sem olhar para trás, ignorando qualquer distração. Mantive esse ritmo por um bom tempo, até que finalmente cansei. Ao me permitir olhar para trás, não vi mais nada ameaçador. Com a respiração ofegante, sentei-me perto de uma parede destruída e tentei descansar. O pico de adrenalina em meu corpo me fazia não pensar em nada, estava em êxtase pelo ocorrido.

Minha respiração lentamente voltava ao normal e minha sanidade juntamente retornava, quando finalmente pude voltar a pensar, eu comecei a perceber o que realmente fiz. Eu matei uma pessoa, eu podia ter o salvo, mas não salvei, deixei ele morrer dolorosamente. Eu tinha me tornado um assassino.

Foi então que comecei a perceber a gravidade do que havia feito. Eu havia tirado a vida de alguém. Poderia tê-lo salvo, mas não o salvei, deixei-o morrer de forma dolorosa. Nesse momento, percebi que me tornei um assassino.


Olá, eu sou o Tanuvis!

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