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Ponto de Vista de Saki:
O mundo inteiro contava os segundos para a virada do ano. Noelle, Akira e eu esperávamos pacientemente por Kaiser e os outros até que no segundo que o cronômetro chegou a zero, um gigantesco tanque de guerra, robusto e desengonçado, voou por cima de nós após atravessar um prédio inteiro de cinco andares. A broca na frente do tanque fez com que ele passasse facilmente pela parede de aço maciça da instalação secreta.
— Mas que porra é essa? — gritei com o queixo largado no chão.
Akira, orgulhoso e confiante, estendeu seu polegar e indicador apontando para cima e disse.
— Ha! Eu chamo de “TTGL” Tanque Trucidador de Guerra Lindão!
— … — eu não consegui formular uma resposta sequer.
— Ele se orgulha disso? — Noelle perguntou com aversão estampada em seus olhos.
— Não sei o que mais me surpreende, o fato dele achar esse nome bom ou essa pose…
— O que vocês estão esperando? Entrem! — o idiota gritou.
Deixando a vergonha de lado, nós corremos até o buraco feito pela broca. Chegando lá, um grande salão foi revelado, o piso e paredes eram majoritariamente brancos, dando o ar de limpo. Haviam tubos e máquinas por todos os lados com um líquido azul correndo entre eles. Era um um lugar exageradamente espaçoso, nossos passos ecoavam pelo salão que agora estava coberto de poeira.
— Layla, qual a situação do TTGL? — a voz de Kaiser soou de dentro do tanque.
“Eles realmente adotaram esse nome” não pude acreditar
— Instável! Não vai se mexer por um tempo. Vai na frente, vou monitorar seus status e estabilizar os motores.
— Tsc! — grunhiu — Beleza!
Em um único salto, Kaiser saiu de dentro do tanque com um semblante levemente mais sério.
— Conseguimos entrar! Cadê o Frost?
— Sumiu.
— Ele nos traiu? — Akira gritou assustado.
— Não sei se é o caso, mas não temos tempo para ficar teorizando, vamos continuar o plano — virando-se para a parte de dentro do salão — tenho as plantas da instalação, tudo indica que os prisioneiros estão em uma prisão à direita seguindo esses tubos. Existe uma sala de comando do lado esquerdo, mas só o Welt consegue entrar. Vamos mudar um pouco os planos, Akira, você os liberta assim que eu parar a extração, Saki e Noelle, vocês protegem Layla e impedem que qualquer um entre aqui.
— Certo — todos assentiram.
— Uuuh! — Layla apareceu no topo do tanque — Vai usar a próxima Bruxa Celestial assim? — rindo em um tom irônico e divertido.
— Se você morrer, tudo acaba. Acho que é um trabalho mais que digno.
— Não se preocupem comigo! — Noelle interrompeu — Não vou deixar que nada nada aconteça com a senhorita Layla — disse com um olhar determinado.
— Nossa, que honra!
— Layla, volta pro tanque — ordenou o homem com o braço de metal — Vamos acabar logo com isso.
Todos foram para os seus respectivos objetivos rapidamente. Noelle e eu estávamos encostadas no tanque, atentas para qualquer perigo. De repente, senti uma pressão mágica diferente se aproximando, a atmosfera se tornou mais densa, mas nada que não pudéssemos suportar.
— Noelle!
— Eu sei! — ambas nos preparamos para o perigo iminente.
Algo semelhante a um gavião chegou rápido como um raio, causando uma explosão. Felizmente, nós duas conseguimos nos afastar na hora, mas o tanque rolou por alguns bons metros.
— Merda!
— Layla? — Noelle gritou preocupada.
— Tô legal! — estendendo seu polegar para fora do tanque.
O som do bater de asas de uma águia ficava cada vez mais alto, até que, em meio a poeira levantada, um enorme pássaro pousou em cima dos destroços causados pelo TTGL.
— Não podia fazer uma entrada menos chamativa? — uma voz riu enquanto dizia.
— Faça melhor na próxima — uma outra, um pouco mais grave e rabugenta.
— ROAAAAR! — o pássaro rugiu.
— O que você tá fazendo nessa forma ainda?
Com o levantar de suas asas, o pássaro dissipou a poeira, revelando mais duas pessoas com ele. Todos com um manto inteiramente preto.
Assumi rapidamente que eram os túnicas negras e logo imbuí meu punho com magia
— O que querem aqui? — gritei pronta para lutar.
— O Rei Welt sabiam que estariam aqui, viemos apenas remover alguns empecilhos do caminho.
— Se você quer brigar então vem pra cima!
— Como quiser — disse o pássaro com uma voz feminina ao se transformar em uma forma humanóide coberta pela túnica.
Em um piscar de olhos, dezenas de pedras pontiagudas voaram em minha direção, curiosamente, por cima e atrás de mim também foram disparadas.
— Saki! — Noelle assustou.
Eu estava completamente confiante em mim, esses anos de treinamento não foram em vão.
— Chama púrpura! — cerrei meus punhos fortemente e concentrei toda a minha mana nos membros superiores.
Meus braços exalavam um denso brilho de cor violeta e a mana corria sobre eles como fogo. Ao usar essa técnica, meus golpes ficaram consideravelmente mais fortes e precisos, assim como meu corpo ganhou uma enorme resistência.
Eu choquei meus punhos agressivamente um com o outro, causando uma onda de choque forte o suficiente para repelir as pedras.
— Isso é tudo que têm? — provoquei estalando meus dedos.
— Tsc, parece que não funcionou — um deles resmungou.
— Foi um ataque combinado! — Noelle assentiu — magia de espaço e tempo.
— Olha só… a bruxinha é esperta.
— Então algum deles atirou as pedras enquanto um abriu dois portais e as dividiu em diferentes direções e o outro acelerou pra me atingir mais rápido… interessante…
— É, mas não sabemos quem é quem…
— Já chega de conversa! — um dos túnicas avançou rapidamente.
Seu soco era extremamente veloz, mas pude esquivar com certa facilidade. O golpe parecia fraco, porém, foi capaz de rachar o chão com o impacto.
— Tô cansado de me segurar. BORA CAIR NA PORRADA! — ele gritou.
Sem mais papinho, os cinco avançaram, Noelle com suas garras trovejantes cortava as pedras lançadas enquanto disparava raios em nossos inimigos. Os túnicas negras eram ágeis, e nossos golpes dificilmente os acertava, mas o mesmo constava para nós.
Aquele que conseguia acelerar o tempo a seu favor se movimentava junto ao que abria os portais tentando me acertar, às vezes ele golpeava, outras eu o contra atacava. Isso se estendeu por alguns minutos, até todos pararem um pouco ofegantes.
— Certo… já deu pra aquecer — o mais agressivo deles, removeu seu capuz, revelando um cabelo alaranjado e espetado para todos os lados. Seus olhos da mesma cor tinham um olhar louco e insano — essa é a aparência que eu mais gosto, então vou te agraciar com minha beleza antes de morrer.
— A gente falou que não ia tirar o capuz — a voz feminina soltou.
— A gente vai matar eles mesmo, do que adianta esconder? De qualquer jeito, é só trocar de rosto, não é?
— Você é um idiota mesmo… — suspirou também, removendo o capuz.
Seu cabelo loiro com dois rabos-de-cavalo nas laterais foi exposto, seu rosto era dividido ao meio horizontalmente por uma linha de pontos pretos acima do nariz e bochecha, próxima ao seus olhos verdes.
— Não temos tempo para ficar brincando, vou terminar com isso aqui e agora — disse o terceiro integrante.
O mesmo abriu um portal da sua altura ao seu lado e retirou dali de dentro um bazuca equipada com frascos de mana em sua lateral.
— A PORRA DE UMA BAZUCA? — Eu realmente estava surpresa.
— Me dêem cobertura — a mana nos frascos se transformam em gelo no instante que ele segurou o gatilho.
— A gente tem que destruir aquela arma — disse Noelle.
Nós avançamos contra os túnicas negras, evitando o confronto direto e indo em direção ao lança-foguetes. Se aproximar estava difícil, ambos conseguiram nos afastar da arma em meio a luta, dando tempo suficiente para o seu companheiro.
— Está pronto! — ele afirmou.
— Atira logo! — responderam em conjunto.
A arma apontava para Noelle que estava poucos metros à minha frente. Sem pestanejar, o disparo saiu em alta velocidade em sua direção. Eu corri para salvar Noelle, mas ela virou-se para mim rapidamente gritando.
— Saki! Não!
Um portal se abriu na frente da lança de gelo disparada, o enorme e pontiagudo projétil atravessou o portal e reapareceu em um outro que estava quase grudado em minhas costas.
Tudo que escutei pouco antes de ser atingida e perder consciência, foi a Noelle gritando o meu nome com uma voz trêmula e chorosa. Sei que voei poucos metros até o chão e com minha visão embaçada e lenta, vi uma chuva de raios se instaurar no ambiente, juntamente com marcas azuis aparecendo por todo o corpo da minha amiga.
Ponto de Vista de Akira:
Assim como Kaiser havia dito, eu segui os tubos até encontrar uma porta espessa de aço maciço. Tentei abri-la, mas como esperado, estava trancada. Ousei forçá-la algumas vezes, sem sorte também.
Pensei em usar a mente ao invés da força bruta e tentei derreter a porta. O aço era resistente demais para isso, tudo que consegui fazer foi manchá-la superficialmente. Eu quebrava minha cabeça tentando pensar em uma forma de passar para o outro lado, até que de repente, após o barulho de um objeto metálico caindo soar, a porta se abriu sozinha.
— Oh! Deve ter sido o Kaiser! — exclamei surpreso.
Cautelosamente, pus a mão em uma pequena bolsa em minhas costas, coberta pelo manto vermelho, dali retirei um pequeno cilindro, que ao entrar em contato com minhas chamas, se estendeu em um bastão pouco menor que eu.
Pronto para os perigos à frente, caminhei para o outro lado da porta. Meus olhos se ajustaram à escuridão repentina. A fraca iluminação era provida de um brilho azul vívido, emanadas de cápsulas organizadas em fileiras perfeitamente alinhadas. Cada cápsula aprisionava ao menos um ser humano, imerso em mana em seu estado físico, comum para a utilização de poções.
As pessoas ali presas vestiam trapos sujos, equipados com máscaras respiratórias que cobriam seus rostos pálidos e melancólicos. Tubos transparentes conectavam-se a suas costas, como tentáculos, sugando toda sua magia. Aqueles tubos extraíam meticulosamente cada fragmento de poder mágico que possuíam, levando-os para outro lugar além daquela sala.
O ar era pesado, infestado com a sensação de desespero e opressão. Eu observava a cena com um misto de revolta e pesar, minhas sobrancelhas franzidas enquanto contemplava a angústia das almas trancafiadas. O silêncio foi quebrado pelo suave som do líquido mágico fluindo nos tubos.
Vários deles haviam gravado em suas nucas uma espiral. Ao ver aquilo, meu coração se encheu de raiva, eu estava determinado a libertar o meu povo, a libertar aqueles que tiveram sua liberdade tomada e libertar aqueles que foram tomados de mim.
Durante toda a minha vida, eu acreditei ter sido abandonado. Deixado para trás, sozinho na floresta. De alguma forma, nunca guardei rancor algum sobre eles. Me contaram histórias sobre o que havia acontecido, mas no fundo nunca quis acreditar. Agora, vê-los nesse estado, me fez perceber tudo que havia sido tirado de mim.
Ponto de Vista de Kaiser:
Os tubos me guiaram até a sala de controle da base secreta. A porta de aço maciço estava trancada e eu procurava alguma forma de abri-la.
— De todas as coisas que poderiam acontecer aqui, você é a pior delas — uma voz familiar soou em minha cabeça, uma voz que outrora me traumatizou.
— Você… — eu virava minha cabeça lentamente, rezando para que não fosse quem eu imaginava — que merda tá fazendo aqui? — Meus olhos se depararam com o Rei Antariano, olhando-me de cima.
Welt agressivamente agarra meu pescoço e me lança contra a porta.
— Eu que te pergunto! Por que diabos você está aqui? — seus olhos insanos traziam o terror para o seu rosto.
— Sua cara de bom moço está prestes a cair, seu maldito — o afrontei erguendo minha mão metálica.
Seu punho, envolto a uma manopla de aço, atravessou rapidamente a porta atrás de mim ao tentar me parar. Fui ágil o suficiente para impedir que meu braço fosse atingido, assim, me concedendo acesso.
Com um chute em sua barriga, o empurrei para trás e aproveitei o breve momento para invadir a sala de controle.
— Maldito! — o rei grunhiu.
Ele investiu com raiva em seus olhos para cima de mim, arrancando de vez a porta com seu ombro. Seus golpes eram brutos, porém rápidos, tornando-os quase impossíveis de bloquear. Apenas com sua habilidade de manipular o metal, ele transferia sua manopla de uma mão para a outra ao alternar os ataques.
Antes que pudesse me concentrar na luta, priorizei ajudar Akira, mas com seus golpes incessantes estava ficando cada vez mais difícil. Quando estava prestes a destrancar a porta, Welt arremessou meu rosto direto na parede, mesmo assim, no último minuto, apertei o botão necessário para deixá-lo entrar.
— Hunf! — ele bufou — um golpe de sorte.
— Agora eu sou todo seu, velhote! — o provoquei.
O clima tenso pairava sobre a sala, ambos sabiam que o confronto estava apenas começando. Mais uma vez, ele disparou seu punho contra mim, agora, abrindo um buraco na parede assim que desviei.
— Você descobriu algo que nem mesmo as outras nações descobriram… Não posso deixar que saia daqui com vida.
— O povo vai ver esse estrago amanhã de manhã, nada que você faça vai limpar sua bunda!
— As pessoas são burras! Elas confiam em mim! No que acha que elas irão acreditar? Que o seu amado rei está extraindo a mana de pessoas inocentes, ou que uma organização criminosa aprisionou centenas de pessoas e as matou com uma quantidade inimaginável de magia em suas veias? — disse da forma mais fria que podia.
— Eu sempre soube que você era sujo.
— Ah… é mesmo uma pena — seu corpo começou a se cobrir por uma camada espessa de metal, formando lentamente uma armadura — Deixa eu te contar o que vai acontecer — se aproximou de mim ainda com parte do seu corpo exposta — você vai morrer antes mesmo de conseguir gritar por ajuda, não sobrará nenhum de seus amigos pra contar história e EU vou continuar tendo o maior exército do mundo e vou continuar extraindo cada partícula mágica desse clã abençoado — seus ombros cresciam acima de mim, na tentativa falha de me intimidar — No fim, a única coisa que você vai ganhar, vai ser um reencontro com seu irmão patético que morreu fazendo a mesma coisa que você… — sua armadura de metal enfim estava completa, deixando apenas o seu rosto desprotegido.
Sem esboçar reação alguma, apenas ao ouvir sua última frase, meu corpo se moveu instintivamente. Meu braço metálico se transformou em lâmina afiada, pronta para arrancar o pescoço do arrombado.
Com um sorriso sádico no rosto, ele recuou a cabeça, temendo o fio da minha lâmina.
— Vai se foder, babaca!
Ali mesmo, ambos haviam declarado suas últimas palavras.

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Olá, eu sou o Smaell!

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