Dia 4: Arte de Combate

O Último Rei

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Revisado por Pedro Amatsuk

Meu filho ainda está dormindo, o que não é estranho. Eu vi nos registros que ele usou a câmara temporal, então não é inesperado ele estar cansado ou… pode ser porque são três da manhã… nah, nunca seria por esse motivo.

Bem, ele conseguiu realizar o treinamento de forma esplêndida. Mesmo eu, que é considerado o maior gênio na história, não fui tão rápido quanto ele… por causa disso, vou levá-lo em um lugar especial… isso, depois vou ensinar as “Artes de Combate”.

— Vamos, filho. Papai vai te levar ao Porti — digo enquanto pego meu filho no colo.

Vou em direção à garagem, não dá para ir sem um carro até meu destino. Minha garagem fica perto da porta principal, ou seja, muito longe dos quartos… por que eu fiz uma casa tão grande?

Demorei dez minutos para chegar lá. Meu carro é um Ganz Coolen Auto, um modelo extremamente moderno e rápido (ele pode alcançar a velocidade do som, não que eu use, é claro). Coloco meu filho no banco de trás, não deve ser uma boa ideia deixar um garoto desacordado no banco da frente. Entro no banco do motorista, mesmo que esse carro tenha piloto automático, não é possível usá-lo para ir ao Porti.

 

*****

 

São quase cinco da manhã e estou quase chegando ao destino, lá vai ser um ponto de mudança para o Lucas. Vai depender dele se será boa ou ruim. Espero que ele faça bom uso disso.

— Chegamos. Vamos, filho. — Pego meu filho no colo.

Levo ele em direção ao Porti, aqui mora um antigo amigo meu. O lugar é similar a um lixão das eras antigas, diversos entulhos estão jogados por aí. É incrível que isso daqui não tenha sido invadido pelas autoridades.

— Quem diria, o grande Julliano-

— Eu já disse para não me chamar assim. Meu nome agora é Miguel, Adrian.

Adrian é um velho amigo meu. Ele também é um rei, mas de uma raça diferente, dos porcos-espinhos. É, você não ouviu errado, ele é um porco-espinho.

Meu amigo tem a aparência de um humano normal, mas no lugar de seu cabelo estão espinhos. Ele é bem, quase tanto quanto eu.

— A quê devo sua visita? — Ele pega um copo de vinho e dá um grande gole.

— Eu trouxe meu filho para você fazer aquilo… — Dou uma pausa dramática, não posso esquecer disso — Você acha que consegue?

— Você quer fazer aquilo com o filho da Martha!? E se der errado? — Adrian está desesperado, parece que a última vez ainda o atormenta.

— Eu trouxe meu filho aqui justamente porque sei que não vai dar errado e porque quem fará isso será você.

— … O.k., venha comigo.

*****

[Ponto de vista de Lucas]

 

 

Acordei com o despertador tocando igual louco, meus ouvidos doem por causa dele. Será que perdi hora? Vou pegar meu celular para ver. Viro para o lado direito da minha cama e pego ele. Sou surpreendido com centenas de mensagens do Júlio e do Otávio, eles parecem estarem preocupados comigo… ridículo, depois do que fizeram ao Rei ainda querem ser meus amigos, mas… isso pode ser bom. Vou usar isso para reencontrar Sua Majestade. Quase esqueci o porquê peguei meu celular.

[15:28]

— … Hã?

Eu dormi quinze horas? Quão cansado eu estava? Perdi metade do dia, espero que o pai não fique bravo.

— FILHO! — Meu pai está gritando e parece vir do salão de treinamento.

Por que fui falar aquilo? Se tivesse ficado quieto nada disso teria acontecido.

— Já vou! — grito de volta, se ele pode eu posso.

Antes de ir vou trocar de roupa, não posso treinar de pijama.

*****

— Oi, pai. Do que você precisa?

Agora já estou usando a roupa de treino, mas ainda estou meio sonolento. Talvez dormir por quinze horas não seja a melhor das coisas.

— Oi, filho. Hoje o treinamento será diferente do de ontem, você não focará mais em usar o Estilo Alta-Frequência. — O pai parece estar diferente, como se estivesse com medo.

— Ok, como faremos? — De qualquer forma, estou muito ansioso pelo treinamento.

— Eu vou te ensinar as “Artes de Combate”, vou te falar o procedimento e você fará. Hoje você aprenderá a primeira forma, Bah, Tchê. Preparado? — Ele parece estar bem ansioso.

— Estou!

— Ótimo, vou te falar como se faz. Como é a primeira, todos seus conceitos e aplicações são bem simples e sem maiores segredos. Você concentra toda a energia do seu corpo em algum ponto específico e depois começa a vibrar-la, quando ela chegar no requisito mínimo para ativar o estilo você libera. A força derivada será muito maior que a liberada normalmente, mas em compensação, o rebote para a parte do corpo utilizada será maior que o comum.

— Isso parece doloroso, tanto para mim quanto para o inimigo.

— E é, mas acho que você vai superar isso. Afinal, és meu filho. Volto em cinco horas. — Ele se levanta e vai embora.

Ok, preciso repetir o processo que fiz ontem. Porém, agora preciso concentrar o Loz em alguma parte qualquer… onde posso começar? Os braços devem ser a melhor escolha. Isso, vou começar por eles. Antes de tudo, preciso de um alvo para testar o poder dos ataques, vou pegar um qualquer que esteja por aqui.

Já peguei o boneco e vou começar a tentar agora. Primeiro, desperto minha energia e direciono-a para meus braços. Só da energia estar lá, meus músculos doem, mesmo assim começo a vibrar-lá. Se tivesse que comparar a dor que senti ontem e essa, eu escolheria mil vezes a primeira, porque isso aqui é de longe a coisa mais dolorosa que já senti e estar localizado apenas nos meus braços deixa a dor mais forte. A primeira forma já é tão dolorosa, nem quero ver as próximas.

— Ugh… por que é tão doloroso? Quem foi que teve a ideia de fazer algo desse jeito? Não tinha uma forma mais fácil?

Queria tanto ter minha Autoridade de volta, mas não posso chorar pelo leite derramado… queria, contudo, não posso.

A energia já está pronta, tanto que ficou difícil de controlar. Vou em direção ao boneco de treino, não posso destruir metade da casa. Ficando em frente dele, coloco um pé atrás e outro na frente, para dar um equilíbrio maior e coloco meu braço direito na direção do pé que está atrás. Me preparo para desferir o golpe, dou até mais um tempo de preparação para parecer mais forte. Depois de toda essa ladainha eu dou o golpe…

Nada acontece, será que fiz algo errado? Mas segui tudo à risca… a não ser que os ensinamentos que o pai passou estejam errados. Ele não faria isso… eu acho.

Enquanto estava em meus devaneios, uma onda de choque mandou-me em direção à parede. Parecia que algo tinha explodido… será que foi o boneco? Tenho que ir lá ver para saber, não tenho uma “Visão Além do Alcance” para saber o que aconteceu estando longe.

Saio da parede e vou correndo na direção do alvo de treino, que está envolto em uma nuvem massiva de poeira, mas isso é estranho, como estou correndo? Acabei de ser jogado contra a parede e simplesmente saí como se nada tivesse acontecido? Será que o porquê é que meu corpo ficou mais forte pelo uso do “Estilo Alta-Frequência”?

Cheguei aonde o boneco deveria estar, mas não tem nada aqui… deve ter sido por causa do meu soco, vou tentar usar essa habilidade nas outras partes do meu corpo, afinal, ainda tenho quatro horas e meia até o pai voltar.

Peguei outro alvo, mas em vez de usar o braço para atacar vou usar minha perna. Repito tudo que fiz anteriormente e a dor é menor que antes, ou é porque minha perna é mais forte ou porque me tornei melhor no controle da energia. Chego na direção do boneco e, sem enrolar, dou o chute. Outra explosão acontece e sou enviado para longe.

Ao que tudo indica, a força foi maior dessa vez. Antes apenas o alvo tinha sumido, agora tem um buraco pequeno no chão. Eu já consegui usar a forma sem problemas, mas se chama Arte de Combate porque é feito para usar em combate. Do jeito que estou atualmente não consigo usar de forma satisfatória, vou continuar treinando até conseguir usar normalmente.

*****

Faltam cinco minutos para que meu pai chegue. Fiz por bastante tempo e agora acho que cheguei em um nível no qual posso ficar confiante em usar durante uma luta, vou descansar por um tempo antes dele chegar.

— Opa, filhão! Como foi o treino? — Meu pai chega chutando a porta da área de treino bem na hora que vou descansar.

— Oi, pai. O treino foi normal, acho que já consigo usar em um combate…

— Verdade? Vamos ver se é você consegue mesmo. Prepare-se, vamos dançar!

Esse final de frase dele não me é estranho… mas não consigo pensar em nada.

— Nós vamos lutar sem nenhum instrumento?

— Claro que sim, de qualquer outra forma eu iria te destruir. Sem armas é a forma que você mais tem chance. — Ele fica com um sorriso presunçoso no rosto.

— Vamos lá então!

Ele se aproxima de mim lentamente, como se quisesse colocar pressão.Entro na posição de combate padrão, meus braços na frente do rosto para protegê-lo e meus pés bem espaçados para manter o equilíbrio. Concentro minha energia na minha mão, mas não ataco. Ele faz sua mão vibrar e começa a entrar na posição para um soco, acho que vai ser da direita, ou seja, devo defender nessa direção.

 

Antes dele dar o soco, começo a agitar o restante do Loz que não foi para minha mão, quando ele me atacar irei bater em seu braço para inutilizá-lo. Estou ficando nervoso, tenho medo de errar e falhar miseravelmente.

Meu pai finalmente parece que vai dar o soco, ele entra em uma posição igual a minha e me ataca. O golpe dele é muito rápido! Não sei se vou conseguir realizar meu plano, tenho que fazer outro! Vou tentar desviar desse e me preparar para o próximo, movo a energia que estava na minha mão para minha perna e dou um impulso na tentativa de desviar do soco.

Acho que consegui! O golpe passou milímetros longe do meu rosto, mas não me atingiu. Agito a energia restante em meu corpo e me movo para frente rapidamente, pegando meu pai desprevenido. Levo a Loz da minha perna até minha mão e desfiro um golpe no rosto dele, mas ele desvia e pega meu pulso… como ele fez isso!?

Meu impulso foi interrompido e fui preso pelo meu pai, não consigo me mexer. Ele se vira e começa a me puxar, o que ele vai fazer? Me jogar no chão? Preciso me preparar para caso isso aconteça, reúno toda energia novamente no núcleo e começo a agitá-la furtivamente, meu pai é muito bom nisso então ele deve saber quando usar.

Ele me joga em direção à parede! Quanta força esse cara tem!? E por quanto tempo ele treinou? De qualquer forma, meu corpo está indo em direção à parede muito mais rápido do que posso suportar, acho que se bater na parede vou virar papinha.

Como posso impedir o impacto? Ele não ensinou nenhuma forma de liberar energia sem ser em ataques, mas deve ter uma forma. Vou fazer do jeito que aprendi na escola, mas vou mesclar com o Estilo Alta-Frequência, vai ser difícil. Se me lembro bem, a forma de criar ondas era condensar sua energia e liberá-la enquanto você fazia um movimento, mas já que vou fundir com o estilo, vou vibrar ela durante o movimento.

Concentrei a Loz em minhas palmas e estou vibrando-as, continuo, porém, mirando na direção da parede para ter impulso em direção ao meu pai e atacá-lo. Hora de ver se funciona ou não, faço o movimento de bater palmas e, bem no momento que elas vão se tocar, libero toda energia acumulada e vibrada.

A onda de choque é massiva, sinto minha mão queimando, mas agora não é hora de se importar com isso. O impulso que recebi foi tão forte que fui mandado voando direto para meu pai, concentro o que me sobrou de energia na mão para o último ataque. É a maior quantidade de Loz que já usei em um golpe, mas se faz necessário agora. Parece que meu oponente já está se preparando para receber meu soco, mas estou tão rápido que ele mal deve ser capaz de reagir apropriadamente.

Estou quase chegando lá, meu punho já está apontado para seu rosto. Contudo, o dele também está apontado para o meu… isso vai ser decidido pelo que ataca mais rápido. Começo a dar o soco e, na hora que ia atingir, sinto uma força extrema no meu rosto, sou enviado voando na direção da parede. Não tenho mais forças para impedir meu corpo de espatifar contra ela, minha energia foi esgotada no último ataque e, mesmo assim, ele conseguiu me vencer.

— Pare! — Essa é a voz do meu pai, mas o que uma palavra poderia fazer?

Meu corpo para repentinamente e vou descendo lentamente até o chão. Como ele fez isso? Que estranho, a gravidade foi manipulada? Ou que ele fez para isso acontecer? Vou aprender isso?

 

— Você foi bem, não são muitos que aguentam mais de vinte segundos em uma luta mano a mano. Já está apto para o combate, amanhã vou ensinar a usar uma arma e depois terá sua primeira luta de vida ou morte. O que acha? — Ele tem um sorriso estranhamente feliz no rosto, como se lutar fosse satisfatório.

Eu até ia responder ele, mas não tenho energia para isso. Quero apenas descansar por hoje, meu corpo dói e sinto como se ele fosse despedaçar. Já estou cansado desse sentimento.

— Foi mal, filho. Esqueci que você gastou toda sua energia, vou te levar para seu quarto. Aproveite e descanse.

Ele me pega no colo e vai em direção ao meu quarto, como ele fica muito longe, recupero energia o suficiente para falar.

— Isso dói para caralho.

— Haha, verdade. Quando comecei também achei isso.

Depois de falar isso, acho que realmente me esgotei totalmente. Vou tirar um cochilo enquanto ele me leva para o quarto…

 

 

 

Fim do dia 4

 

Aviso do Autor:

Pedro Leoni

Pedro Leoni

Vivo e respirando
Rolar para o topo