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Asafe estava escalando aquela pilha de madeira e palha, com a faca numa das mãos, indo em direção a Mical. O rosto, machucado devido à queda, tinha algumas pedras de cascalho ainda grudadas na pele; e o olho direito, machucado, apresentava uma cor avermelhada.

— Vou matar essa bruxa de uma vez!

Porém Renato alcançou o acólito antes que ele chegasse à menina. Imobilizou a mão que segurava a faca, segurando forte pelo pulso; e com a outra, segurou o pescoço dele.

Renato apertou o pulso do acólito, forte o suficiente para quase quebrar o osso, e Asafe, com um gemido dolorido, finalmente soltou a faca.

O acólito, desesperadamente, se debateu, e tentou livrar a mão de Renato de seu pescoço, mas não era forte o suficiente.

— Guh! — engasgou. — A bruxa… precisa… queimar!

—  Cante! Continue cantando seus cânticos, imbecil! Eu falei que queria ver você cantar quando o Renato estivesse com a mão em seu pescoço. Há! Há! Há!

Mical gritava essas palavras, eufórica, e gargalhava.

— Grr..!

— Vamos, coroinha! Masturbador de padre! Cante! Cante igual estava cantando agora há pouco! — Mical parecia ensandecida. Tinha um olhar arregalado, cheio de loucura, e gargalhava alto.

— Tentou machucar a minha Mical… — Renato tinha um olhar carregado de ódio.

— A bruxa… guh! Arg! Prec…

— Queime — disse Renato, olhando no fundo dos olhos de Asafe.

Uma fagulha correu pelo corpo do acólito, como brasa queimando em carvão. Suas roupas viraram pó instantaneamente. E então as chamas explodiram e o corpo dele se iluminou feito uma tocha . Toda a pele, carne e ossos  se tornaram em um pó escuro em questão de segundos. Asafe tinha sido totalmente incinerado. Nem deu tempo dele gritar de dor.

Então Renato foi até Mical e a libertou das amarras.

A menina, chocada com o que tinha acabado de ver, respirou fundo e engoliu em seco.

— Isso aí foi… um pouco bizarro.

Antes que Renato respondesse, sentiu uma forte pressão, uma intenção assassina devastadora se disseminando pelo ar. 

E todo o local se iluminou. Um brilho intenso engoliu a escuridão, como se o próprio sol, indignado com as trevas que tomaram a terra, descesse para cobrar explicações.

— O que é… ? — Mical olhou para o alto, e o que viu fez seu coração disparar enlouquecidamente, colidindo contra o peito. — Um…

— Um anjo — sussurrou Renato, sentindo um arrepio.

Jéssica caiu de joelhos, completamente maravilhada.

— É lindo! É feito de pura luz!

As nuvens se abriram para que o anjo descesse. Ele brilhava como uma pedra preciosa refletindo luz. Tinha quatro asas saindo de suas costas; duas na parte superior; duas na inferior. Eram brancas, com detalhes alaranjados nas pontas.

Sobre sua cabeça, havia um diadema dourado em formato de arco. E seus olhos estavam acesos. Eram como duas tochas de fogo.

Ele vasculhou todo o ambiente com seus olhos flamejantes. Viu Clara, que estava do lado de fora do Priorado, e fez uma careta de nojo.

— Uriel… — disse a súcubo, com um frio  lhe percorrendo a espinha. — Filho da puta…

Os olhos do anjo finalmente encontraram Renato, e ele franziu o cenho, parecendo confuso.

— Não foste tu lançado à perdição por Raziel? Que fazes na Terra?

Renato se permitiu um sorriso irônico no canto da boca.

— Por que todo anjo fala como se fosse o Machado de Assis?

— Por que fedem em demasia, os macacos de barro? — retrucou o anjo, e disparou em direção à Renato.

O garoto empurrou Mical para longe, para ela não ser pega no ataque e, firmando as pernas, posicionou os braços diante de si, em posição de defesa, e esperou o contato.

Uriel atropelou Renato como uma carreta atropelaria um triciclo infantil, o arrastou e o ergueu até os ares, segurando-o pelas costelas.

Sendo segurado pelo anjo nas alturas, Renato tentou se livrar, mas os braços fortes de Uriel o mantiveram imobilizado. A luz forte cegava seus olhos, então era difícil olhar diretamente para ele.

O anjo lançou para Renato um olhar confuso, interrogativo. O estava analisando.

— És tu, certamente. Tens as cicatrizes e queimaduras em vossa alma e em vosso espírito. Queimaste por milênios. Ainda fedes a enxofre e verme. Como saíste da perdição, filho de Adão?

Renato forçou um sorriso animalesco.

— Eu só saí, oras. Dei porrada na porta até ela arrebentar!

O anjo se aproximou e o cheirou.

— Tens o fedor do vazio impregnado na vossa carne. Foste ajudado por algum deus pagão? Não. Não há deuses com tal poder. Nem demônio. Algum anjo? Lúcifer? Não. O fedor em ti não é como o da glória corrompida dele. Fedes a vazio, a não criado, a total ausência de Deus.

Uriel formou uma bola de luz numa das mãos.

— Deves voltar ao Gehenna. Serás lançado de volta ao fogo que não se apaga e ao bicho que não morre.

— Mas nem ferrando que eu volto pra lá! 

Renato tentou atingir um soco na cara do anjo. Mas Uriel era rápido e viu o punho de Renato se aproximando. Ele não teve dificuldade em mover a cabeça para o lado e desviar do golpe.

Na sequência, encaixou um soco no rosto de Renato. Foi certeiro na bochecha esquerda.

O golpe foi tão forte que Renato ouviu um estalo na mandíbula, e o impacto gerou uma onda de choque no ar, e o garoto foi arremessado para a direita; porém, antes que se deslocasse para longe, o anjo atingiu outro soco do lado direito do rosto, gerando outra onda choque.

A energia cinética do segundo golpe anulou a do primeiro, e Renato não foi arremessado. Ele apenas ficou no mesmo lugar e começou a cair, porém o anjo o segurou pelo pescoço.

A pressão no pescoço, somado à gravidade o puxando para baixo, fez o garoto sentir que era como estar numa forca.

Ele cerrou os dentes e emitiu um som parecido com um rosnado, com a saliva descendo pelo lábio.

— Quiçá morrerás aqui e apenas vossa alma descerá ao Fogo Eterno. Sem um corpo vivo, não poderás voltar!

— Grr! Não! — disse o garoto, com dificuldade, enquanto sua traquéia era pressionada.

Renato, com uma mão, segurou firme no pulso do anjo, e com a outra bateu na parte de trás do cotovelo dele, forçando o braço a se dobrar. Como consequência, ele foi puxado para perto do anjo e, sem perder tempo, afundou um soco carregado de energia no plexo solar dele.

Um gemido baixo, porém perceptível, saiu da boca de Uriel e ele afrouxou o aperto no pescoço de Renato. Aquele soco doeu.

Aproveitando a oportunidade, Renato pulou sobre Uriel, num tipo de abraço, e segurou em suas asas. Se lembrou da luta contra Satanakia.

— Vou arrancá-las!

— Um anjo… maligno! O Renato… precisa de ajuda! Nós precisamos de ajuda! — disse Jéssica, enquanto assistia a luta.

A garota tentou correr em direção ao templo, mas Mical a segurou.

— Onde vai?

— O templo! Vou pegar a Pedra Fundacional e guardá-la dentro do baú de chumbo! Precisamos da ajuda de Clara. Ela precisa poder entrar!

Mical assentiu.

— Vou com você!

Olá, eu sou o Max Sthainy!

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