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Progenitor das Sombras

Caderno 2 – Os dois lados

Capítulo 7

Ao lado da cama, eu observava a empregada adormecida. Aquela que esse tempo todo foi como uma mãe para mim, agora estava assim.

— É sorte o suficiente ela não estar morta. — Artéraphos disse se aproximando, ainda mantendo certa distância da empregada. Ele continuou: — Alguns monges conseguem viver vários dias sem beber água ou se alimentar, usando apenas sua força de vontade e sua própria energia elemental. Seria um grande desperdício deixar alguém com essa habilidade morrer, o que vai fazer com ela?

— Para te falar a verdade, não faço ideia, fiquei quatro anos tentando encontrar um jeito, mas o conhecimento desse lugar sobre almas e rituais são muito limitados. Me diga você, sua raça adora comercializar almas, deve saber de uma forma para ajudá-la — assim que terminei de falar, ele balançou a cabeça em negação.

Havia três energias essenciais nesse mundo, sendo uma delas as “trevas” – principalmente conhecida como Energia Sombria. Artéraphos explicou: — A energia sombria nesse lugar é decente, tanto que os mortos são capazes de se levantar depois de sete dias. Já a energia do Elemento, ela não é necessária para a criação dessa erva. O problema está apenas na terceira energia, que tem grande falta nesse mundo. E sem ela, nem ao menos conseguimos fazer essa erva brotar.

— Qual o nome da erva?

— Se chama ‘Folha da Origem Escarlate’, se for usado o caule dela, mesmo os problemas psicológicos dessa mulher não seriam um problema.

Com certeza me lembraria desse nome, mas apenas saber ele não ia ajudar muito. Quanto mais tempo a empregada ficasse dessa forma, mais problemático seria curá-la. Havia a opção de pedir à Artéraphos essa erva, só que…

— Quanto vai custar se você for buscar?

— Hm… — Ele murmurou de forma pensativa, como se estivesse buscando o lugar onde a erva estava plantada.

“Ele é um Udnark, um das raças mais poderosas no mundo das sombras. Se essa erva realmente existe, ele deve conseguir encontrá-la.” E assim como previ, não demorou muito para Artéraphos confirmar minhas dúvidas:

— Consigo sentir a existência dessa erva, sei onde há uma. Porém, só conseguirei dizer seu preço com exatidão quando a tiver em mãos. O tempo de viagem, as milhas caminhadas, as bestas enfrentadas, tudo isso será adicionado no valor final. Quer que eu a busque agora? — ele perguntou, esfregando as mãos ao ver uma possibilidade de troca.

“Tem caroço nesse angu”, pensei ao ver algo errado nessa dita “oferta”. Era regra um Udnark sempre tentar manter uma margem de preço, eles não podiam simplesmente dizer que o valor ia depender, a não ser que muitas coisas estivessem interferindo no caminho até o item. Só o fato dele não ter dito o preço me deixou incomodado, eu tinha que saber o porquê.

Me voltando ao ser encapado, percebi certa inquietação em suas mãos. Era por causa da empregada? Só podia ser, e isso o tornava ainda menos confiável.

— Essa erva, tenho certeza que você traria a da melhor qualidade, e o preço também não é um problema. Você tocou no assunto sobre tempo de viagem e milhas, me diga quanto tempo precisa para trazer a erva.

Um “Mmmm…” saiu da garganta de Artéraphos, ele completou: — Em torno de doze anos.

— DOZE!… Cof, Cof!! — Impedindo a tosse, observei a empregada que dormia profundamente finalmente começar a acordar. Se fosse para curar essa mulher na minha frente, compensaria, mas não adiantaria pagar um valor tão grande se a entrega fosse tão demorada.

“Até ele trazer isso, ela vai estar morta.”

— Não há o que fazer quanto ao tempo. Para chegar até a erva é preciso atravessar um portal que só se abre daqui a onze anos. Desde que o mestre me peça, irei imediatamente para forçar a criação de uma entrada. Isso levará meu corpo físico à destruição, além do tempo necessário ser exacerbado. Fica a critério da disposição do mestre a salvá-la, não há muitas opções atualmente.

“Não há ‘muitas’ opções, ele diz… é provável que tenha outra, ele apenas não quer dizer ainda.” Saber negociar era a base da vida de um Udnark, sua vida dependia disso. Logo, valorizar a própria oferta fazendo o contratante pensar haver uma única opção, era uma regra dessa raça.

A palavra Udnark podia ser traduzida literalmente como “Caminho acima dos Mundos”, mas eu sabia da existência de outra tradução. Voltando meu olhar ao manto de Artéraphos, observei partículas se espalharem pelo ar. Já havia percebido que ele estava completamente enfaixado, provavelmente na tentativa de segurar sua “pele” no lugar.

“Há uma história que conta sobre um Udnark, o primeiro de todos. Ele não era um ser ganancioso, nem maldoso, mas conseguiu fazer algo que ninguém e nenhum Udnark jamais conseguiu fazer.”

— Você conhece a história do primeiro Udnark? — perguntei a ele, percebendo certo interesse por sua parte.

— Hum… o primeiro?

— Sim, o conhece? — Um “mmm” saiu da garganta de Artéraphos, ele não parecia conhecer. —  Se não conhece, então deixa.

— Mas… isso… aaaa…

Pelo que conta a história, o primeiro Udnark não era alguém maldoso ou ganancioso. Já Artéraphos possui o título de “Vil”. Eu só conseguia pensar que se alguém como o primeiro Udnark, que era considerado bom, conseguiu vender um universo com a aprovação de todos os viventes…

“O que alguém como Artéraphos consegue fazer? Seu corpo está estragado, ele provavelmente não tem tanta energia para se manter, e por isso deseja tanto a empregada. Ela seria o suficiente para resolver todos seus problemas, e eu provavelmente conseguiria sair dessa situação se aceitasse a oferta de entregá-la.”

— Artéraphos, venha cá — eu disse me afastando um pouco da empregada. Seguindo minhas ordens, ele se aproximou, apesar de ficar bastante relutante ao se aproximar da mulher deitada. Eu ordenei: — Pegue-a no colo de forma confortável, não a machuque, o corpo dela está frágil.

E sem esperar por uma resposta, andei em direção a porta do quarto, esperando que Artéraphos trouxesse a empregada. Criaturas das sombras não eram confiáveis, desde que tivessem a menor chance de tomar sua presa, iriam atacar sem nem ao menos pensar.

— M-Mestre… eu não…

— Apenas traga-a. Acha que tenho todo o tempo do mundo? — Retruquei imaginando que ele diria não conseguir, mas sem deixar ele terminar sua fala.

Pegando o corpo da empregada, ele começou a trazê-la de forma cuidadosa. Era perigoso deixar ele tão próximo da empregada, mas devia ter certeza de que ele não a machucaria. Se fosse um humano ou um monstro, de forma alguma eu permitiria que isso acontecesse, mas se tratando de uma criatura das sombras…

“Em minha presença, mesmo o maior dos demônios sombrios não se atreveria a tocá-la.”

Seguindo-me de perto, Artéraphos esperou ao meu lado enquanto eu trocava a água fria da banheira. Apesar da empregada ter preparado um banho para mim, por causa dela, mal pude enxaguar o sabão em meu próprio corpo.

— Posso colocá-la?

— Sim — Logo que respondi, ele a colocou, fazendo a água da banheira transbordar.

A voz de Artéraphos soou provocativa ao me ver puxar a camisola do corpo da empregada: — Para um jovem de sua idade, é bom ver que tem tanto autocontrole. Apesar de estar um pouco magra, ainda há muita beleza nessa mulher, mesmo assim não esboçou nenhuma reação depois de vê-la nua.

Imediatamente me lembrei de algo que alguém me disse a algum tempo. — Me disseram que o chá deve ser bebido enquanto ainda está quente, para aproveitar enquanto ela me segue fielmente já que quando minha aparência começar a desagradá-la, de forma alguma eu conseguiria “comê-la”.

Uma risada ecoou alta: — Hahaha!! Essa pessoa com certeza é sábia, o valor que ela emana está em uma crescente. Porém, quanto mais tempo passar, mais ele vai diminuir. Inicialmente pensei que o mestre estaria nutrindo-a para “comê-la”, já que há muitos métodos que usam o valor da vida humana. Sinceramente, ela seria perfeita se o objetivo fosse “cultivar”. Onde posso encontrar essa pessoa?

— Não precisa se empenhar em encontrá-lo, a essa hora ele provavelmente está tomando chá com o diabo. Se quiser mesmo encontrá-lo, eu mesmo me certifico de enviá-lo para lá.

Um “Mmmm…” pode ser ouvido vindo da garganta de Artéraphos. Ele completou: — … parece haver uma história interessante por trás disso, espero que o mestre me conte ela algum dia. Mas por enquanto irei me abster dessa escolha.

— Desde que você se mantenha ao meu lado e eu não tenha nada melhor a fazer, não vejo porque recusar. Apenas me diga a forma que você tem para curá-la — eu disse voltando ao assunto anterior. Artéraphos riu ouvindo essas palavras.

— Hehe, vejo que não posso mesmo me esconder desses olhos. — Puxando um fogo azul de dentro de sua roupa, ele começou a explicar: — Essa é uma síntese feita por mim, utilizando um fragmento da alma dessa mulher. Apesar de ter usado apenas um fragmento, ele representa uma alma completa, então, observe com cuidado, só poderei fazer isso uma vez.

— Faça — Dei a ordem para que ele não se preocupasse, e logo ele dividiu o fogo azul entre suas duas mãos, fazendo o tamanho do fogo diminuir grandemente.

Por algum tempo ele continuou a dividir os pedaços de fogo, os jogando no ar e os fazendo flutuar. Era como se estivesse fazendo magia, mas não tão simples da forma que aparenta. Ele começou a explicar enquanto dividia outras partes da alma sintética:

— Cada vez que ela tem um pesadelo, sua alma se quebra, da mesma forma que divide essas pequenas almas. Um pedaço grande se torna dois, esses dois se dividirão em quatro, os quatro se tornarão oito, até o momento que… — Desaparecendo ao nada, duas pequenas chamas que se dividiram não deixaram nem rastro de existir.

Vendo que eu prestava atenção, Artéraphos continuou a explicar: — Agora veja, mesmo que eu junte todos esses fragmentos em um só lugar, o fogo não irá se juntar, eles se repelem assim que sentem a presença de outra chama. Só há uma coisa a se fazer nessa situação. — Pegando um pequeno recipiente transparente dentro de sua roupa, ele jogou todas as chamas dentro e tampou com sua mão. Imediatamente eu saquei sua ideia:

— Você vai sela-la. Entendo, como você está acostumado a mexer com almas, pode selar a alma dela dentro do corpo dela. Isso pode… — O som de vidro se rachando ecoou pelo lugar e, indo contra todas minhas expectativas de ter encontrado uma solução, a garrafa que Artéraphos segurava explodiu em extrema agressividade, fazendo todas as chamas se apagarem logo em seguida.

— Esse é o problema desse método. Os fragmentos que se dividem saem naturalmente do corpo dela, e o mestre deve saber que um corpo só pode suportar uma alma. Se impedirmos isso de acontecer, assim como esse recipiente…

— Merda! O que eu faço para salvá-la!?!

— Se conseguirmos lidar com a fonte do problema, poderíamos salvá-la. O mestre conhece o motivo de haver tanta destruição na alma dessa mulher? — Respirando profundamente, soltei um suspiro ao ouvir aquilo.

— Mesmo que eu conseguisse explicar, não sei por onde começar. — Me voltando a empregada, puxei seu corpo para frente e mostrei a Artéraphos o único defeito que havia naquela pessoa.

Com certeza a empregada chefe podia ser considerada uma beleza, não era todo dia que se encontrava uma mulher de cabelos prateados e olhos claros. É claro que a beleza de seus olhos não se comparava aos de Cecília, mas diferente daqueles olhos espertos daquela menina, os da empregada eram gentis.

— É por isso que vê tanto valor nessa pessoa? — ele perguntou ao ver as costas da empregada, que diferente das outras partes de seu corpo, não havia beleza, apenas manchas marrons de hematomas antigos, feridas cicatrizadas entre várias outras marcas lisas, como se ela tivesse sido chicoteada.

Muitas vezes já havia encontrado a empregada segurando as próprias costas enquanto fazia comida, ela devia sentir muita dor…

— Apesar disso, ela nunca me pediu uma pomada por saber que apesar de ter dinheiro, eu não tenho status para comprar.

— Status?

— Sim, as pessoas nesse lugar não são divididas por cor, raça ou ideologia, mas por um tipo estranho de “valor” que mesmo eu não entendo. Esse valor normalmente fica marcado em uma joia que você usa como acessório. Um anel, broche, brincos, e tudo que você pode fazer dentro da cidade está interligado com esse item.

— E quanto você tem agora desse chamado “valor”? — Não pude deixar de rir ao ouvir essas palavras. Começando a cuidar do corpo da empregada, disse a ele que mostraria assim que terminasse de banha-la.

Algum tempo depois, levando o corpo da empregada no colo para o primeiro andar, Artéraphos a colocou no sofá. Apesar de ela estar quase acordando, ela não conseguia acordar, o que me levou a pensar que tudo aquilo era culpa minha.

— Mmmm… pensar de mais não levará a lugar nenhum, a única forma de resolver isso é ajudá-la. Eu sou Artéraphos, o Vil, e vi muitas coisas e pessoas nesse mundo, mas nunca vi uma solução cair do céu uma única vez enquanto viajava.

— Você deve ter umas boas histórias, quando tiver tempo, também quero ouvi-las — eu disse indo em direção a cozinha, começando a organizar o estoque que tínhamos de comida.

A voz de Artéraphos soou ao me ver abrir algumas tampas: — Nenhum dos empregados apareceu nas últimas duas semanas, e quase todos os grãos estavam estampados, provavelmente estragaram. Irá sair para comprar?

— Esse é meu objetivo. — Respondi, tirando também uma dúvida que eu tinha: — Só eu te vejo ou outras pessoas podem te ver? Já não gostam muito de mim nesse lugar, imagina se eu aparecer com uma criatura das sombras à minha volta.

— Haha, não precisa se preocupar, desde que eu queira apenas o mestre pode me ver, o mesmo sobre ouvir.

— Entendo — Logo que terminei de verificar todo o estoque, segui para a sala e tive certeza de a empregada ficar confortável. Subindo logo em seguida para o segundo andar em busca de uma muda de roupa.

A voz de Artéraphos soou quando estava prestes a sair de dentro da casa: — Irá deixar esse arpão atrás do sofá? Não vejo motivos para deixar.

— Apesar de muitas criaturas terem sido mortas desde a invasão, a cidade ainda está infestada. De qualquer forma, a barreira criada pelo arpão apenas afeta os monstros, não fará nada quanto as pessoas. — De repente me lembrei de algo a ter essa conversa: — Por falar nisso, há restos de uma criatura no segundo andar. Você quem a trouxe para cá?

Com uma risada meio sem graça, Artéraphos balançou as mãos em negação, dizendo: — Não foi minha intenção, era meu protetor. No momento que nos teletransportamos até a casa do mestre, ele simplesmente estourou em uma poça de lama.

— Então tudo bem, desde que você não tenha trazido ele com más intenções — eu disse indo em direção a saída da mansão, estava na hora das compras.

Depois de quatro anos vivendo nessa cidade eu já estava acostumado com a rota que deveria fazer para conseguir comprar alguma coisa, normalmente não era eu quem comprava, mas sim os outros empregados da mansão.

“O que diabos aconteceu para ninguém aparecer por duas semanas, será que todos morreram durante a invasão?” perguntei a mim mesmo enquanto caminhava em direção a área nobre (o centro da cidade).

Não importava o status ou a quantidade de dinheiro em suas mãos, nada de útil podia ser encontrado nos subúrbios da cidade.

— Então os nobres são quem tem controle de tudo nesse mundo? — Artéraphos perguntou enquanto esperava comigo em uma fila. Ainda estávamos no lado leste da cidade, e essa era uma das únicas lojas onde se conseguia comprar algo de útil com o status que eu tinha.

— Nobres são apenas pessoas que possuem suporte de alguém, sem esse suporte, eles não são nada. Quem realmente tem o controle de tudo são os diplomatas. — Tirando minha concentração, a voz de uma mulher sai gritada:

— PRÓXIMO! Para de enrolar moleque! — Olhando para o espaço vazio à minha frente, vi uma mulher sentada atrás de um balcão circular protegido por um vidro espesso, formando uma pequena cabine. Me aproximei, já sendo recebido: — Ezequiel, an… parece que seu nível caiu ainda mais desde a última vez.

— O quanto eu consigo com isso? — perguntei vendo ela estudar algo na pedra do balcão, provavelmente minha certidão de cidadão.

— Por que perguntar se já sabe que só pode pegar arroz — O som do cair de grãos em metal pode ser ouvido vindo de algum lugar, e logo uma portinha na parede ao lado da cabine se abriu, revelando um pequeno saco de arroz. A mulher continuou: — Dois quilos e trezentos, total… 207 créditos. Para pagar só coloque a mão no vidro.

— Espera aí, tem seis quilos a menos que o normal, mas o preço é quase o mesmo que sempre pago. — Junto a minha fala, o rosto da mulher se tornou feio.

— Olha garoto, o preço de 100 gramas é 3 créditos, que totalizam 69 créditos em 2,3 quilos. Se fosse no caso comum, você poderia pegar até oito quilos pagando o preço comum, mas o SISTEMA DIZ QUE VOCÊ NÃO TEM STATUS, E POR ISSO, VOCÊ VAI PAGAR TRÊS VEZES MAIS. Não sou eu quem faço as regras, você sabe quem é, acha que fico feliz em fazer isso com meu próprio povo? Agora sai da frente que também tenho que me alimentar. PRÓXIMO!!

Pondo a mão no vidro para pagar a conta, logo segui em direção ao saco de arroz, o puxando de dentro da portinha na parede. A voz de Artéraphos soou, me fazendo soltar uma risada:

— Esse “status”, viver sem ele é como não ter honra? Nunca pensou em se tornar um diplomata?

Olhares de repente se voltaram para mim, trazendo consigo uma séria lamentação, como se observassem uma criatura enlouquecida. Não pude me conter ao ver aquilo, era idiota, eles cochichavam entre si e diziam ser uma lastima que uma criança estivesse nessa situação: magro de fome, abandonado, e ainda ter sido rejeitado na frente de tantas pessoas pelo único que o protegia.

A voz de alguém soa alto: — É BEM MERECIDO, SEU DEMÔNIO! ESPERO QUE QUEIME NO INFERNO JUNTO COM TODAS AS CRIATURAS QUE VOCÊ TROUXE PARA CÁ!

E de repente outras vozes também começam a ecoar vindo do lado de fora da loja, mas apesar de gritarem, ninguém revelava a própria cara, apenas gritavam enquanto se escondiam atrás de outras pessoas.

A voz de Artéraphos soou, provavelmente na tentativa de me confortar: — São apenas tolos que, no fim, são bem mais miseráveis que o mestre.

— Me chamar de miserável não ajuda — eu disse saindo da loja. Aquela era apenas uma das lojas que eu ia visitar, haviam mais oito pelo caminho, mas não pude deixar de imaginar o que se passava na cabeça de Artéraphos que, durante toda a viagem, não disse uma só palavra.


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