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Sentada, Cecília observava Ezequiel se aproximar segurando algumas frutas em sua roupa. Lhe entregando uma maçã, ele senta ao seu lado em silêncio.

O reflexo do rosto da menina brilha na casca vermelha da fruta cristalina em sua mão, aquilo não era resultado de uma boa lavagem, a fruta realmente era como um espelho. Mordendo um pedaço, ela sente um gosto azedo permear sua boca, seguido por um algo doce e fino.

“O que falar em uma hora dessas?” ela pensou, sentindo uma grande distância entre ela e o garoto que a acompanhava.

— Eu pensava que a comida da cidade estava sendo produzida aqui, mas a qualidade das coisas aqui é bem maior, não acha?

— Ela é feita aqui — Ezequiel respondeu sem dar muita atenção. Seu olhar estava direcionado para a grama do chão, e a menina logo achou que ele não tinha vontade de conversar. Ele não tinha, mas se esforçou para respondê-la: — Há alguns laboratórios especializados em produção escondidos nesse lugar, mas ficam escondidos já que eles não podem desmatar esse lugar como desejam.

— Como você sabe? — ela perguntou interessada.

— Se você pensar que a cidade não tem espaço o suficiente para cultivação de grãos, fica obvio que eles usam esse lugar. A terra daqui é fértil, mas durante nossa queda não vimos fazendas ou plantações. O motivo é só um, eles não podem usar toda essa área, alguém está impedindo o desenvolvimento desse lugar intencionalmente.

Alguém com poder o suficiente para fazer algo assim? Apenas Cláudio veio a mente da menina. Ela o conhecia há anos, mesmo assim, não teria como saber seus objetivos. Mas o que Ezequiel disse realmente tinha sentido.

— Então… — ela estava prestes a dizer algo quando Ezequiel se levantou, colocando o restante das frutas em sua roupa. Cecília pergunta se poderiam ficar mais um pouco, mas o menino já havia esticado sua mão para levantá-la.

Sem consideração alguma pelo corpo frágil dela, Ezequiel a puxa subitamente. — Ai!… para que isso? — ela pergunta presa aos braços dele.

— Você corre?

— Está muito perto, é estranho, afaste-se… —- ela exclamou tentando se afastar um pouco, mas ele apenas a abraçou mais forte fazendo um sinal para ela ficar em silêncio.

Cecília não entendeu o que estava acontecendo, mas se calou. Aquilo a incomodava, apesar de estar nos braços de um estranho, ela se sentia confortável, só não a incomodava tanto quanto um certo cheiro de queimado no ar. A floresta estava pegando fogo?

O som do estalar de uma língua ecoa chamando a atenção da menina, vinha de suas costas. Ela tentou se virar para observar, mas foi parada por Ezequiel que segurou sua cabeça.

— Não olhe — ele sussurrou encostando a cabeça da menina em seu peito, fazendo ela fechar seus olhos.

O estalo ecoou novamente, cinco vezes seguidas em apenas dois segundos, ainda mais alto que antes.

Uma sensação fria percorreu o pescoço de Cecília. Afagando sua cabeça no peito de Ezequiel, ela percebeu sua respiração congelar no ar junto do diminuir da iluminação ambiente.

Olhando para o rosto sério de Ezequiel, ela se perguntou o que estava acontecendo. Como uma rocha, a feição séria e atenta do garoto se mantinha no lugar de onde vinha aquele som estranho. E seus olhos, cor de âmbar, mesmo na ausência de luz, agora brilhavam como magma incandescente.

— Precisamos ir — ele sussurrou no ouvido dela, a puxando consigo.

Sem comentar, ela apenas o seguiu por um tempo observando os arredores escuros e tentando descobrir o motivo daquilo estar acontecendo. Ainda estava de dia naquele mundo, mas do nada parecia estar noite.

Um vulto de escuridão preenche os olhos de Cecília, a impedindo de enxergar. Movendo sua cabeça de um lado para o outro em busca dos arredores, ela apenas continua a caminha enquanto cega, sentindo apenas a mão enfaixada de Ezequiel a puxando.

A voz dele soa apressada: — Olha, você vai ter que fazer isso sozinha. Há uma montanha a alguns quilômetros a frente, siga na direção dela, mas não ande em linha reta, faça uma curva pela direita na floresta e tudo ficará bem. Você deve encontrar uma cratera assim que se aproximar dela, entre nela, mas evite os caminhos silenciosos.

— Espera! Você não pode me deixar! — Cecília grita ao sentir Ezequiel soltar sua mão.

— Está tudo bem, vou te tirar daqui sã e salva assim que chegarmos lá. Você só precisa fazer o que estou pedindo. Mas não se esqueça, evite o silêncio dentro da caverna. Sempre vá sem pressa, mas nunca pelo caminho silencioso. — O peito de Cecília pulsava desesperado, suas mãos procuraram por Ezequiel, mas sua voz já havia se afastado.

Sem conseguir ver, ela procurou algo para apoiar suas mãos. Apenas a ideia de estar próxima a uma criatura a assustava, mas agora ela estava sozinha em uma floresta infestada de criaturas.

“Montanha”, ela pensou desesperada, mas mal conseguia ver o que estava em sua própria frente. 

Ela continuou a caminhar, queria correr, mas provavelmente se machucaria se batesse em uma árvore naquela situação.

O grito de uma criatura soa a sua direita, ela instintivamente se vira naquela direção. Ela devia evitar? Ou seguir naquela direção? — Ele disse para eu evitar o silêncio, mas apenas na caverna, não aqui. — Seguindo seu rumo incerto, Cecília começou a evitar os caminhos com barulhos estranhos.

O ideal era ela seguir apenas em linha reta, assim, chegaria na montanha sem muitos problemas e evitaria sair do caminho mesmo sem sua visão. Mas ela insistiu em seguir pela direita, mesmo estando incerta sobre sua rota.

— Que diferença faz se eu não posso ver! Seu IDIOTA! — ela rugiu com olhos lacrimejantes, apressando seu caminhar.

Quanto mais o tempo passava, mais frio se tornava. Em vários momentos a menina se perguntou se realmente estava indo pelo caminho correto, pois sentia algo parecido com cola grudar de baixo de seus pés, dificultando sua passagem.

Uma luz alaranjada no alto do céu chamou a atenção da garota, ela não tinha certeza do que era com sua visão embaçada, mas se aproximou para ver. Porém, seus joelhos tremeram ao perceber a auréola vermelha no horizonte. — Não, não pode ser isso.

 A sua frente, um campo aberto recebia a luz incomum de um sol negro envolto por uma auréola de fogo, iluminando parcialmente a planície florida. Apesar de haver flores naquela planície, mesmo Cecília com sua baixa visão conseguia perceber as pétalas mortas e secas, além da grama cinza pela ausência de vida. Por ser uma aluna ativa no colégio, ela sabia o que era aquele evento.

— Algo assim não foi registrado nos últimos anos. Então, como pode estar acontecendo aqui?… — Uma brisa gelada vagou pelos arredores da garota congelando seus dedos, o sol negro irradiava frio e escuridão pelo ambiente parcialmente morto. Olhando para trás, Cecília percebeu que as árvores também estavam morrendo, mas os raios solares não passavam pelas folhas. 

Observando um pouco mais ao noroeste, ela observa a única montanha nos arredores. Se seguisse em linha reta, ela com certeza não teria nenhum problema durante sua caminhada pelo fato de haver apenas a planície naquela direção. Porém, assim como aquelas plantas, sua vida seria drenada por aquele sol obscuro.

Correndo para a borda da floresta, a menina se esconde dos raios solares de trás de uma árvore. Sua visão já prejudicada escureceu mais ainda, porém, ela não podia receber aquela luz em seu corpo diretamente. Já sabendo para onde ir, ela continuou seu caminho a ritmo acelerado.

***

Horas depois, Cecília parava para observar seus arredores ao perceber uma caverna no pé da montanha. Seus braços e pernas, além de machucados, tinham um tom cinza e envelhecido. Olhando de longe, ela parecia ter ficado horas dentro da água, ao ponto de sua pele de jade quase se tornar a pele de uma senhora de sessenta anos. E sua respiração, ríspida, demonstrava o sufoco de ficar presa naquele lugar.

— Isso já devia ter acabado, por que está durando tanto? — ela pergunta observando o sol sombrio ainda cercado por aquele aro vermelho, ele nem ao menos tinha se movido um centímetro do lugar.

Ao se aproximar da entrada da caverna, a menina logo percebe se tratar de uma grota. — Devo estar ficando louca… — ela recitou pensando ser loucura confiar em alguém que nunca foi àquele lugar. Mas ignorando esses pensamentos, ela começa a se aprofundar no ambiente desconhecido.

O cascalho escorregadio e a terra quebradiça a forçam para dentro do buraco, caindo sentada, sua bunda é arrastada por todo o caminho até o fim da passagem. Ela praguejou, seria quase impossível sair dali por onde ela tinha entrado, pelo menos os raios solares não a alcançariam naquele lugar.

Um ambiente escuro, fechado, e tomado pelo som das gotas de água que escorriam das pedras e batiam no chão. Cecília mal conseguia ver o que estava em sua frente, mas ela usava suas mãos para seguir a passagem.

Seis passagens, seus dedos tocaram as paredes e descobriram as entradas. Ela não tinha tanta certeza se eram realmente seis ou estava dando voltas naquele lugar, era apenas sua suposição depois de uma análise.

Usando suas mãos, ela se aproximou de uma das entradas e focou seus ouvidos na esperança de ouvir algo. Nada, apenas o pingar das gotas de água sobre as pedras que ainda ecoava, aquilo estava por todo o lugar. Ela tentou ouvir se algo vinha dos outros buracos, mas sem ter sucesso, ela se recostou numa parede e esperou sentada por uma solução.

— Evitar o silêncio… isso seria mesmo o certo a se fazer? — ela se perguntou lembrando do que Ezequiel havia lhe dito, o que a fez ficar ainda mais apreensiva. — Eu estou com sede…

Como se um chicote rasgasse o ar, um estalo estrondoso ecoou acordando a menina bruscamente. Seu corpo mole congelou, onde ela estava? Então não era um sonho afinal? Ela estava mesmo presa naquela caverna? Sem ter tempo para se recuperar, o estalo do chicote ecoa mais uma vez chamando sua atenção, ela se virou, mas instintivamente fechou seus olhos ao se lembrar da criatura que apareceu quando ela estava com Ezequiel.

Era impossível pensar em algo naquele instante, mas de alguma forma ela imaginou ser perigoso ficar onde estava. Se a besta fosse usar aquela passagem, ela com certeza seria pega. Nesse caso, encostada na parede, ela se moveu lentamente procurando ficar entre uma e outra passagem, abrindo assim espaço para a criatura.

A besta estalou novamente sua língua tentando chamar a atenção, um método incomum, mas era perfeito para caçar humanos – seres extremamente sensíveis a sons únicos.

“Ela não pode ouvir, ou teria nos descoberto da primeira vez. ‘Aquele’ menino me impediu de olhar para ela, então só preciso evitar isso”, ela pensou, e seu palpite realmente estava correto. Porém, o som de passos se aproximou de onde ela estava, parando logo em sua frente. A besta estalou novamente a língua, e a garota entrou em panico ao perceber o som vindo do seu lado.

Sua mão sobe até seu peito, que batia acelerado, e ela sente algo afiado tocá-la. Seu coração bater em desespero, e logo um soluço ecoa pela caverna quando ela sente algo perfurar seu pescoço.

— Ei, ei, ei, não chore. — diz uma voz a avisando.

Abrindo seus olhos, ela percebeu a silhueta de uma pessoa e olhos brilhantes num tom de âmbar. Um semblante de angústia se formou no rosto de Cecília, era Ezequiel quem estava ali agora.

Sem suportar aquilo dentro de si, as mãos dela se apertaram. Ezequiel apenas percebeu quando a menina a abraçou, antes de cair em prantos e o apertar com força. Tentando acalmar a menina, ele pensa em dizer que ela foi bem em ter chegado até ali, e seria assim se ele não tivesse sentido algo quente se espalhar por suas pernas. Inicialmente ele não sabia o que era, até sentir um cheiro incomum.

Pegando a mão de Cecília, ele a puxou para algumas passagens e a levou pelos caminhos incertos daquele labirinto. O grunhido de criaturas era constante, cada passo dado aumentava os sons, mas sempre que se aproximando das bestas, Ezequiel encontrava alguma passagem os levando por um caminho completamente diferente.

Não demorou para que uma fraca luz iluminasse o fim de um túnel e um brilho chamasse a atenção de Cecília, que agora limpava seu rosto suado e cheio de lagrimas. Olhando para a mão de Ezequiel, ela percebeu não haver mais uma faixa a cobrindo, e que, na verdade, havia vários machucados feios em sua pele.

O que havia a ferido naquela hora eram as mãos descobertas do menino.

— Fique aqui por um momento — ele disse a soltando, indo em direção a algumas trepadeiras incandescentes naquela área. Cecília mal se importou com aquelas palavras, apenas o seguiu de perto, ela não queria ficar sozinha.

Assim que arrancou as trepadeiras, Ezequiel as levou a outro canto, onde uma piscina de pedras recebia uma água escura de um córrego.

Colocando as raízes das trepadeiras na água, ele esperou por alguns segundos antes de pedir que a menina tirasse suas roupas. Um olhar de surpresa tomou o rosto e Cecília, ela não se moveu, o que fez Ezequiel tomar uma ação por si mesmo.

Apesar de estar incomodada, ela apenas decidiu desviar seu olhar e se manter distante. Já Ezequiel se manteve quieto, sério, mas de forma alguma parecia incomodado com aquilo. Ele estava fazendo o que devia ser feito.

Assim que terminou, ele a levou até a piscina de água anteriormente escura, mas que em apenas alguns instantes passou a brilhar em um tom azul cristalino.

Deixando ela ali, Ezequiel pegou as roupas sujas e as levou até o fim da piscina, onde um canal se formava levando a água agora limpa para uma área ainda não explorada da caverna. Cecília o observou de relance, protegendo seu corpo dos olhos dele – apesar de não ser necessário, o interesse do menino era nulo, e seu silêncio era constante.

Após esfregar a roupa por um tempo e torcê-las para tirar a água, Ezequiel caminhou de volta para onde Cecília estava e sentou-se em um ponto cego de suas costas. Ela ainda estava incomodada, mas desde o início ele não mostrou mais do que descaso sobre aquela situação, o que a deixava ainda mais incomodada, apesar de também passar certa segurança de que ele não faria nada.

Observando as raízes espalhadas na entrada da piscina, ela percebeu que mesmo a água vindo da cor de terra, as impurezas eram absorvidas quase que imediatamente pelas trepadeiras – que de alguma forma pareciam estar crescendo e se espalhando pelas pedras a olho nu. Além disso, frutas se formaram nas raízes das trepadeiras; não pareciam comestíveis, estavam tão escuras quanto a noite, mas isso era apenas um detalhe.

“Que incomodo, por que ele não diz nada? O que ele está fazendo?”

Com isso em sua mente, Cecília se vira para o que Ezequiel estava fazendo. Ele estava de costas para ela, e seus braços se moviam de forma estranha. Sem conseguir ver ou dizer algo, ela se encolheu dentro da água.

Por um longo tempo ninguém disse nada, e apenas os sons produzidos pelas gotas que caiam das estalactites e a correnteza da piscina se mantiveram no ar.

— Se ficarmos tempo demais, alguma coisa pode nos encontrar. Quer ir embora? — ela perguntou tomando alguma coragem.

— Suas roupas não secaram ainda, não se preocupe — Ezequiel respondeu despreocupado. — Enquanto estiver aqui, você está segura.

— É um ninho de monstros, como pode ser seguro?

— Porque eu o fiz seguro para você.

Uma risada contida escapou pelos lábios de Cecília. Apesar de não acreditar naquelas palavras, ela se sentia segura de alguma forma. Pelo seu tom de voz, Ezequiel talvez não entendesse, ou não ligasse para o significado mais profundo de suas palavras, mas isso realmente importava?

— Na verdade, eu estava vendo quando você entrou em meu jardim. Vi quando você tirou suas… roupas, para banhar…

— Entendo.

— Não vai ficar com raiva? Nem se sentir caluniado? — Ela perguntou ao perceber que ele não a levou a sério.

— Por quê? Meu corpo não é um dos melhores e está fadado a ter falhas. Mas mesmo que você tenha visto, qual a diferença? Ainda não me odeio o suficiente para ter vergonha de mim mesmo.

— Minha mãe uma vez me disse que o corpo é a representação física da alma, e é por onde as energias da vida percorrem. O corpo é sagrado, cada parte dele. Se uma pessoa perde uma mão, ou um dedo que for, ele não conseguirá guiar as energias. Ele se tornará inútil, por isso não devemos mostrar nosso corpo ao inimigo, ele pode descobrir falhas e nos matar.

— Ela está certa. — Ezequiel concordou. — Sua mãe é uma mulher sábia.

A voz de Cecília de repente se torna triste. — É, ela é. Sabe… não me machuca que tenha me visto assim, se quisesse me matar, teria me deixado aqui há muito tempo. Mas isso pode magoar alguém que prezo e gosto muito. Você tomaria a responsabilidade por isso? De dizer para ele o que aconteceu?

— Quer que eu conte o que aconteceu para seu namorado? Isso só criaria um problema desnecessário, seja quem for, ninguém precisa saber.

— Ele não é meu namorado!… mas precisa saber — ela insistiu. — Apesar de ser alguém calado, e quase não demonstrar seus sentimentos, sei que ele ficaria triste se descobrisse o que aconteceu. Se ele ficar com raiva de mim, vou perder a única pessoa que não se importa com meu nome ou minha família.

— Para você falar assim, essa pessoa deve ser alguém legal.

Ela deu uma risada ao ouvir aquilo. — Ele é, tenho certeza que vai entender quando conhecer ele.

— E quem ele é?

Apesar de esperar por uma resposta, Ezequiel percebeu que as palavras da menina estavam presas em sua garganta.— Eu não sei, ele… eu não me lembro.

— Como não?

— Minha mãe me disse que era impossível eu segui-lo, que ele estava fadado ser alguém que eu não conseguiria acompanhar. Até pensei em desistir algumas vezes…

— Desistir é sempre o caminho mais fácil, ninguém vai te culpar por isso.

— ‘Como um humano pode seguir o caminho dos governantes? Quando ele for embora, você nem mesmo se lembrará de seu nome’. — Com sua voz tremula, a Cecília cai em prantos. — Não acreditei, nem quis acreditar em tudo que ela disse, mas agora eu nem mesmo me lembro de seu rosto, exatamente como ela previu que aconteceria. O que eu devo fazer agora? Eu sinto sua falta, sinto muito sua falta.

— Se não for desistir, se esforce. Além disso, nada pode ser feito.

— Como eu vou me esforçar? — ela perguntou em soluços.

Puxando uma das raízes da trepadeira, Ezequiel arrancou uma das frutas que havia nela e, sem se virar completamente, ele a colocou na mão direita de Cecília. — Essa planta só cresce no topo de montanhas, apenas alguns centímetros por ano. 

Reagindo à pele de Cecília, linhas azuis incandescentes de repente se formaram dentro da fruta que ela segurava. Ezequiel concluiu: — Ela cresce pouco, mas quando entra em contato com alguns componentes ela os absorve com ferocidade, o que faz suas raízes se espalharem com velocidade.

— Então ela come e cresce? Isso devia ser algum tipo de lição? — ela perguntou soltando uma risada.

— Não, essa fruta é o que vai nos levar para casa. Segure-a e coma quando estiver azul, mas não as sementes. Temos que sair desse lugar enquanto as coisas estão indo bem.

Se levantando, os passos de Ezequiel ecoaram para longe da menina. — Espera! Não me deixe aqui! — Ela gritou se levantando.

— Fique dentro da piscina. Se sentir fome e sede pode comer mais frutas, ela é bem nutritiva.

— Não quero ficar sozinha! Vou apodrecer dentro dessa água!

— Mesmo que ficasse duas semanas, você ainda estaria bem, isso não é água. De qualquer forma, você vai ficar bem.

— Ahnn??!!! Então o que é isso?!… — Ela gritou, mas logo Ezequiel desapareceu na passagem.

Sentando-se com receio na piscina, Cecília observou que sua pele estava tão bela quanto jade, ainda mais bonita que antes. Ela não sabia o que era aquilo, mas parecia bom. Será que era bebível? Escorregando para dentro dá água, ela deixou apenas sua cabeça de fora antes de deixar um pouco do líquido entrar em sua boca.

— Ack… que ruim. — ela disse cuspindo, mas o gosto amargo ficou em sua boca.

Olhando para trás, ela procurou pela passagem por onde Ezequiel tinha ido, olhando em seguida para o lugar onde ele estava sentado anteriormente. Apesar de ser estranho, havia um montinho de terra moldada ali, ele estava brincando com terra naquela hora?

— Sinceramente, eu não o entendo. — Ela recitou fechando os olhos e permitindo que seu corpo se afundasse na piscina. 

E enquanto ela descansava, Ezequiel continuava entre os túneis em busca de possíveis perigos naquele lugar. Muitas bestas entraram em seu caminho, mas fossem elas duras, ferozes ou venenosas, seus dedos simplesmente penetravam seus corpos e os destruíam de dentro para fora.

Indo para uma certa passagem por onde uma luz acinzentada entrava, ele observa o mundo fora da montanha, tomado por caos e gritos de criaturas que se matavam impiedosamente.

Ele riu.

— Então é isso que você estava fazendo desde o início, tio. Criando um mundo tão caótico quanto os reinos de onde fugimos.

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Olá, eu sou o D. Machado!

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