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Permitidos de se aproximarem, os aventureiros de Dart conduziram suas carruagens para o local, todos estavam maravilhados com a muralha de fogo média competindo contra o vento violento do inverno.

Eram mais de nove carruagens, algumas acomodavam até oito aventureiros.

“Ayshla, Berthran, tão aí?”

“Sim, mestre.”

“Estávamos à espera de suas ordens.”

Ambos os orcs responderam, respectivamente. Ayshla e Berthran seguiam o grupo de Kurone em outra carruagem, mantendo uma distância razoável, de maneira que alguém que atacasse o veículo do jovem não notaria as duas criaturas.

Mas devido à nevasca, eles tornaram-se inúteis, afinal acompanhavam o mestre apenas pelo seu rastro de mana, jamais saberiam se ele era atacado ou não, a menos que o garoto avisasse via telepatia.

“Vocês viram mais alguém pelas redondezas?”

“Creio que escutei barulhos de carruagens por algumas partes de floresta, mas a ventania não permitiu que nós fossemos averiguar, mestre”, respondeu o orc de tapa-olho.

“Há um grupo de aventureiros comigo, com certeza eles não são os únicos…”

“Seria uma boa ideia nos juntarmos a vocês?”, indagou a orc fêmea.

“Na verdade eu queria que vocês procurassem pela Inari, ela saiu para procurar lenha e ainda não voltou, tô achando que ela se perdeu na nevasca.”

“Como o senhor desejar”, disse Berthran, encerrando a conexão.

Assim como Inari, os dois orcs não eram afetados pelo frio, isso se devia ao fato de Berthran usar o seu Tipo Elemental vento para criar uma barreira de ar que impedia a entrada da neve em sua carruagem.

Kurone jamais pediria para que aqueles dois ficassem distantes se não tivessem a barreira de ar os protegendo. O jovem suspirou antes de encarar a multidão de aventureiros preparando uma grande fogueira com a lenha trazida em suas carruagens.

Eles tinha lenha, comida e tudo mais, no entanto o vento gelado não permitia a criação de uma fogueira comum, apenas o Fogo Infernal prevalecia ali, lutando com garra contra as correntes de ar frias.

Mas, olhando pelo lado bom, pelo menos, naquele momento, Kurone e Lothus estavam mais aquecidos, pois os aventureiros formaram um tipo de muro com a carruagem deles ao redor daquele local.

O ato não diminuiu muito o frio, no entanto estava bem melhor, se comparado há alguns minutos, quando os dois jovens quase morreram congelados.

Com o intuito de evitar a multidão de aventureiros de Dart em volta da fogueira, o jovem sentou-se um pouco distante, mas ainda no alcance do calor do Fogo Infernal. A cada dez minutos, alguém alimentava a fogueira com lenha.

Kurone estendeu um pano velho sobre a neve e sentou-se, encostado em uma das carruagens. A quantidade de veículos foi apenas para fazer um semi-círculo, por isso alguns jovens cortaram alguns troncos para completar a circunferência.

— Você não gosta de multidões? — uma voz abordou-o de repente.

Ao olhar para o lado, Kurone viu um jovem enrolado em um coberto de pelos. O corpo por baixo do tecido tremia e a vermelhidão na ponta do nariz indicava que ele não era alguém habituado a viajar pelo inverno, diferente dos outros aventureiros, que lidavam com aquilo como se fosse algo natural.

— Eu prefiro o silêncio — respondeu Kurone, voltando sua atenção para o céu tomado pelo branco. O vento transportava os flocos de neves em uma velocidade avassaladora, o que bloqueava o brilho azulado de Hipérion, a lua azul.

— E-em breve vai ter outra Sucessão Lunar, não é mesmo… Atchim! — o jovem fez outra tentativa de iniciar um diálogo.

[Puxa, Kurone, dá um pouco de atenção ao garoto, você não está fazendo nada.]

“Eu não gosto de conversar com estranhos.”

[Você quer dizer que não gosta de conversar com homens estranhos, não é mesmo?]

Argh! O que você está tentando insinuar, Nie?”

[Que você talvez seja muito assanhado.]

Na verdade Kurone esteve evitando fazer muito contato com as pessoas para não chamar muita atenção. Ele era Kurone Nakano, o jovem que devia ter morrido em Eragon, e também Loright al Mare, o responsável pela morte do Arquiduque do Inferno.

Toda discrição era importante. Uma simples interação com um desconhecido poderia estragar sua identidade secreta. Era a experiência falando, demonstrando ao jovem que ele não poderia mais cometer os mesmo erros de antes.

Durante sua estadia na mansão Soul Za, ele levantou suspeitas com a sua ignorância incomum sobre o mundo e foi submetido a um interrogatório… peculiar. Quando passou uma noite na mansão Sophiette, Ana acabou suspeitando dele devido ao seu diálogo.

Ele não poderia arriscar, podia estar sendo realmente paranoico, mas todo cuidado era pouco dali para frente.

— Qual vai ser a próxima lua? — Kurone respondeu de repente, sua voz não tinha hesitação ao falar sobre as luas daquele mundo, seu intuito era demonstrar ser alguém conhecedor do senso comum de Niflheim.

— Deixa eu ver… pelo Ciclo Lunar será… Jarnsasha, a lua vermelha. — O jovem suspirou após suas palavras. — É realmente um mau agouro viajar sob o brilho vermelho de Jarnsasha, por sorte a nevasca não nos deixa ver a lua daqui…

Kurone apenas concordou com um sorriso forçado, no entanto devido à touca do seu sobretudo, dificilmente o garoto protegido no cobertor de pelos notaria.

— Para aonde vocês estão indo?… Eu vi outras carruagens há pouco tempo — mentiu Kurone. Saber o objetivo dos aventureiros de Dart poderia mudar sua opinião sobre eles. Até aquele momento, ele manteve-se com a guarda alta e desconfiando de todos.

— Você não é de Dart?… Mas suponho que esteja pelo mesmo motivo, não é? Encontrar a vila da xamã Hyze…

Arregalou os olhos ao escutar as palavras daquele jovem. Segundo o que Lothus lhe contara, ninguém deveria saber sobre a vila dos elfos e a existência da xamã Hyze. Se todos estavam em busca da vila, então eles estavam com grandes problemas.

— Hyze… eles sabem onde fica? — Kurone disse, nem negando ou admitindo que seus objetivos eram os mesmos.

— Não… todos estão aqui movidos apenas sobre os rumores. Na verdade são jovens aventureiros, eles não têm nada a perder. Morrer no frio não seria algo tão ruim, e encontrar a vila poderia torná-los ricos se eles saquearam todos os tesouros.

— Você fala como se não fosse um deles — observou o garoto. Internamente, Kurone praguejava por, naquele momento, estar participando de uma corrida com aqueles aventureiros. Eles eram apenas patifes que matariam elfos, violentariam as elfas e roubariam tudo que eles tivessem.

— Eu na verdade não sou aventureiro… 

Aquilo fazia sentido. Aquele jovem parecia frágil demais para o trabalho. Bastava observar para sua mãos finas e delicadas para dizer que ele nunca trabalhou sob o sol escaldante antes. Não havia arranhões em qualquer parte do corpo e seu semblante poderia ser facilmente confundido com o de uma garota, assim como sua voz.

— Então, o que você é?

— Eu… é… sou um nobre, eu diria. Acontece que eu fugi de casa para participar dessa caçada, talvez assim minha família finalmente entenda que eu sou corajoso o suficiente para seguir o mesmo caminho do meu irmão!

Percebendo que ficou exaltado enquanto contava a história, o jovem encolheu-se ainda mais dentro do seu cobertor, olhando um pouco constrangido para Kurone, o rosto corado acentuava a sua aparência afeminada.

— Entendo… então você tá apenas pegando ponga com esses aventureiros.

— “Pegando ponga”?

— Nada não, esquece, parece que a comida tá pronta, bora lá? Ou um nobre como você não come aquele tipo de coisa… parece carne de monstro.

— E-eu como qualquer coisa!

Ambos levantaram e seguiram em direção ao grande caldeirão sobre o Fogo Infernal. Kurone podia não gostar da ideia, mas interagir com outras pessoas servia para aumentar o seu conhecimento sobre aquele mundo. Mesmo tendo estudado na biblioteca de Lou Xhien, havia algo que só podia conhecer pela conversa: o senso comum.

Enquanto seguia em direção à fogueira, encarou o céu tomado pelos ventos violentos, ele parecia um pouco mais calmo e a luz azulada tocava a floresta tomada pelo inverno em algumas partes.

“Uma lua vermelha, é? Não parece ser mesmo um bom sinal…”

Sua esperança era que avistasse a lua Astarte novamente, isso o faria lembrar de Rory todas as noites antes de dormir. No entanto a lua Jarnsasha só provocaria calafrios, um astro avermelhado era algo que seria encontrado facilmente em filmes de terror.

— A-ah, você não me disse qual é o seu nome… Atchim! — o jovem nobre perguntou.

— Eu sou Iolite, Iolite Cordielyte, um mercador.

— É um prazer conhecê-lo, senhor Cordielyte, meu nome é Eulides, Eulides al Mare, sou o filho mais novo do conde al Mare… e, bem, estou fugindo de casa para me aventurar — falou o jovem com um sorriso.

Kurone estreitou os olhos. Segundo o que Lao Shi dissera, ele era membro da casa al Mare e possuía um irmão gêmeo, isso significava que não tinha como aquele jovem, Eulides, ser filho ou sobrinho do Arquifeiticeiro. 

“Então, esse cara só pode ser…”

[O irmão mais novo do Lao Shi? Nossa, que coincidência, não é mesmo?]

Aquele era alguém que Kurone não podia confiar. Decidiu isso ao escutar aquele nome, se Eulides era membro da casa al Mare, de onde provinha Lao Shi, então ele com certeza não era uma boa pessoa.

— Tu-tudo bem com o senhor, senhor Cordielyte? Sua expressão ficou um pouco sombria depois que escutou meu nome… o senhor já ouviu falar do meu nome? — Não… eu apenas ouvi falar sobre a casa al Mare… e sobre a reputação dos seus membros — falou Kurone forçando um sorriso amarelo. Aparentemente, o destino gostava de lhe pregar peças, logo quando ele achou que se livrou de Lao Shi.


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