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O tempo passou-se e passou-se.

Recentemente, Sylford foi convocado para uma excursão. Por tempo indeterminado, a pessoa com mais poder na mansão era a pequena Cynthia Sophiette, embora a sua autoridade não pudesse ser usada para fugir das suas tediosas sessões de estudos — George tinha o pulso firme. 

Quanto a Kurone, seus últimos dias foram ocupados por longas horas de leitura na biblioteca, treinos na parte mais remota de Sophiette e jantares na cozinha da mansão.

Mesmo que já fosse forte, houve evolução. Seus músculos estavam mais definidos que antes, apesar de não parecer quando estava com uma camisa.  

Os livros da biblioteca da mansão permitiram-lhe aprender técnicas que pessoas comuns jamais sonhariam em saber. Pela primeira vez, teve a sensação de como era ser um trapaceiro em outro mundo.

Agora, sim, isso era uma aventura como aquelas vistas nos romances leves. Uma frase infantil, considerando o que já passou, mas a essência de otaku sempre estaria impregnada em sua alma. 

Com o armazenamento de mana infinito, não estava sujeito às restrições dos feitiços como as pessoas comuns. Um exemplo disso eram Os Olhos Que Tudo Veem, ativados até o momento. 

— Iolite? — Cynthia enunciou ao entrar na biblioteca. Houve hesitação por parte da garotinha, afinal a pessoa chamada estava imersa na leitura. — Me desculpe por interromper, mas tenho algumas notícias importantes para te dar.

— Sem problemas — o garoto pôs o seu livro sobre a madeira e encarou-a. — Pode falar.

— Então, primeiro gostaria de dizer que já encomendei o meu uniforme, quero que você seja o primeiro a vê-lo quando chegar!

“Isso é algo importante?”

{Ela acha que você estará em apuros se disser isso em voz alta.}

— Isso é o mais importante, claro… — continuou Cynthia — mas tenho algumas outras notícias… Hmm… o que era mesmo?

— Acho que sua lista de prioridades tá meio…

Ah! Lembrei! A senhorita Santa vem jantar conosco hoje!

— Hoje?!! Por que tão de repente?!

— Na verdade, ela avisou há alguns dias, mas eu esqueci. Enfim, fique bem apresentável para o jantar e não me envergonhe com seus modos de plebeu.

Foi pego de surpresa. A Santa, Minerva Clergyman, era a última pessoa que queria encontrar. Ela poderia ter descoberto provas que ligavam Kurone ao ocorrido no tribunal da capital? Isso seria bem problemático.

“Espero que tenha um lugar bom pra esconder um corpo em Sophiette.”

{Ela acha uma ideia bem melhor usar o Fogo Infernal para carbonizar a vítima.}

“Pera aí, não me dá corda… Porra, nessas horas uma pessoa como a Nie faz falta.”

— Tudo bem, querido? Você ficou meio tenso.

— Sim, sim, é só que eu fui pego de surpresa.

— Bem, você só vai precisar se comportar, eu que vou conduzir o jantar já que meu irmão não está. Espero que ela não tente dar em cima de você, aí teremos problemas.

A garota loira levantou-se e preparou para deixar o cômodo, no entanto parou na porta e olhou para o menino, como se tivesse tentando lembrar de algo?

Ah! É mesmo, tem também uma carta estranha que chegou. Normalmente apenas meu irmão recebe cartas, mas essa veio endereçada a “Kurone Nakano”… É algum nome falso seu? Se não for, meu irmão deve estar aprontando algo.

Outra surpresa. Cynthia bem que poderia ter um pouco mais de preocupação com o seu coração. 

Dessa vez, quase deixou as emoções transparecerem. A possibilidade de rever Annie, não havia como ficar calmo nessa situação. Não podia haver enganos ali, a única pessoa que enviaria uma carta a Sophiette, para Kurone Nakano, seria o homem de orelhas pontudas.

— É pra mim, é um apelido que alguns colegas da Universidade Mágica me deram… 

Teve que se esforçar ao máximo para manter a sua calma. Ainda não era hora de Cynthia descobrir sobre a sua verdadeira identidade, e nem do que ele e Sylford aprontaram na capital.

— Que apelido estranho, espero que não tenha sido dado por uma garota. Aqui, eu trouxe comigo porque achei que seria algo seu mesmo. — Ela estendeu o envelope tirado do seu busto inexistente.

Os palpites dela eram sempre certeiros, porém se ela queria mostrar seus dotes, fez mal em guardar a carta no seu território plano.

A garotinha loira deu-lhe um último abraço e deixou a biblioteca. O único barulho em meio ao silêncio do local era a respiração irregular de Kurone.

À sua frente, algo que sempre buscou: uma oportunidade de rever aquela que tanto amava.

Precisou respirar profundamente antes de retirar o conteúdo do envelope — o papel estava imundo e amassado. Desdobrando a folha, encontrou letras quase incompreensíveis. A escrita era corrida, algumas palavras foram escritas com ortografia errada e predominava o discurso informal.

No cabeçalho, um título: “Obrigado pela ajuda na capital”.

Kurone direcionou toda a sua atenção para decifrar a mensagem. A cada parágrafo, parava e absorvia o conteúdo.

Resumidamente, isso que a carta dizia: 

Atualmente (referindo-se ao dia que a carta foi escrita), o grupo de “Nie” estava viajando pelas proximidades de Dart, fugindo de guardas do oriente. Há pouco tempo quase foram pegos por uma excursão de Andeavor, por sorte não eram os alvos e conseguiram fugir.

Segundo o homem de orelhas pontudas, quando “Nie” ouviu sobre “Kurone Nakano”, sentiu um choque percorrer todo o seu corpo e precisou de um tempo para se recuperar.

Essa informação fez Kurone ter certeza de uma coisa: a viagem no tempo fez Annie perder as suas memórias, isso explicava o motivo de ela nunca ter tentado entrar em contato antes. Por sorte, o choque fez ela ter interesse na pessoa que a procurava.

Os últimos parágrafos da carta relatavam que a garota tinha interesse em encontrar-se com ele no fim do próximo mês, o local seria informado por uma mensagem enviada com alguns dias de antecedência.

Era justo, afinal ela não poderia se dar ao luxo de cair em uma armadilha caso essa informação fosse vazada. Se não fosse pelo choque, “Nie” nem cogitaria um encontro com um desconhecido.

“Obrigado, choque que eu não faço ideia de como funciona.”

{Ela tem uma dúvida.}

Hm?

{Como esta carta foi entregue? Ela duvida que algum membro do grupo de criminosos tenha a coragem de vir só, e não deve ter sido simples encontrar alguém de confiança para este trabalho.}

“É verdade, eu não pensei nisso. Talvez a empregada responsável saiba…”

{A Celestial começou a sentir uma energia estranha nesta carta. Há uma grande probabilidade do entregador ser um demônio.}

“A Nie envolvida com demônios? Se bem que eu não tô longe de ser isso aí…”

Kurone dobrou a carta com todo o cuidado. Mesmo que um demônio pudesse ter colocado um feitiço ali, ele não se importava, tudo isso era irrelevante perante a possibilidade de rever a sua amada Annie.

“Isso?…” Ele parou o seu movimento e encarou a folha suja. Havia rabiscos que não notou antes ali. Era um círculo semelhante ao que viu uma vez. O círculo possuía rabiscos em seu interior; havia um nome específico para esse tipo de desenho:

“Um Sigilo…”

Há pouco tempo, carregava algo semelhante em seu peito: o Sigilo de Azrael. Esse, grafado no papel, não era de Azrael ou Astarte, os riscos em seu interior eram diferentes. 

A circunferência e as linhas eram perfeitas, não era exagero dizer que se tratava de um desenho técnico, logo não foi feito pela mesma pessoa que escreveu a carta. 

{A Celestial reconhece este Sigilo. Este é o Sigilo de Baal.} 

Um silêncio desconfortável recaiu sobre a sala após o fim da frase de Ellohim. Por que essa carta teria passado pelas mãos de alguém relacionado ao Sigilo de Baal?

Suor frio escorreu pelas costas do garoto. Por algum motivo, o nome “Baal” tinha uma pressão esmagadora, sentia que esse nome não deveria ser dito descuidadamente. 

Boom!

Ele saltou como um gato assustado e já entrou em forma de combate, mas logo relaxou ao descobrir a origem do barulho: um livro caiu da mesa.

O volume no chão foi emprestado por Cynthia, porém Kurone não chegou a lê-lo, estava muito ocupado. Era um obra, aparentemente, de fantasia. “A História do Demônio Troca-Troca.”

O nome da obra tirou um sorriso do rosto do menino quando ele a apanhou, isso o fez relaxar um pouco. Porém, a pressão não havia desaparecido. Sentia que podia estar sendo observado por mais uma entidade que não possuía ciência dos seus objetivos ou a extensão do seu poder.

Como sempre, só podia treinar para ficar ainda mais forte. Quando ouvisse o nome “Baal” sem sentir o sufocamento, estaria pronto para enfrentá-lo sem medo. 

Olá, eu sou o NekoYasha!

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