Capítulo 4: Caça ao Hobgoblin

Sistema de Evolução Alienígena

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Caça ao Hobgoblin

 

O Coletor assistia tudo de cima, mantendo-se absolutamente imóvel enquanto observava a toca. Ele se escondeu em um emaranhado de folhas em meio a uma árvore com vista para a cova, e ficou observando por um dia inteiro, desde a noite anterior até esta noite, movendo-se apenas para rastrear os habitantes da cova.

Quase não precisava comer ou beber e seus processos metabólicos eram absolutamente eficientes a ponto de nada do que consumia iria ser excretado como resíduo. Esse detalhe foi o que o possibilitou viajar pela imensão do espaço sem ser enfraquecido de forma alguma.

O Coletor observou que havia um grande fosso no solo de onde os goblins costumavam sair e vir, carregando comida ou gravetos, pedras e folhas.

De vez em quando, ‘Draug’ surgia.

Ele tinha dois metros de altura, era fortemente musculoso e mais desenvolvido para o combate do que os goblins, com ossos densos, membros grossos e presas alongadas que se projetavam de sua boca. Sua estrutura, no entanto, era semelhante à de seus parentes goblins, com os mesmos olhos amarelos redondos e pele enegrecida. Presumivelmente, seus sinais vitais também eram os mesmos.

O Coletor memorizou os padrões de Draug e dos goblins. Os goblins faziam viagens de rotina para garantir comida e Draug ocasionalmente ia com eles para caçar presas maiores. O movimento dos goblins era relativamente aleatório, o que era esperado considerando que eram vinte deles, então sempre haveria variáveis ​​de onde eles estavam.

Todavia, havia dois detalhes importantes. Draug havia estabelecido padrões para seus movimentos.De vez em quando, ele se isolava dos goblins para ir ao seu bebedouro pessoal com água mais limpa do que a que os goblins comuns bebiam.

Aqui, ele bebia e depois expulsava suas excreções antes de voltar para a toca.

Além disso, os goblins eram noturnos, dormindo durante o dia, mas Draug era ativo dia e noite.

O Coletor estalou suas mandíbulas enquanto definia seu plano de emboscada. Ele emboscaria Draug quando ele saísse para tomar água ao meio-dia, quando a luz do dia estava forte e seu grupo estava dormindo.

Cedo na manhã seguinte, o Coletor armou sua emboscada. Ele foi para o bebedouro de Draug e extraiu o máximo de veneno de Centopéia listrada e Aranha da selva que pôde de suas mandíbulas, juntando-o na água e misturando-o.

O líquido tóxico, azul iridescente com notas de verde, pingou na lagoa transparente, turvando-a um pouco. O veneno de ambos os insetos não era particularmente forte, incapaz de matar até mesmo um goblin, mas nas quantidades em massa que o Coletor poderia produzir significativamente maiores do que qualquer pequeno inseto, foi o suficiente para matar um goblin ou desacelerar Draug.

Em seguida, o Coletor colocou pontos de teia grossa ao redor do bebedouro, tomando cuidado para evitar o caminho usado frequentemente por Draug. No caos da batalha, Draug acabaria tendo um passo em falso e aqui ele encontraria uma teia para emaranhar seus pés.

O Coletor ficou esperando, no alto de uma árvore acima do bebedouro. A próxima vítima provaria ser um desafio digno. Sem dúvida, forneceria biomassa suficiente para ascender ao próximo Nível de Transformação.

Apenas dez minutos antes do meio-dia, quando o sol estava baixo no céu, Draug apareceu.

O Coletor tensionou seus músculos, se preparando para atacar enquanto rastreava cada movimento de Draug.

Draug cambaleou para a frente, bocejando enquanto distraidamente coçava suas partes íntimas cobertas com uma tanga marrom-suja. De forma barulhenta, ele arrastava um porrete de madeira atrás dele – isso estava fora dos cálculos do Coletor.

O porrete parecia ter sido esculpido em um tronco de árvore com uma ponta cheia de pregos para causar sangramento. Quando ele se ajoelhou perto do lago, pegando um pouco da água e enfiando na boca de uma só vez. Ele tomou um único gole de água antes de começar a tossir, botando para fora o o resto.

O Coletor tomou nota. Em seus cálculos, determinou que Draug havia ingerido uma dose de veneno não forte o suficiente para imobilizá-lo, mas ainda potente o suficiente para lhe dar uma sensação de entorpecimento. Ele esperou agora por uma oportunidade para atacar. Tinha que ter certeza de que tudo ocorreria perfeitamente para compensar o porrete de Draug.

Draug olhou furiosamente para a água e socou-a. Uma explosão de água se formou – como prova de sua força. Depois de ter terminado de descontar sua fúria, ele se virou com a intenção de ordenar a seus goblins que encontrassem mais água.

No entanto, no exato segundo em que Draug virou as costas, o Coletor atacou, usando suas poderosas pernas de coelho para se ejetar das árvores como um míssil. Ele tinha seus membros de aranha cravados para a frente como lâminas, com o objetivo de empalar o coração do hobgoblin.

Surpreendentemente, Draug teve a reação de se virar. No entanto, ele não teve tempo de bater no Coletor, apenas para cruzar os braços para se defender do impacto. O Coletor ajustou seu ângulo de ataque no ar enquanto Draug protegia seu coração com seus braços fortes. Ele inclinou sua descida um pouco mais para baixo, e perfurou a coxa direita de Draug.

Antes que Draug pudesse retaliar, o Coletor retirou seus membros-aranha e saltou para trás, esparramando sangue em suas garras e na grama.

Draug rugiu de dor, com uma mão agarrando sua perna direita agora inútil e a outra balançando descontroladamente o porrete, golpeando o nada.

“Maldito seja!” disse Draug, cuspindo espuma de sua boca. Ele tentou se levantar, mas o melhor que pôde fazer foi mancar de forma desajeitada, incapaz de colocar qualquer peso no lado direito.

O Coletor não respondeu, nem poderia devido à falta de cordas vocais. Seus oito olhos estavam focados em Draug, procurando apenas por alguma abertura para usar. Seu lado direito estava exposto. Qualquer ataque lá seria difícil para o hobgoblin retaliar. Também o forçaria a colocar mais pressão na perna direita, acelerando o sangramento.

“O que é você!?” disse Draug com respirações pesadas. “Você … monstro? Não, você não é nenhum monstro que já tenha visto antes. Você deve ser o animal de estimação de um humano. Monstro dos humanos!”

O Coletor usou o esforço desperdiçado de Draug em gritar como um momento para atacar, saltando para o lado direito de Draug e acertando sua garganta com um dos membros de aranha serrado.

Draug, no entanto, foi rápido, usando sua única perna boa para empurrar para trás e se esquivar por pouco do golpe. Era evidente que ele estava acostumado a lutar, seus movimentos eram afiados e treinados. Uma expressão de surpresa surgiu em seu rosto quando ele recuou, passando por seu caminho de sempre, e pisou em um emaranhado de teias com o único pé bom. Ele perdeu o equilíbrio, tombando para trás.

O Coletor saltou no ar e pousou no peito de Draug, com o objetivo de usar suas poderosas mandíbulas para cortar sua garganta inteiramente. Draug, no entanto, foi rápido e devastadoramente forte. Ele reagiu à mordida do Coletor, rapidamente usando sua mão livre para agarrar uma das mandíbulas do Coletor antes que pudesse fechar em sua garganta. Com um grunhido, Drag arrancou totalmente a mandíbula.

O Coletor não fraquejou nem reagiu. Ele registrou os danos e adotou uma abordagem mais cautelosa. Ele se moveu um pouco mais cauteloso, esquivando-se de uma tentativa de Draug de agarrá-lo, mas ainda jogou seu peso nas pernas do hobgoblin para mantê-lo no chão.

Então, os seis braços aracnídeos do Coletor, com suas pontas afiadas com garras expostas, começaram a atacar Draug de forma selvagem.

Morte por mil cortes.

Draug gritou de dor enquanto cobria o rosto e o peito com os braços, tentando preservar seus sinais vitais. No entanto, o Coletor era um cirurgião e esta era sua mesa de operação. Seus ataques, rápidos e selvagens como aparentavam, não eram selvagens. Eles eram precisos e pretendiam infligir o máximo de dano possível, cortando os tendões e os principais vasos sanguíneos.

Um golpe perfurou um pulmão, encontrando o tecido mole através das costelas. Draug moveu seus braços instintivamente para baixo para se defender, deixando metade de seu rosto exposto por uma fração de segundo. Tempo suficiente para um membro espetar seu olho esquerdo. Cada pequeno movimento que o Hobgoblin fazia voluntariamente ou não, era aproveitado pelo Coletor.

Com uma explosão final de força reservada apenas para aqueles que sabiam que a morte estava próxima, Draug gritou e abandonou sua defesa, balançando seu porrete. O Coletor imediatamente desviou para trás, mas o ataque de Draug havia causado algum dano.

Após uma crise, três dos membros aracnídeos do Coletor voaram pelo ar, pousando no chão da floresta ainda se contorcendo e escorrendo sangue verde-escuro de suas pontas desmembradas.

O Coletor pode sentir dor, mas não para afetar suas decisões. Apenas o suficiente para deixá-lo saber que o dano foi infligido. Qualquer dor a mais teria sido inútil, e qualquer coisa biologicamente inútil havia sido eliminada a muito tempo.

Draug gemeu fracamente. Ele estava sangrando de vários cortes, espirros de sangue arterial jorravam do ferimento na coxa.

O Coletor circulou o corpo frágil e cabisbaixo de Draug. Era cauteloso, não estava disposto a entrar em seu alcance de ataque. Mesmo que Draug estivesse prestes a sangrar até a morte, não queria correr o risco de qualquer forma de retaliação que pudesse feri-lo. Essa era uma das leis primárias de um predador – não se arrisque. Entre predadores e presas, se a presa pudesse infligir até mesmo um único ferimento incapacitante, a refeição não valeria a pena.

Draug fez várias tentativas de ataque, lançando-se fracamente para a frente ou tentando balançar o porrete. A cada vez, o Coletor simplesmente saltava para trás apenas o suficiente para se esquivar antes de circular novamente como um abutre esperando que sua carniça enfraquecida caísse.

Por fim, Draug se ajoelhou na grama encharcada de sangue, com a respiração ofegante de seu pulmão perfurado. Ele lutou para manter os olhos abertos e seu corpo tremia, resistindo ao choque da perda de sangue.

“Mate-me,” disse Draug.

O Coletor continuou circulando.

“Me mata!”

O Coletor ignorou Draug. Ele se perguntou por que a criatura estava tão ansiosa pela morte. Tudo o que precisava fazer era ser paciente.

Draug grunhiu em derrota e aceitação da morte, largando seu porrete e usando os dois braços para tentar se virar de lado para sangrar com um pouco mais de conforto.

O Coletor viu Draug largar do porrete e atacou mais uma vez, sabendo que agora estava livre de riscos de ataques. Ele espetou com a ponta de um membro de aranha através da retina ocular vazia do goblin gigante, mexendo no cérebro macio acima dela.

O Coletor ficou impressionado. Draug tinha sido um adversário digno de seu estado atual. Os Coletores foram criados com uma mentalidade voltada para o combate que encontrava valor na batalha e consumo de oponentes fortes. Esta era a personalidade independente mais compatível para uma vida de batalha sem fim, de lutar e consumir o mais forte e melhor material genético em todo o cosmos.

Em contraste, um robô biologicamente programado para apenas consumir não teria o pensamento independente para se adaptar às situações de batalha e seria derrotado pela engenhosidade das outras raças.

Foi por isso que, quando o Coletor consumiu Draug, o fez relativamente devagar, cortando o corpo do hobgoblin como se fosse um prato requintado. Queria saborear o sabor de um inimigo que conseguira feri-lo. Parecia que em plena luz do dia, esta selva era relativamente segura com muitos dos predadores rondando à noite quando a visibilidade era menor. Além disso, com os goblins ainda dormindo, o Coletor teve tempo para aproveitar a coleta de bom material genético.

#sistema-escuro#

-Biomassa ganha.

–Nível de biomassa 100/100

-Novo material genético obtido.

–Hobgoblin negro

#escuro-fim#

Como previsto, o Hobgoblin negro, sendo poderoso, grande e inteligente, concedeu uma imensa quantidade de biomassa capaz de permitir que o Coletor atingisse seu próximo estágio de evolução.

 

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