Capítulo 6: Caça aos Goblins 1

Sistema de Evolução Alienígena

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Caça aos Goblins I

A entrada do covil era um buraco de tamanho considerável no chão, o suficiente para o hobgoblin ter entrado e saído livremente, coberto com pilhas de gravetos e uma camada de folhas para camuflá-lo com o ambiente. Talvez porque os goblins não queriam visitantes indesejados durante o dia, quando dormiam.

O tempo mal havia passado. A temperatura estava fria, mesmo quando a exposição à luz do sol deveria estar ao seu pico.

O Coletor olhou para cima, encarando o sol entre as copas das árvores em questionamento.

Agora que o Coletor desenvolveu um sistema ocular complexo o suficiente, poderia discernir o espectro visível de luz que o Hobgoblin também conseguia. Isso também incluia perceber formas e contornos no escuro. Mas essa evolução não explica a anomalia visual do sol desse mundo.

O sol era inteiramente negro, como se estivesse coberto por um eclipse, mas ainda emitia luz como se fosse nada o obstuísse.

Havia algumas raças capazes de construir grandes esferas entorno de seus sóis para coletar energia e, por um momento, o Coletor se perguntou se alguma espécie desse nível residisse aqui entre esses primitivos, mas as chances pareciam muito baixas.

O planeta não parecia tão desenvolvido durante sua breve análise da órbita, ainda tinha vastas extensões de natureza intocada.

Então decidiu atribuir o estado anormal do sol à alguma anomalia visual criada pelas ondas de luz reagindo com propriedades da atmosfera, apesar de desconhecê-las. Também não se importava contanto que não fosse uma ameaça ou afetasse o de alguma forma negativa.

Pelo visto, qualquer civilização aqui seria primitiva ao ponto de não dominar o ecosistema e qualquer outra espécie de vida inteligente dentro do seu próprio planeta como os ‘goblins’, imagine portar capacidades interplanetárias.

Isso deixou o Coletor mais confiante, e ao mesmo tempo, lembrou que precisava ser cauteloso. Ainda lembrava que foi derrotado por um objeto de luz sólida quando ainda estava no seu auge. Com isso em mente, voltou a focar na sua caçada.

Os insetos e pássaros eram o único som da selva, o Coletor sentiu o cheiro da flora e alguns resquícios de goblins, mas nada mais. Chegou à conclusão que não haveria nenhum interferência.

O Coletor foi cauteloso enquanto se aproximava. Ele removeu silenciosamente os gravetos e as folhas, descobrindo o buraco. Ele observou uma que a passagem descia em declive e conduzia à uma caverna muito maior onde os vinte goblins poderiam descansar confortavelmente. Ele se arrastou com certa dificuldade, pois era maior do que o hobgoblin, que tinha o tamanho máximo que o buraco podia acomodar. Entretanto, o Coletor poderia controlar sua musculatura com a precisão que nenhuma outra espécie poderia, se tornando possível passar sem fazer um único barulho.

Quando o Coletor estava lá dentro, parecia que o ar subterrâneo estava ainda mais frio, perfeito para se esconder quando a selva ficava quente durante o dia. Era visível um traço de névoa a cada respiração dada.

Pegou sua mão, agora em forma humanóide, e estendeu o dedo indicador. Linhas finas de seda de aranha emergiram da ponta do dedo, cintilando à luz do sol que penetrava na escuridão da entrada da caverna. Usou o dedo para traçar uma teia, fechando a entrada. A caverna ficou mais escura, a teia havia bloqueado a luz do sol.

Ninguém pode sair nem entrar. Não haveria sobreviventes. Nenhuma biomassa seria desperdiçada.

O covil dos goblins era bem simples. Uma grande caverna onde todos os vinte goblins dormiam. No subsolo estava escuro, mas a visão noturna e as antenas do Coletor podiam sentir cada uma dessas criaturinhas, seus mínimos movimentos, o subir e descer de sua respiração e as batidas de seus corações frágeis.

Foi uma prova do cuidado do Coletor que ele poderia andar até o meio de todos eles sem alertá-los de forma alguma. Ou talvez fosse uma prova de sua preguiça.

De qualquer forma, era uma fraqueza. Uma presa deve estar sempre alerta. O Coletor ficou desapontado. Era o que acontecia quando os animais ganhavam inteligência não refinada – eles perdem o contato com seus instintos mais básicos. Os mesmos que os permitaram estarem vivos para evoluírem o que são hoje.

O Coletor se ajoelhou ao lado de um dos goblins adormecidos. Ele se mexeu um pouco, talvez presentindo seu fim iminente, mas rolou de bruços, roncando e bufando.

O Coletor decapitou o goblin com um golpe limpo de sua garra. O sangue jorrou do pescoço vazio do goblin, espirrando em um companheiro que dormia nas proximidades. Este outro goblin acordou, esfregando os olhos. Eles brilhavam amarelos no escuro, mas com o quão largos eles se tornaram, o brilho acentuou seu terror absoluto.

“Monstro! Monstro!” gritou o goblin, levantando-se.

O Coletor cravou suas garras no estômago do goblin e expandiu seus dedos por dentro, partindo a criatura em dois.

A essa altura, todos os goblins acordaram e começaram a gritar em conjunto.

Um bravo goblin tentou morder a perna do Coletor, mas em vez disso quebrou seus dentes na carapaça.

O Coletor ergueu o pé e esmagou o goblin, esmagando o crânio da criatura sob o calcanhar.

Os goblins, com os olhos adaptados à escuridão, viam tudo com clareza e sabiam que não tinham chance contra aquele intruso.

“Draug! Draug!” eles gritaram todos juntos. Com a histeria coletiva tomando conta deles, eles se moveram instivamente para mais dentro da caverna, para uma câmara secundária menor.

O Coletor não se apressou, seguindo-os lentamente.

“Onde está Draug!?”

Os goblins olharam em volta confusos. O Coletor também olhou. Esta caverna era mais aconchegante do que a anterior. Era mais privada e menor com uma cortina feita de folhas e galhos. Havia também um tapete e uma cesta cheia de frutas. Suponho que sejam os aposentos de Draug.

“Eu matei Draug”, disse o Coletor com suas novas cordas vocais. Sua voz era profunda e rouca, com um tom enfatizando cada palavra com uma entonação não natural de arrepiar a pele. Eram os efeitos colaterais da produção de cordas vocais misturados com material genético insetóide.

“Eu o massacrei por inteiro em seu bebedouro. Ele não é nada além de ossos agora. Não sintam pena, pois ele teve a honra de fazer parte de algo maior, algo que suas mentes simples nunca sequer conceituariam algum dia.”

O Coletor se aproximou dos goblins e eles recuaram ainda mais, amontoando-se e tremendo de medo.

“Você é forte! Você é Draug agora!” disse um dos goblins.

“Você é Draug! Você é Draug!” repetiu os outros.

“Eu sou Draug?” disse o Coletor. Ele se ajoelhou no chão para olhar os goblins nos olhos, quase como se estivesse falando com crianças. “O que isso significa, pequenas criaturas? Draug está morto. Eu mesmo o matei, consumi sua carne e devorei seus ossos. Não deixei nem mesmo uma gota de sangue para trás.”

O Coletor não era bobo. Embora tivesse gostado de simplesmente aniquilar todos esses goblins e consumi-los, era melhor obter conhecimento deles, visto que a extração de memórias em espécies inteligentes era limitada. Até o Coletor estar no auge de seu poder, ele ainda estava em um mundo estranho e desconhecido de muitos perigos.

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