Supreme Magus – Capítulo 87

Capítulo 87
Regresso
Tradutor: Eduard0|| Revisor: Eduard0

Desde que Lith fora oficialmente admitido na academia Griffon Branco, a vida dos habitantes da vila de Lutia se tornara mais fácil e segura, principalmente para Nana. Quando se espalhou a notícia de que a vila era o berço de um mago, os nobres haviam se tornado mais amigáveis, evitando violar a lei ou causar problemas.
Mesmo os comerciantes que passavam teriam mais chances de oferecer descontos, não mais perseguindo os ferreiros locais. A multidão habitual de bandidos e criadores de problemas, que geralmente ficavam em torno da taverna durante a noite, tinha se tornado mansa ou abandonada por completo.
Certamente, esse comportamento não veio da bondade de seus corações, nem do medo do jovem de que talvez no futuro se tornasse um grande mago. Todo mundo sabia que ele estava fora, e levaria não menos de dois anos para ele voltar.
A razão para essa mudança repentina de coração, dependia do fato de que aqueles que não se comportaram tinham o estranho hábito de desaparecer sem deixar vestígios, se matando deixando para trás uma nota de suicídio confessando seus crimes ou simplesmente morrendo em acidentes.
O que todo mundo, menos Nana, ignorou, era que o local de nascimento de um mago era seu feudo inicial. Sendo Lith avaliado como aluno do Rank A, uma das unidades pessoais da rainha monitorava constantemente a vila, eliminando problemas pela raiz.
Eles não tinham como distinguir um criminoso simples de alguém que, por vontade própria ou manipulada, estava tentando prejudicar a família de Lith. Mais importante ainda, eles não se importaram.
Assim que alguém fosse identificado como uma ameaça em potencial, mesmo que as investigações não desseem resultados, eles se livrariam do problema, apenas para ficar do lado seguro.
A rainha os manteve atualizados sobre o desempenho e o potencial de Lith, enfatizando a importância de não lhe dar mais motivos para se ressentir do Reino Griffon.
Após os resultados do exame simulado, foi apenas por causa do cumprimento de Duque Hestia em relação às regras da escola, deixando sua filha sozinha em águas quentes e sem tentar se vingar, que ele mal conseguiu manter seu ducado e seu pescoço.
(AN: Duke Hestia é o pai do líder do trio que tentou assediar Lith durante o primeiro dia. Ver Cap. 57)
Com base no que seus contatos haviam contado a Nana, uma vez que o talento de Lith havia sido reconhecido pelo próprio Manohar, tanto a Corte quanto a Associação dos Magos levaram a sério seu bem-estar.
Para Nana, isso significava a chance de manter um alto preço em seus serviços, apesar de não ter mais nada a fazer fora de seu papel de curadora.
“Oh oh oh!” Ela riu, aproveitando outra manhã ensolarada. “Quem pensaria que ajudar esse espírito jovem de seu irmão poderia trazer o novo auge da minha vida. Nunca foi tão pacífico em anos.”
“Como meu irmãozinho pode ter alguma coisa a ver com isso?” Tista riu, enquanto usava a magia da tarefa para limpar o quarto.
Nana balançou a cabeça.
“Tista, minha garota, você ofusca seu irmão em muitas coisas. Aparência, gentileza, modos de cabeceira. Há apenas duas coisas que você realmente deve tirar dele.” “Um é talento. E o outro?” Apesar de ter aprendido feitiços até o nível três, Tista ainda não tinha ideia de como Lith conseguiu curá-la. Ela só poderia explicar isso com uma lacuna abismal em seu dom de magia.
“Não, eu nunca criticaria alguém por algo inato. Eu estava falando sobre ser cínico e prático. Você é ingênua demais para a sua idade.
Se seu irmão estivesse aqui, ele me olharia com um olhar arrepiante, faria algumas perguntas às quais eu responderia enigmaticamente, e tenho certeza que ele entenderia o que quero dizer. “
“Lith não tem um olhar arrepiante!” Tista repreendeu seu mentor.
“Ele é o irmãozinho mais amoroso e atencioso que se pode pedir.”
Nana zombou.
“Porque ele sempre a tratou como uma jóia preciosa. Tente perguntar ao seu futuro cunhado o que ele pensa sobre Lith. E quando o fizer, olhe-o diretamente nos olhos e não deixe que ele mude de assunto.”

Tista estava prestes a rebater, quando a porta do escritório da casa se abriu. Ambas as mulheres viraram a cabeça, descobrindo que não era uma paciente, Lith havia retornado.
“Irmãozinho!” Tista o recebeu com um abraço caloroso.
“Você não mudou nada!”
Ele a abraçou com força, desejando poder beijá-la na cabeça, mas ela era sete centímetros mais alta que ele.
“Eu fui embora por um mês, não um ano! Ou você esperava que eu voltasse assustado da frente de batalha?”
“Malvado!” Ela o empurrou com raiva falsa, dando um pequeno soco no ombro dele.
“Obrigado por tudo que você fez por mim, mestre Nana. Eu não estaria na academia sem você.” Lith também abraçou seu antigo mentor.
Nana gostou do abraço por um momento, perguntando a si mesma se não fora um erro escolher não ter filhos. Depois de cair da graça, ela se retirou, evitando qualquer relacionamento significativo para não se machucar novamente.
Talvez fosse apenas a velhice, ou talvez sair com aqueles dois pirralhos tivesse quebrado sua armadura. De qualquer forma, já era tarde demais.
“Por que você está perdendo tempo com esse velho morcego?” Nana o repreendeu, cutucando-o na cabeça com sua bengala.
“Seus pais estão preocupados com você. Tista, você pode ter o resto do dia de folga. Traga-o para casa, use a força se for necessário.”
Tista riu, pegando o braço de seu irmão antes de sair.
“Alguém se sente pegajoso hoje. Desde quando você gosta de ser mimado?” Lith riu do gesto afetuoso.
“Desde sempre, duh!”
Durante a caminhada, Lith notou muitos jovens de repente mudando de direção ou atravessando a rua.
Entre sua beleza, seu status e renda como a futura curandeira da vila, Tista era uma das moças mais cobiçadas. Muito poucos se preocupavam com o fato de ela ainda estar a dois anos da idade do casamento.
Antes da partida de Lith, a maioria estava com muito medo de se aproximar dela. Ele havia matado homens aos seis anos de idade, um animal mágico aos oito anos, e era famoso por ser superprotetor de sua família.
Embora mães e meninas elogiassem sua determinação, isso causou medo no coração dos pretendentes, que agora acreditavam finalmente ter mão livre com ela.
“Existe alguém em particular incomodando você?”
Tista fez um de seus sorrisos radiantes que podiam iluminar uma sala.
“Não, obrigado. Eu posso me defender. Além disso, eles são inofensivos.”
“Você tem certeza? Acidentes acontecem. Você apenas tem que dizer a palavra.”
Solus sacudiu. Apesar do tom casual e seu sorriso brilhante, ele não estava brincando.
Tista não percebeu e riu da ‘piada’.
“Falando em acidentes, a vila ultimamente ficou muito quieta. Eu temia que depois que você saísse, bandidos atacariam assim que Nana deixasse a vila. Em vez disso, toda a região nunca esteve tão segura em anos.”
Lith levantou uma sobrancelha, incrédulo, não fazia sentido até que ele se lembrou das palavras de Linjos.
– “Eu quase esqueci que minha família está sob vigilância. Devo ter cuidado para não ser seguido ao realizar meus experimentos”. –
Como eles conversavam diariamente com o amuleto da comunicação, Tista perguntou-lhe por que ele havia desaparecido nos últimos três dias. Lith contou tudo sobre o simulado exame, deixando-a admirada.
“Cinco magos lutando juntos contra bestas mágicas do mal? Que experiência! Aposto que você parecia os heróis das histórias que papai sempre nos contava quando éramos pequenos.”
“Bestas mágicas não são más. Algumas são boas, outras ruins, como seres humanos. E não parecíamos heróis, mais como adolescentes assustados. Além disso, sou péssimo com as pessoas, e você sabe disso. Você não me escutou falando ou você está apenas tentando me lisonjear? “
Tista apertou seu braço novamente em resposta.
Quando eles chegaram em casa, Lith notou que os campos cultivados eram maiores do que ele lembrava, havia agricultores ajudando seus pais. Agora que todos os filhos haviam se tornado independentes, Elina e Raaz haviam decidido expandir os negócios da família.
Quando o viram, correram para o lado dele, abraçando-o enquanto chorava incontrolavelmente.
“Meu bebê, meu bebê está de volta.” Foi a única coisa que eles conseguiram dizer.
Lith se sentiu incrivelmente feliz e desajeitado ao mesmo tempo. Feliz por seu amor infinito, estranho porque ele ainda estava acostumado e porque não sabia se merecia.
O verdadeiro Lith, o filho deles, morreu doze anos atrás, substituído por uma mente alienígena. Ele sabia que não era culpa dele. Ele não matou o bebê, nem os escolheu de bom grado.
Claro, Orpal e Trion se condenaram com suas ações, mas foi a milagrosa sobrevivência do bebê que os levou a esses eventos. Lith sentiu-se responsável por terminar com aquela família maravilhosa.
– “Você não está esquecendo alguma coisa?” Solus se intrometeu com sua linha de pensamentos.
– Sem você, sua mãe poderia ter morrido de parto. Lembra como ela estava fraca na época? Se ela estava sofrendo, ela pode não ter sobrevivido, deixando-se ir sem lutar.
Sem mencionar que não sabemos o que teria acontecido. Orpal pode muito bem começar a mirar Tista em vez de você, e nós dois sabemos como ela não foi capaz de se defender. Ela poderia ter morrido, por doença ou pela mão do seu irmão doente.
Eu posso vê-lo facilmente, ensinando-lhe uma lição, resultando em suas condições piorando. Claro, ele se desculparia mais tarde e perceberia seu erro, mas ainda acho que ele teria se deserdado.
Você de alguma forma o forçou a dizer todas essas coisas ruins para Tista, fazendo ela, sua mãe e Rena chorarem o tempo todo? Você o manipulou para enviar aqueles cinco capangas para bater em você? Não. Era tudo dele, e ele pagou o preço.
É muito melhor ter dois bons filhos saudáveis, em vez de um idiota vaidoso. A única maneira de Orpal ser feliz era ser filho único. “-
Conhecendo a natureza humana, Lith estava propenso a concordar com ela. Roubar um alimento de um recém-nascido, sua obsessiva necessidade de atenção, eram todos indicadores de uma personalidade distorcida. Lith não perdoou Orpal, nem sentiu pena dele. Apenas para a família dele.
Sentindo o abraço caloroso de Tista, vendo-a segura e feliz, rapidamente dissipou as dúvidas que estavam nublando sua mente. Salvar uma única Tista ou Rena, valia a pena matar mil Orpals.


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