Selecione o tipo de erro abaixo

Os assaltos persistentes continuavam a direcionar-se implacavelmente na minha direção, cada bola de fogo parecendo uma sentença iminente. A destreza se tornara minha aliada, e apesar da dor, conseguia desviar das investidas, afastando-me gradualmente do misterioso mascarado.

— Tá bom, chega dessas bolas de fogo fracas. — ele declarou, e a criatura tigrina que o acompanhava transformou-se em uma espécie de gosma preta, evaporando-se instantaneamente.

A distância entre nós agora beirava os quinze metros, uma distância que meu próximo ataque poderia facilmente alcançá-lo. No entanto, hesitei. Seria essa a intenção dele? Provocar-me para atacar?

Em combates como este, a habilidade de antecipar os movimentos do oponente torna-se crucial. No entanto, minha incerteza aumentava. Ele estaria acompanhado por outras criaturas, à espreita nas sombras?

Os sons de passos ecoaram do fundo da sala, interrompendo meus pensamentos. Um homem de aparência mais velha, robusto e vestido com roupas de frio, além de um chapéu coco preto, emergiu da escuridão. Seu olhar denotava uma experiência profunda, e sua presença sugeria que ele não era um mero espectador.

— Senhor, esse homem é um dos invasores. — disse o mascarado com uma calma que indicava um respeito evidente pelo homem de chapéu coco.

— Tudo bem, Willer. Ótimo trabalho contendo esse homem. — a voz grave do homem de chapéu coco reverberou pela sala, uma melodia intrigante.

— Sério, senhor?! Fico honrado! — Willer respondeu, quase transbordando entusiasmo.

— Deixe as bajulações para depois. — o homem de chapéu coco comentou, então seus olhos se voltaram para mim. — Você é forte. Nunca encontrei um corvo tão resistente quanto você. Suportou um ataque de fogo do tigre de Willer à queima-roupa e usou dois ataques incrivelmente poderosos que poderiam tê-lo matado rapidamente.

— Pediu para o carinha parar com as bajulações, mas está aí babando meu ovo, o que você quer? — questionei, mantendo meu tom de voz desafiador.

— A essa altura, você já deve estar ciente de que somos membros da Colher. O que me intriga é como conseguiram as informações sobre o evento que planejamos. De qualquer forma, não é bom continuarmos com isso se os corvos sabem. — ele se virou para Willer. — Vamos bater em retirada, Rixa falhou em capturar a mulher.

— Já vão embora? — perguntei com um sorriso. — Manipulação do Espaço: Corte Teleguiado!

Meu corte voou em direção ao homem de chapéu coco. Ele permaneceu imóvel até que, ao se aproximar, o corte pareceu teleportar-se para trás dele, acertando um banheiro masculino do colégio.

— O que foi isso? — murmurei, perplexo com a habilidade desconcertante.

— Como eu disse antes, não tenho tempo para isso. Você pode ser forte, mas é apenas forte considerando os corvos em geral. Para nós, os membros ativados da Colher, você não passa de lixo. — ele disse, olhando-me com uma superioridade calculada.

Esse homem era completamente diferente do mascarado. Será que ele é tão forte assim? Quem são esses membros da Colher afinal? Como conseguiram permanecer tanto tempo despercebidos?

Ele agarrou Willer pela roupa e correu com ele em seu braço, como se fosse uma carga leve. Tentei segui-los pelos corredores, mas perdi a pista deles depois do terceiro corredor que dobraram.

— Merda…! — murmurei, minha mente cheia de perguntas sem resposta enquanto a poeira da batalha se dissipou.

O melhor que posso fazer agora é localizar Vitor e Bernardet, recuperar a peça que não germinou e tentar extrair algumas pistas desse sujeito usando o Rem.

Desloquei-me apressadamente pela escola até deparar-me com Bernardet, que estava sentada junto a uma parede.

— Bernardet?! O que aconteceu? Onde está o Vitor?!

— Ele foi atrás da garota mascarada… havia outra pessoa aqui, além do sujeito com quem você estava lutando… — ela parecia frágil, visivelmente com dificuldade para falar.

— Calma, não se esforce… vou te levar de volta.

— Mas e o Vitor?! — sua voz estava alterada.

— Dos meus colegas de equipe, Vitor é o último com quem eu me preocupo fazendo alguma loucura. Não se preocupe com ele, vou te levar até o Pit e depois voltarei para buscar o Vitor.

Não vai demorar muito; o apartamento do Pit fica bem próximo daqui.

Ergui-a pelo braço, colocando-a nas minhas costas, e a carreguei para fora em uma corrida em velocidade máxima. A contagem regressiva ainda mostrava 1 hora e cinco minutos de uso do meu instrumento.

Chamado de “Lâmina Quebra Limites”, esse é o nome do meu instrumento. Com ele em mãos, posso realizar minha manipulação a cada 30 segundos. Trata-se de um artefato que, além de acelerar o tempo de recarga da minha manipulação, estende o meu limite de uso para infinito até que seu tempo total se esgote.

O período total de utilização desse instrumento, uma vez ativado, é de 1 hora e 20 minutos. Portanto, ainda tenho tempo para lutar.

Graças a essa ferramenta, consigo empregar minha manipulação diversas vezes dentro desse intervalo de 1 hora e 20 minutos. Sem ela, eu só poderia realizar isso algumas vezes por dia, sem recorrer à quebra natural de limites, algo que afeta negativamente o corpo a longo prazo.

— Pit, cuide de Bernardet para mim.

— Como? O que aconteceu?

Pit me encarava com um olhar desconfiado e surpreso. Claro, Bernardet estava em meus braços, com o corpo fraco, e eu suado e ferido da luta anterior. Seria estranho ele não esboçar nenhuma reação.

— Agora não é hora para perguntas; preciso fazer algumas coisas. Pode ficar de olho nela para mim?

— Bom… tudo bem, capitão.

— Chefinho? — chamou Júlia ao chegar perto e me ver ferido; seu sorriso desapareceu rapidamente. — Chefe! O que aconteceu?!

— Não tenho tempo para explicar! Pit, cuide dela. Júlia, venha comigo; vou te explicar durante o caminho.

Ela afirmou com a cabeça. Deixei Bernardet no sofá junto a Pit e parti com Júlia de volta na direção do colégio.

Por enquanto, Pit é a melhor opção para proteção. Como possui manipulação de invocação, pode vigiá-la com o dobro de atenção.

O que me deixa um pouco incerto sobre o que está acontecendo é a situação do colégio em si. Eles desistiram muito rapidamente para pessoas que estavam planejando isso anos atrás.

Pode ser que tenham planos de contenção caso descubram sobre os eventos, ou talvez tenham desistido simplesmente porque acham mais viável bater em retirada para não se colocarem em mais perigo. 

Esta foi a primeira vez que um corvo teve contato direto com essa organização e sobreviveu para contar a história. Se o que Bernardet disse antes também estiver correto e eles estiverem tentando eliminar todos que estão em busca deles sem deixar rastros, então até agora não estamos tão mal quanto pensei.

Vitor deve estar próximo, possivelmente em um combate contra eles. O problema é que ele não é eficaz em enfrentar vários oponentes; suas habilidades destacam-se mais em lutas individuais ou quando oferece suporte a alguém com sua manipulação.

Enquanto as condições impostas por sua própria manipulação não forem descobertas, ele estará parcialmente seguro.

Durante o percurso, contei tudo para Júlia em cada detalhe, assim como Vitor estava ciente quando me ajudou. Logicamente, Júlia também deveria estar 100% ciente do que estava acontecendo e dos perigos que poderíamos enfrentar.

Afinal, essa empreitada é apenas um capricho que escolhi, não algo ordenado pela redoma.

Ela aceitou tranquilamente, dizendo:

— Chefe, quando precisar de ajuda, não hesite em me chamar… não, em nos chamar! Somos uma equipe!

Apesar de a ajuda deles ser valiosa, tenho receio de apostar tudo em uma missão que nem mesmo é oficial, além de envolvê-los na mentira de Bernardet.

O fato de ter omitido informações da redoma por tanto tempo é algo difícil de engolir, mesmo para mim, embora esteja fazendo o mesmo atualmente para ajudá-la.

Descobrir e derrotar a colher sem que a redoma saiba é mais fácil de dizer do que fazer.

Olá, eu sou o Gebs!

Olá, eu sou o Gebs!

Comentem e Avaliem o Capítulo! Se quiser me apoiar de alguma forma, entre em nosso Discord para conversarmos!

Clique aqui para entrar em nosso Discord ➥