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Há nove anos, eu tinha 18 anos e acabara de ingressar na minha primeira equipe de corvos como um simples membro. No mesmo dia em que o grupo de cinco foi formado pela redoma, nosso capitão nos convocou para um piquenique, uma iniciativa para que todos nos conhecêssemos melhor. Inicialmente, achei a proposta estranha.

Não era algo que os corvos normalmente faziam, especialmente considerando a frequência com que colocávamos nossas vidas em risco. Mas como o capitão havia solicitado, decidi comparecer para evitar qualquer descontentamento.

O local marcado era um parque em uma cidade bastante conhecida. Cheguei 10 minutos mais cedo e avistei duas pessoas vestidas com as roupas distintas dos corvos. Decidi me aproximar dessas figuras misteriosas.

— Olá, sou o Lenny, prazer. — me apresentei, usando o nome que tinha na época.

— Nina, prazer em te conhecer. — respondeu uma garota baixinha com óculos redondos.

Nina tinha a permissão especial de manter o mesmo nome em todas as missões por ser filha de um corvo. Essa prática visava consolidar a influência dos corvos, utilizando os nomes dados pelos pais em conjunto com o sobrenome da família.

— Anderson. — disse o outro rapaz com as mãos nos bolsos.

Antes de adotar o hábito de fumar, Soares tinha uma aparência notavelmente mais jovial. Mas o que me fazia ter vontade de rir ao recordar esses momentos era essa tentativa de tingir o cabelo de preto, embora seu cabelo sempre tivesse sido branco por algum motivo peculiar.

— Vocês são da equipe do Lic? — perguntei.

— Sim, viemos para o piquenique assim como você.

— Sim.

— Sabem onde ele está? — fiz outra pergunta.

— Hm… eu não faço ideia, e também está faltando uma integrante do grupo…

— Não.

Uma falava um pouco e o outro falava quase nada; a dinâmica era um tanto monótona no início. Não que eu quisesse que eles falassem mais, mas, já que estava lá, precisava de algo para distrair a mente e evitar o tédio.

Um som de jato rasgando os céus ecoou, já que estávamos ao ar livre. As nuvens começaram a se dissipar quando algo cortava os céus entre elas. Subitamente, a figura alterou sua trajetória para baixo e começou a se aproximar de nossa posição.

— Que droga é essa?! — exclamei.

— Ahhhh… Vai acertar a gente! — murmurou Nina.

— Não posso morrer agora, ainda não ganhei 100 mil. — disse Soares.

Todos desviamos simultaneamente do projétil que atingiu o chão com impacto, levantando uma nuvem de poeira. Quando a poeira baixou, revelou um sujeito de camisa regata e shorts de praia, parado no local onde o projétil havia caído. Ele segurava um pirulito na boca com os dentes e uma das mãos no bolso, enquanto a outra segurava uma garota de longos cabelos vermelhos.

— Caramba, isso foi muito foda! — exclamou a garota de cabelos vermelhos.

Essa era a Greta, e na época, seus cabelos eram longos.

— Não foi? Não foi? É bem melhor que andar de carro. — disse o cara usando shorts de praia.

— Você é o Capitão Lic? — perguntei, ainda sem acreditar no que estava vendo. Nina e Anderson olharam para mim com incredulidade.

— Yes! — ele exclamou em outra língua.

Greta saiu dos braços dele e ficou de pé.

— Essa é a nossa equipe? — ela perguntou, olhando para Lic.

— É a minha equipe! Pode tirar o cavalinho da chuva que aqui quem manda sou eu, boneca. — ele respondeu.

— Você só é o capitão porque é mais velho!

— Chora mais que eu gosto. Hahaha! — ele ria enquanto fazia uma pose de vilão.

— Esse cara é o capitão da nossa equipe…? — murmurou Anderson, ainda incrédulo.

Lic nem estava usando a roupa de corvo, o uniforme padrão que os corvos usam em missões. Normalmente, os corvos sempre estão com seus uniformes para identificarem rapidamente a equipe encarregada de lidar com qualquer situação imprevista que possa surgir.

— Eae, cambada, sou o Lic, o capitão mais brabo da organização. Sou o cara que vai mandar em vocês daqui em diante, hehehe. — ele disse enquanto sorria e ria.

— Você tem algum tipo de problema? — perguntei.

— Pó, ainda bem que perguntou… minha mulher tá me pedindo para pagar a pensão do moleque, mas ele nem é meu filho! — ele disse abrindo os braços.

— Eu estava perguntando se você tem um problema da cabeça, não um problema da sua vida! — falei.

— Ah, tá… esquentadinho esse aí, hein… — ele disse para Greta.

— Você tem esposa? — Greta perguntou, apertando os olhos em dúvida.

— Não, relacionamento amoroso só dá problema.

— Então, por que disse que tinha?

— Eu sonhei que tinha uma esposa e um filho, que na verdade era filho do meu irmão, e que minha esposa estava me enganando!

— Que sonho doido… eu sonhei que estava no mundo de uma série que assisti, foi estranho pra caramba.

Eles continuaram conversando sobre seus sonhos malucos por alguns minutos, enquanto o resto da equipe ficava olhando e se perguntando quando eles iriam acabar com isso.

— Ai, cambada, tão afim de bater um rango? Tem um lugar aqui que tem um rodízio de churrasco bom pra caramba. — disse o capitão.

— Rodízio de churrasco…? A gente não ia fazer um piquenique? — perguntou Nina, envergonhada.

— Éeee… a gente ia fazer um piquenique… mas eu fiquei jogando até tarde ontem e esqueci de comprar os bagulhos pra comer.

Esse cara é muito desleixado. Ele é realmente o nosso capitão? Normalmente, espera-se que um capitão seja uma pessoa madura e responsável. Só olhando para esse cara de baixo para cima… dá para perceber que ele não tem nenhuma dessas qualidades.

— Churrasco eu topo. — disse Greta.

— Então partiu! — exclamou o capitão Lic, dando uma rodadinha e apontando para o céu com o dedo indicador.

Olá, eu sou o Gebs!

Olá, eu sou o Gebs!

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