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O Capitão Lic nos conduziu a um local para comermos juntos, e rapidamente escolhemos uma mesa próxima ao banheiro, uma exigência peculiar do capitão.

— Podem comer quanto quiserem, eu pago hehehe. — disse o capitão, acomodando-se de maneira preguiçosa na cadeira do restaurante.

— Que isso, tá rico agora? — perguntou Greta, percorrendo fervorosamente o cardápio.

— Eu recebi um aumento! To feliz pra caramba!

Normalmente, quando um corvo é promovido a capitão, ele recebe um aumento condizente com sua patente no momento. No entanto, mesmo entre os capitães, existe uma hierarquia, um tipo de ranking que determina o quanto cada um recebe.

— E qual é a sua posição agora? — perguntei, interessado em saber o status dele.

— Capitão grau 1, por algum motivo a redoma me deixou pular do grau 3 para o 1. Estou recebendo 30 por mês, grana boa! Grana mais que boa! — ele exclamou, rindo.

— 30…?! — balbuciou Anderson, parecendo impressionado.

— Isso… é bastante dinheiro… — murmurou Nina. — Em 1 ano de trabalho, você consegue juntar 360 mil.

— Isso tudo…? — perguntou Anderson, seu rosto parecia iluminado com algumas faíscas de felicidade e surpresa. — Atualmente, eu ganho apenas 6.000, o dobro de um salário mínimo de um corvo.

— Agente grau 2, né? — perguntei, e ele afirmou com a cabeça.

— Quanto mais alto no ranking você estiver, maior vai ser seu pagamento, cambada. Vocês sabem, dinheiro é bom pra cacete, hehehe. — ele disse com um sorriso pomposo no rosto.

Nina olhou para o capitão, parecia querer perguntar algo.

— Quer perguntar algo, Nina? — perguntei para ela, o que a fez olhar para mim com uma expressão levemente espantada.

— Não é que… quanto tempo geralmente leva para ganhar uma promoção? Eu sou agente grau 3, estou recebendo 3 mil por mês. É uma quantia boa… mas eu preciso de bem mais que isso.

— Se não me engano, para você ser promovido, primeiro tem que realizar uma contagem de missões pré-estipuladas pela redoma. Eles disponibilizam a tabela no manual de instruções, mas também está disponível no REM. Depois, você precisa ou pedir para o capitão da sua equipe que envie um pedido formal para a redoma. Eles irão analisar e ver se você é capaz de subir de cargo. — respondi.

— É isso mesmo. — confirmou o capitão. — Normalmente, os capitães fazem os pedidos formais quando veem que a pessoa está pronta para um cargo mais alto, até porque, quanto mais pessoas de cargos altos dentro da equipe, mais aumenta o valor da equipe em força. Assim, a equipe acaba sendo chamada para lidar com ameaças mais poderosas.

Mas a evolução de um corvo depende somente dele mesmo, às vezes podendo pedir dicas para os mais antigos.

Isso normalmente não funciona muito para aqueles que possuem manipulações inatas, que são unicamente suas. Como ninguém teve a mesma que você, não é possível que te ajudem a melhorar ela se não têm experiência no uso.

Pessoas que recebem manipulações herdadas de seus pais têm experiências acumuladas de toda uma geração passada, treinos específicos e técnicas que já foram criadas e que só precisam ser dominadas. Diferente daqueles que nascem com manipulações inatas e precisam se virar criando seu próprio arsenal.

Um ótimo exemplo é a Greta, que faz parte da família Smith. Eles possuem um repertório gigantesco dentro do mundo das manipulações. Por conta disso, ela pode treinar de maneira focada em aspectos que realmente melhoram seu desempenho e entendimento da sua manipulação.

Por isso, ela é a única agente grau 1 aqui. Não é uma capitã por conta do seu histórico ruim com a redoma, então colocaram ela em uma equipe onde tem alguém para vigiá-la, essa pessoa é seu próprio irmão mais velho, o Capitão Lic Smith.

Enquanto comíamos, conversamos sobre assuntos paralelos, aprendi um pouco sobre todos da equipe.

Anderson busca dinheiro; resumidamente, ele quer conseguir a maior quantidade de dinheiro possível dentro do tempo limite de 2 anos, e depois vai sair do emprego de corvo por conta de uma brecha que possui no contrato.

— Quando começa o serviço como um corvo oficialmente, mesmo trabalhando oficialmente, o país colocou um tipo de lei que permite o abandono do emprego dentro do limite de 2 anos. Se você não sair do emprego durante esse tempo, o contrato que você assinou para começar a trabalhar nos primeiros anos vai fazer entrar em vigor uma cláusula que diz que, a partir daquele momento, no caso, após os 2 anos de tempo limite, se o corvo em questão não abandonar o emprego, ele deve cumprir 15 anos de trabalho antes de poder sair do emprego novamente e, caso saia, teria de pagar uma indenização… que não é barata. — comentou Anderson.

— Então você viu nesses dois anos a oportunidade de fazer dinheiro? — perguntei. Ele afirmou com a cabeça.

— Bem engenhoso! — exclamou Greta.

— Não tanto assim, estou no meu primeiro mês e estou recebendo pouco menos de 10 mil. É uma boa quantia, mas com os gastos mensais, sobra quase metade do dinheiro ganho. Em 2 anos, recebendo 6 mil a cada mês eu teria 144.000 mil, eu queria no mínimo 100 mil no final desses 2 anos.

— Não está saindo tudo do jeito que queria? — perguntou Greta.

— Não muito… lembra que eu ainda tenho gastos mensais? Por conta disso, eu não vou ter 144.000 no final dos dois anos. Eu fiz as contas, normalmente por mês eu gasto em torno de 2.500 para me manter, aluguel, luz, comida, além de gastos de emergência quando necessário. Tirando esses 2.500 dos 6 mil que recebo todo mês, eu ficaria com 3.500. Aí multiplicando por 2 anos fica 84 mil, abaixo do mínimo esperado. E como eu disse, é o mínimo esperado, o que quer dizer que na verdade o recomendado seria um valor mais alto.

Ele parecia uma pessoa que não falava muito, na verdade, ele não falava muito. Mas ainda assim, quando perguntado sobre dinheiro ele discursava bastante com a mesma cara apática de sempre, quase nunca sorrindo ou fazendo uma expressão distinta.

— Para que se quer tanto dinheiro? — perguntou Lic, com a boca cheia de carne.

— Quero ser médico. — ele respondeu, o que deixou todos surpresos.

— Uau… médico? Por essa eu não esperava. — disse Greta, surpresa.

— Uma faculdade de medicina é muito cara, então é necessário uma quantidade grande de fundos. Nunca tive muito dinheiro, então achei que poderia arrecadar esses fundos trabalhando por 2 anos como corvo. Mas é mais difícil do que eu achei.

O telefone de Lic começou a tocar, ele puxou do bolso e se levantou da mesa.

— Cambada, vou atender uma ligação aqui, ninguém toca nas asas, sacou?

Todos apenas concordaram com a cabeça, mas logo quando ele saiu, Greta pegou as duas asas que estavam na mesa e as devorou completamente.

Nina, a garota baixinha e de óculos redondos, faz parte de uma família antiga de corvos também. Por conta disso, dinheiro não é um problema para ela, já que a maioria das famílias de antigos corvos são endinheiradas. Mas ela ainda mora com os pais e tem o desejo de sair da casa deles e morar por conta própria. Pareceu não gostar muito de morar junto deles.

— É sufocante… por assim dizer. — ela comentou.

— Eles ficam te mandando fazer o que você não quer? Participar de festas com gente que você não conhece e até não gosta, ficar estudando técnicas da manipulação hereditária da família, treinar todo dia e ficar recebendo atenção da mídia? — perguntou Greta, lambendo os ossos das asas que havia devorado.

— É isso mesmo… — ela murmurou.

— São parecidos com os meus pais, a diferença é que meu irmão não deixou isso acontecer com ele, aí a responsabilidade meio que foi passada para mim, mas assim como ele não tenho interesse no nome da nossa família.

— Eu também não tenho interesse!

— Então vaza ué.

— Você saiu? — perguntei para Greta.

— Não.

— Então porque fica falando para ela sair?

— Porque ela não quer ficar. — ela respondeu — Eu to pouco me ferrando para a minha família e o nome dela, mas por conta do nome e da minha família não preciso me preocupar com nenhuma questão financeira, eu acho isso uma benção! Tudo o que eu tenho que fazer, pelo que diz o acordo que fiz com meus pais, é cumprir com as missões e me tornar capitã para aumentar a influência do nome da família. Não tenho problemas em cumprir com isso, contanto que eles continuem me bancando.

— Entendi. O seu salário… não, o seu pagamento não é o que a redoma envia todo mês, mas sim os seus pais te bancando pelo tempo que fizer o que eles mandam.

— É isso aí. Contanto que eu faça o meu trabalho, não tenho que me preocupar com mais nada. Além disso, não tem sensação melhor do que espancar um verme, hahaha!

Nina ficou inquieta por um tempo, mas resolveu abrir a boca.

— Eu não quero ficar nas costas dos meus pais para sempre… — ela percebeu o que falou e rapidamente olhou para Greta assustada — Não tenho nenhum problema com seu estilo de vida! Desculpa se falei algo que a ofendeu ou algo do tipo…

— Tá tranquilo, eu não ligo para o que falam, contanto que possa viver do jeito que eu quiser, sou de boa a qualquer tipo de comentário.

— É que eu… eu queria ser independente, não precisar deles… e, ser meu próprio refúgio… ou algo assim.

— Eu entendo o que você quer dizer. — respondi.

— Entende…?

— Não tive o mesmo tipo de vida que você, mas entendo o que quer dizer com conquistar sua própria independência. Além disso, também entendo você Greta.

— Sério…? Hahaha, não achei que você falaria isso. — ela disse gargalhando.

— Mas eu não estou trabalhando como corvo para ganhar dinheiro, então acaba que no fim, mesmo entendendo seus motivos, eu não sei como é completamente.

Isso fez todos na mesa ficarem curiosos por um momento, até que Anderson, olhando fixamente para mim resolveu perguntar:

— O que você quer?

— Eu…

Antes de terminar, Lic chegou com o telefone em sua mão e um sorrisão na cara.

— Cambada, cambada, temos um verme aqui pertinho! Ele está fugindo de uma equipe e tá rolando uma perseguição do caralho!

— Eita! Sério?! — perguntou Greta, um sorriso de animação desenrolou em seu rosto.

— A redoma me mandou levar minha equipe até lá, para a gente acabar com o verme, vambora!

Olá, eu sou o Gebs!

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