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(Soares)

Consegui sobreviver ao confronto mortal contra a besta aracnídea. Esse verme revelou-se uma força assombrosamente superior ao que minha mente ousara conceber. Sua monstruosidade desafia toda lógica e razão.

Refugiei-me em um apartamento nas ruas sob seu domínio, escondendo-me nas sombras para evitar a atenção letal de sua presença. Surpreendentemente, trouxe comigo o jovem que inicialmente buscava saquear os cadáveres deixados em seu rastro. Juntos, enfrentamos o terror silencioso, esperando que a escuridão fosse nossa aliada.

Horas se passaram, e a criatura se fortaleceu com uma voracidade perturbadora. Cada batida do meu coração ecoava o perigo iminente, enquanto eu tentava desesperadamente encontrar uma rota segura para escapar do território sob seu controle. 

Cada passo fora do abrigo improvisado era uma dança perigosa com a morte.

A cada hora que se desvanecia, a ameaça crescia exponencialmente, transformando a fuga em uma proeza cada vez mais impossível. 

Cada sombra parecia esconder garras afiadas e olhos famintos, enquanto o verme aranha impunha seu reinado de terror sobre a cidade. 

Contudo, em meio à desolação, encontrei outros sobreviventes. 

Civis assustados, refugiados nas sombras da cidade, uniram-se a mim no confinamento claustrofóbico do apartamento. 

Agora, somos uma pequena comunidade, 14 almas desesperadas, todos compartilhando o mesmo esconderijo precário. Nossas vidas dependem da astúcia, da união e, acima de tudo, da esperança trêmula de que a luz do amanhã nos traga alguma redenção em meio a esse pesadelo interminável.

— Isso é um tormento… — murmurou o garoto, Rick, ao meu lado, seu descontentamento ecoando no ambiente sufocado do quarto.

— Hm… você sente como se estivesse encurralado aqui? — perguntei, compartilhando o peso do cansaço enquanto nos acomodávamos contra a parede.

— Hm? Claro…! E além disso, preciso voltar para casa; ele já deve estar ficando preocupado comigo… — O desânimo sombreou seu rosto.

— Seu irmão? — indaguei, buscando nas linhas do rosto dele a história não contada.

— É… não costumo ficar fora por tanto tempo. — Ele lançou um olhar a duas crianças que, junto com outras pessoas no esconderijo, se entregavam a uma fuga temporária na brincadeira. — Ele é alguém que precisa de proteção, entende?

— Entendo. — Concordei, reconhecendo o vínculo que ultrapassava as circunstâncias sombrias.

— Não entendo, tipo, você é assim tão certinho? Dando conselhos a adolescentes aleatórios, frustrando tentativas de fuga para salvar pessoas e trazendo-as para cá. Que inferno é esse? Você é algum tipo de benfeitor? — ele disparou, uma ponta de irritação colorindo suas palavras.

— Não sou uma pessoa boa… — murmurei, as palavras saindo como um suspiro confessional. — Mas não me vejo como uma pessoa má. Eu sou… apenas eu, isso é tudo.

Ele me lançou um olhar de desapontamento e então soltou:

— Que sem graça…

— Era para ser engraçado? — indaguei.

— Não completamente, mas você me lembra um pouco o burrinho do meu irmão… ele é tão inocente, acredita que o mundo é maravilhoso, mesmo doente. Sorri e se dedica a ajudar as pessoas. Se ele descobrisse que o dinheiro para os remédios vem de roubos, recusaria usá-los até a morte, ordenaria que eu os devolvesse aos donos. — Ele falou, e uma cascata de memórias pareceu inundar seus olhos.

— E você não gosta que ele seja assim?

— Hm? Tá maluco? Ele ser assim é o que o torna único, e eu o amo exatamente do jeito que ele é. Inocente, às vezes meio tolo. — Ele riu ao concluir, e por um breve momento, seu riso trouxe um leve sorriso aos meus lábios.

Um som estranho ressoou, alto o bastante para perturbar as aves em outras cidades, fazendo-as baterem asas freneticamente e fugirem. Pude observar pelas janelas enquanto voavam, como se estivessem escapando de algo.

Levantei-me e encarei Rick. Seu olhar preocupado encontrou o meu, e então ele se voltou para os civis do outro lado, visivelmente apreensivos e se abraçando.

Aproximei-me da janela, abrindo parte da cortina para espiar o que se desenrolava lá fora. Minha surpresa foi imediata ao testemunhar o caos que se desdobrava.

— Não pode ser… — murmurei, ainda incapaz de aceitar completamente a realidade diante dos meus olhos.

— O que houve, cara? — questionou Rick.

— Um casulo redondo se formou bem no meio da rua, ali.

— Ok, e o que isso quer dizer?

— Eu só espero que minhas teorias estejam erradas, mas se estiverem certas, significa que o verme está se multiplicando…

A expressão de terror tomou conta do rosto de Rick, seus olhos buscando os meus em busca de alguma explicação.

— O que faremos? — ele perguntou, com medo evidente em sua voz.

— Não podemos mais esperar pelo resgate; teremos que conduzir essas pessoas para fora daqui por conta própria.

Falar é mais simples do que agir, especialmente numa situação em que sou o único com conhecimento e habilidades para enfrentar esses vermes. Claro, Rick também possui habilidades de manipulação, mas ele não foi treinado para o combate, e não me atreverei a pedir isso a uma criança.

O que consigo oferecer é guiá-los o mais próximo possível da saída da zona controlada pelo verme. No caso de sua aparição, minha função será segurá-lo pelo máximo de tempo possível, permitindo que eles fujam em segurança. Este é o plano, mesmo sabendo que enfrentar uma ameaça como essa é uma batalha incerta.

— Hm… Senhor Soares, o que está acontecendo? — questionou um homem chamado Daniel.

— Hm… vou ser honesto com você, a situação está se tornando cada vez mais perigosa. Temos que fugir daqui o mais rápido possível.

— Mas é por causa da criatura? — indagou, o medo marcando sua expressão.

— Teremos que lidar com ela mais tarde… avise aos outros, estaremos saindo em 10 minutos.

Ele assentiu com a cabeça e partiu para repassar a mensagem.

— A gente tem chance? — perguntou Rick, assim que o homem saiu.

Teríamos, se eu tivesse meu instrumento comigo. Seria possível segurar a criatura por ainda mais tempo, talvez até criar dificuldades reais para ela.

Após a última missão, deixei meu instrumento com meus colegas e esqueci de recuperá-lo. Por conta disso, fiquei em completa desvantagem durante o primeiro confronto.

Agora, com o verme mais forte, há a possibilidade de que eu não consiga vencê-lo sozinho, mesmo com meu instrumento.

— Droga… — sussurrei, um desabafo que deixou Rick visivelmente inquieto e nervoso.

— Que droga… — ele murmurou em eco.

Olá, eu sou o Gebs!

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