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(Kaiser)

Fui convocado pela redoma para uma missão que, a princípio, considerava tediosa, mas a monotonia não me incomodava tanto. A vigília tinha suas vantagens inegáveis.

— Hm… Capitão, tem certeza de que pode se dar ao luxo de jogar enquanto estamos em uma operação? — questionou Joe, meu colega de equipe, enquanto ocupava uma cadeira ao meu lado.

— Oh, qual é… não há nada para fazer aqui. — resmunguei, desinteressado. À minha direita, dois outros membros da equipe compartilhavam o mesmo sentimento entediante.

— Estamos aqui para vigiar a cidade infestada pelos vermes, não para nos divertir… e que jogo é esse, afinal? — indagou Cris, com uma expressão surpresa.

— É um jogo de confeitaria, é divertido.

— Ainda joga esses jogos medíocres… — ela murmurou.

Sempre apreciei esses jogos de gerenciamento, onde se administra uma loja, vendendo bolos, tortas e biscoitos doces.

— Vocês estão preocupados demais. Além de nós, há outras nove equipes por aqui; não precisamos ficar tão tensos. — comentei.

— Pois é, e nenhum dos outros capitães está ocupando o tempo com jogos de confeitaria no celular. — acrescentou Ren, outro membro da equipe.

Murmurei e guardei o celular.

— Pronto, satisfeitos?

— Não — os três responderam em uníssono.

— Vocês não acham que estão pegando muito no meu pé, não? — perguntei, tentando desviar o foco da pressão que começava a se acumular.

— Capitão. — disse Oliver, um companheiro de equipe que retornara há alguns minutos.

— Ah, está tudo bem? Aconteceu algo? — perguntei, buscando qualquer distração para escapar do interrogatório.

— Não, não. Até agora, a situação é a mesma.

— Então, o que descobriu? — perguntou Cris, penteando seu longo cabelo com uma impaciência evidente.

— Pelo que parece, vamos acabar entrando uma hora ou outra.

— Droga! — exclamou Ren — sabia que não seria só algo de ficar só observando e relatando, que saco!

— O que você está reclamando? Ainda estamos com sorte! — disse Oliver, provocando uma reação surpresa e confusa de todos.

— Como assim sorte? — perguntei.

— Fiquei sabendo que convocaram a Greta Smith para cá; pelo que parece, ela vai fazer parte do time de invasão também.

— Droga, sério? A Greta? — exclamei surpreso, enquanto meus olhos buscavam Cris, que sorria maliciosamente para mim. — O que foi, afinal?!

— Que nada! Nem adianta fingir que esqueceu! — ela exclamou, apontando o dedo acusador para mim.

— Não sei do que você está falando… doida… — murmurei, desviando o olhar e assobiando como se nada estivesse acontecendo.

Cris levantou-se abruptamente, agarrando-me pela gola da camisa e sacudindo-me várias vezes, enquanto dizia com fúria:

— Você perdeu a aposta! Então trate de cumprir com a sua parte!

— Aposta? Que aposta? — perguntou Oliver.

— Ontem eu e o capitão apostamos sobre quem seria convocado pela redoma. Eu apostei que a Greta Smith viria, ele disse que não. Aí eu falei: “Se ela vier, então você vai pedir para sair com ela”, e ele aceitou. — ela explicou.

— Que coisa idiota… — murmurou Joe. — Apostar nesse tipo de coisa é coisa de criança, né?

— O importante é que eu venci. — ela afirmou, então olhou para mim com olhos faiscantes de raiva — então, trate de cumprir a sua parte.

— Beleza! Beleza! Eu faço! Eu faço! Mas vamos deixar isso para depois, tá? Temos que ser profissionais! — falei, tentando restaurar alguma dignidade.

Então, ela me largou, e eu caí no chão. Ela se virou triunfante e se afastou, deixando um rastro de vitória.

— Agora você pede profissionalismo, né? — comentou Joe, com um sorrisinho zombeteiro.

— Não enche! — exclamei, e todos riram.

O sinal de emergência ressoou, indicando que estávamos diante de uma situação especial. Todos se levantaram rapidamente, ficando em alerta sem saber ao certo o que nos aguardava.

Cris retornou e disse:

— O verme está se mexendo! Venham rápido! Chamaram a gente.

Todos correram na mesma direção que Cris, com seus instrumentos em mãos, chegando a uma tenda enorme que se destacava diante de uma rua bloqueada por pessoas armadas.

Adentramos a tenda e nos deparamos com várias equipes de corvos reunidas no local. Entre as nove equipes presentes, eu conhecia apenas algumas delas, especificamente os capitães.

Capitão Spot, um homem alto de cabelos lisos e longos, com um rosto digno de um modelo. Pelo que me falaram, ele se tornou um corvo após descobrir que possuía uma manipulação inerte poderosa. Assim, pausou sua carreira de modelo e concentrou-se na vida como corvo.

Capitão Bu, um homem alto, robusto e careca, com um braço maior que a minha cabeça. Ele se destaca pelo temperamento sádico e, às vezes, um tanto extravagante. Na maioria das vezes, está quase sempre sorrindo ou falando alguma besteira.

Capitã Daniele, uma mulher de cabelo curto e liso. Usa um tapa-olho no olho direito e ostenta uma cicatriz enorme desenhada como um sorriso em seus lábios, estendendo-se até a parte inferior dos ouvidos. Pelo que sei, ela é conhecida como “ceifadora”, mas desconheço o motivo desse apelido.

— Posso perguntar o que está acontecendo? Porque o alarme? — perguntei, o que fez todos olharem para mim.

Um homem que não é um corvo foi o primeiro a falar, cabelos lisos e loiros, com os lados aparados deixando apenas em cima da cabeça com cabelo penteado. Se não me engano, esse cara é um dos assistentes da redoma, Péricles.

— Você não prestou na primeira reunião que tivemos aqui? — ele perguntou, um olhar afiado vindo na minha direção — falamos que, caso tivéssemos que tocar o sinal de emergência, só poderia ser por um motivo sério.

Na verdade, eu estava na reunião, mas estava com ressaca da noite passada, e a dor de cabeça estava me matando. Mas não dá para falar isso agora, né.

— Ele está saindo? — perguntei, nervoso.

— Pelo que captei de cima, ele está neste momento em uma caça; além disso, temo que ele esteja começando a querer se multiplicar. — ele disse, provocando choque em muitos.

— Mas que tipo de verme é esse?! Ele apareceu não tem nem uma semana! Como ele já está querendo se reproduzir? — perguntou um corvo.

— Não tenho uma resposta concreta, mas se fosse para falar algo, eu teorizo que ele seja um tipo especial de verme, que evolui mais rápido que os normais.

Isso deixou todos ainda mais espantados; a ideia de que possivelmente teremos de lutar contra uma criatura dessas não deixaria ninguém que deseja viver para os próximos dias felizes.

— Senhor, desculpe, posso fazer uma pergunta? — perguntou uma mulher com a mão para cima; o cara ao lado dela pareceu surpreso ao vê-la levantar a mão.

— Hm, não tem problema, você é? — disse Péricles.

— Carol. Carol Trás Gone, sou da equipe do capitão Soares. — ela disse com um olhar firme, deixando todos perplexos.

Afinal, o capitão dela esteve em contato direto com a criatura e lutou contra ela. Não temos notícias dele desde então. Alguns acreditam que ele esteja morto, outros acreditam que ele esteja escondido em algum lugar na zona em que o verme controla, mas não temos como dizer nada até que possamos entrar e averiguar por nós mesmos.

— Ah, é você, o que você queria perguntar? — disse Péricles.

— Você disse antes que a criatura estava caçando, não? Se ela está caçando e até agora não capturou a sua presa, devo dizer que poderia ser o capitão Soares. Não deveríamos enviar todos logo de uma vez para ajudá-lo!?

— Calma, não tem como saber se realmente é ele.

— Mas e se for?

— E se não for? Está disposta a sacrificar a vida de todos nessa tenda por uma crença infundada dessas? — falou Péricles, então olhou para Carol com um olhar sério e desviou os olhos para baixo de sua cabeça por um segundo e voltou. — E não apenas a vida deles, né?

Esse comentário por algum motivo deixou Carol extremamente irritada.

— Você pode, por favor, não ficar brincando comigo, Péricles? — ela perguntou, bastante irritada.

— Brincando? Eu não estou… hm… deixa, vamos deixar isso de lado agora. Temos que nos preparar para uma possível tentativa de invasão a esse lado; pelo que pude observar, a criatura está vindo nesta direção enquanto caça algo. Temos que esperar aqui e conter qualquer tentativa de invasão na próxima rua; não podemos deixar ela expandir ainda mais o seu ninho. — ele falou, e todos concordaram.

Carol saiu da tenda irritada; o cara que estava ao lado dela saiu junto com ela tentando acalmar sua fúria.

— Fiquem ligados, ele pode chegar a qualquer momento. — disse Péricles.

Olá, eu sou o Gebs!

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