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Capítulo 14: A Biblioteca

UNHM*

            Li se jogou na cama, cansado após um longo dia. Ele havia acabado de tomar um banho quente e estava de toalha com o vapor ainda saindo do seu corpo. Deitado olhando para o teto, lembrou de quando ainda estava preso a Tai Lung.

            — Parece que foi há anos… — falou consigo mesmo.

            Rolando na cama, Jihan relembrou tudo que aconteceu até ali. O cérebro dele apitava que algo estava fora do lugar. “Por que ela agiu daquele jeito?”. Pensando no modo que Akemi o tratou de manhã, refletiu sobre tudo que poderia ter causado. “Eu fiz alguma coisa que a machucou?”. Se espreguiçando, olhou para o relógio.

            “Está cedo ainda, talvez eu deva dar uma volta.”

            Saindo do quarto, usando roupas sobressalentes que tinha comprado pela pechincha de 20 pontos cada uma, ele se direcionou à praça de alimentação que, apesar do nome, não tinha sido usada para esse propósito até então.

            — Estou morrendo de fome. — Dando uma mordida em um sanduíche que acabara de comprar, Li observou ao longe Akemi ir até o mural e, logo após, subir numa das plataformas.

            “Aonde ela está indo a essa hora?”, Li foi até os orbes. “Se eu me lembro bem, ela puxou algo daqui…?”. Vendo que a frase acima da bola de cristal dizia “Biblioteca” ele teve uma certa repulsão com o orbe. “Bem, que mal poderia causar? É só ler alguma coisa por uma hora.” Puxou uma das esferas e, dirigindo-se à plataforma mais próxima, a estourou.

            Quando sua visão finalmente clareou, ele estava em uma estrutura monumental de formato ovalado. Estantes lotadas de livros formavam corredores por toda a biblioteca. O piso de madeira fez com que Li se recordasse de uma velha escola que havia frequentado na infância.

            — Esse lugar… é incrível! — O garoto declarou.

            — De fato, meu jovem. Aliás, não só incrível, é magnifico!

            Li se surpreendeu com a voz que surgiu do seu lado. “De onde esse velho veio?”. O homem tinha cabelos e barba brancos, usava óculos redondos e era aparentemente cego de um olho.

            — Boa noite?

            — Boa noite, garoto. A que devo o prazer da sua presença nesse esplêndido lugar?

            — Senhor? Já nos conhecemos? — perguntou Li, inquieto.

            — Ainda não, mas é uma honra. Meu nome é Hakim, como devo me referir a você?

            — Meu nome é Li. — “Ultimamente eu tenho me apresentado com frequência.” O garoto pensou consigo mesmo.

            — Perfeito, agora que já nos conhecemos, voltemos à pergunta anterior. A que devo o prazer da sua presença nesse esplêndido lugar?

            “Esse sujeito é um pouco excêntrico. Todos nesse lugar são sempre tão… diferentes?”

            — Só vim dar uma olhada, não estou procurando nada.

            — Seria esquisito se viesse procurar algo, aqui é uma biblioteca. Aliás, não apenas “uma”, mas a maior delas, milhares de anos de conhecimento estão guardados aqui. Geralmente você vem aqui para achar as respostas de suas perguntas, e não para procurá-las. — O homem brincava com as palavras, deixando Li cada vez mais confuso. — Então diga-me, qual é a sua pergunta?

            Jihan ficou sem resposta, não queria dizer que tinha chegado até lá em decorrência de sua curiosidade relacionada à Akemi. Então optou por dizer uma coisa que faria sentido para o velho.

            — Senhor, eu estou buscando uma maneira de ficar mais forte.

            — Seção 37B, só seguir esse corredor… apesar de que… acho que uma biblioteca é melhor para deixar o seu inimigo mais fraco.

            — Hakim?

            — Ah, não se preocupe comigo, é só um delírio de um velho que já está passando da idade haha… — Deixando Li para trás, ele gritou de longe: — Se precisar de mim é só me chamar, já sabe meu nome!

            Jihan acenou para o velho e continuou para a direção que foi indicada. Todas as prateleiras tinham um número e uma letra, não demorou muito para que ele encontrasse o que procurava. Quando chegou, pegou o primeiro livro que encontrou.

            “Kung-Fu? Em livros? Esse lugar deve ser uma piada.”

            Devolvendo o livro ao seu devido lugar, Li passou de estante a estante olhando os títulos. Até que um chamou a sua atenção.

            “As fundações da Mana, Albert H. Hye. Que nome esquisito… parece interessante.”

Se lembrando de ter ouvido Michael citar a palavra, Li puxou o livro, sentou-se a mesa e começou a folheá-lo. “Eu não consigo ler isso!”. Percebendo estar numa língua desconhecida, ele exclamou. “Não, deve ter um jeito.”

— Hakim?! — gritou chamando o homem, sua voz ecoando pelo lugar inteiro.

— Pois não? — Uma voz veio do lado do rosto do garoto.

Tomando um susto, olhou aterrorizado em direção à aparição. “De onde esse velho veio?!”

— Ah… Eu não consigo entender o que esse livro diz, existe alguma versão traduzida?

— Ora, meu jovem, essa é a única versão que temos. — Hakim puxou um par de óculos extra do seu bolso. — Eu até poderia te ensinar o método de leitura por mana, mas como você ainda não despertou, só posso te ajudar com isso.

— Óculos?

— Não apenas óculos, é um artefato, possibilita que mesmo pessoas comuns consigam ler em qualquer idioma. Experimente — disse o homem entregando o item.

Li estendeu a mão e pegou o objeto, mas ao colocá-lo não sentiu diferença alguma. Quando olhou para o livro, porém, as palavras pareciam fazer completo sentido em sua cabeça.

— Isso é incrível! Obriga-. — Quando olhou novamente, o bibliotecário já tinha desaparecido.

            — “Muito antes do “tudo” existir, dois seres habitavam o vazio da existência.”Jihan ficou empolgado ao notar a presença uma história. Apesar de nunca ter estudado, ele já tinha lido algumas poucas narrativas.  

O primeiro deles era um ser solitário cujo nome era Kun. Ele almejava ter alguém para estar junto e sentia um vazio em seu peito que nunca poderia ser preenchido. O segundo deles era um ser altruísta de nome Yan. Ele se sentia mal por existir somente junto do irmão e queria se espalhar, habitar em tudo que existe e ajudar tudo que podia. Ambos os irmãos não se gostavam, mas não podiam existir sozinhos.

            Por um momento, as palavras pareciam deixar o papel e circular no entorno do garoto, mostrando uma verdadeira história.

            Em um certo momento, Yan, cansado da existência, pediu ao único ser que poderia matá-lo, seu irmão, para desse fim ao seu martírio. Quando morto, a sua alma imortal banhou o universo, criando tudo que conhecemos, o céu, a terra e até as estrelas. Também deu origem à mana e aos mais variados tipos de exercício dela que conhecemos.

            Fogo, Água, Terra, Ar e o mais misterioso deles, Álmos. E por muito tempo o universo progrediu em completa harmonia, tudo parecia se encaixar e mover em uníssono. Tudo; exceto por um ser.

            Após a morte de seu irmão, Kun ficou mais sozinho do que nunca.

            Quando as primeiras vidas surgiram, tudo que respirava ia ao encontro do único ser divino. Ele se sentiu mais vivo e feliz do que nunca, mas como se o destino pregasse uma peça ao ser, por todos precisarem ir de encontro a ele. Todos começaram a fugir dele.

            No ápice de sua solidão, e em todo seu poder, Kun, com uma lâmina, se dividiu em dois, para que nunca mais se sentisse sozinho. Agora acompanhado, o ser dilacerou todos os que o negaram, e o seu “outro eu” abraçou e deixou em paz todos que o aceitaram. Ainda dizem que se um dia algum ser vivo ouvir o sussurro da noite, é melhor aceitar de bom grado o sono eterno.

 Os dois lados de um mesmo ser se repulsavam e, no mesmo nível, nunca poderiam destruir um ao outro. Esse novo equilíbrio gerou um novo tipo de mana: a luz e as sombras. À medida que os seres vivos avançavam no tempo, diversas formas de utilizá-las eram descobertas.

— Hm… o que temos aqui? — Uma voz feminina veio do lado de Jihan, interrompendo a leitura.

 O garoto colocou o livro na frente do rosto, fingindo não estar vendo a mulher do seu lado.

— Li Jihan, não é mesmo? — Liming consertou os óculos em seu rosto. — Para onde foi o desdém relacionado à leitura que demostrou mais cedo? — debochou. — O senhor mudou de ideia tão rápido, uma pena que não gosto de homens indecisos.

— O que você quer? — se entregando à provocação barata, ele perguntou. — Não está vendo que estou ocupado?

— Grosso. Eu só queria te entregar isso. — Estendendo a mão, deixou um livro em cima da mesa.

— Manual de cultivo de mana? Para que eu precisaria disso agora? — perguntou um pouco irritado por ser interrompido.

— Você não é muito inteligente, não é mesmo?

Jihan apertou o livro em suas mãos. “Essa tampinha!”

— SIM! Eu não sou, desculpe por isso! — Levantando-se, pegou os dois livros e foi ler em outro lugar.

Por não ter esperado uma reação tão brusca, Liming apenas ficou parada vendo ele ir embora. “Acho que fui um pouco demais”.

Em outro lugar, Jihan, resmungando, abriu o livro que ela havia o entregado.

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