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Antes mesmo do sol nascer por completo, o grupo já estava de pé. Sem tempo a perder, juntaram todos os seus pertences e os arrumaram nos cavalos.  

— Escutem bem, a partir de agora quero o dobro de foco e atenção — comandou Matheus. — A única certeza que temos, que há uma ameaça, fora isso não sabemos de nada. 

Sem precisar dizer uma palavra, a equipe concordou. Era na prática a primeira missão dessa nova formação e eles mal tiveram tempo de ser organizar entre eles. 

Terminando de selar os animais, montaram e partiram. 

Não demorou muito para chegarem à vila. Apesar de ser um dia inteiro de viagem, considerando o tamanho do reino, ainda era mais perto da capital do que das fronteiras. Ainda assim, a vila possuía muros um pouco maiores e dois guardas na entrada.  

Ao se aproximarem do portão, assim como aconteceu anteriormente, um dos soldados se aproximou para identificá-los por segurança. Como foi na vila anterior, Matheus apresentou o símbolo de Arcádia em sua pele, o qual comprovava sua legitimidade como aventureiro. 

— Membros de facção por aqui? — questionou o guarda. — Por que vocês vieram tão longe da capital?  

— Por que…? — Matheus se segurou por um instante. — Qual sua identificação, soldado? 

— Alferes Jacó — respondeu o homem.  

— Certo, Alferes, eu sou o Líder de Equipe Matheus, nós viemos investigar sobre o caso do ‘filho desaparecido’, você provavelmente deve ter ouvido falar… 

Para evitar conflitos entre o exército do reino e os aventureiros das facções, um sistema de equiparação foi desenvolvido. Alferes correspondendo a um novato, Tenente a um Líder, Coronel a um Tenente da Facção, Tenente Major a um Comandante e assim por diante. 

Apesar de que em questão de poder e habilidade, os integrantes das facções seriam mais poderosos, o exército era mais organizado e rígido, por isso eram uma força a ser reconhecida. Existiam boatos, no entanto, que um Lorde poderia facilmente derrotar uma esquadra liderada por um Marechal General. 

No momento em que Matheus explicou o motivo da vinda, a expressão no rosto do Alferes se tornou uma de desgosto. 

— Fico triste por vocês, também foram enganados por aquela mulher…  

— Enganados? 

— Ela está contando essas mentiras! — acusou — Se essa má fama continuar se espalhando, os viajantes podem ficar com medo de vir aqui! Há pessoas que dependem desse comercio. 

— De fato — acrescentou Li, olhando para o líder da equipe. — Esses boatos podem acabar prejudicando a vila… 

— Não é mesmo? — concordou o guarda. — E mesmo assim, já fizeram uma investigação sobre o caso e já concluíram que não passava de uma loucura de uma senhora de idade… 

— Ah, que inferno! — reclamou Matheus. — Ainda gastamos nosso precioso tempo nessa viagem para chegar até aqui… tudo para tentar arranjar um mérito extra…  

Pegando a deixa da situação, Glória arrematou: 

— Viu! Eu disse a vocês que era uma perda de tempo, agora ainda temos um dia de viagem para voltar! 

Enquanto o grupo reclamava, Matheus virou-se novamente para o Guarda. 

— Eu sinto muito pelo incômodo Sr., mas gostaríamos de descansar um pouco antes de voltarmos, minha equipe está bastante estressada pela viagem… 

Jacó, vendo a situação do líder, mudou a sua expressão de volta a normalidade.  

— Está tudo bem, a vila de Clarusvallis é sempre muito bem receptiva, já que estão aqui, aproveitem a estadia e fiquem o tempo que precisarem… — disse sorrindo. 

— Muito obrigado! — respondeu. Virando-se para os integrantes, ele deu a ordem. — Vamos, se descansarmos bem talvez consigamos voltar a Anpýrgio ao anoitecer de amanhã!  

Parando a encenação, o grupo seguiu pelo portão. O Alferes não tirou os olhos deles até não conseguir mais enxergá-los. 

— Sr. Li, vamos mesmo ir embora assim? — perguntou Lisa.  

— Não… mas eu senti que para evitar discussão era melhor fingir que tínhamos sido enganados… o guarda parecia incomodado com nossa presença… 

— Mantenham a voz baixa — pediu Matheus. — Não queremos levantar suspeitas. 

— Se não pudermos agir oficialmente, como vamos investigar a situação? — Perguntou Glória. 

— Talvez possamos encontrar com algum informante…  

As ruas estavam praticamente vazias, algumas crianças e senhores de idade os observavam passando, mas praticamente os ignoravam. 

“Hm?”  

Em um dos becos, entre as casas da rua, Li viu um menino. Ele parecia ser um adolescente e, diferente do resto das pessoas, parecia os encarar apreensivamente. Assim que percebeu que tinha sido visto, o garoto disfarçou e adentrou mais ainda o beco. 

Ignorando o moleque, seguiram em frente à procura de um estábulo. 

— Deveríamos ter perguntado o guarda sobre as instalações da cidade… — comentou Fynn. 

— Eu achei que encontraríamos outras pessoas, mas acho que me enganei… — retrucou Matheus. — Não acho que vai ser um problema, não é uma vila muito grande… 

E realmente, após uma dúzia de minutos perambulando, encontraram um estábulo próximo ao portão sul da cidade. Arriando os cavalos, Matheus dividiu as tarefas. 

— Certo, vamos poupar tempo, eu, Glória e Hans vamos tentar achar alguém que possa nos informar da situação da vila, vocês três procurem um alojamento… eu acho que isso pode demorar mais que um dia. 

Ambos os trios concordaram e se separaram. Assim que encontraram um lugar para passarem a noite, Fynn se aproximou do balcão e começou a negociar um preço melhor com o dono da estalagem.  

Subitamente Jihan olhou para porta do lugar. 

“Foi minha imaginação? Pensei ter visto alguém…”  

— Tudo bem, tudo bem! Eu faço 2 quartos pelo preço de um!  

Com a longa insistência do homem, o senhor, dono do estabelecimento, cedeu as táticas de convencimento de Fynn. 

— Li, fica com uma das chaves, não tem espaço o suficiente para 6 pessoas em um quarto só, então eu acho melhor mantermos a divisão 3 e 3 — explicou. — Fica você, a Lisa e Glória em um e nós três ficamos no outro. 

Jihan apenas concordou com a cabeça. Apesar de tudo, ele era seu veterano no grupo e com certeza mais experiente do que ele. 

— Certo, vamos achar os outros. 

Não muito longe dali os trios se encontraram.  

— É esquisito, o pessoal daqui aparentemente não gosta nem de ser questionado sobre… — disse Glória. 

— Talvez estejamos procurando no lugar errado… eu vi um bar no caminho pra cá, talvez sobre o efeito do álcool alguém comente alguma coisa… — opinou Jihan.  

— Mesmo assim vamos chamar muita atenção andando em grupo desse jeito… — falou Matheus. 

— Eu me proponho a levar nossa carga dos cavalos para o quarto — Hans ofereceu-se. 

— Eu vou com ele, Lisa você vem com a gente? — perguntou Glória. 

— Ah… eu queria dar mais uma olhada na cidade…  

— Não se preocupe, eu cuido dela — afirmou Li, entregando a chave do quarto para a mulher. 

— Você dá conta?  

— Claro, deixa comigo. 

— Okay, vamos ajeitar as coisas, vocês voltem com boas notícias.  

Novamente se separando, os quatro se entraram num bar próximo. Apesar da vila parecer deserta, alguns gatos-pingados ainda bebiam pela manhã. 

Sentados em uma mesa, uma mulher um pouco mais velha foi atendê-los.  

— Três drinks e um suco, por favor — pediu Fynn. 

— Suco de quê? — perguntou de forma ranzinza. 

— Ah ah de laranja, por favor! — respondeu Lisa. 

Li ligeiramente olhou de canto de olho para a porta do bar e logo após se levantou. 

— Eu vou ao banheiro…  

E caminhando na direção do banheiro que ficava próximo à entrada do lugar, mudou o trajeto e subitamente disparou pela porta. Lisa, que estava prestando atenção nele, se levantou logo em seguida e o seguiu.  

Virando a esquina da construção, Jihan entrou em um beco e segurou o braço da pessoa que estava os espiando pela janela do bar. 

— Me solta!  

— Por que está nós seguindo?  

— Eu não estou seguindo vocês, me solta! 

A pessoa em questão era o mesmo menino que Li havia visto mais cedo ao entrar na cidade. 

— Escuta, garoto, eu não vou te machucar, só preciso te fazer umas perguntas. 

— Não tenho nada para falar com gente como você. 

— Gente como eu? Se é assim por que está nós acompanhando desde que chegamos aqui? 

O moleque parou de responder. 

— Sr. Li, está tudo bem? — Perguntou Lisa, que acabará de vê-lo. 

Ao ver a menina, o garoto se acalma um pouco. Percebendo a oportunidade, Li o pede mais uma vez. 

— Você parece diferente do resto do povo dessa vila, o resto do povo não parece disposto a falar conosco por algum motivo… 

“Eu sabia…” pensou o homem. “Essa energia sombria no corpo dele… é a mesma que estava emanando daquela senhora…” 

— Estamos procurando uma pessoa desaparecida, o filho de uma senhora.  

Ouvindo essas palavras, o menino rapidamente para de se debater. 

— O filho da senhora Mérida?  

— Você sabe de algo? 

Um fio de esperança passa pela mente de Jihan, mas é cortado pela negação do garoto. 

— Sinto muito, mas eu não acho que ela esteja mentindo!  

— Não acha?  

Os olhos do jovem marejam. 

— O meu pai também sumiu… ninguém acredita em mim! Como eles não se lembram!  

“Outro caso?”  

— Eu tentei falar com os últimos aventureiros que vieram aqui, mas o chefe da vila me impediu de falar com eles!  

— Impediu? Por que ele faria isso? 

— Eu não sei! Ele me acusou de estar mentindo e me manteve preso enquanto eles estavam investigando a situação!  

— E por que não veio nos falar isso antes? 

— Eu… eu achei que não acreditariam em mim… 

Li suspirou. 

“Ele é só uma criança, não tem como culpá-lo.” 

— Posso ajudar vocês… estão procurando informações, certo? Eu conheço o homem que costumava ser o marido da senhora Mérida, posso levar vocês até lá… 

A barriga do garoto roncou fortemente. 

— Vem, vamos te pagar algo para comer e depois você nos ajuda.  

Olá, eu sou o Dealer!

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