Capítulo 09 – Amigos

Tales of Blood

Não carregou? Ative seu JavaScript
Atualizar

Amigos


Autor: Vento do Leste | Revisor: Glauber

Lucas lentamente recuperou os sentidos, seu corpo estava tremendo e balançando muito. Era uma sensação horrível acordar com o corpo vibrando; sua cabeça estava batendo em algo duro e metálico. Ele tentou abrir os olhos, mas não conseguiu.

Levando sua mão em direção a região ocular, percebeu que estava atada com um lenço macio. Inicialmente, ele não conseguiu ver muita coisa, pois sua cabeça ainda estava doendo, suas memórias estavam meio embaçadas e sentia um pequeno incômodo na região dos olhos, além de uma fome gritante.

Entretanto, com o passar dos segundos, finalmente se lembrou da luta com a cobra, a perda de seus olhos e aqueles crânios fantasmagóricos. Quando se recordou disso, percebeu que não estava sozinho. De que forma então seus olhos estavam atados com um lenço? Ainda mais, a vibração que ainda sentia pertencia ao movimento de um carro na estrada.

Enquanto estava organizando seus pensamentos, o carro parou e ele escutou algumas vozes.

“Olha, ele acordou!”

“Pensei que nunca mais ele iria acordar.”

A primeira voz soou em seus ouvidos como pertencentes a uma mulher e a segunda voz a de um homem. Não é preciso dizer que ele se sentiu muito feliz de perceber que havia outros seres humanos vivos, claro, humanos não deformados.

Ele virou sua cabeça em direção às vozes e expressou seus agradecimentos:

“Olha, muito obrigado mesmo, pensei que nunca encontraria outros sobreviventes.”

Depois de falar isso, começou a desatar o lenço para abrir os olhos, mas rapidamente a voz feminina o impediu.

“Ei, pare! Você estava muito machucado quando te encontramos, é melhor não tirar o lenço agora. Espere seus olhos melhorarem e só depois tirar.”

A voz masculina concordou:

“Ruby está certa, você estava sem seus olhos, então definitivamente se você tirar o lenço, o sangue vai vazar e o ferimento vai piorar.”

Mesmo com esses avisos, o jovem ‘machucado’ continuou desatando os nós do lenço. Seus salvadores não tentaram o impedir de novo e apenas o observaram. O jovem terminou de desamarrar as ataduras e tirou o lenço. Tanto o homem quanto a mulher, Ruby, estavam sem palavras. Onde antes não havia nem sinais de qualquer globo ocular, agora tinha não apenas sinais, mas os olhos!

“Meu deus…” Falou o homem. Ruby nem conseguiu expressar seu espanto através de sua voz, ela simplesmente ficou olhando espantada.

Lucas lentamente abriu os olhos, mas a luz do sol o agrediu, obrigando-o a rapidamente fechá-los. Depois de mais alguns segundos tentando se acostumar com a claridade, o jovem finalmente abriu os olhos e pôde ver a aparência de seus salvadores.

O homem era alto, tinha quase dois metros de altura, sua pele era morena, o cabelo era raspado e seu físico era bem definido; seus olhos eram castanhos claros e usava uma roupa de academia, moletom e calças folgadas. Ele não viu outros detalhes, pois a aparência da mulher quase o fez babar.

Ruby era bem mais baixa que o homem, tinha cerca de 1,70 de altura, seu cabelo era curto na altura dos ombros e com cor preto. Sua pele era para ser branca, mas devido à exposição do sol, ficou meio rosa, definitivamente ela pegou muito sol esses dias. Seus olhos eram azuis. As curvas de seu corpo com certeza fariam qualquer homem, seja hétero ou não, parar para admirar sua beleza. Não havia exagero em seus tamanhos, tanto na frente quanto atrás e dos lados, a forma graciosa do corpo de Ruby era perfeita.

Após vê-los, ele naturalmente demorou um pouco para voltar ao normal. Percebendo que o clima ficou estranho, o homem alto saiu de seu espanto, se aproximou com um rosto sorridente, dizendo:

“Opa, deve ser difícil se acostumar com a luz, já que você passou dois dias dormindo.”

Essa revelação chocou Lucas. Ele realmente passou dois dias dormindo?

‘Bem, isso explica minha fome.’

Com esse pensamento, ele voltou os olhos ao homem e falou:

“Muito obrigado mais uma vez, meu nome é Lucas e o de vocês?“

Ele aparentemente se esqueceu do nome da mulher, sua beleza deve ter ofuscado seus pensamentos.

O homem disse ainda com um sorriso e balançando a mão:

“Ah que isso! Meu nome é-”

Quando estava prestes a dizer, seu rosto travou e franziu as sobrancelhas. Parecia muito doloroso ele falar sobre isso. Ruby percebeu isso e tomou a palavra:

“Ah, não estranhe, o nome dele é Acelino, mas é melhor chamá-lo de Ace, o meu é Ruby, é um prazer conhecê-lo!”

Mesmo enquanto falava, sua surpresa pelos olhos do jovem ‘machucado’ ainda estava escrita em sua cara. No entanto, logo se transformou num sorriso, que como Lucas viu, era bastante acolhedor.

Acelino, com a cabeça meio baixa, respondeu:

“Pois é, não sei o que meus pais tinham na cabeça quando me deram esse nome.”

Sua fala fez Ruby dar um sorrisinho, Lucas vendo isso, se encantou de novo com sua beleza. Entretanto, dessa vez ele soube se controlar e se lembrou de algo, dizendo:

“Eu estava caminhando perto da estrada justamente para encontrar outros sobreviventes e também para chegar a alguma cidade. Qual a cidade mais próxima?”

As expressões de Acelino e Ruby se fecharam e olharam para Lucas em confusão. Era como se tivessem ouvido a coisa mais louca do mundo. Lucas percebeu que tinha falado algo estranho e perguntou:

“Disse algo errado?”

Ainda com a expressão confusa, Acelino respondeu:

“Onde você estava? Digo… Por que quer voltar para a cidade? Não sabe o que aconteceu?”

Ruby também expressou sua confusão.

“Você não tem medo daquelas coisas? A cidade está toda destruída, porque voltar?”

Ao ouvir isso, ele percebeu que havia muita coisa sobre o mundo que ele não sabia; pelo menos a parte dos monstros ele podia entender, mas a cidade está destruída? O que realmente aconteceu?

Ele então decidiu contar sobre si mesmo antes de pedir mais informações. Falou sobre o bunker e resumiu sua luta com os mutantes. Desse modo, Acelino e Ruby entenderam porque ele queria ir para a cidade. Lucas simplesmente não sabia dos acontecimentos. Então Acelino tomou a iniciativa e explicou tudo:

“Após o feixe da estrela, aparentemente ficamos dormindo por 4 dias até acordarmos. Ruby e eu somos…”

Acelino hesitou e coçou a parte de trás da cabeça. A garota, por sua vez, se apressou para explicar.

“Somos primos, minha tia é a mãe dele.”

Lucas achou estranha essa interação, mas depois jogou o pensamento fora.

Acelino prontamente recuperou a postura, acenou e continuou:

“Sim, estávamos no apartamento dela quando o feixe chegou, dormimos e tal. Ae, quando acordamos nossos pais estavam mortos, na verdade estavam dilacerados, impossíveis de reconhecer. Ao lado dos corpos havia um tipo de gosma amarelada. Eu e ela, depois de terminar de gritar e tremer, saímos cuidadosamente do quarto.”

Tomando um pouco de ar para continuar sua explicação, Acelino tinha agora uma expressão de medo e desamparo. Como se não houvesse nada o que pudesse fazer e totalmente desamparado.

“Descemos pelas escadas do prédio, não havia nada de estranho por lá, mas quando nos aproximamos da saída…”

Sua respiração ficou mais rápida e tensa. Ruby também tinha uma expressão amarga.

“Começamos a ouvir os sons. Gostaríamos de nunca ouvi-los, pois eram crianças. Havia uma ratazana gigante, suas pernas eram de insetos, sua cabeça era preenchida de múltiplos corpos de crianças e adultos, estavam cravadas em toda sua forma…”

Quanto mais ele falava, mais sua voz tremia e enfraquecia, tanto que Lucas mal conseguia ouvi-lo. Ruby então tomou a fala.

“Resumindo o que ele quer dizer, aquela coisa devora tudo e todos, por sorte ele não nos percebeu. Demos um jeito de conseguir esse carro e alguns mantimentos. Desde então temos viajado, atualmente sem rumo, apenas tentando viver. Passamos por algumas cidades, mas não nos atrevemos a entrar em nenhuma. Conseguimos ouvir os gritos de socorro e dor a quilômetros de distância, aqueles grunhidos de animais e tudo mais. Ficamos apenas nas periferias saqueando algumas quitandas para sobreviver.”

Escutando tudo isso, Lucas entendeu por que eles ficaram chocados quando disse que queria ir para a cidade. Sem dúvida havia muitos riscos de ir lá. Ele então perguntou:

“Bem, o que vocês planejam daqui pra frente? Posso acompanhá-los por um tempo?”

Ruby e Acelino se olharam, Ruby disse:

“Pera ae, vamos pensar.”

Com isso, eles se afastaram e discutiram sobre essa situação. Como Lucas não podia escutá-los, preferiu olhar ao redor. Por seus olhos, viu o carro em que estava, era uma picape modelo antiga, mas com o nome famoso, Hilux. O carro era azul escuro e na parte de trás, onde ficava o bagageiro, lá ele estava.

Rapidamente Acelino e Ruby voltaram e deram seus vereditos.

Acelino inflou o peito e disse:

“Você pode vir com a gente com algumas condições. Primeiro, já que dependerá da gente pra viajar terá que nos obedecer, claro, não vamos pedir coisas absurdas, mas iremos precisar de sua ajuda. Segundo, ao nos aproximar de uma cidade, você ficará responsável por coletar a comida nas quitandas, enquanto eu e Ruby pegamos a água. Terceiro, Eu sou o líder desse grupo, então terá que me obedecer quando necessário.”

Acelino terminou a frase e entrou no carro, Ruby o seguiu e acenou para Lucas os acompanhar e continuar sua viagem.

Aviso do Autor:

Vento_Leste

Vento_Leste

Chave Pix copiada!
Rolar para o topo