Capítulo 13 – Técnicas

Tales of Blood

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Técnicas


Autor: Vento Leste | Revisor: Glauber

A poucos quilômetros de distância de um carro azul, na direção do centro da cidade, um jovem casal, estava procurando por algo dentro de um armazém, que estava aos pedaços. Faltava apenas um sopro de fumante para as paredes caírem. O chão estava cheio de detritos de concreto e pedaços de corpos, já o teto, apesar de estar presente, faltava pouco para cair.

Enquanto estavam vasculhando o armazém por água, o homem disse sem parar de procurar, seu rosto estava sereno, parecia que não se importava muito com o assunto:

“Está quase na hora, será que ele ainda está vivo?”

A mulher respondeu com a mesma serenidade: “Tanto faz, podemos passar a noite aqui se ele morrer.”

Esse casal era Ace e Ruby, eles estavam procurando por água e por gasolina. A gasolina foi a mais difícil, pois em meio a toda aquela destruição, achar um líquido extremamente inflamável que estivesse intacto, era quase impossível. No entanto, eles tinham algumas ideias de como conseguir o combustível.

No caminho, enquanto procuravam por um posto, paravam e checavam cada carro para ver se havia gasolina em seu tanque e assim, de pouquinho em pouquinho, atingiam a meta. Quanto à água, o casal procurava de prédio em prédio. É exatamente o que estão fazendo agora no armazém, mas infelizmente não acharam nada.

Por não encontrar água no armazém e na área ao redor, decidiram ir mais fundo na cidade. Eles aproveitaram o tempo para conversar:

“O Lucas me parece muito inocente, digo, ele simplesmente pediu pra nos acompanhar. Ele não tem medo de que alguém o mate?” Disse Ace.

“Não é estranho, o instinto mais comum do ser humano é sobrevivência, como ele já estava relativamente seguro, o segundo maior instinto do ser humano veio, a necessidade de formar ‘bandos’.” Ruby respondeu calma e ritmicamente.

“Aff, odeio quando você analisa tudo, a faculdade de psicologia estragou tudo de bom em você.” Ace retrucou com uma expressão descontente.

“Que sem noção, depois que você começa a entender como a mente funciona, sua percepção de mundo muda. É possível ver tudo mais claramente.” Ruby explicou com uma pitada de sarcasmo, claramente zombando de Ace.

“Que seja, não achamos água ainda e tá pra dar a hora de voltar. Não sei o que fazer, é arriscado passar a noite dentro da cidade, mas ir mais fundo na cidade é igualmente perigoso. Nunca fomos ao centro de nenhuma cidade. Não quero ir até que seja totalmente necessário.” Sugeriu Ace com uma certa quantidade de temor em suas palavras.

Desde seu despertar, o casal nunca mais entrou no centro de uma cidade. Não havia necessidade de se arriscar, mas agora parecia quase necessário se não quisessem dormir nela à noite.

‘Por que não vi nenhum ser vivo além da gente?’ Ruby pensou, mas não deu voz ao seu pensamento.

Quase fora da cidade, um jovem estava cercado por cerca de dez a quinze seres que se assemelhavam a cachorros. As mãos do jovem seguravam firmemente uma faca em cada, seus olhos estavam deslizando em direção a todos os cachorros, não querendo perder um sequer de vista.

Esse jovem era Lucas, ele estava animado, mas ao mesmo tempo preocupado. Feliz, por poder testar sua habilidade com a sua mutação, principalmente agora que muitas de suas dúvidas foram tiradas. Medo, pelo teste não ser o ideal. Se fossem apenas 3 a 5 ‘cães’, sua segurança estaria quase garantida, mas contra quase 15, sua determinação afrouxou.

Entretanto, ele sabia que não conseguia correr mais rápido do que os cães mutantes, se fizesse isso, estaria apenas expondo suas costas ao inimigo, dando inúmeras chances de o atacar. Assim, enrijeceu seus músculos e se preparou para a batalha.

A primeira coisa que fez foi tentar ativar sua capacidade de perceber onde os seres vivos com ‘energia mutante’ estavam. Lucas nomeou isso de [Intuição do Sangue], afinal, era literalmente uma intuição de onde os alvos estavam.

Desde quando terminou seus experimentos em vestir sua faca com sangue, ele tentou ativar esse sexto sentido propositalmente. Ao finalmente conseguir ativá-lo por conta própria, ele treinou mais um pouco até estar confiante que poderia ativar sua habilidade a qualquer momento.

Seus olhos ficaram quase completamente brancos, apenas os cantos direito e esquerdo tinham alguns tons de vermelho. Eles não brilharam, apenas mudaram sua cor, mas isso foi suficiente para fazer os cães, que estavam se aproximando, pararem por um segundo e reanalisar sua presa.

Quando a [Intuição do Sangue] foi ativada, Lucas conseguiu contar perfeitamente a quantidade de cachorros mutantes que teria de enfrentar. Infelizmente, em vez de ficar feliz por saber onde cada um estava, ele ficou apavorado. Ele sentia exatamente 23 cães mutantes e via apenas 13, então onde estavam os outros 10?

Ele não sabia exatamente, mas não era hora de ocupar sua mente com isso, afinal ele tinha uma luta amarga agora com os 13 primeiros cães e também podia perceber que os outros 10 não estavam atrás dele, mas sim atrás dos 13 cachorros que conseguia ver, então não havia perigo de deixar suas costas desprotegidas, pelo menos por enquanto.

Os cães mutantes não esperaram mais e avançaram em sua presa. Eles aparentemente não tinham um líder, então todos correram de uma vez abrindo suas bocas e mostrando seus dentes curvados para dentro. Essa estrutura dentária era perfeita para morder a carne e prendê-la facilmente, impedindo a fuga da presa se ela não desistisse daquele pedaço de carne.

Apesar de todos os 13 cachorros mutantes avançarem ao mesmo tempo, haviam 2 deles que chegaram a sua presa primeiro, um mirou na perna esquerda enquanto o outro visava o torso.

Como Lucas estava com sua [Intuição do Sangue] ativada, percebeu onde cada um mirava e ativou sua mais nova habilidade. Era algo que ele percebeu ser possível enquanto manipulava o líquido para envolver a faca, na verdade, era mais como um instinto. Desde que aprendeu a manipular o sangue, isso se tornou muito familiar, faltava apenas a prática contínua para refinar essa habilidade.

Desde quando entrou na cidade, não achou uma rua que não possuísse sangue e corpos mutilados e essa rua onde estava não era diferente. Havia muito, derramado por todo lugar e ele rapidamente o reuniu perto de seu corpo.

Faltava menos de 2 segundos para os dois primeiros cães mutantes o alcançarem, felizmente esse tempo era suficiente para ele reunir todo aquele líquido vermelho perto. O líquido então convergiu em sua posição e em vez de entrar no corpo, o envolveu, formando uma espécie de roupa ou armadura. Essa vestimenta não cobria por completo, apenas os braços, torso e pernas. Faltava experiência em usar essa habilidade, além de tempo para empregá-la, algo que ele não tinha agora.

Justo quando os cães chegaram à sua posição, sua camada de sangue defensiva o envolveu e os dentes curvados do cachorro que visava seu torço, mordeu seu braço coberto de vermelho, cravando-o firmemente. Nesse momento, os olhos de Lucas brilharam e numa fração de segundo moveu sua cintura em 180 graus e seu braço acompanhou o movimento, lançando o cão preso a ele a alguns metros de distância e desviando por fios de cabelo do segundo cachorro que mirava em sua perna.

Lucas estava muito satisfeito com a utilidade de sua ‘armadura de sangue’, os dentes do mutante não conseguiram furar sua pele, aquele líquido denso a envolvendo o protegeu de sérios ferimentos no braço e permitiu que ele causasse danos ao cão, jogando ele longe.

No entanto, isso não era motivo de felicidade, ainda. Faltavam 11 cachorros que ele podia ver e outros 10 esperando por ele nas sombras, definitivamente não era hora de relaxar.

Com sua concentração nas alturas, o jovem envolveu suas facas com sangue e aumentou o fluxo sanguíneo em seu cérebro. Essa foi a outra habilidade que ele tentou compreender como funcionava durante sua busca por comida. Infelizmente, foi a que menos entendeu, apenas conseguia aumentar um pouco o fluxo de sangue.

Entretanto, esse pequeno aumento foi suficiente agora. Desde suas experiências passadas com lutas e sua absorção de sangue, seu corpo melhorou bastante, então mesmo sem o aumento de fluxo proposital de sangue no cérebro, esse órgão já era bem mais rápido e eficiente do que antes, quando lutou contra seu primeiro mutante.

Então, uma nuvem de cachorros cobriu sua visão. Lucas agora só tinha um objetivo, matar!

Aviso do Autor:

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