Capítulo 16 – Fuga

Tales of Blood

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Fuga


Autor: Vento Leste | Revisor: Glauber

As cinco esferas de sangue roxo voaram para as aves, sua velocidade não era lenta e logo chegaram aos seus alvos. Nesse momento, aconteceu algo inacreditável. Os cinco urubus restantes ficaram invisíveis.

Os olhos de todos os três humanos se arregalaram, mas por motivos diferentes. Tanto Ruby quanto Ace não sabiam que esses urubus poderiam ficar invisíveis, portanto seu choque foi de surpresa. Já com Lucas, o espanto veio de seus sentidos. 

Todo esse tempo, enquanto lutava, seu [Intenção do Sangue] estava ativo e podia sentir todos os mutantes ao seu redor, incluindo seus companheiros. Mas agora, ele não podia sentir nada vindo da posição dos urubus. Essa falta de percepção o deixou bastante incomodado, pois agora ele sabia o quanto aqueles pássaros eram letais, ainda mais se não pudessem ser detectados. Isso não seria tão perigoso para ele, já que tinha uma ótima regeneração, mas era uma história diferente para os primos.

Enquanto sua mente tentava achar alguma solução para o problema, as esferas de sangue não pararam e logo três manchas de sangue apareceram no ar. Imediatamente, um trio de urubus mutantes caiu no chão com ferimentos horríveis. Dois deles tinham seu torso perfurado, e o terceiro tinha um buraco na asa.

Os três jovens tiveram outra surpresa, na verdade, foi um combo de surpresas para os primos. Se já não bastasse ver seu mais novo colega regenerar todos seus órgãos em instantes, absorvendo o sangue ao redor, ainda viram ele lançar cinco esferas roxas em direção às aves mutantes. Depois disso, viram as duas aves que tiveram seu torso perfurado começarem a se dissolver numa pasta de músculos e carne, sobrando apenas alguns ossos fissurados.

Quanto a terceira ave que teve apenas sua asa esquerda danificada, foi a causa da surpresa para todos. Afinal, suas asas eram feitas apenas de ossos, como apareceu um furo, pelo qual saiu sangue, nelas? Foi muito bizarro. Ace não queria perder tempo, então atirou uma de suas bolinhas de gude no pássaro para finalizá-lo.

Todos ficaram curiosos sobre esse último pássaro, mas agora não era o momento de se concentrar na falecida ave. Haviam duas aves que não foram atingidas e ninguém sabia onde estavam. Lucas rapidamente raciocinou:

‘Não as vejo nem sinto, o que eu faço?’ Ele não tinha uma solução para esse problema, mas felizmente ele não estava sozinho. ‘Ace! Talvez dê certo!’ Eufórico, se virou e perguntou:

“Ace, você pode jogar a poeira pra cima na direção dos pássaros?” Seu tom era de urgência, ele não queria deixar essas aves fugirem.

Ace não entendeu o motivo da pergunta, mas como viu o tom de Lucas, acenou com a cabeça e moveu suas mãos em direção ao chão. No mesmo instante, os grãos de poeira começaram a levitar no ar, formando uma barreira de poeira. 

Não perdendo tempo, ele lançou essa barreira na direção dos pássaros, essa barreira era incrivelmente rápida, mesmo Lucas quase não conseguia ver se não se concentrasse. Depois de voar por uns sete metros, a barreira de poeira passou pelos pássaros invisíveis deixando-os marcados.

Quando Lucas viu a silhueta dos urubus pela poeira, ficou feliz que seu plano deu certo e correu o mais rápido que pôde em sua direção. Sua energia mental estava praticamente escassa, então sua velocidade não era tão rápida como antes, apesar de ainda ser mais rápida que a dos pássaros. Em suas mãos, mais duas esferas roxas aparecem, mas agora tinham um tamanho muito menor.

Ao chegar a menos de três metros das aves ele moveu suas mãos para frente e disparou as esferas. Elas atingiram em cheio os dois urubus fugitivos que caíram no chão imediatamente, e o poder de corrosão do sangue terminou o trabalho.

Vendo que não havia mais inimigos, Lucas nem sequer esperou voltar para o carro, ele meramente se deitou no chão com os braços abertos e fechou os olhos. Seu cansaço era imenso, não passou nem vinte minutos desde que sua mochila foi rasgada, mas esse tempo foi suficiente para qualquer um morrer dezenas de vezes

Os primos mais atrás não estavam tão cansados, mas ainda apresentavam ferimentos internos. O último grito dos pássaros lesionou seus ouvidos e causou tontura. Mas se houvesse necessidade, eles lutariam. Eles correram para Lucas para ver seu estado.

Ele estava totalmente esfolado, alguns de seus órgãos estavam à mostra, seus músculos estavam todos visíveis e seu sangue arroxeado deu um toque medonho a sua figura. No momento que viu Lucas naquele estado, Ace não se segurou e vomitou tudo o que tinha no estômago, ele não aguentou ver aquilo. Quanto a Ruby, ela apenas franziu suas sobrancelhas e continuou se aproximando.

Ela viu a pele de Lucas crescendo, viu cada fibra e músculo se reestruturando. No entanto, sua reação foi muito diferente de Ace, ele não aguentava nem olhar, enquanto ela se aproximava cada vez mais e até mesmo se agachou para ver mais perto. Sua expressão logo suavizou, nem mesmo piscou vendo toda aquela carne roxa e ‘nojenta’ na sua frente.

‘Lindo…’ Ela murmurou em sua mente.

O tempo passou, Ace ainda estava afastado controlando-se para não vomitar, enquanto a garota estava sentada no chão esperando seu novo companheiro acordar, ela viu todo o processo, incluindo a convergência do sangue das últimas aves mortas para Lucas, regenerando-o completamente.

Depois de mais cinco minutos esperando, o jovem deitado finalmente acordou. Ele abriu os olhos abruptamente e levantou-se. Seu primeiro instinto foi de defesa, estava em estado de alerta total, mas sua percepção logo o disse que não havia perigo iminente e que ele poderia relaxar. Com isso, o jovem se acalmou e voltou sua atenção aos seus amigos. Vendo que eles estavam bem, relaxou mais ainda. Ele ainda tinha uma vaga sensação de que estava esquecendo algo, mas como viu todo mundo bem, ignorou isso. Ele perguntou só para garantir:

“Vocês estão bem?” Sua expressão, apesar de ser tensa, continha um toque de ternura.

Ace respondeu:

“Bem o caralho! Seu cadáver ambulante! Não aguento nem lem-” Os xingamentos de Ace pararam de repente, pois sua boca encheu de vomito e ele não conseguiu se segurar.

Os outros dois olhando a cena não retiveram seus risos, depois de uma situação tão tensa, aquele momento de descontração foi maravilhoso. Ruby aproveitou o clima leve e perguntou:

“Lucas, qual é mesmo sua mutação? É incrível poder se regenerar tão rápido! Ahh, mas antes…” Sua voz continha uma excitação que forçava qualquer homem responder imediatamente, ainda mais se adicionasse sua aparência e havia também um leve rubor em suas bochechas. Depois que terminou de falar jogou algumas mudas de roupas masculinas que por acaso tinha.

Lucas não entendeu imediatamente por que estava recebendo roupas, mas logo olhou para seu corpo recém regenerado e nu. Imediatamente, seu rosto ficou vermelho, e não sabia onde enfiar a cara, ou melhor, seu corpo. Felizmente, a garota tinha umas roupas para emprestar. Enquanto isso, Ace ainda estava vomitando e não viu essa interação entre os dois.

Terminando rapidamente de se vestir, tentou mudar de assunto rapidamente, respondendo:

“Rapaz, nem eu sei direito, mas tem haver com sangue.” Sua voz era apressada, tentando esconder sua vergonha.

“Por enquanto, pos-” Ele respondeu animadamente, mas de repente parou. Ele olhou para o horizonte atrás de Ruby. Seus olhos se arregalaram com sua visão. Ele sentiu uma sensação de perigo tão grande que o fez tremer as pernas. Ele pensou:

‘Isso… Temos que fugir!’

Cerca de dois quilômetros de distância do trio, uma nuvem negra e extremamente grande envolvia vários prédios ao redor, seu formato não era fixo, parecia um enxame de insetos ou cardume de peixe. Ela estava se aproximando muito rápido, Lucas não conseguia definir corretamente quão perigosa era, mas sabia que não sobreviveria a isso.

Quando Ace e Ruby perceberam o medo nos olhos de Lucas, olharam na mesma direção e viram a nuvem negra. Seus sentimentos eram os mesmos.

Todos se viraram e correram em direção ao carro, não houve nenhuma fala, todos sabiam o que fazer. A picape azul era sua única esperança.

Aviso do Autor:

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