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Tudo parecia ter congelado no tempo. O prisioneiro estava jogado no chão, deitado sobre uma poça do próprio sangue, com uma faca fincada em suas costas. Maycon, o responsável por ter lançado a faca, encarava o líder do grupo inimigo, esperando pela retaliação assim como o resto dos vigilantes. Porém, tudo que presenciaram foram as lagrimas que caiam como uma correnteza pelo rosto do híbrido.

O silêncio reinou por longos segundos que pareciam horas. Maycon, que pela primeira vez sentiu certa empatia pelo inimigo, relaxou, e saiu de sua posição defensiva.

— E-eu não quis matá-lo. — Aquelas palavras saíram de sua boca rasgando sua garganta como navalhas. — Foi um acidente.

— Cale-se! — berrou o hibrido, mudando sua expressão abruptamente. Sua voz transmitia um ódio voraz. — Selvagens, isso que vocês são. Selvagens! — Após vociferar essas palavras, o primata lançou um sinal com a mão em direção ao seu irmão, que estava escondido em meio as copas da árvore. 

Antes mesmos que os vigilantes conseguirem fazer alguma coisa, esferas do tamanho de laranjas foram lançadas pelo híbrido na árvore, caindo no convés do barco. Cada uma daquelas esferas possuia um pavio que queimava rapidamente.

— Abaixem-se! — berrou Poti, lançando Vidal e Aline no chão.

Maycon ignorou as supostas bombas e correu em direção do líder dos híbridos, que agarrou o cadáver de seu irmão mais novo e saltou para fora da embarcação em direção à mata fechada. 

O vigilante estava prestes a lançar um de seus projéteis no inimigo quando as granadas explodiram, causando um flash de luz acompanhado por um som ensurdecedor. O som foi tão alto que atordoou toda a embarcação, que não conseguiu ouvir nada além de um zumbido por alguns segundos.

Aline, ainda atordoada, assoviou com toda a força. O assovio chegou até a harpia que sobrevoava o grupo de vigilantes. A uiraçu fez um mergulho em direção ao híbrido escondido nas árvores. 

— Merda! — berrou o irmão do meio ao ver o vulto da harpia se aproximando rapidamente em sua direção. Ele tentou escapar entre os galhos, mas a grande ave o alcançou e o perfurou com suas enormes garras que atravessaram um de seus ombros. 

Os outros dois híbridos escutaram os gritos de agonia de seu irmão do meio e foram ao seu resgata. O irmão grandalhão avançou para cima da harpia, desferindo um soco certeiro em seu bico, sendo forte o suficiente para rachá-lo. A ave recuou, largando o primata ferido.

— O que aconteceu? Onde estão os outros? — perguntou o irmão bobalhão. Sua expressão estava carregada com um sentimento de preocupação e desespero. 

— Eles o mataram — disse o irmão do meio, enquanto segurava o seu ombro encharcado de sangue. A dor era insuportável e latejante.

— Quem? Quem eles mataram? — perguntou o irmão imbecil. O seu desespero estava cada vez mais evidente em sua voz.

— Não importa — disse o grandalhão, com uma voz assustadoramente calma. 

— Como não importa? — perguntou o imbecil. 

— Eu vou matar todos, todos eles! — esbravejou o brutamontes. Suas veia pulsavam por todo o corpo, como se estivesse prestes a explodir. Seus músculos, que já eram grandes, começaram a ressaltar ainda mais, deixando ele ainda maior do que já era.

— Não faça nenhuma besteira! — falou o irmão do meio, controlando a dor que sentia. — Vamos nos reunir com o mais velho e montar um plano de ataque.

— Um plano como aquele que trouxe a morte de nosso irmão? Não, eu vou agir agora! — A voz do irmão gigante era carregada por ódio e sentimento de vingança. — Sigua-me se quiserem! Eu não vou ficar esperando por ordens para poder vingar o meu irmãozinho! 

— Eu vou com você! — disse o bobo, limpando as lagrimas que escorriam pelo seu rosto. — Não vamos deixar impune. 

Os dois então avançaram em direção aos vigilantes, deixando o irmão ferido para trás, que sentiu raiva diante sua impotência diante a situação.

Quando Vidal abriu os olhos, sua visão ainda era turva e embaçada. Foi apenas com o passar do tempo, que sua visão voltou ao normal e o zumbido em seus ouvidos sumiu. 

Poti também estava se levantando, assim como Aline, porém Maycon ainda estava no chão, imóvel.

— Maycon, Maycon, acorde! — berrava Aline, enquanto balançava o seu irmão desacordado. 

Por ter ficado muito perto das granadas atordoantes, Maycon foi o mais atingido pelas explosões, perdendo a consciência. 

— Temos que sair daqui agora! — afirmou Poti, dirigindo-se até a cabine do piloto.

— Não! — O grito de Aline fez Poti parar no meio do caminho, virando-se em direção a vigilante. — Temos que cuidar daqueles macacos primeiro. Se deixarmos eles escaparem, eles irão alertar aos outros inimigos. 

— Não estamos em condições boas para entrar em combate — dizia Poti, antes de ser interrompido por um grito de alerta de Vidal. 

Um tronco de árvore de cerca de 5 metros foi lançado da mata em direção à embarcação. Os vigilantes foram obrigados a correrem por suas vidas. A estaca gigantesca de madeira perfurou o convés do barco velho como uma lança gigantesca, criando um rombo enorme na embarcação.

O impacto foi tão violento que lançou lascas de madeira do piso do barco para todos os lados, atingindo principalmente Poti, que era o que estava mais perto do impacto e foi obrigando a se jogar no rio para prevenir mais ferimentos. Os outros dois vigilantes permaneceram abaixados, protegendo o seus pontos vitais.

Após o choque, Vidal se pós de pé e procurou por ferimentos pelo seu corpo. Por sorte, ele havia tido apenas ferimentos leves, como alguns arranhões causados pelas lascas. Porém, Aline não havia tido a mesma sorte e um grande pedaço afiado de madeira havia atingido sua coxa, impossibilitando ela de se manter de pé.

— Aline, eu já estou indo — disse Vidal ao ver a situação da parceira, que permanecia deitada ao lado do seu irmão desacordado, tentando se levantar, mas sem sucesso. 

O jovem vigilante disparou em direção a sua parceira. Com o sua visão periférica, ele conseguiu perceber algo vindo rapidamente em sua direção. Esbanjando de seus reflexos surpreendentes, o jovem vigilante desviou com sucesso do ataque do grande primata que aterrissou do outro lado da embarcação. 

Vidal virou-se de imediato em direção ao inimigo. Com o bastão em mãos, ele se pós em posição defensiva. No curto período de tempo antes do início do combate, Vidal fez uma rápida análise do inimigo até então desconhecido. 

Ele era grande, cerca de 2 metros e meio de altura, além de ser bastante musculoso, aparentando ter uma força monstruosa. Suas presas escapavam pelos cantos da boca junto a uma espuma, fazendo sua face carregar uma expressão de ódio mortal.

“Deve ter sido ele que arremessou o tronco. Quantos mais desses estão por aí?” pensou Vidal, com os nervos à flor da pele. 

— Antes de começamos… — A voz do primata gigante era bruta e rouca, o que deixava Vidal ainda mais intimidado. — só quero que você saiba que terá uma morte lenta e dolorosa. — O primata estrala os dedos da mão e partiu para cima de Vidal como um trem desgovernado. 

Vendo aquela montanha de músculos vindo em sua direção, a única coisa que Vidal pensava em fazer era fugir, mas caso fizesse isso, dois de seu companheiro, que estavam logo atrás dele, seriam atingidos pelo híbrido desgovernado. 

“Que se foda.” pensou Vidal, avançando em direção ao inimigo. Enquanto corria, o jovem vigilante usou suas habilidades para transmutar a forma do bastão em sua mão, transformando ele em um cipó.

Quando os dois estavam a menos de 2 metros de distância um do outro, o Hibrido deu um salto com os dois braços levantados visando esmagar o humano, Vidal, por outro lado, deu uma rasteira, passando por de baixo do primata. 

Ao se cochar no chão, o hibrido abriu outro rombo no piso da embarcação com sua força bruta, mas antes mesmo de vira-se em direção ao jovem humano, ele foi surpreendido ao sentir algo sendo amarrado em volta de seu pescoço. Tratava-se do chicote de cipó que Vidal havia transmutado, e que agora estava sendo usado para estrangular o seu inimigo. 

Vidal estava com os pés nas costas do híbrido, enquanto se segurava nas duas pontas do chicote, e usando o peso do próprio corpo, ele puxou o cipó, apertando ainda mais o pescoço do gigante. 

O hibrido estava atômico com situação. Para ele, desde o princípio, aquele seria uma luta fácil, porém, nós primeiros segundo de combate, ele já estava sendo estrangulado pelo seu inimigo. 

Mesmo com sua força muito superior a do humano, a falta de folego, combinada com a posição desvantajosa, fazia com que qualquer coisa que fizesse fosse inútil para tentar se desvencilhar do cipó preso em seu pescoço. A única coisa que ele pode fazer foi puxar o chicote com as mãos para dar brecha para recuperar o folego. 

Vidal, por sua vez, fazia um esforço sobre-humano enquanto tentava estrangular o hibrido, que fazia movimentos bruscos na tentativa de largar o vigilante em suas costas. O rosto de Vidal estava vermelho devido ao esforço descomunal e as veias em seus braços estavam ressaltadas como se estivesse prestes a explodir.

Durante alguns segundos de luta, o hibrido começou a demonstrar sinais de fraqueza ao se ajoelhar no convés do barco devido à falta de ar. 

“Falta pouco” pensou Vidal consigo mesmo, sentindo os seus braços doerem de uma forma como se eles fossem se separar do resto do seu corpo.

O hibrido já estava aceitando a sua morte quando ele escutou um som familiar. Tratava-se do som de um dardo vindo a toda velocidade em direção ao vigilante. 

Até que conseguiu perceber o dardo vindo em sua direção, já era tarde demais. Vidal foi atingindo no pescoço, o que o fez soltar o cipó de maneira instintiva, caindo de costas no convés do barco. 

Levando a mão esquerda até seu pescoço, Vidal pode perceber que, por pura sorte, o dardo não havia atingido uma de suas artéria, o que poderia se fatal. Rapidamente ele arrancou o dardo de seu pescoço enquanto ainda estava no chão, mas antes que pudesse se levantar ele recebe um soco certeiro que atinge o seu estomago, o lançando para longe, atingindo a amurada do barco. 

Por sorte, o golpe do primata gigantesco não havia sido efetuado com força total, por ainda estar se recuperando do estrangulamento, evitando danos graves no corpo do jovem. Enquanto se recompunha do golpe, Vidal viu o gigante desvencilhar o cipó de seu pescoço e jogá-lo no rio. 

Enquanto encarava Vidal nos olhos, o hibrido graúdo disse: 

— Eu avisei que você teria uma morte lenta e dolorosa. 

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Olá, eu sou o Madsam!

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