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Os dois criminosos encontravam-se atados ao tronco de uma árvore, ao lado do galpão abandonado. Após capturarem os suspeitos, a dupla de vigilantes chamou Vanessa, que estava escondida perto dali esse tempo todo, para reconhecer as vozes dos criminosos, confirmando que foram eles os responsáveis por fazer aquilo ao seu irmão.

— Foram eles, eu tenho certeza — berrou a garotinha, cuspindo em direção aos criminosos.

Aline entrou em contato com seu parceiro Maycon, chamando-o, junto com Poti, para virem até o covil. Após alguns minutos, os vigilantes veteranos chegaram ao local, onde após a explicação do ocorrido um debate iniciou-se sobre o que deveria ser feito agora.

— Temos que contatar a central, ponto final! — afirmou Poti.

— Se o que a garota disse é verdade, o que eu acho muito provável, nós temos que agir o mais rápido possível. Se formos esperar pelas ordens da central, podemos perder a chance de ouro — argumentou Maycon.

A discussão ficou mais acalorada, com cada líder defendendo o seu ponto de vista. Vidal e Aline não ousaram compartilhar suas opiniões sobre o assunto, cientes que iriam ser ignorados. 

O confronto de egos não estava chegando a lugar nenhum. Já eram por volta das 3 horas da tarde quando Maycon decidiu agir por conta própria, ignorando os protestos de Poti.

— Então são esses merdinhas aqui que causaram todo esse rebuliço — disse Maycon, de pé em frente aos criminosos.

A dupla ignorou a presença do vigilante, ambos permaneceram de cabeças baixas, sem dizer ao menos uma palavra. 

— Vocês têm duas opções: a fácil e a difícil — disse Maycon em um tom sério, enquanto se agachava para encarar os rostos sem expressão dos criminosos. — Cabe a vocês decidirem. 

Os dois permaneceram calados. O suspeito, que se assemelhava a um urubu, permanecia imóvel, enquanto o seu parceiro tremia ambas as pernas, claramente nervoso. Maycon percebeu isso.

— Você aí, qual o seu nome? — perguntou Maycon de forma amistosa ao cara de rato. 

O silêncio ficou no ar por alguns segundos até o suspeito mostrar sinais que estava prestes a falar, hesitando algumas vezes antes de soltar as primeiras palavras.

— Meu nome é… S-Snitch

— Cala a boca, idiota. Se você falar alguma coisa, eu te mato — berrou o segundo suspeito, interrompendo o seu parceiro.

Vidal e o resto do grupo assistiam à cena ao longe. Poti estava claramente desconfortável pela atitude de Maycon, mas decidiu não intervir e continuou a observar de braços cruzados.

— Silêncio! — ordenou Maycon, desferindo um tapa no rosto deformado do homem urubu. — Pode continuar, Snitch.

— Eu conto tudo, eu juro, apenas deixem esse carniceiro longe de mim — disse Snitch aos prantos.

— Seu x9 de merda! — gritou o urubu, tentando bicar o olho de seu parceiro.

— Eu disse para você calar a porra da sua boca, seu merda! — disse Maycon esbravecido, desferindo outro tapa, mas muito mais potente que o anterior. — Aline, me arranje alguma coisa para fechar o bico desse filho da puta.

Aline foi até o segundo suspeito com uma fita em mãos, enrolando-a em volta do bico cinza do criminoso, que tentou bicar a mão de Aline na tentativa de resistir ao amordaçamento, recebendo um soco de Maycon em troca, desacordado-o.

— Continue — disse Maycon.

— Eu não fiz por mal, eu juro… nós apenas seguimos ordens… — disse Snitch, ainda hesitando.

— Desembucha logo, quando mais rápido você contar, mais rápido esse inferno vai acabar — explicou Maycon. — O que vocês deram ao irmão da garota? 

— O pessoal chama ela por vários nomes: vermelhinho, elixir e o mais conhecido, ultra.

Ao ouvir esse último nome, Poti se aproximou mais da conversa, escutando-a atentamente.

— E o que esse ultra faz? — perguntou Maycon.

— … — Snitch abaixou a cabeça, ficando em silêncio por um tempo. — É só você olhar para mim e para o meu colega.

— Então esse “ultra” concede habilidades animalescas a qualquer um que toma-lá? — perguntou Poti, entrando na conversa.

— Não há qualquer um. A droga reage de maneira diferente em cada pessoa. Alguns morrem instantaneamente, em outros não surte efeito algum e para os sortudos, ou não, ocorre o processo de metamorfose. 

— Metamorfose? — indagou Maycon.

— Sim, exatamente. Esse processo varia de pessoa para pessoa. Ele pode acontecer de maneira instantânea e indolor, como foi o meu caso, ou pode durar dias e ser extremamente doloroso. No caso do rapaz, nós achamos que a droga não tinha surtido efeito… 

— Mentira, vocês sabiam o que ia acontecer com ele! Eu escutei os gritos dele no dia em que lhe foi ejetado a droga — berrou Vanessa, interrompendo Snitch.

— Eu estou dizendo a verdade. Nunca vimos um caso como o dele, talvez tenha sido o primeiro do tipo. Um processo de transformação prorrogado.

— Ele foi a sua primeira vítima? — indagou Vidal.

— Vítima? Do que você tá falando? Ele aceitou a proposta por conta própria, não forçamos ele a fazer nada. 

— Seu desgraçado! — gritou Vanessa, correndo em direção ao criminoso com uma pedra em mãos.

Vidal e Aline conseguiram segurar a garota antes dela atingir Snitch com a pedra. 

— Tirem ela daqui, agora! — ordenou Maycon.

A dupla de recrutas levou Vanessa para a frente do galpão, onde os seus gritos não iam atrapalhar a conversa. Quando a garota já estava longe, o interrogatório prosseguiu.

— Ele foi o primeiro? — perguntou Poti, quebrando o silêncio constrangedor.

— Não… não foi. Eu já perdi as contas de quantas pessoas já testamos o ultra. Talvez tenham sido mais de 50, sendo que apenas 6 viraram “híbridos”. Sempre agimos em diferentes vilas, indo de uma para outra a cada certo período de tempo para não gerar suspeita.

— Híbridos? — questionaram ambos vigilantes.

— Sim, é assim que nos chamamos. Híbridos: o próximo passo evolutivo da raça humana… que bobagem.

— O que acontece quando uma pessoa vira um híbrido? — indagou Poti.

— Ela é enviada para o “ninho”, onde vai ser adepto à legião, o nosso exército, e vai servir como soldado pelo resto de sua vida.

Os dois vigilantes ficaram em silêncio, era muita informação para assimilar.

— E se a pessoa não quiser? — questionou Maycon.

— Nós a forçamos, o que acontece em todos os casos. Na maioria das vezes, ao se transformar, as pessoas perdem o controle, como aconteceu com o irmão da garota, por isso usamos um sedativo poderoso. Quando desacordado, nós contatamos o escavador, responsável por levar os novos recrutas até o ninho, ele é o único que sabe o caminho até a lá. O escavador também é o responsável por nos fornecer o ultra.

— Como você entra em contato com esse tal de “escavador”? — perguntou Poti.

— Usamos um rádio, que deve estar dentro de umas das caixas junto com o sedativo… — disse Snitch, ficando em silêncio por alguns segundos. — Isso é tudo o que eu sei, eu juro.

— Certo, certo. Você agiu bem ao cooperar com a gente. Vou deixar isso bem claro para os meus superiores — disse Maycon. — Agora só quero que você faça apenas mais uma coisa por nós.

Maycon se levantou, desembainhando uma faca presa a sua cintura, cortando as cordas que prendiam Snitch.

— O que caralhos você tá fazendo? — gritou Poti surpreso.

— Vou usar ele de isca para pegar o escavador — explicou Maycon, agarrando Snitch pelo braço direito.

— Você vai fazer isso sem contatar a organização? Se descobrirem, você está fora dos vigilantes. Não custa nada esperar… — argumentou Poti, agarrando o outro braço do criminoso.

— É um risco que eu estou disposto a correr. Você entende o grau da situação, Poti? Essa merda muda tudo que sabemos sobre o “Paraíso Perdido”, tudo! — exclamou Maycon, puxando Snitch para perto de si. — Precisamos agir agora!

Poti largou o braço de Snitch e assistiu Maycon levá-lo até a frente do galpão, onde o resto do grupo se encontrava.

— Você pode cuidar do urubu, aí — gritou Maycon para Poti. — Vidal, você vem comigo.

Vidal hesitou em obedecer às ordens de Maycon. Ele percebeu que os dois vigilantes veteranos discordavam em como lidar com a situação e por mais que ele gostasse e respeitasse Poti, Vidal concordava com Maycon.

— Tá surdo, moleque?! — berrou Maycon. — Vamos logo!

Vidal olhou para Aline, que estava segurando os ombros de Vanessa, ela assentiu com a cabeça, encorajando-o.

— Certo! — disse Vidal, seguindo o seu novo parceiro.

Olá, eu sou o Madsam!

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