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Com um novo clarão ofuscante, Harley e Anastasia foram arremessados pelo espaço, impelidos por uma força misteriosa que os conduzia em um movimento espiral em direção ao solo do novo mundo. Enquanto deslocavam pelo ar, eles começaram a se  habituar à súbita iluminação que momentaneamente os cegara, depararam-se com um cenário verdadeiramente extraordinário.

O rio que se estendia à sua frente era majestoso, calmo e irradiava uma luminosidade que banhava a paisagem em todas as direções. Suas águas eram tão límpidas que pareciam feitas de pura luz esbranquiçada, e à medida que fluíam, produziam um murmúrio suave e sereno que tranquilizava o coração e infundia a mente com uma profunda sensação de paz.

Às margens desse rio, estendia-se uma miríade de seres com as mais variadas formas e aparências. No entanto, notava-se algo de singular: todos os corpos físicos pareciam imóveis, como se estivessem aprisionados em algum tipo de armadilha, refletia Harley.

Conforme, eles alcançavam a deslumbrante margem do rio, uma experiência singular e misteriosa desdobrava-se, transcendendo qualquer compreensão que já tivessem conhecido. 

Assim que seus corpos tocaram a margem do rio, algo profundo e inefável foi projetado de dentro de seus seres. Era como se sua própria essência, sua consciência, ou talvez até mesmo suas almas, tivessem sido libertadas de seus corpos físicos. Harley lutava para encontrar as palavras adequadas para descrever plenamente essa experiência extraordinária que estava vivenciando.

Sua percepção estava maravilhada e intrigada com essa nova realidade que os envolvia, enquanto ele começava a discernir uma sutil e sagrada conexão que unia todos os corpos físicos a essa energia misteriosa à qual todos haviam sido transformados. Era como se estivessem compartilhando uma parte de algo maior, transcendendo as limitações da individualidade para se tornarem uma parte da própria essência da existência.

O jovem percebeu que a ligação, visível como uma espécie de cordão luminoso, variava tanto em cor quanto em espessura. Ele observou fascinado a sua própria linha, uma mistura de tons azulados que indicava uma conexão profunda e estável entre sua essência e seu corpo físico. Era como se fosse um elo entre dois estados da existência que, até então, jamais imaginara.

Enquanto observava essa manifestação fascinante, seus olhos se voltaram para Anastasia, e logo ele abriu-se uma visão igualmente notável. A princesa estava conectada à sua forma física por uma linha delicada tingida de um suave tom rosa. Sua expressão era de deslumbramento, e ele pôde perceber que ela estava imersa em sua própria luta interna, possivelmente mergulhada em pensamentos e memórias que permanecem inacessíveis para ele.

Observando os outros seres ao redor, ele notou que a mesma conexão estava presente em todos eles, embora a extensão e a aparência dessa ligação variassem significativamente. Alguns pareciam estar tão distantes que a linha que a união era tão longa e brilhante que a forma de sua consciência no fim dela se tornava indistinta, como se desaparecesse no horizonte.

Essa complexidade nas conexões entre almas e corpos era um enigma que intrigava Harley, deixando-o refletir sobre a singularidade de cada indivíduo e as intrincadas relações entre essas duas partes essenciais da existência.

No entanto, esse momento de contemplação foi abruptamente interrompido quando Harley, subitamente, sentiu-se transportado para seu mundo interno. Era como se sua consciência tivesse mergulhado em uma esfera de reflexão profunda. 

No recôndito de sua mente, o jovem percebeu que uma presença sombria estava se insinuando, uma escuridão que ameaçava ofuscar a serenidade de sua conexão azul. Era como se uma força externa tentasse impor-se, talvez integrar-se ou mesmo subjugar completamente a cor que simbolizava sua essência. Ele compreendia, ainda que de maneira vaga, que permitir que essas sombras tomassem controle ou alterassem sua natureza estava fora de questão.

O jovem se viu diante de um dilema angustiante: deveria enfrentar as forças sombrias que ameaçavam sua essência azul ou tentar regressar à consciência de seu corpo físico para escapar dessa situação desconcertante. 

Uma nova sensação tomou conta dele, fazendo com que seus batimentos cardíacos acelerassem de forma notável. Ele conhecia bem essa sensação. Era uma resposta instintiva de seu corpo diante do perigo iminente. O jovem estava ciente de seu medo, mas também da necessidade de dominá-lo, ou pelo menos encontrar uma maneira de conviver com a intensidade desse sentimento.

Ao encarar o medo de frente, Harley compreendia que não poderia deixar que esse sentimento o dominasse. O medo não era uma solução viável para a situação em que se encontrava. Em vez disso, era um sinal de alerta, uma ocorrência natural a ser controlada, um indicativo de que ele deveria superar seus próprios limites para alcançar um estado mais sereno. 

O jovem estava ciente de que não poderia simplesmente eliminar o medo; como sempre, ele teria que encontrar um equilíbrio para seguir em frente. O retorno ao seu corpo físico representava novamente que ele não conseguiu eliminar o perigo e estava mais uma vez apenas adiando o confronto. 

Ele compreendeu que o medo era um sinal de alerta, uma encruzilhada entre permanecer onde estava ou desafiar seus próprios limites para alcançar um estado superior. Uma força interna o impelia a se comprometer, a não se render diante das adversidades. Era o seu inabalável compromisso de preservar a pureza de sua própria essência, protegendo-a contra influências externas que tentassem corrompê-la. Era a coragem de se manter firme, não importando o que acontecesse ao seu redor.

Em um esforço concentrado, o jovem concentrou sua energia interna na reafirmação de sua cor azul, lutando contra a escuridão que o cercava. Ele compreendeu que a coragem era a âncora que o mantinha firme, e ele não permitiria que nada nem ninguém abalasse a força que o caracterizava. Era um ato de autodefesa, um instinto inato que, em meio àquele confronto interior, o lembrava de suas buscas e falhas passadas. 

Um choque de cores e energias se desenrolou dentro de Harley. A escuridão, tentou invadir e obscurecer a essência azul, mas a pureza de sua essência resistiu. No choque entre as cores, o azul lutava para manter seus contornos nítidos, repelindo o preto que tentava infiltrar-se e turvar sua luminosidade. Era uma luta interna, um embate de forças e o jovem sentia-se como se estivesse à beira de um abismo.

E depois de um longo tempo de embates em que a essência escurecia e clareava, algo incrível aconteceu. Os choques cessaram. Enquanto o azul saía do embate um pouco mais escurecido, mais consciente do lado sombrio, também ganhava um pouco de domínio sobre uma pequena fração do medo. 

Era como se a coragem houvesse conquistado uma pequena vitória dentro de si, permitindo a ele avançar com uma determinação renovada, consciente de sua própria complexidade, mas fortalecido pela experiência. A nova cor azul brilhava com ainda mais intensidade, um reflexo de sua resiliência diante das ameaças que tentavam desviar seu caminho.

À medida que ele emergia daquele desafio interno, Harley compreendia que, assim como havia enfrentado adversidades e sobrevivido no mundo exterior, sua força interna, também desempenhava um papel fundamental na defesa de sua verdadeira identidade. 

Aquela experiência o deixou com a convicção de que, independentemente do que encontrasse no novo mundo à sua frente, ele estava agora mais preparado para defender sua essência e permanecer fiel a si mesmo, não importando as sombras que pudessem tentar obscurecê-la. 

Nesse momento de clareza, o jovem percebeu que a linha luminosa que o ligava ao seu corpo físico começou a se expandir e crescer, projetando sua consciência luminosa adiante em direção a um novo horizonte desconhecido. Era como se uma ponte de luz se estendesse diante dele, conectando seu eu interior a um vasto e misterioso caminho que se estendia além do que podia ver. 

Harley contemplava sua nova essência com admiração, sentindo-se grato por essa descoberta. No entanto, como acontece com todos os momentos de paz, o silêncio e a tranquilidade não são eternos. Subitamente, uma colossal e densa luz negra emergiu diante dele, ameaçando envolver e submergir sua essência azul. 

Era uma escuridão avassaladora, uma espécie de nuvem que lançava uma sombra colossal sobre todo o cenário, eclipsando o brilho da sua essência azul. O jovem percebeu imediatamente sua própria incapacidade de enfrentar essa ameaça e compreendeu que, naquele momento, a única resposta adequada era a fuga.

Sabia que não era covardia, mas sim uma estratégia sensata. Não havia glória em se chocar contra uma morte certa, sem nenhuma possibilidade de vitória ou de um confronto futuro. 

Com determinação, recuou, afastando-se daquela sombra avassaladora, mas com a consciência de que precisaria crescer, acumular forças e ganhar experiência para, eventualmente, estar pronto para o confronto que viria. A luz azul de sua essência brilhava intensamente, mas sabia que precisaria crescer ainda mais para enfrentar os desafios que aquele mundo desconhecido lhe reservava.

Neste mundo em constante mutação, a passagem do tempo era uma medida impossível de se avaliar. Teriam passado dias? Meses? A noção de tempo tornara-se uma entidade volátil e elusiva, e Harley e Anastasia estavam imersos em um estado de existência que transcendia as limitações do relógio. Cada momento era uma eternidade, e o tempo parecia fluido, escapando-lhes como a água entre os dedos. 

Em um ambiente onde a passagem do tempo era uma incógnita, ele só podia se guiar pela quantidade de confrontos como sua referência de progresso, pois a noção de início, meio e fim se perdia naquele mundo. Enquanto enfrentava seu décimo desafio, a atmosfera se tornou mais tensa, fazendo-o transcender suas limitações e enfrentar seus medos. 

Um novo adversário, manifestado como uma gigantesca luz colorida, traçava uma trajetória que, se não impedida, atingiria a essência de Anastasia, que, alheia aos próprios desafios, corria o risco de ser pega de surpresa. 

Diante desse dilema crucial, o jovem enfrentava a decisão entre abandonar Anastasia a sua própria sorte ou seguir um caminho de heroísmo, sabendo que a escolha que tomasse moldaria o destino da princesa. A tentação de simplesmente seguir em frente, ignorando as consequências para Anastasia, era real, mas ele não podia se esquecer de que havia trazido a princesa para aquele mundo. 

A intensidade e magnitude da luz eram maiores do que qualquer um dos dois poderia suportar, e ele compreendia que o desafio representava um obstáculo monumental. Suas forças estavam prestes a serem testadas de uma maneira que ele nunca imaginara, e a incerteza pairava sobre sua capacidade de superar essa provação.

O jovem estava determinado a não recuar, embora soubesse que a disparidade de forças era abismal. Enfrentar a aproximação da imensa luz colorida era uma decisão corajosa e desafiadora. À medida que a luz se aproximava, as cores vibrantes preenchiam todo o espaço, envolvendo sua essência azul em um confronto iminente. 

Harley foi submergido por um turbilhão de sensações: raiva, arrogância, solidão, curiosidade, desprezo, inocência, desconfiança, insensibilidade, tristeza, nojo, horror, terror…

Era como se essas emoções o envolvessem e o levassem a um frenesi incontrolável, como se ele fosse um brinquedo nas mãos de forças invisíveis. Essas sensações se sobrepunham e se mesclavam, criando um caos interno que o fazia sentir-se arrebatado e jogado de um extremo ao outro do espectro emocional em uma sucessão implacável.

Era uma experiência avassaladora, que o forçava a encarar cada uma de suas facetas emocionais de forma crua e intensa.Era uma luta que o obrigaria a encarar seus próprios medos e limitações, era uma experiência que o estava engolindo que era mais forte do que ele poderia suportar. 

A sensação era de um verdadeiro afogamento, com ele submerso em uma energia esmagadoramente mais forte e dominante. A grande essência colorida o envolvia, sufocando-o, como uma maré avassaladora que o arrastava em direção ao abismo da perda de sua própria consciência.

Neste momento quase fatal, quando sua essência parecia à beira da extinção, Harley começou a sentir um calor intenso. Sua adaga brilhava com uma intensidade deslumbrante, algo que nunca havia testemunhado antes. Surpreendentemente, a adaga também parecia ter sua própria consciência projetada naquele estranho mundo. Era como se o artefato estivesse tentando se comunicar com ele, guiando-o em meio àquela tempestade de emoções e desafios.

Essa revelação o levou a refletir profundamente sobre a natureza da adaga. O que a tornava consciente? Quais eram os fatores que podiam ativar esse poder misterioso? O jovem questionava em silêncio, enquanto continuava a lutar pela sobrevivência, sabendo que a adaga era a chave para seu sucesso.

Com a adaga como sua única aliada, ele permaneceu firme, empunhando-a com determinação. À medida que o conflito prosseguia, o brilho da adaga tornava-se ainda mais intenso, enchendo-o de força e coragem para enfrentar o desafio. Era como se a adaga, uma entidade consciente em si, estivesse respondendo ao chamado do seu portador em um momento crucial, reforçando seu poder e guiando-o para a vitória. 

Harley dirigiu sua adaga com firmeza em direção à luz colorida que o envolvia, como se estivesse perfurando um balão de ar. Uma explosão de cores e energia irrompeu, e a luz se desfez rapidamente, dissipando-se no ar. O impacto foi tremendo, sacudindo todo o novo mundo à sua volta. 

O céu, que outrora era límpido e sereno, agora se cobria com nuvens escuras e ameaçadoras. As águas do rio, que antes fluíam calmamente, transformaram-se em maremotos violentos, agitando-se como gigantes furiosos que ameaçavam estilhaçar todos os corpos físicos na beira do rio. 

As projeções, que eram anteriormente brilhantes, quase palpáveis, agora estavam perdendo seu brilho e vitalidade. Suas cores desbotavam, tornando-se quase transparentes, à beira da extinção. 

O jovem tinha conseguido superar esse desafio monumental, mas o preço a pagar era evidente. O mundo ao seu redor estava cambaleando, à beira do colapso. Enquanto contemplava os efeitos de sua escolha corajosa, ele se perguntava que futuro aguardava agora que ele havia perturbado o equilíbrio daquela realidade misteriosa.

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Olá, eu sou Val Ferri Sant. Ana!

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