Selecione o tipo de erro abaixo
9feea29c-f7eb-49b6-b74f-54d1d3da145d

Harley, envolto no calor abrasador do deserto, encontrava-se impotente diante das sombras de suas recentes perdas. A sensação de solidão crescia, no entanto, ele compreendia a necessidade de continuar. 

Ficar parado, remoendo suas mágoas, não ofereceria soluções para seus problemas nem traria qualquer resolução naquela infinidade de areia escaldante. Ciente de que o portal tinha lhe destinado a um deserto, ele devia prosseguir.

Cada passo naquela vastidão de areia era uma jornada interna, carregando consigo o peso das escolhas e dos desafios enfrentados. A busca por respostas sobre seu destino entrelaçava-se com a dor da separação, tornando o deserto não apenas um teste físico, mas também um desafio emocional.

Ao avançar pelo deserto, o jovem começou a substituir sua tristeza pelo espanto. Ele sentia-se envolto em uma aura de estranheza e novidade, como se tivesse adentrado um reino distinto da realidade que conhecia. 

O brilho intenso dos três sóis no céu criava sombras complexas e contrastes que desafiavam suas percepções. Cada grão de areia, aquecido pela tríplice luz, reluzia como pequenas gemas douradas espalhadas pelo chão árido.

À medida que avançava, as sombras projetadas pelas dunas de areia adquiriam formas intrigantes, desafiando a lógica das sombras conhecidas em seu mundo anterior. Cada duna, cada curva da paisagem, parecia uma peça de um quebra-cabeça que ele ainda não conseguia ver por completo.

A tríade solar tornava tudo mais vibrante e, ao mesmo tempo, mais desafiador. O brilho intenso transformava as paisagens aparentemente áridas em caleidoscópios de cores e reflexos. Tudo era uma explosão de luminosidade, revelando texturas e nuances que escapavam à visão comum.

Harley, continuava andando, perdido na imensidão desértica sem ter um marco ou um lugar perceptivo de chegada, ele andava sem uma direção definida. Ele apenas seguia em frente. 

Ele sentia os efeitos do calor implacável. Seu corpo lutava contra a temperatura escaldante, e sua percepção se transformava gradualmente em uma mancha de calor sem som, sem cheiro, sem tato, sem gosto. Apenas a sensação térmica esculpia formas ilusórias, dominando sua existência.

A areia, fina e inclemente, se estendia até onde os olhos podiam ver. Cada grão parecia ter sua própria massa calorífica, intensificando ainda mais a sensação de sufocamento. Ele, inebriado pelo ambiente desértico, avançava, seu corpo marcado pelo esforço sob o calor abrasador.

Com o passar do tempo, Harley começou a perder a sensação inicial de novidade e surpresa diante do novo mundo. A monotonia do cenário desértico, imutável e constante, moldava uma paisagem que se estendia indefinidamente. 

Seus passos, por mais que avançassem, pareciam não deixar marcas tangíveis na paisagem imutável. Cada passo parecia familiar, como se estivesse em movimento há uma eternidade, e a noção do tempo se dissolvia na uniformidade da paisagem. 

O céu, com seus três sóis, permanecia inalterado, uma constante que não oferecia pistas para o ciclo natural do dia e da noite. O jovem, envolto nesse cenário imutável, viajava em uma jornada cuja duração se perdia nas areias do deserto infinito.

Na ilusão térmica do deserto, Harley finalmente avistou algo distintivo à distância: uma figura cujas vestes, apesar de leves, mantinham uma elegância imaculada. O manto esvoaçante, confeccionado em tecidos sutis, evocava tanto a praticidade necessária para enfrentar o calor hostil quanto uma aura de elegância. 

À medida que se aproximava, a ausência total de pelos em sua cabeça conferia ao estranho uma aparência singularmente imune aos caprichos do clima abrasador.

— Você está atrasado, meu caro! — decretou o velho, como se estivesse ciente de algo que escapava ao conhecimento de Harley — Vou permitir que me siga e seja meu aprendiz.

O jovem encontrava-se petrificado, como alguém que adentrou um local desconhecido e se via incapaz de compreender sequer sua própria localização. Seria esse homem um louco?, indagou-se.

— Eu sou Cedir Marsetta, mas pode me chamar de mestre, ser supremo ou até mesmo Deus. Eu, pessoalmente, tenho uma inclinação pelo título de supremo. Mas, sinceramente, não me importo se preferir utilizar Deus. Ah, que tal Deus Supremo? Sim, é isso! Está decidido.

O assombro de Harley diante da ousadia e convicção do ancião era palpável. Realmente se tratava de um louco. 

— por sua expressão, você está duvidando de mim, não é? Então vamos apostar, se eu vencer é isso.

— porque eu faria uma coisa dessas. E por curiosidade, se eu vencesse o que aconteceria.

— essa improbabilidade me faria chamar de ser supremo ou Deus. Mas isso é um absurdo só de pensar. 

Harley pensando em ensinar uma lição ao arrogante homem decide perguntar: 

— Que tipo de aposta você está pensando?

— GAROTO com coragem. Ainda pode FUGIR, não tem nenhuma vergonha em ter MEDO de disputar com um ser supremo.

As palavras do velho tocaram e acederam a velhas feridas e mesmo que sem intenção o homem parecia ter um boa intuição sobre as palavras que escolhia para convencer. 

— A aposta é que eu posso provar que sou seu mestre. E será você a decidir se estou dizendo a verdade ou mentindo. Além disso, posso conceder-lhe um conhecimento que você necessita, caso vença, ou posso me tornar seu escravo por cinco anos, se preferir, em caso de derrota.

Harley ficou estupefato diante das condições incrivelmente favoráveis. Mesmo que toda essa insanidade fosse verdade, bastaria a ele mentir para sair vitorioso. Nada poderia ser tão fácil assim. Parecia como colher frutas de uma árvore frondosa sem nenhum esforço. 

Contudo, o jovem, pensativo, analisou se não havia alguma ponta solta ou detalhe que ele não havia percebido na proposta. Ao não encontrar nada estranho, decidiu aceitar, ansioso para proporcionar uma boa lição e observar a reação desconcertada do velho excêntrico.

— Eu aceito! Vamos lá. Me convença de que você é meu mestre.

Curiosamente, Cedir Marsetta, mesmo sem nunca ter visto ou encontrado Harley, sabia seu nome, a origem, conhecia a adaga Arcana, estava ciente do nome de seu pai, de suas perdas recentes e até mesmo das dívidas que ele teria que saldar no futuro. 

Mesmo que o velho conhecesse apenas seu artefato, era impossível para ele ter conhecimento dos outros detalhes da vida do jovem. Após todas as informações verdadeiras serem reveladas, Cedir concluiu:

— Sou seu professor de magia designado pelo seu clã. Todos os clãs mantêm esse segredo, mas há uma conexão com este mundo, onde enviam seus representantes mais promissores. Os vencedores retornam como líderes, enquanto os perdedores enfrentam a morte. Agora, após tudo isso, você acredita em mim?

— Sim, Cedir! — respondeu Harley, ainda incrédulo diante de todas as revelações. Era impossível para ele mentir apenas para ganhar uma aposta. O universo, vasto e cheio de surpresas desconcertantes, parecia ter seu destino entrelaçado ao desse velho misterioso.

— Não… Não… Não! Você deve me chamar de Deus Supremo.

Antes que o jovem pudesse compreender completamente a situação, um estrondo ensurdecedor ecoou pelos céus, e uma criatura imponente desceu dos altos, suas escamas resplandecendo à luz solar como um manto de Turmalina negra. Garras afiadas cortavam o ar com destreza, enquanto um resquício de fogo dançava em sua boca, indicando um poder destrutivo adormecido. 

As asas do dragão, amplas e majestosas, lançavam uma sombra imponente sobre a terra, desafiando as complexidades geradas pelos três sóis, como se uma fera alada, outrora somente vislumbrada nos pergaminhos e manuscritos da biblioteca dos antigos clãs, tivesse emergido dos mitos para desafiar tudo em seu caminho.

Olá, eu sou o Val Ferri Sant. Ana!

Olá, eu sou o Val Ferri Sant. Ana!

Comentem e Avaliem o Capítulo! Se quiser me apoiar de alguma forma, entre em nosso Discord para conversarmos!

Clique aqui para entrar em nosso Discord ➥