Selecione o tipo de erro abaixo


Aurora, ainda envergonhada e corada após ser libertada dos efeitos da experiência das esferas, mal conseguia olhar para Harley enquanto dizia com voz fraca:

— Me siga, por favor!

Sua fala quase parecia uma fuga, mas agradeceu rapidamente:  

— Obrigada por me salvar!

Depois do agradecimento acanhado, Aurora, sem se virar para o jovem, começou a caminhar e ele a seguiu. 

— Esperem um pouco — disse Doravan, paralisando os dois e entregando um colar de cipó trançado para o jovem — Harley, use isso para reforçar o disfarce do seu braço.

Ele colocou o colar de cipó trançado em volta do pescoço e ficou surpreso ao perceber que, ao retirar momentaneamente a vestimenta que protegia seu braço esquerdo, a cor preta havia sido substituída pela tonalidade normal da pele.

— Este colar não apenas altera visualmente, mas também aumenta a camada de proteção contra possíveis eventualidades.

— Obrigado — agradece Harley sem muito jeito pelos inúmeros favores recebidos. 

Ele nunca tinha sido tão agraciado com tantos favores de pessoas desconhecidas. No passado, mesmo nas interações mais simples, ele compreendia que todos esperavam ou desejavam, mesmo que silenciosamente, alguma forma de troca por algo que ele pudesse oferecer.

Essa dinâmica lembrava-lhe as relações em sua extinta tribo, onde todos formavam uma espécie de família, naturalmente desejando e trabalhando pela evolução mútua. Mesmo assim, ele percebia que havia expectativas futuras em jogo, seja tentando se associar a um possível campeão ou líder dominante, ou criando um ambiente agradável para fortalecer os laços com todo o clã.

Entretanto, Harley balançava a cabeça, negando a sensação de familiaridade, enquanto se concentrava em ponderar sobre os motivos e intenções de Doravan. Ele cogitava se sua energia sombria seria realmente tão crucial para o professor a ponto de gerar tantos privilégios e favores. A ideia parecia bastante provável e Doravan não era seu parente ou pertencia a seu extinto clã. 

O jovem, imerso em seus próprios pensamentos, foi trazido de volta à realidade ao perceber o olhar da garota sobre ele, sem ter noção de quanto tempo havia se passado. Quando percebeu que estava sendo observada por Harley também, Aurora desviou rapidamente o olhar, parecendo um pouco envergonhada, e falou apressadamente:

— Vamos?

Mais uma vez, o ambiente ao redor deles transformou-se, interrompendo definitivamente os pensamentos de Harley. Ele sentia-se novamente confuso com a mudança, incapaz no momento de determinar o tamanho e as possibilidades do espaço em que se encontravam. 

Depois que rapidamente todas as mudanças de imagens e referências visuais se estabilizaram, o jovem percebia que estavam em um vasto depósito repleto de formas geométricas cinzentas, cada uma medindo cerca de 1 metro de altura por 1 metro de largura.

Triângulos, quadrados, retângulos, dodecaedros, pentágonos: todas essas formas serviam como invólucros para artefatos científicos finalizados, prontos para serem transportados.

Todas as formas geométricas estavam inicialmente agrupadas de acordo com suas formas específicas, mas assim que Aurora acionou uma alavanca, revelando um pequeno círculo oculto em cada objeto, tudo mudou. Em um instante, uma força invisível entrou em ação, repelindo e atraindo cada uma das formas geométricas.

Harley percebeu que esses pequenos círculos, presentes em cada peça, exerciam uma influência que ela tinha denominado como magnética. Essa força misteriosa reunia as peças, fundindo-as em uma única forma. A movimentação era tão suave quanto fluida, resultando em uma nova forma geométrica, coesa e única.

Enquanto as formas geométricas finalizavam o encaixe, Aurora comentou:

— Fascinante o que o professor consegue fazer sem usar magia — comentou a garota, surpreendendo Harley.

— Não é magia? — perguntou o jovem, espantado.

— Na verdade, não. Esse é um efeito artificial, gerado pelo uso de um tipo especial de mecanismo magnético. Ao contrário da verdadeira magia, que flui naturalmente do portador e não tem fim. 

Assentindo, Harley absorveu a informação. Ele começava a assimilar que essa tal de ciência era um tipo de cópia restrita e piorada da magia. 

Aurora direcionou seu olhar para o jovem, que retribui o olhar da garota. Após um breve instante de contato visual, ela desviou os olhos por um momento, tentando disfarçar seu próprio embaraço. Decidindo falar para desviar a atenção de seu comportamento incomum de timidez, ela prosseguiu:

— Estaremos transportando artefatos científicos que são verdadeiras maravilhas, capazes de armazenar e canalizar uma variedade impressionante de energias mágicas — e voltando novamente o olhar para Harley, um sorriso caloroso iluminou seu rosto enquanto ela continuava:

— E com o tempo, tenha certeza de que toda essa experiência se tornará tão natural para você quanto respirar.

Surpreso, Harley notou que estavam se dirigindo para um transporte similar aos veículos que ele tinha visto em alta velocidade anteriormente, em vez da carroça que haviam usado para chegar ali. 

Inesperadamente Aurora tinha segurado suavemente a mão dele, conduzindo-o em direção ao artefato de transporte. Ele ficou surpreso com a ação da garota, mas permitiu que ela o guiasse. Ela riu ao perceber a expressão de espanto de Harley e comentou:

— Desta vez não vamos de carroça. Por mim, só andaria nestes transportes. É muito mais rápido e seguro. Mas o professor tem suas manias e só viaja em sua carroça.

Juntos, eles embarcavam no transporte, ansiosos pela próxima etapa de sua jornada.


Dentro da cápsula de transporte, Harley e Aurora encontraram-se em um ambiente minimalista. Os dois únicos assentos eram confortáveis, revestidos com um material macio e resistente. Entre eles, uma grande tela transparente ocupava toda a parede frontal da cápsula, proporcionando uma visão panorâmica do exterior enquanto exibia informações importantes.

Aurora, com sua destreza familiarizada, girou algumas pequenas estrelas que deveriam funcionar como alavancas de acionamento e a tela ganhou vida, iluminando-se com um mapa detalhado.

Harley ficou impressionado com a precisão dos detalhes e a clareza das imagens projetadas. Ele pôde ver claramente uma bola piscante representando sua posição ao norte da cidade, enquanto o centro da tela mostrava uma representação da cidade em si.

Ao sul da cidade, ele notou outra representação marcada como ‘Escola de Exploradores Interdimensionais’. Para o leste, havia uma etiqueta denominada ‘Escola de Magia dos Ossos de Dragão’, enquanto a oeste estava marcada como ‘Academia de Batalha Tradicional’.

Aurora, com um toque hábil, destacou a parte central do mapa, onde a cidade estava representada. Uma linha surgiu, ligando o norte, onde estavam localizados na ‘Escola de Ciência e Tecnologia’, ao destino final, a própria cidade.

Enquanto a cápsula avançava em alta velocidade, Harley não sentiu nenhuma turbulência ou desconforto, graças à tecnologia avançada que proporcionava uma viagem suave e sem solavancos. Rapidamente, eles chegaram ao seu destino: A cidade.

A cápsula se abriu. O jovem observou tudo ao seu redor, absorvendo cada detalhe com admiração. Apesar da diferença na escala, ele notou uma semelhança surpreendente entre o depósito em que estavam antes e o local onde desembarcaram. Esta parte da cidade parecia ser apenas um projeto em uma escala muito maior, mas ainda mantinha a mesma essência tecnológica e organizacional.

Aurora acolheu Harley com um sorriso caloroso e disse: 

— Seja muito bem-vindo a Cidade Mágica, a única cidade deste mundo — sua voz ecoou ligeiramente no ar tranquilo que permeava o ambiente.

O ambiente era abarrotado por uma vasta gama de artefatos científicos, deixando ele perplexo diante da difícil tarefa de distinguir entre os domínios da magia e da ciência. Ele observava com fascínio enquanto grandes objetos operavam em silêncio, movendo invólucros com formas geométricas diversas em esteiras, enquanto braços artificiais os manipulavam com uma precisão quase sobrenatural.

Não havia sinais de vida além deles dois, nenhum outro ser humano presente para testemunhar a cena. Apenas a atividade metódica e eficiente, guiada pelo princípio da Ciência e Tecnologia, preenchia o ambiente com uma sensação de ordem.

— A cidade também é dividida em territórios entre os quatro departamentos, como no mapa, e estamos também no norte da cidade — disse subitamente Aurora, cortando os pensamentos de Harley com a clara intenção de manter a interação com o jovem. 

Ele assentiu, então perguntou:

— E agora, voltamos?

— Normalmente sim. Mas, se estiver interessado, posso te mostrar a cidade — disse Aurora, com uma esperança evidente de poder passar mais tempo na companhia de Harley, mesmo que Doravan acabasse por questionar e iniciar suas intermináveis palestras sobre prevenção e escolhas no retorno.

O jovem concordou com um aceno de cabeça, percebendo a animação nos olhos da garota. Sua disposição para explorar a cidade ao lado dela estava cada vez mais evidente, alimentando a alegria da garota.

Ele compreendia que, quanto mais conhecimento adquirisse sobre essa nova realidade em que estava inserido, mais recursos e possibilidades teria para sobreviver e tomar decisões melhores. A ideia o motivava, alimentando seu desejo de explorar e compreender cada aspecto desse mundo desconhecido.

Aurora segurou novamente a mão de Harley, conduzindo-o em direção ao artefato de transporte. Desta vez, ele não ficou tão surpreso com a ação da garota e permitiu que ela o guiasse mais uma vez, confiante em sua liderança e agradecido por sua oferta. 

Aurora virou-se novamente, olhando nos olhos de seu companheiro de viagem e com um brilho de curiosidade, perguntou: 

— E para que lugar você gostaria de ir primeiro?

Harley respondeu prontamente: 

— Para a ‘Academia de Batalha Tradicional’, se possível! — sua voz refletindo uma mistura de ansiedade e entusiasmo.

Olá, eu sou o Val Ferri Sant. Ana!

Olá, eu sou o Val Ferri Sant. Ana!

Comentem e Avaliem o Capítulo! Se quiser me apoiar de alguma forma, entre em nosso Discord para conversarmos!

Clique aqui para entrar em nosso Discord ➥