VS – Episódio 11 – Capítulo 01

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Episódio 11 / Capítulo 01 — O Fragmento de uma Espada Desconhecida (1)

Tradutor: Erufailon | Editor: Erufailon

As raízes da arvore da vida, Yggdrasil, bebem de três fontes:

  • Mimir, a fonte da sabedoria;
  • Hvergelmir, a fonte da inveja;
  • Urd, a fonte do destino. [1]

Dentre as três, a mais mística e envolta de mistérios é, sem dúvida alguma, a fonte de Mimir. Uma névoa espessa encobre sua nascente, envolvendo-a em camadas tão densas que se deu origem a uma espécie de barreira ao redor dela. Nem mesmo um Gigante com centenas de olhos seria capaz de olhar através dessa proteção.

E, ao longe, o rugido de uma besta foi ouvido. Era a voz do dragão negro, Nidhogg [2], uma criatura perversa, capaz de encobrir o mundo inteiro com seu terrível veneno, embora ele ainda não fosse uma ameaça. Ele não era capaz de sentir o cheiro do doce álcool emitido pela fonte, graças ao odor do próprio veneno que seu corpo exalava.

Um chiado ecoou junto do rugido. Era Ratatosk [3] a transitar, ocupado, pelas inúmeras raízes de Yggdrasil. Ele havia acabado de memorizar os xingamentos incumbidos a ele de serem entregues a Hraesvelgr [4], e estava escalando a árvore com pressa. Os chiados logo se afastaram.

Odin fechou seu único olho. Ele estava sentado em um freixo que ele próprio plantara, seus dedos traçando o tapa-olho que encobria seu olho esquerdo. Ele vinha até este lugar todos os dias. Mesmo após passar a noite com dezenas de belas donzelas, ou de enfrentar incontáveis inimigos no campo de batalha, ele sempre ia até a Fonte de Mimir, aguardando por respostas, como agora.

A superfície da fonte de Mimir, cheia com álcool adocicado [5], refletia a figura de três belas mulheres. Elas não estavam ali, mas eram perfeitamente visíveis sentadas uma perto da outra, tricotando.

Aquelas eram as três irmãs que profetizavam o destino do mundo.

Urd, a mais velha dentre elas, portava o fio do destino e Verdandi, a irmã do meio, tecia-o com solenidade. A mais nova dentre as três, Skuld, apenas observava o trabalho de suas irmãs, cortando os fios quando lhe era mais oportuno.

O passado, que Urd podia ver, era imutável. O presente, habitado por Verdandi, estava repleto de infinitas possibilidades. Skuld observava o futuro, olhando o que ainda não havia sido decidido, as possibilidades criadas pelo passado e pelo presente.

 As três irmãs, juntas, profetizavam o destino do mundo. Skuld sussurrava o futuro, que só ela podia ver, acima da superfície e a cabeça de Mimir, repousando em uma enorme rocha, lia o movimento de seus lábios. Ele analisou e traduziu o que elas previram para uma linguagem inteligível.

— O Ragnarök está prosseguindo. Ele está seguindo em frente sem parar, então no dia em que Aquele que Habita o Pântano [6] despertar de seu torpor, o tolo e sábio Odin irá se tornar comida de cachorro.

A divindade nem mesmo vacilou com o insulto e o corvo Munin, que havia pousado em seu ombro, também não se moveu.

Mimir continuou a falar.

— A Serpente do Mundo, Jorgumandr, ainda não morreu. Ela, antes que você saiba, irá ressurgir e decidirá seu destino junto de Thor. — O resto das coisas ditas por Mimir também lhe eram conhecidas. As histórias que ele já havia escutado centenas de milhares de vezes não mudara. — […] E as chamas de Surtur irão devorar o mundo. A probabilidade de isso acontecer é de 10.000 em 72.972.

Odin se levantou. Os números haviam mudado. Na verdade, a mudança nos números era algo comum, mas a direção que essa mudança tomava era algo importante. As possibilidades de aniquilação somente aumentaram até então. E, embora as vezes se mantivesse estática, no final ela continuava avançando.

Mas, agora, algo diferente havia acontecido pela primeira vez. A probabilidade diminuiu, ainda que apenas 1 em 10.000 ela certamente havia diminuído.

Odin se aproximou da cabeça de Mimir, sentando-se em uma rocha espaçosa para encará-lo. Ele ouviu o rugido de Nidhogg ao longe e Odin ergueu a cabeça para olhar os céus. O corvo Hugin estava se aproximado, tendo acabado de atravessar a névoa densa.

♦ ♦ ♦

— Tae Ho, guerreiro de Idun, os méritos que você adquiriu nesta expedição são grandes. Eu irei me certificar de dizer isso a Ullr, de modo que você seja recompensado de acordo.

Assim que eles retornaram a Valhalla, Gandur olhou para Tae Ho, batendo em seu próprio peito. Ele correspondeu ao gesto, batendo contra o peito de forma semelhante e sorrindo.

— Obrigado.

Tae Ho pensou naquilo como uma saudação branda, mas a opinião de Gandur era outra. Se ele não estivesse junto da expedição era bem provável que eles não teriam sido bem-sucedidos. Além disso, os guerreiros de Ullr só voltaram vivos por conta de Tae Ho.

Graças a isso, Gandur estava pensando seriamente em pedir a Ullr uma recompensa. Valhalla adorava os guerreiros valorosos e, em troca, eles gostavam de receber um tratamento adequado. E, tão logo Gandur terminou de falar, os guerreiros de Ullr se reuniram ao redor de Tae Ho. A primeira a se despedir foi Siri.

— Se cuide, capitã.

— Eu digo o mesmo pra você — disse Siri. Comparada a Tae Ho, que estava completamente curado, ela ainda parecia machucada. No entanto, agora que eles haviam retornado a Valhalla, a preocupação das feridas se agravarem era desnecessária.

— Tae Ho, vá com cuidado.

— Adeus, guerreiro de Idun. Da próxima vez, retribuiremos o favor — Rolph e os outros guerreiros também se despediram e o agradeceram. Embora seu encontro com a legião de Ullr não tivesse sido planejado, Tae Ho realmente queria manter contato com todos eles.

— Acho que devemos voltar também, não é? — Todos terminaram de se despedir e, enquanto os guerreiros de Ullr partiram sob a liderança de Gandur, Heda segurou as mãos de Tae Ho.

Ele assentiu, olhando para o portal violeta que os conectava a Svartalfheim. Alguém não estava ali com eles.

— Se você estiver pensando sobre Ragnar, ele virá em breve. Aparentemente ele está preocupado com o que aconteceu à família Mollo e disse que investigaria algumas coisas.

Ragnar Lodbrok, o novo professor de Tae Ho chamado por Heda.

— Você disse que Rasgrid foi enviada para a família Mollo, não disse?

— Gandur e a legião de Ullr foram incumbidos de cuidar dos basiliscos. Investigação é a especialidade de Rasgrid.

Agora que a família Mollo, outrora de confiança, os traiu a investigação não poderia ser completamente entregue para as fadas sombrias. E, embora eles não tivessem se encontrado pessoalmente dessa vez, baseado no que Gandur e Heda disseram, a legião de Odin foi despachada sob o comando de Rasgrid para cuidar da família Mollo em conjunto com a legião de Ullr.

— ‘Rasgrid’.

Há alguns dias eles haviam lutado no mesmo campo de batalha. Ele se sentia bem apenas por ouvir o nome dela dessa forma.

— Você sente falta dela? — disse Heda, olhando para um Tae Ho perdido em pensamentos, relembrando da batalha que acontecera na fortaleza.

Ele pensou que sabia a resposta adequada e, por isso, Tae Ho respondeu calmamente.

— Como ela pode se equiparar a Heda, a quem eu vejo todos os dias?

— Você realmente sabe o que dizer.

Aquela parecia ser a coisa certa a ser dita e os passos de Heda se tornaram mais suaves.

♦ ♦ ♦

Alguns barcos ainda estavam ancorados no porto. Vendo que valquírias e guerreiros variados iam e vinham, uma expedição parecida com a da legião de Ullr parecia estar partindo. Eles passaram pelos enormes barcos, entrando em um pequeno bote de madeira. Heda começou a cantarolar e eles se preparam para zarpar. Enquanto isso, o olhar de Tae Ho fixou-se nela.

— Er, Heda… eu tenho algo que você precisa ver — disse, depois que o bote se afastou do porto.

— O que você quer me mostrar?

— Espere um pouco.

Tae Ho desamarrou o saco que estava preso em seu cinto, retirando de dentro dele o fragmento de espada.

— Encontrei isto no basilisco que eu matei. Estava me perguntando se seria o pedaço de uma arma da grande guerra.

Embora ainda fosse um item desconhecido, o fragmento era da classificação épica. Se realmente pertencia a uma arma da grande guerra, havia uma boa probabilidade dele fazer parte de alguma arma famosa. E comparado a Tae Ho, que só conhecia um único item da mitologia nórdica — Valmont — Heda, uma valquíria, talvez fosse capaz de identificar aquele fragmento.

— Deixe-me ver — os olhos de Heda adquiriram um brilho afiado, sério, quando ela percebeu que não se tratava de um cabo comum. Ela ergueu o pedaço da espada e, cuidadosamente, começou a inspecioná-lo por inteiro.

Quanto tempo se passou depois disso é melhor não contar. Heda finalmente ergueu a cabeça, uma expressão exausta em seu rosto.

— E então? Você sabe o que é? — Perguntou Tae Ho, tentando acalmar sua ansiedade.

 Heda vacilou, como se estivesse pedindo desculpas por tê-lo desapontado e balançou a cabeça negativamente.

— Não, me desculpe. A magia que o cabo emite… certamente ela não pertence a um item comum, mas eu não consigo sentir seu atributo por conta de seu estado.

— Atributo?

— À que deus este item pertence, ou de que genealogia ele descende. Talvez tenha sido criado pelos anões, portanto simplesmente não tem o poder de uma divindade dentro dele.

Não se deve encarar uma arma levianamente apenas porque ela não pertence a um determinado Deus. Dos inúmeros tesouros de Valhalla, os que continham poder divino são realmente escassos. Até a arma mais poderosa em toda Asgard, o Mjölnir, foi feita pelo povo enânico, mesmo que tenha sido utilizado o preciso metal Unt em sua fabricação.

— Mas, Tae Ho, como você foi capaz de encontrar algo como isso? Com o cabo estando nesse estado tão deplorável, você não deveria nem mesmo tê-lo notado.

— Eu tive sorte.

Na verdade, as letras iriadas [7] chamaram a sua atenção.

 — Apesar de ser só o cabo, ele contém uma magia tão vasta que parece ser um item de alta qualidade. Se pedirmos a um mestre anão de Valhalla, talvez ele fosse capaz de colocar uma nova lâmina para substituir a antiga — Heda olhou para Tae Ho e disse, contente.

— Certamente é inútil do jeito que está, não é? — Ele perguntou, insinuando a respeito da raridade do item.

— Er… provavelmente? Mas não vamos consertá-lo de modo descuidado. Eu vou tentar investigar um pouco mais e, se encontrarmos resquícios da Grande Guerra, talvez possamos obter algum tipo de pista. Talvez ele ainda seja útil, mesmo quebrado. — Heda disse depois de pensar por um momento.

— Então, vou ter de incomodá-la com isso.

— Isso é algo que vou fazer pelo guerreiro da minha legião. Esse é o dever de uma valquíria.

Heda sorriu, alegre, devolvendo o pedaço da espada para Tae Ho, tornando a segurar os remos. Eles chegariam ao território da legião de Idun rapidamente, já que o curso da água estava bastante favorável.

— Nós voltamos mais rápido do o que esperado, então Idun talvez se surpreenda.

Heda amarrou o bote de madeira e sorriu. Mesmo levando em consideração o tempo que ele passou acamado na hospitalidade das fadas sombrias, Tae Ho retornou em, praticamente, 3 dias. Ele se lembrou de algo que a deusa havia dito e sorriu.

— O que foi? Algo de bom aconteceu?

— Idun disse que ela me daria um presente quando eu voltasse da expedição.

Foi o que ela dissera. Tae Ho pensou que só tornaria a vê-la em algumas semanas, mas levou apenas 3 dias para eles se reencontrarem.

— ‘Ela não vai me dizer que não teve tempo de preparar algo para mim porque voltamos rápido demais, vai?’

Idun era uma Deusa, afinal.

— Um presente de Idun, eu também me encontro curiosa quanto a ele — Heda sorriu, sem saber que Tae Ho tinha pensamentos tão negativos.

— Você vai ser a primeira pessoa para quem eu vou mostra-lo — Tae Ho disse, mesmo que eles estivessem sozinhos dentro da legião.

Heda acompanhou Tae Ho até a entrada do templo como ela sempre fizera e então recuou alguns passos.

— Vá.

— Sim.

Tae Ho adentrou no templo. Após ele andar por alguns momentos, um cenário familiar emergiu e tomou o lugar da escuridão.

— Tae Ho, meu guerreiro.

— Saudações a Idun.

Como de costume, Tae Ho se ajoelhou para ela em uma demonstração de polidez. Idun, que estava de pé diante de uma árvore de maçãs, olhou para ele.

— Eu recebi o relatório. Você adquiriu uma grande quantidade de honrarias dessa vez, também. Se não fosse por você, não teríamos sido capazes de interromper os planos dos Gigantes — disse Idun.

— Eu só fui capaz de fazê-lo graças as suas bênçãos.

Era verdade que ele só fora capaz de derrotar o Regenerador por usufruir da força de Idun. Ele gritou, inconscientemente, o nome de Heda mas Tae Ho era realmente grato pela ajuda da Deusa.

Idun observou a resposta calma do guerreiro e então avançou alguns passos. Próxima a ele, a deusa se abaixou e tocou suas bochechas.

— Um Regenerador não é uma entidade que um guerreiro de Classificação Inferior deveria enfrentar. Eu estou realmente feliz que você tenha voltado são e salvo.

Eram palavras visivelmente gentis e a luz que encobria Idun era tão poderosa que o rosto de Tae Ho começou a esquentar. Ela tocou o rosto dele uma vez mais e se virou.

— Antes de mais nada, Tae Ho. Dizem que você montou em uma de suas companheiras, uma guerreira bela e poderosa? — Ela disse em um tom brincalhão.

— Er, quanto a isso…

— Eu não estou te repreendendo. Heda me contou tudo — Idun riu como se tivesse acabado de contar uma piada e então caminhou até a macieira, tornando a olhar para Tae Ho. — Eu lhe darei um presente, como prometido, por ter retornado e concluído sua expedição com êxito.

Era o momento pelo qual ele estava aguardando. Animação preencheu os olhos de Tae Ho e Idun riu novamente.

— Eu preparei duas coisas, então peço que escolha uma das duas — Idun disse.

Era como ele havia previsto. E, antes que Tae Ho sequer pudesse reagir, Idun evocou um casaco branco do próprio ar.

— O primeiro presente é a [Vestimenta do Cavalo Alado]. Se você usá-lo será capaz de se transformar em um cavalo que pode voar pelos céus.

— Um cavalo voador? Seria um pegasus?

 Tae Ho não sabia muito a respeito da mitologia nórdica, mas ele tinha algum conhecimento dos mitos greco-romanos. Um pegasus era um cavalo branco com asas que um dos heróis da mitologia grega, Bellerophon, montou.

Idun assentiu, parecendo também conhecer o termo.

— É um presente dado a Asgard pelos olimpianos. Eu estava me perguntando se você gostaria dele, já que parece gostar de montar em coisas — Idun disse em um tom provocativo, mas Tae Ho não podia negar a verdade.

Aquela era a [Vestimenta do Cavalo Alado], afinal de contas.

Ele não pretendia usá-la por si só. Era algo que seria apropriado se um companheiro de batalha vestisse.

— ‘Capitã Siri seria capaz de voar pelos céus usando isso, certo? E também tem o Rolph…’

Os dois também não eram os únicos. Qualquer um que lutasse ao seu lado seria capaz de fazer o mesmo.

— ‘Ei, espera. Por que eu estou pensando em montar no Rolph?’

Tae Ho ignorou essa ideia e então começou a pensar nas coisas que ele poderia fazer com aquela vestimenta alada.

— Seria bom ter algo assim caso você lutasse ao lado de Heda — Idun, que estava olhando para Tae Ho, disse casualmente.

— Idun?

— O outro presente é essa algibeira — Idun mudou de assunto enquanto, desta vez, evocava uma bolsa branca do tamanho da palma de uma mão. — Tae Ho, você conhece o precioso barco chamado Skidbladnir [8]?

— Uh… não. — Era a primeira vez que ele ouvia aquele nome. Além do mais, Tae Ho não teria sabido que era um barco se a deusa não tivesse lhe dito.

— É um navio abençoado que sempre irá navegar com a graça dos ventos e que, mesmo sendo grande, pode ser dobrado ao ponto de ficar tão pequeno quanto um bolso. Os filhos de Ivaldi criaram este barco a pedido de Loki e essa algibeira também foi feita por eles.

Em termos simples, aquele era um item de alta qualidade feito por mestres artesanais.

— Tudo o que você colocar dentro dela vai encolher, o que te permite colocar inúmeras coisas ali dentro.

— Ele… encolhe as coisas?

— Isso mesmo, meu guerreiro. Se importa de me emprestar um de seus pertences? — Idun estendeu sua mão e Tae Ho lhe entregou sua [Vestimenta de Asas de Falcão] cuidadosamente.

— Aqui está.

— Observe com cuidado.

Idun nem mesmo dobrou a capa, aproximando-a da entrada da algibeira. E então, surpreendentemente, ela começou a encolher e encolher, cada vez mais, até ficar do tamanho de um dedo e caber dentro da bolsa.

— Woah.

Idun tirou a vestimenta alada de dentro da bolsa como se não fosse nada e então começou a contar. No três, a capa retornou ao seu tamanho original.

— Mesmo depois de retirar o item de dentro da algibeira ele vai permanecer em seu tamanho diminuto por um momento, algo que pode ser controlado por você. Além disso, você não precisa se preocupar em misturar seus pertences porque você sempre irá puxar para fora dela o que você deseja.

— ‘Isso realmente se parece com um inventário vindo de um jogo.’

Mas não era apenas isso. A função de encolher lhe fez pensar em inúmeras situações em que ele poderia usar a algibeira de forma útil.

— O nome desta algibeira é Unnir

Idun selou a bolsa com um movimento gracioso e a deixou suspensa no ar. Com ela como o centro, a [Vestimenta do Cavalo Alado] flutuava à sua direita e Unnir estava à sua esquerda.

— Agora, escolha um deles.

Aquelas palavras eram excessivamente cruéis. Escolher apenas um. Tae Ho preferia que ela só tivesse lhe mostrado um deles, então.

— ‘De qualquer forma, eu sou sortudo por poder ter ao menos um deles.’

Tae Ho decidiu pensar positivamente e começou a seriamente pensar em qual dos dois ele deveria escolher.

— Meu guerreiro, não se deixe afligir. Você será capaz de escolher o outro presente assim que tiver acumulado uma quantia adequada de méritos sob seu nome, novamente — Idun disse com um sorriso.

Isso porque Tae Ho era o único guerreiro que poderia receber esses tesouros. Tae Ho sentia-se grato que a legião de Idun possuía uma quantidade tão pequena de guerreiros e então começou a olhar para os tesouros depois de respirar fundo.

A [Vestimenta do Cavalo Alado] ou a algibeira Unnir.

Tae Ho fez sua escolha.


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[1] Na mitologia nórdica, há três poços (ou fontes, dependendo da tradução) que nutrem as raízes de Yggdrasil.

  • Hvergelmir, que é dito pertencer a Niflheim, borbulhando e em eterna ebulição, como uma caldeira fervente. Nele habita o dragão Nidhogg, que mastiga as raízes da Árvore do Mundo.
  • Mimir e, resguardando o poço, está o gigante de mesmo nome, dito ser uma das criaturas mais sábias em toda a existência, pois ele bebe das águas deste poço constantemente. Odin sacrificou seu olho neste local, em troca de poder tomar um gole da água que é capaz de conceder a sabedoria.
  • E por último, a raiz que vai até a residência dos Aesir, em Asgard, reside no poço de Urd. Nele também habitam as três Nornas, jovens e sábias, que cuidam do poço e das raizes de Yggdrasil. O poço pertence à Urd, que é a sorte e o destino.

Também vale citar que na tradução em inglês o tradutor transcreveu o nome do poço como “Poço da Vida”. Contudo, para o português, eu traduzi “life” como “destino”, por ser uma palavra mais adequada e por também fazer parte dos significados da palavra em inglês.

[2] No mito Nidhogg (do nórdico arcaico Níðhöggr, significa literalmente “percutor de maldições” ou “Aquele que Ataca com Malícia”) é uma figura importante dentre as serpentes e dragões que vivem abaixo das raízes de Yggdrasil, devorando-as, algo muito perigoso para a árvore que sustenta os nove mundos do cosmos. As ações de Nidhogg tem a intenção de trazer caos de volta ao cosmos e ele, junto de sua espécie reptiliana, ganharam um lugar ao lado dos gigantes.

[3] É o esquilo responsável, no mito, por levar as mensagens (presumidamente maliciosas) de Nidhogg à águia gigante que fez seu ninho em um dos galhos da árvore do mundo e vice-versa. Essa águia provavelmente é o gigante conhecido como Hraesvelgr, embora eu não possa afirmar isso com toda certeza (do que eu li a respeito), que é mencionado um pouco depois. Ratatoskr também costuma distorcer as mensagens de um para o outro, de modo a torná-los ainda mais irritados.

[4] Hræsvelgr (literalmente “comedor de cadáveres”) é um gigante que se senta no fim do mundo com a capacidade de se transformar em águia e faz os ventos soprarem quando bate suas asas ao alçar voo. É supracitado como a águia a qual Ratatoskr entrega as mensagens de Nidhogg pelo autor, mas não achei nenhuma informação que de fato corrobore com a veracidade disso no mito original. Fica ao critério do leitor decidir, creio eu.

[5] Esse tal de álcool adocicado nada mais é do que o famigerado hidromel nórdico.

[6] É um dos termos utilizados para se referir à Fenrir, o gigante que irá batalhar contra Odin durante o Ragnarök e, por fim, matá-lo.

[7] Iriado, de acordo com o dicionário, significa “algo que tem a cor do arco-íris”

[8] Skíðblaðnir (literalmente “montado com finas peças de madeira”) é o melhor e mais famoso barco na mitologia nórdica. Foi feito pelos filhos de Ivaldi como um presente de Loki para os deuses após ser ameaçado de ter todos os ossos de seu corpo quebrados (cortesia de Thor) ao pregar uma “peça” na esposa do deus, cortando-lhe todos os cachos dourados da ponta até a raiz. O barco foi presenteado a Freyr e, junto dele, outros 5 presentes como a famosa lança de Odin, Gungnir.

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